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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Façam suas apostas. Vai começar o jogo de azar


 
O estudo das organizações sociais define o partido politico como uma agremiação ou associação estável, apoiada a uma ideologia determinada relacionada entre seus afiliados e seguidores, que aspira assumir em algum momento o poder de uma nação para desenvolver seu programa de governo.

Este, contudo, é apenas o conceito formal e histórico de partido político e que não contempla as transformações substanciais que algumas dessas organizações vêm atravessando nos últimos anos. Hoje, por exemplo, dentro de algumas entidades partidárias, principalmente em regiões onde o contato humano é mais estreito, é crescente o número de afiliados de várias legendas com afinidade ideológica para analisar e debater os problemas que os afetam e às suas comum\idades, em busca de soluções coletivas.

Uma nova percepção política começou a agitar, desde ano passado, alguns segmentos locais, de partidos ditos “pequenos”, que promovem encontros de dezenas defiliados, quase todos ou talvez todos,  candidatos ao Legislativo Municipal, para a troca de experiências e informações. Eles parecem em busca de um denominador comum para conhecimento mútuo e domínio da variada gama de seus problemas  comuns.

E o que mais se destaca nesses encontros, segundo um participante, é a certeza de que o presente modelo eleitoral está falido, contaminado pela compra de votos, pelo abandono da defesa dos interesses da população.

Outro grupo que também começa a mover-se, embora sem muita convicção, são os chamados candidatos alternativos à prefeitura municipal. Pelo menos dez deles reuniram-se em meados de janeiro para sondagem se passiveis alianças. Eles  entraram pela noite em meio a cafezinho, biscoitos, e muita prosa. Cercado de potenciais concorrentes, embora as convenções ainda devam sacramentar o escolhido de cada sigla, teve participante que pouco falou, mas saiu rouco de tanto ouvir.

Da parte dos candidatos públicos e notórios (e bota notório nisso!) a movimentação atende ao lugar comum das fórmulas sem criatividade. Gasta-se rios de dinheiro com pesquisas eleitorais que, a rigor, e por serem clandestinas, se prestam apenas à massagem (ou não) do ego que as custeia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SINTEPP denuncia aparelhamento do Estado


Blog do Barata
Alberto Andrade, um dos alvos das denúncias feitas ao Ministério Público...
...que também atingem o vereador de Belém Fernando Carneiro, do PSol.
Com um total estimado de cerca de 22 mil associados e uma receita anual calculada em R$ 12 milhões, o Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará, está no epicentro de graves suspeitas de malversação de seus recursos financeiros e do seu patrimônio pela atual diretoria da entidade, em desvios que, se confirmados, resvalam para a corrupção pura e simples. O estopim do escândalo é uma representação anônima, feita ao MPE, Ministério Público do Estado do Pará, elencando um vasto repertório de denúncias de corrupção, supostamente ocorridas na esteira do alegado aparelhamento do sindicato pela APS, Ação Popular Socialista, uma tendência do PSol, o Partido Socialismo e Liberdade, na qual pontifica o vereador de Belém Fernando Carneiro. A diretoria do Sintepp rebateu parcialmente as denúncias em alegações encaminhadas ao MPE, prontamente rebatidas.

O elenco de denúncias abrigado na representação anônima é devastador e comprometem visceralmente Conceição Holanda, tesoureira do Sintepp. Ele inclui de suspeitas de prestações de contas obscuras até concessão de empréstimos valendo-se de recursos sindicais, ao arrepio da lei, passando por pagamentos indevidos a diretor da entidade, incluindo Alberto Andrade, o Beto Andrade, vice-diretor geral. As denúncias ainda incluem despesas não devidamente esclarecidas com consumo de combustível; utilização de veículos do sindicato em locais inadequados e em períodos injustificáveis; custeios de diárias, hospedagem e alimentação não suficientemente justificados; financiamento de campanha eleitoral do PSol, beneficiando a campanha a deputado estadual do vereador de Belém Fernando Carneiro. As denúncias ainda mencionam o uso indevido do espaço físico do Sintepp para fins político-partidários; relações absolutamente informais com prestadores de serviço, propícias a mascarar desvio de recursos; pagamento de diárias de hotel, de nomes estranhos ao sindicato, em período que coincide com a eleição de nova diretoria.

SINTEPP – O temor de represálias

Na representação encaminhada ao MPE é sublinhado que as denúncias são de responsabilidade de “um expressivo grupo de professores, filiados e pertencentes à base da categoria profissional, que insatisfeitos e duvidosos quanto a condução administrativa do Sintepp recorreram ao guardião da lei e da moralidade”. Ao justificar os motivos do anonimato, o “expressivo grupo de professores” é contundente, atendo-se a constrangedores episódios policiais protagonizados pelo diretor geral do sindicato, Geraldo Mateus Ferreira, e pela tesoureira, Conceição Holanda, como ilustrativos do “modus operandi dos diretores do Sintepp quando contrariados ou questionados”. “Temendo, consequentemente, represálias que podem acarretar em atentados as nossas integridades físicas e de familiares, preferimos o anonimato”, fulminam os autores ocultos da representação. Segundo registros de BOs, boletins de ocorrência, Mateus Ferreira ameaçou por telefone um ex-funcionário do Sintepp e Conceição Holanda agrediu um funcionário do sindicato.

Em off, para não ferir a suscetibilidade de colegas eventualmente envolvidos no contencioso, três advogados ouvidos pelo Blog do Barata convergem para conclusões similares. “A representação está bem fundamentada”, opina um dos advogados, endossado pelos demais. “Algumas das denúncias são factíveis, não são acusações vagas, enquanto outras dependem de investigações que o Ministério Público pode implementar”, avalia outro, avalizado pelos colegas ouvidos. “A representação é trabalho de profissional qualificado; como evidencia a argumentação exposta para defender, com inegável fundamentação, a competência do Tribunal de Justiça para julgar o contencioso”, reforça um terceiro advogado, corroborado pelos dois outros colegas. Os três advogados, também em off, entendem que eventuais lacunas da representação foram satisfatoriamente supridas no documento no qual os denunciantes rebatem as alegações da assessoria jurídica do Sintepp.

SINTEPP – Diretores sob suspeita

A representação, a priori, tisna a imagem de dirigentes do Sintepp, ao associá-los ao aparelhamento do sindicato de que é acusada a atual diretoria, com o agravante da suspeita vde que possam ter coonestado, por atos ou omissões, graves ilícitos. São citados nominalmente, como militantes do PSol, Mateus Ferreira (diretor geral), Beto Andrade (vice-diretor geral), Conceição Holanda (tesoureira), Mauro Borges (diretor de. Secretaria), Maurilo Estumano (diretor de Assuntos. Jurídicos), José Alacid (diretor de Funcionários), Williams Silva (diretor de Comunicação), Ronaldo Rocha (diretor de Saúde do Trabalhador) e Edilena Pena (Conselho Fiscal).

Em seu desdobramento, a representação observa que a filiação partidária, por si só, não depõe, em tese, contra nenhum dirigente sindical. Mas, aí, faz a ressalva demolidora: ”Contudo, sabemos que nem tudo o que é legal implica em ser justo. Deixando sérias dúvidas e questionamentos quanto ao grau de isenção nas ações administrativas desses diretores, pois exemplos a nível nacional não nos faltam de partidários que usam do governo para benefício de suas agremiações políticas (caso Petrobrás, Mensalão, Simens - Metrô de São Paulo, etc). Logo, tem a vida nos revelado que é tentadora a relação poder institucional concomitante a ligação partidária o que quase sempre leva a desvios de condutas, interesses, objetivos e até a imposição de certo ideologismo”.

O revolucionário 7 de janeiro em Belém


O dia 7 de janeiro é emblemático para Belém do Pará. É, talvez, a data mais marcante de sua história. Marco de movimentos de resistência indígena, negra e mestiça à opressão portuguesa, durante o período colonial, de repercussão nacional e internacional, ainda assim pouco é mencionada, malgrado sua alta importância. 

Em 7 de janeiro de 1619, os índios Tupinambá, primeiros habitantes da região, revoltados pela escravidão a que eram submetidos, atacaram o Forte do Presépio. Para sufocar o levante, Francisco Caldeira Castelo Branco, o fundador de Belém, determinou a prisão e morte do cacique Guaimiaba.

Em 7 de janeiro de 1835, mais de 200 anos depois, a tomada de Belém, também pelo Forte e o antigo Palácio do Governo, onde hoje funciona o Museu Histórico do Estado do Pará, marca a Cabanagem. Na noite do Dia de Reis de 1835, a população saiu às ruas a fim de assistir a uma peça no Teatro Providência. O presidente da província, Lobo de Souza, estava na plateia. Enquanto isso, na surdina, os cabanos começaram a ocupar pontos estratégicos da cidade, com armas nas mãos. A madrugada foi intensa: o palácio do governo nem chegou a oferecer resistência significativa, no quartel houve adesão da tropa e o prédio da Maçonaria foi logo depredado.  Alcançado em um terreno baldio quando tentava ir da casa da amante ao palácio, o presidente Lobo de Souza, o Malhado, foi abatido

O senhor de engenho e fazendeiro Félix Clemente Malcher foi, assim, eleito primeiro governador cabano, tendo Francisco Vinagre como comandante das armas. O líder Eduardo Angelim recusou os cargos que lhe foram oferecidos. Mas não tardou para que o moderado Malcher e o extremado Vinagre se desentendessem. Angelim, preso em um navio de guerra durante os embates, foi libertado depois da deposição e morte de Malcher, pelos próprios cabanos, que entregaram o poder ao marechal Manuel Jorge Rodrigues, enviado pela regência, em 26 de julho. Mas o marechal mandou prender Francisco Vinagre e mais 300 cabanos. Angelim fugiu, então, para o interior, e nova fase cobriu Belém de sangue a partir de 14 de agosto de 1835, durante 11 dias. Angelim, aos 21 anos, se elegeu governador, o terceiro cabano, depois de Francisco Vinagre. 

A radicalização do movimento, com Belém sitiada, culminou com o saque e o assassinato da tripulação de um navio inglês, que transportava grande quantidade de material bélico para um comerciante britânico estabelecido em Belém, daí que não demorou para três navios de guerra da marinha inglesa, com bandeira branca hasteada no mastro, aportarem, exigindo o hasteamento da bandeira britânica no lugar da brasileira, a entrega dos criminosos à justiça da Inglaterra e a indenização devida à companhia de navegação. Angelim atribuiu a responsabilidade pelo pagamento e aplicação da justiça ao governo brasileiro, o que foi aceito pelo capitão Strong. 
Durante oito meses e dezenove dias os cabanos dominaram Belém, que foi retomada pelas tropas legais em 12 de maio de 1836. Mas a Cabanagem havia se espraiado pelo interior, ao longo do caudaloso rio Amazonas. Em cinco anos de sangrentos combates, cerca de 30 mil pessoas tombaram. Uma carnificina que ceifou dez por cento da população do Grão Pará e Rio Negro. 

A Cabanagem, hoje aos 181 anos, merece ser estudada com ênfase nas escolas parauaras e sua memória preservada. Boa hora para que o Memorial criado por Oscar Niemeyer, no Entroncamento, seja restaurado e utilizado de acordo com a sua finalidade.

Efeito de teste nuclear é registrado em Parauapebas

Notícia Sul do Pará

De acordo com o Centro, a onda P teria atravessado o núcleo da Terra e foi registrada, às 23h 50, pelas estações da rede do norte e nordeste do país. Uma das estações, cujo código é PRPB, localizada em Parauapebas, no sudeste paraense, também registrou tremores causados pela onda P.

A estação de Boa Vista, a BOAV, foi a que registrou maior intensidade provocada pela onda e o tremos pode estar relacionado com o possível teste com a bomba de hidrogênio.

Segundo o Centro, as estações localizadas nas regiões sul e sudeste, por causa da distância em relação ao ponto da explosão, não ticera.
Informações de Pebinha de Açucar

Rio Arataú transborda e isola municípios da Transamazônica

Rio transbordou na madrugada desta q

Do G1 PA
Os moradores de municípios que ficam ao longo da rodovia Transamazônica estão isolados desde a madrugada desta quarta-feira (6). O rio Arataú transbordou próximo à ponte de Pacajá, no sudeste do Pará, a mesma ponte que desabou no início de dezembro de 2015.
Por causa disso, a população de cidades como Pacajá, Altamira, Brasil Novo, Uruará e Medicilândia estão sem acesso a Belém.
Segundo os moradores, o nível do rio ainda estava baixo quando um desvio foi contruído para resolver o problema do acesso de veículos com a queda da ponte. Porém com as chuvas dos últimos dias, o volume de água aumentou, causando o isolamento de parte da estrada.
A preocupação dos moradores agora é que continue chovendo e o desvio não suporte a pressão da água e acabe cedendo. Uma equipe da Polícia Rodociário Federal já foi enviada ao local.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Racismo na TAM: “Troca de lugar com a feinha (negra) aí”, diz funcionário

negrobelchior

Por Douglas Belchior, com informações dos coletivos Treme Terra, O Preço, Rua, Sarau AfroBase, Vaidapé

“Vitimistas! Mini Marxistas! Viva Bolsonaro 2018!”, gritaram os passageiros

Na tarde de sábado (19/12) no vôo TAM-JJ3705 de Brasília para Congonhas-SP, um grupo de jovens artistas sofreram ofensas racistas por parte de funcionários da TAM que seguiam no vôo como passageiros. Segundo relato dos artistas, os agressores foram acobertados pelos comissários de bordo da TAM, receberam privilégios no tratamento dentro do avião e tiveram sua conduta racista apoiada por parte dos passageiros.

Depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião!”

Os jovens artistas periféricos voltavam de Brasília, onde participaram da 3° Conferência Nacional da Juventude, que reuniu por 4 dias cerca de 5 mil jovens de todo o país e onde se discutiu, entre outras coisas, justamente a problemática da questão racial no Brasil.

Segundo o relato, um homem branco teria enviado uma mensagem com teor racista para um colega, também branco, sentado à algumas poltronas de distância: “Depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião!” O mesmo homem teria, em uma segunda mensagem ao amigo, escrito: “Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”, referindo-se a uma das jovens negras do grupo.

Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”

Os jovens, ao perceber a troca de mensagens discriminatórias, resolveram tirar satisfações junto ao agressor, que reafirmou: “Para andar de avião, a pessoa tem que se comportar direito”.

Com a discussão, os comissários de bordo intervieram e ameaçaram chamar a Polícia Federal. Os jovens foram incisivos em concordar que se chamasse a PF, já que estavam sendo vítimas de racismo, crime inafiançável no Brasil. A tripulação não acionou a polícia, promoveu mudança de lugares dos agressores e o vôo seguiu. No entanto, durante a viagem, os jovens perceberam que um dos agressores fora convidado pelos comissários a conversar separadamente sobre o ocorrido, atrás das cortinas do serviço de bordo e a discussão recomeçou. “Porque a tripulação ouve e trata com privilégio os agressores e não os agredidos?” , questionou o grupo de jovens.

Para andar de avião, a pessoa tem que se comportar direito”

Com a aeronave em solo, já na chegada à SP, o grupo de artistas resolveu promover uma intervenção artística ainda dentro do avião, com um recital da poesia “Somos”, de autoria de Juliana Rodrigues, a Afro Ju, uma das jovens agredidas durante o vôo. Eis que parte dos passageiros, incomodados com o conteúdo dos versos, passaram a hostilizar o grupo. “Vitimistas! Mini Marxistas! Viva Bolsonaro 2018!”, gritaram alguns passageiros, segundo relatos dos jovens.

 

Racismo na TAM: “Troca de lugar com a feinha (negra) aí”, diz funcionário

Brasileiros pagaram cerca de R$ 2 trilhões em impostos neste ano

O Mocoromngo
O Impostômetro, mecanismo criado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para medir o valor dos tributos [impostos, taxas e contribuições] pagos pelo cidadão brasileiro durante o ano, chegou a R$ 2 trilhões por volta das 11 horas desta quarta-feira (30/12). Segundo a associação, esta foi a primeira vez que a ferramenta atingiu essa marca. No ano passado, o Brasil arrecadou R$ 1,95 trilhão.
“Se fossem melhor aplicados, R$ 2 trilhões em tributos pagos pelas empresas e cidadãos seriam mais do que suficientes para atender às necessidades de todos os brasileiros”, disse Alencar Burti, presidente da associação. “É imprescindível uma reforma tributária no Brasil, que só poderá ser feita se houver solução satisfatória para a crise política, na urgência que o país requer”, opinou.

Com esse valor arrecadado pela União, estados e municípios, daria para se fornecer mais de 14 bilhões de bolsas famílias, adquirir mais de 1,66 bilhões de notebooks, contratar mais de 149,9 milhões de professores do ensino fundamental por ano, construir mais de 21,7 milhões de quilômetros de redes de esgoto ou construir mais de 57,1 milhões de casas populares de 40 metros quadrados, por exemplo.

Ainda segundo a ACSP, os tributos federais representam 65,95% dos R$ 2 trilhões arrecadados este ano, enquanto os estaduais equivalem a 28,47% e os municipais, a 5,58%. Individualmente, o tributo de maior arrecadação é o ICMS (19,96% do total), seguido do INSS (19,18%), Imposto de Renda (15,62%) e Cofins (10,13%).

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

MST e o Direito da Terra

Na manhã desta terça-feira,(15/12), em Marabá, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) lançam o primeiro curso de Direito da Terra da região Amazônica.

Com a presença de Raquel Buitrón Vuelta, do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), Paulo Sergio Garcia, superintendente do INCRA no sul do Pará (SR- 27), Júnior Fideles, procurador Chefe da Procuradoria Federal Especializada do Incra em Brasília, do reitor da UNIFESSPA, Maurílio Monteiro e o Representante da Vía Campesina, João Pedro Stédile.

O curso tem como objetivo forma em cinco anos, 50 bacharéis em Direito provenientes das áreas de assentamentos de reforma agrária, filhos e filhas de camponeses/as da região. Os candidatos realizarão um processo seletivo da UNIFESSPA. Este será o quinto curso em termos nacional, pois já existem cursos de direito em outros estados em parcerias como na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Feira de Santana na Bahia (UEFS) e na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Local do Evento: Auditório da UNIFESSPA – Campus I Folha 31 - Quadra 7, Nova Marabá, Marabá – PA, a partir das 9h.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015


Estou tateando na internet. Reaprendendo a lidar com computtador.
Além da obstrução das coronárias, o avc levou-me parte de uma visão (o oculista disse que não tem a ver uma coisa e  outra) a medicina diz que estou com quatro graus de miopia. Besteira, né?
O certo é qe fiquei longo tempo sem mexer com internet (por várias razões (pessoais - que não interessam, aliás, ao leitor).
Acreditem: desaprendi, nesse tempo longo, até a enviar um prosaico e-mail...
Coisas da vida...
Mas superar é preciso, assim como amar é fundamental.
É assim que, remexendo em arquivos, achei um poema que publiquei há milhares de anos, num período pré-alfabeto torto do avc. e que trata fundamentalmente do amor.
Vejam aí.






Enseada dos anos
Ademir Braz

O espelho me devolve a barba de vários dias:
umas cerdas brancas, duras, de velho cuandu.

Deve ser esse fascínio dos 600 anos... Para onde
fluíram em maciez e furor as antigas manhãs?
Onde as noites nevadas de espuma? Onde
o espanto de fardos e fados rarefeitos, verbo
em sangue no guardanapo dos botequins?

O cuandu ri no espelho... Envelhecer é isto?
Esse tumulto com os signos, este enorme,
colossal desapego à posse do supérfluo?
Que é o essencial, quando tudo esvaiu-se?

Ainda gosto de árvores, ternura e afagos;
de cães sarnentos e gatos de beco. Trago n’alma
a enseada morna que os abriga e aos amigos.
Grandes, por igual, são minhas amarras às coisas
que sejam pássaros, mar, plantas e silêncio.

Dessas coisas claras, certifico. Mas o que faço
das lembranças, tumultuárias buganvílias?

Os amores, comparo-os às tainhas de Maiandeua.
Quando as vi, na primeira vez, pareciam milhares
a saltar entre a praia do porto e o manguezal.
Se o tempo as trazia, em época exata de chuva e sol,
fervilhava o mar sob redes e barco, e pescadores
colhiam mais cardumes que poderiam consumir
ou vender e que, mortos, relançados às marés,
prateavam de escama a fímbria macia do areal.
Tanto o desperdício que, não muito depois,
rarearam até sumir ao longe na costa do Marajó.

(As tainhas que amei, também migraram. Foram
acasalar bem longe da minha rede de pescador.)

Estes idos amores, contudo, conservo todos aqui
(ainda que tenham durado a sina de uma rosa)...

II
A primeira paixão, na luminosa adolescência,
Levou de mim para sempre a inocência.

III
Muitos anos depois, numa cilada, tomou-me
a alma encarcerada o amor mais repentino.
E fui, como um pássaro a bater-se no espelho
resgatar, quem dera, o que perdera em menino.

E vai, um dia, sumiu no arrebol a juruti fagueira...

Se eu tivesse, então, tirado de meus ombros
E lançado a fera à montoeira dos meus sonhos
Não haveriam mais pesadelos, mais escombros,
nem seria o amor senão a doida cachoeira
Que nos arrasta e leva pela vida aos tombos.

IV

A muito amada sentou-se no muro e por trás dela
eu via a luz da casa com o brilho velado da vidraça.
Era um lugar de nome indígena, algo quase assim:
a muito amada vinha do colégio e eu, de muito longe:
da terra mesopotâmica do sol, a mochila encardida
do pó que o vento espalha ao norte dos agrestes.
Lá nos conhecemos, vivíamos, lá um bêbado amou-a
com amor que o fez perder-se dos parceiros de balcão.
Mas ela mudou-se e fui revê-la num insano impulso
e dei com esse vento de soturna lágrima e adeus.
Penso às vezes que morri naquela noite de pétalas
e transmutei-me em pássaro sem abrigo ou canto
e desde então peregrinei sem causa à parte alguma.
Sim, é quase certo que morri naquela noite de pétalas...
V
Ninguém nunca mais é o mesmo depois do amor.
Ceifada a fone, chegada a noite espessa da solidão.
Rola a alma sem itinerário para lugar nenhum.

VI

Eu, de mim, distribui o que sobrou da ventania.

VII
Em Romana, andávamos nus, a companheira
a espiar navios feéricos sobre o verde mar.
Tão distantes e misteriosos!... À noite, apenas
vela acesa na curva imaginária do horizonte
enquanto nos amávamos sobre palafitas.

VIII

Na cidade de cal, perdida no silêncio do cerrado,
a namorada levou seu visitante a um lugar estranho
- o centro geodésico de alguma coisa – onde havia
uma placa, seixo sem valor e um círculo cimentado
para receber alienígenas e discos voadores.
Lá, sentamo-nos na grama e não vi luzes na manhã.
Trouxe no bornal - e ainda deve estar aí nalguma parte -
um punhado de cascalho sujo e mítico, talvez resto
do que fora abissal rochedo de oceano profundo.

IX

Eu olhava a luz a crepitar na chuva da madrugada.
Bebia aguardente e cerveja no bar soturno (só o dono
atrás do balcão) e olhava a luz imunda na rua insone.
Eu era só um artista sem certezas, e a cidade um pássaro
morto sob a chuva. Esse vulto em branco, entretanto,
está bem vivo e úmido à porta, os seios de romã, a face
alada do arcanjo que vai levar-me a qualquer parte.
Alva e transparente no vestido longo, ela pede vodka
e solta o corpo esguio numa cadeira mais ao longe.
Ergo-me e dou a mão ao fado inscrito na noite suja.
Então ela canta, e me dou conta que morrerei esta noite,
fugiremos para as estrelas acima da tempestade, rumo
às galáxias e outros sóis. Nunca mais voltarei! Mas antes
de largar-me quase morto à margem do trago e das taças,
três dias nos amamos entre cachoeira e saranzais.

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