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sábado, 16 de junho de 2007

Pesquisa eleitoreira

Você votaria em Tião Miranda se ele, concluído o mandato de prefeito, se candidatasse a deputado estadual ou federal?

Efeito Novelino

A filial marabaense da empreiteira Service Brasil, do assassino dos irmãos Novelino, Chico Ferreira, faliu.
Ela, se é que havia, era a contratada da prefeitura para a limpeza pública e coleta de lixo.
A falência pôs na rua da amargura 220 trabalhadores residentes, sobretudo, na periferia da cidade, integrantes de famílias extremamente necessitadas.
Em busca de solução judicial, garis, varredores, roçadores e outros braçais estão procurando, aos magotes, os escritórios de advocacia trabalhista.

À espera de um milagre

Advogado pediu à Justiça comum alvará para recebimento do DPVAT – o seguro que cobre acidentes de trânsito – em 2001. Quando o documento saiu em 2004, a seguradora Cia. São Paulo de Seguros já tinha falido. Outro alvará para o mesmíssimo fim, agora no interesse de acidentado que ficara tetraplégico demorou tanto que, durante a espera, o paciente curou-se. Se foi milagre de São Galvão, santo brasileiro, ou de São Cristóvão, protetor dos motoristas, não se sabe. Mas o alvará continua até hoje onde sempre esteve – nalguma dobra do buraco negro em que virou o Judiciário do Pará. A propósito, parece que frei Galvão tem cura para tudo. Menos para o Águia de Marabá, dirigido pelo seu xará.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Empenhando o futuro

Enquanto ruralistas reclamam do que identificam como “favelas rurais”, essas ocupações que proliferam em toda a região, políticos de Marabá se empenham em consolidar favelas urbanas em propriedades particulares sem qualquer infra-estrutura. Com essa atitude, que visaria mais preservar interesses e apoio futuro dos latifundiários urbanos do que atender à demanda da população carente, os políticos desatendem preceitos do Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257, de 10.07.2001) como os que fixam diretrizes gerais para a política urbana, entre os quais: garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações. Além, necessariamente, da oferta de equipamentos urbanos e comunitários, porque só a habitação pura e tão-somente não basta. Como está proposto, assim de afogadilho e sem planejamento, as desapropriações em andamento com a participação da Cohab não passam de um violento processo de favelização que vai estourar na mão das futuras administrações municipais, quando começar a demanda por praças, escolas, esgotos e pavimentação, como ocorre em invasões históricas que se tornaram bairros insalubres como o Liberdade, o Independência, o Jardim Bom Futuro e outros.

Método prosaico de matar cupim



Derze Bastos labuta no Tapiri desde março de 1997, lá se vão dez anos a suportar estudantes lisos e, muitas vezes, chatos. Foi lá que o conheci, nos duros tempos de universitário, e esta amizade vai perdurar para sempre. Tem cada história, o Derze... Foi bancário, regatão, comerciário, vendeu peixe no Ver-o-Peso. Qualquer hora conto algumas dessas histórias dele. Mas a gente não se via faz uma pá de tempo e esta semana passei lá para vê-lo, dar-lhe um abraço e fazer a mistura perfeita de cerveja, piadas e papo furado, como diria John Constantine, o bruxo.
E vai que toco na minha disputa de meses com cupins que já me devoraram parte do forro, comeram livros carregados de lembranças, destroçaram a capa de discos guardados há décadas com o mais furioso egoísmo.
E foi aí que ele me deu a sugestão ideal para acabar com a raça dos desgraçados:
- Você pega um deles - com cuidado para não machucar. Delicadamente pinte o sacana todo de vermelho e solte-o de volta no carreiro. Quando os outros cupins virem o esquisitão todo colorido, eles vão morrer de rir!
Eu senti vontade de esganá-lo. Mas só de raiva tomei toda a cervejinha dele e não paguei.

Ação contra hidrelétrica

Ação Civil Pública Estreito: Pedido vale se não for autorizada eclusa para garantir navegabilidade do rio Tocantins Em uma ação conjunta deflagrada pela vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadora Kátia Abreu e pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, a entidade deu entrada nesta quarta-feira, dia 14, na Justiça Federal em Palmas, a uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata das obras da Hidrelétrica de Estreito, pelo Consórcio Ceste de Energia. A ação, com pedido liminar, foi protocolada na tarde desta terça e pede a suspensão das obras até que seja definida a construção da eclusa concomitantemente à construção da usina. A ação foi anunciada na manhã desta terça pela senadora Kátia Abreu, durante sessão da Comissão de Agricultura do Senado, que discutia as hidrelétricas no rio Madeira. Segundo a senadora Kátia defendeu na Comissão, na construção das hidrelétricas deve haver uma harmonia entre os ministérios dos Transportes, Minas e Energia e Meio Ambiente. “Já fez quatro pronunciamentos no Senado de fevereiro até hoje sobre o assunto”, disse Kátia Abreu na sessão da Comissão de Agricultura do Senador, salientando que o modal de transporte hidroviário, possibilitado pelas eclusas, têm índice zero de poluição, contra modais poluidores como o rodoviário e o ferroviário em menor escala. “As hidrelétricas sem eclusas matam os rios”, disse a Senadora. Na ação protocolada nesta terça na Justiça Federal, a Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins defende que com a eclusa, economizam-se recursos utilizando o sistema de transporte hidroviário tanto no custo do frete como no investimento necessário para viabilizar a hidrovia. O valor do investimento para a realização de 1.000 km de hidrovia é de cerca de US$ 53 milhões, contra US$ 250 milhões para mesmo trecho de rodovia e US$ 909 milhões para ferrovia, conforme a VALEC e AHITAR. Ainda conforme a ação, estudos técnicos indicam que a logística multimodal – hidrovia Tocantins, Ferrovia Norte-Sul, terminal Porto de Itaqui, é capaz de produzir uma redução média de 22% nos custos unitários de transporte, ou 27% em media no montante de recursos despendidos com transporte de cargas hidroviáveis na região. A Federação cita na ação que a questão chegou ao Congresso Nacional, com a apresentação, por parte da senadora e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu, de emenda a Medida Provisória 369/2007, do Governo Federal, criou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no sentido de que seja obrigatória a construção de eclusas quando da aprovação de novos projetos de hidrelétricas no País. A Senadora exemplificava que, na questão da hidrelétrica de Estreito, o Governo Federal estaria cometendo os mesmos erros cometidos na Hidrelétrica de Tucurui,. Assim é que caso a eclusa de Tucurui tivesse sido construída simultaneamente com a hidrelétrica, a economia de recursos seria da ordem de R$ 200 milhões. Em Lajeado, por exemplo, se a eclusa tivesse sido construída ao mesmo tempo em que era erguida a hidrelétrica, seu custo seria de R$ 380 milhões. Atualmente a eclusa está sendo construída ao preço de R$ 624 milhões. Estima-se que os produtores rurais poderiam economizar cerca de R$ 2,7 bilhões por ano nas regiões Norte e Centro-Oeste, caso pudessem utilizar, na sua plenitude, o sistema de transporte hidroviário. Isto porque temos uma nova geografia da produção agrícola no país. Na safra 1.976-77, as regiões Norte e Centro-Oeste produziam seis milhões de toneladas de grãos e na safra 2006-07, estas duas regiões produzem 47,3 milhões de toneladas de grãos, respondendo por 36% da produção nacional. www.anoticia-to.com.br Publicada em: 14/06/2007Por: A Noticia Fonte: Forum Carajás

Boca de urna

Se a eleição fosse dia 15 de julho próximo, em quem você votaria para prefeito de Marabá: Maurino Magalhães, João Salame Neto, Luís Carlos Pies, Asdrúbal Bentes, Nagilson Amoury, Bernadete ten Caten, Vanda Américo, Demétrius Ribeiro ou Ítalo Ipojucan? Defina o nome da sua preferência e justifique. Baixarias serão cortadas na raiz.

ÔOOpsss!

A matéria sobre o sarau lítero-musical é do jornalista Ulisses Pompeu, e foi publicada no jornal Correio do Tocantins de 08 de junho de 2007. Falha nossa!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Requentando o sarau

Sarau faz elo entre artistas e estudantes da rede pública (Reportagem de Ulisses Pompeu no Correio do Tocantins, de 08.06.2007) O universo imaginário dos artistas e a realidade de centenas de estudantes da rede pública de Marabá marcaram encontro na noite da última quarta-feira (6) na praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. Em dois palcos montados pela coordenação, os alunos ocuparam o lugar dos artistas e estes ficaram na condição de ouvintes, numa comungação de leituras de obras nunca vista na história da arte local.O evento em questão era o I Sarau Lítero-Musical de Marabá, promovido pela Secult (Secretaria de Estado de Cultura), em parceria com a Prefeitura de Marabá, 4ª URE (Unidade Regional de Educação) e UFPA. Estudantes de 16 escolas foram confrontados com obras dos artistas locais Ademir Braz, João Brasil, Jorge Luís Ribeiro, Rildo Brasil e Marcos Quinan, este último de Belém.O Sarau foi discutido em um esforço coletivo das secretarias municipais de Educação, Cultura e 4ª URE, como condição prévia para realização em Marabá da I Conferência Municipal de Cultura, que acontece neste domingo, na escola Judith Gomes Leitão, na Marabá Pioneira, durante todo o dia.Entre os momentos marcantes do Sarau estiveram os bate-papos com os artistas homenageados, que falaram do prazer e das dificuldades da produção literária em terras amazônicas. O memorialista João Brasil Monteiro relembrou os tempos saudosos das navegações pelo rio Tocantins e lamentou a construção da hidrelétrica de Tucuruí, que engessou a vida dos ribeirinhos.Marcos Quinan disse como se inspirou em fatos históricos paraenses, como a Cabanagem, que povoou o universo de suas obras, para escrever romances e poesias. Questionado pela estudante Carina Borges, de 9 anos da escola O Pequeno Príncipe, sobre como definia sua poesia, o artista foi lacônico: “Eu dependo da poesia, não ela de mim”.Ademir Braz sensibilizou o público presente ao relembrar a vida pacata dos nativos de Marabá e mostrar como tem usado sua arte para analisar a ocupação em massa desta região nas últimas décadas.AusênciaEmbora fizesse parte da organização do Sarau, a equipe do Campus local da Universidade Federal do Pará não participou do evento, seja através de painéis ou apresentações no palco como forma de homenagem ao poeta Ademir Braz, como a própria UFPA se comprometeu, segundo observou Vera Froz, coordenadora de Ensino da Semed. Certamente, o evento seria mais enriquecido se tivesse apresentado o trabalho de Pagão, como Ademir também é conhecido.ProgramaçãoPara muita gente que foi à praça São Félix, o I Sarau Lítero-Musical de Marabá não pode ficar apenas na primeira edição, devendo ser realizado com periodicidade curta e envolvendo mais artistas e escolas.Além dos bate-papos, intercalados entre apresentações de alunos, o Sarau contou com a performance da Banda Marcial de Marabá, com choro de Carimbó; releitura de obra de Marcos Quinan por alunos da escola municipal São José e interpretação do poema “Tua Janela”, do mesmo autor, por estudantes da escola Walquise Viana.Na seqüência, foram ao palco alunos da escola São Félix para dramatizar “Zé Búgio”, e do colégio Luzia Nunes Fernandes, para interpretar numa bela canção o poema “Quilômetro 6”, de Jorge Luís Ribeiro. O conto Breganha, de Quinan, transformou-se em dramatização alegre por alunos do colégio Plínio Pinheiro.Confira abaixo asdemais apresentações:- Escola O Pequeno Príncipe (teatro mudo com o musical “Nhanancinha e Bartolomeu”);- “Estilhaços entrelaçados”, com professores do 1º ao 5º ano;- Coreografia da música “Essa Menina”, de Marcos Quinan, por alunos do colégio Gabriel Sales Pimenta;- Dramatização do poema “Moça Bonita”, de Quinan;- Dramatização do poema “Quilômetro 6”, de Jorge Luís Ribeiro, pela escola Irmã Theodora;- Dramatização do conto “João Colonato e Tenonai”, de Marcos Quinan;- Coreografia “Sertão da minha Alma”, por alunas do projeto Dançando e Educando;- Dramatização do conto “La linha”, de Marcos Quinan;- Rap da poesia “Feira da 28”, de Jorge Luís Ribeiro. “O que fundamenta minha vida é minha arte”, diz Ademir Braz O poeta Ademir Braz se disse encantando com o contato com o público jovem, notadamente estudantes do ensino fundamental e médio durante o I Sarau Lítero-Musical de Marabá. Ele relembrou que em 1992 ele participou do projeto “O escritor na cidade”, do governo federal, que levava o artista de uma cidade para um bate-papo com estudantes de outra região. Nessa oportunidade, ele foi a Belém, Santarém, Bragança, Ananindeua, Barcarena e Capanema. Mais recentemente, em 2003, teve participação também na Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém, onde lançou o livro Rebanho de Pedras e foi saraivado de questionamentos por estudantes do ensino fundamental. Esse mesmo sentimento de felicidade ocorre agora, com o convite para participar de uma iniciativa dessas, como forma de antecipação da Feira Pan-Amazônica do Livro, que vai ocorrer em setembro.NovidadesPagão, como também é conhecido, antecipa que está preparando um romance tendo como pano de fundo a colonização de Marabá, tendo como personagens: castanheiros, tropeiros, lavadeiras, entre outras pessoas que dedicaram suas vidas para o crescimento da cidade e não são lembrados. “Estou escrevendo a história dos vencidos, os que de fato colonizaram esta região”, justifica.Além disso, Ademir revela que está concluindo uma segunda antologia poética nas áreas de crônica e conto. Tenho dificuldade financeira muito grande para dar continuidade ao meu trabalho. Mas sempre que possível avanço pela madrugada produzindo, porque o que fundamenta minha vida é minha arte. Ela é um compromisso com o meu tempo e minha história”, desabafa Pagão, que também é jornalista e advogado.Marcos QuinanTambém ouvido pela reportagem, o escritor Marcos Quinan se disse encantado com a interação que está tendo de sua produção artística no interior. Neste ano, os organizadores da Feira Pan-Amazônica do Livro priorizaram a integração da literatura que se faz no Estado. Escolhido pela Secult (Secretaria de Estado de Cultura) para percorrer alguns municípios do interior, Quinan esteve em Parauapebas e Marabá. Aqui, ele ficou deslumbrado com as releituras feitas de poemas, contos e interpretações de suas canções. “Confesso que nunca imaginei que pudesse haver tanta versatilidade em torno de meu trabalho. Estou deslumbrado com o que vi aqui através da rede escolar”, revelou. Égua! Musicaram o “Quilômetro 6” Foi uma apresentação primorosa. Quem conhece o poema Quilômetro 6, de Jorge Luís Ribeiro, como eu, ficou encantado com o rap criado por alunos da escola Luzia Nunes Fernandes. O público foi tocado, envolvido e o autor do poema, Jorge Luís, ficou emocionado pela releitura que fizeram de sua obra. O velho Quilômetro 6 está mudado. Transferiram a feira para uma rodoviária, mas o furdunço que existia quando a maioria dos ônibus que saia da cidade passava por ali ficou congelado em poesia e na atual geração de estudantes. A noite na Toca do Manduquinha teria sido paga apenas por aquela interpretação. “Égua, musicaram o Quilômetro Seis”, eu disse durante a música. Nesse instante, me aproximei de Jorge Luís Ribeiro e lhe disse que havia me emocionado com a música como se fosse o autor do poema. Trocamos algumas palavras e ele sugeriu retomarmos os “contos relâmpagos” que publicávamos nesta coluna na década de 1990, de sua autoria. Eu dei minha palavra a ele, porque Jorge Luís tem uma sensibilidade poética invejável e elege verbos nos contos que têm força de substantivo, adjetivos e advérbios juntos.Também foi muito interessante a releitura do mesmo poema Quilômetro 6 produzida de forma dramática por alunos da escola Irmã Theodora. A leitura foi feita na íntegra e os estudantes circulavam pelo palco como se percorressem a bagaceira do Quilômetro 6, a vila-restaurante-bordel-rodoviária, que o prefeito Geraldo Veloso teve pulso para desfazer porque transformou-se em um cartão postal negativo da cidade.