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quarta-feira, 23 de março de 2011

Morre Elizabeth Taylor

Internada no hospital Cedar-Sinai, em Los Angeles, a atriz morreu hoje devido a complicações cardíacas, contra as quais lutava havia anos.
Representante do centro médico disse que Lyz Taylor morreu "em paz, hoje, no hospital Cedar-Sinai". "Apesar de ter sofrido recentemente uma série de complicações, a condição estava estável e esperáva-se que ela pudesse voltar para casa. Infelizmente, não era para ser", completou.
Hollywood, o cinema e os curtidores de bons filmes e ótimos atores lamentam a perda irreparável da grande atriz.

Ficha Limpa

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), saiu hoje (23) em defesa da Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, aprovada pelo Congresso. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux deve desempatar em sessão na tarde desta quarta-feira a votação de uma das questões mais polêmicas da lei: se ela vale para crimes praticados por candidatos que disputaram as eleições de 2010 ou apenas para o próximo pleito.
No fim do ano passado, a votação sobre a validade da lei terminou empatada em 5 a 5. O assunto deve voltar à pauta do Supremo com o julgamento do recurso de Leonídio Bouças (PMDB-MG). Ele teve o registro negado pela Justiça Eleitoral por ter uma condenação por improbidade administrativa no Tribunal de Justiça de Minas em 2005.
Para Sarney, não há motivos para que o STF tenha uma interpretação diferente da lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proibindo a candidatura, nas eleições de 2010, de políticos condenados em segunda instância. O presidente do Senado acrescentou que qualquer mudança no texto geraria consequências de difícil administração política.
“É muito difícil [modificar os efeitos da lei agora]. A eleição já se processou e muitos desses atos já foram transitados em julgado”, afirmou José Sarney. Ele voltou a criticar o excesso de recursos no STF questionando as decisões do Congresso Nacional. Para Sarney, o que se vive hoje é “a judicialização da política”.
No caso específico da Lei da Ficha Limpa, o senador afirmou que cabe aos partidos definir os candidatos que irão representá-los no Parlamento. “Os partidos é que devem saber aqueles que têm condições de serem candidatos porque, teoricamente, querem ter mais votos e por isso devem escolher os melhores candidatos”. (Jornal Pequeno)

A política da destruição deliberada

Vereador pelo PPS, o ex-mototaxista Edivaldo  Santos tem se mostrado vigilante e corajoso na fiscalização do desgoverno que aí está. Seu blog, que precisa de atualizações mais freqüentes em razão das boas informações, mostra, de dentro para fora, ainda que parcialmente, o que vai no espaço obscuro e suspeito em que o conchavo e interesses políticos menores de seus colegas transformaram nossa Câmara Municipal.
Edivaldo Santos, por exemplo, denunciou há algum tempo o abandono de ambulâncias até no lixão em que Maurino Magalhães confere seus milhares de urubus.
Desta vez, Santos mete, com força, unhas de aço na ferida aberta que é esse desgoverno irresponsável e levanta a tese (já consolidada na opinião pública) que Maurino sucateou a merenda escolar para privatizá-la em seguida, pagando quase R$ 80 milhões, a preço atual, por um serviço sem qualidade; tentou o mesmo com a coleta do lixo (que não deu certo, mas ele não desiste de insistir), e agora tem por bola da vez a saúde pública. Veja aí embaixo o que ele diz em "De mãos dadas com o povo":

Caos da Saúde pode ter sido proposital e pode
levar à terceirização do Hospital municipal 
de Marabá
Em meio a um debate envolvendo a problemática que se encontra o atual quadro do sistema de saúde em Marabá, em que os postos de saúde, HMI e HMM, estão praticamente sem os medicamentos e insumos suficiente para o funcionamento adequado ao atendimento dos pacientes que precisam da rede municipal, levou o vereador Edivaldo Santos (PPS), a fazer serias acusações ao Poder Executivo.
O parlamentar disse acreditar que toda essa celeuma envolvendo o sistema de saúde em Marabá pode ter sido intencional. “Eu acredito que tudo que está acontecendo referente ao problema da saúde, não passa de interesse de um grupo que quer forçar um colapso no sistema, criar uma situação de emergência e estado de calamidade pública, para que se possa comprar remédios e insumos sem a licitação, no intuito de beneficiar aliados políticos do governo ou até mesmo forçar uma terceirização, como quando o prefeito tentou fazer com limpeza no inicio do seu governo” relembrou Edivaldo.
Coincidência ou não, certo é que durante reunião realizada no auditório do Ministério Público Estadual, o prefeito municipal, Maurino Magalhães de Lima, revelou que contratou uma empresa de consultoria técnica para avaliar, entre outras coisas, a viabilidade de contratar a Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) para administrar o Hospital Municipal de Marabá (HMM), como acontece atualmente com o Hospital Regional, modelo em gestão hospitalar no Estado.
A reunião foi agendada pelo Ministério Público para mostrar ao gestor e sua equipe o resultado da inspeção realizada nos hospitais municipais e centros de saúde nos dois últimos dias e abrir discussão para resolver os problemas emergenciais do setor de saúde do município.
O prefeito reconheceu que a situação do HMM chegou a um nível crítico, mas avalia que é fruto de má administração há vários anos. Ele disse que o custo de operacionalização do HMM, atualmente, é de cerca de R$ 1.610.000,00 por mês, e adiantou que o único empecilho para não realizar a terceirização será a viabilidade econômica. “Estamos dispostos até a pagar um pouquinho a mais, desde que a qualidade dos serviços oferecidos à população melhore radicalmente”, ressaltou.
Ao repassar a administração do HMM para a iniciativa privada, a Prefeitura terá a função apenas de transferir recursos e cobrar atendimento de qualidade, ficando com a chamada “administração indireta” daquela casa de saúde. “Isso poderá acontecer apenas com o Hospital Municipal, mas o HMI vai continuar sob a gestão da administração direta”.
Vale lembrar que a terceirização da merenda escolar que foi terceirizada em Marabá, até hoje tem sido alvo de criticas, tanto pelos alunos quanto para as pessoas que defendem a educação no município, que teve um aumento de R$ 600,00 (seiscentos mil reais) para R$ 1.600.000,00 (um milhão e seiscentos mil reais), sendo que a qualidade da merenda piorou consideravelmente.  
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terça-feira, 22 de março de 2011

Sobrevida para Pererelka

Vereadora Ismaelka Queiroz, a traquina que inventou a arte de estar em dois lugares ao mesmo tempo (em Marabá e fazendo rally no interior de S. Paulo) ganhou o que se espera apenas uma sobrevida antes da perda do mandato por improbidade administrativa. Cochilo da Câmara, em data de ofício encaminhado à deusa da ubiqüidade, acabou por adiar a sessão de leitura e votação do relatório da comissão que apura a denúncia de quebra de decorona má utilização do carro alugado pelo Legislativo. Segundo o ofício, a data da sessão seria 23 de março e não 22, esta terça-feira, como previsto.
 “Embora para Ismaelka e seu advogado ainda esteja valendo a data de amanhã (23/03), como dia oficial para a sessão de votação, ela não ocorrerá ainda nesta quarta-feira. É que pelo menos 4 dos 13 vereadores não estarão em Marabá na quarta, prejudicando o quórum mínimo para a votação. Irismar Sampaio, Ronaldo Yara, Júlia Rosa e Vanda Américo viajam a Brasília para encontro com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com isso, o desfecho do Caso Elka ficará para outro dia. Por enquanto, a Mesa Diretora da Câmara propõe a realização da sessão na tarde da próxima sexta-feira (25/03), mas esta só acontecerá se até lá for possível dar ciência à vereadora, com a antecedência mínima que o caso requer. É aguardar pra ver”, diz o blog de Laércio Ribeiro.




Ao saber da notícia, Preto Velho pitou o cachimbo, matutou, matutou e filosofou:
- “É, zifii, o capeta também tem os seus...”

Até aliado critica desgoverno

NO blog do vereador Edivaldo Santos (PPS): 

Usando a tribuna em sessão realizada na Câmara Municipal de Marabá, o vereador Gerson do Badeco (PHS), acusou a Secretária de Saúde Joelma Sarmento pelo caos que se encontra o sistema de saúde no município.
Gerson que é da base aliada do prefeito, teceu pesadas acusações contra a secretária, dizendo que a mesma é incompetente e que não tem mostrado para que realmente veio.
O parlamentar disse que a falta de médicos, de remédio e de insumos para manter tanto o HMM quantos o HMI foi falta de gestão principalmente por parte de Joelma.
Mais Gerson não esperava que a secretária fosse ser defendida por uma colega de parlamento na casa. É que a vereadora Toinha do PT, pediu um aparte na fala de Gerson e aproveitou para lembrar ao vereador que ele é suspeito em reclamar do problema da saúde, pois ele foi um dos que tirou a assinatura do requerimento que iria instaurar uma CPI para investigar as falhas do sistema.
Toinha disse que se Gerson não tivesse tirado a sua assinatura do documeto, com certeza a CPI teria sido aprovada e já haveria um resultado para esse caso.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tucanos no chão

Lúcio Flávio Pinto

As dificuldades deixadas pelos antecessores e sua composição heterogênea ainda 
não permitiram que o governo Simão Jatene imprimisse sua marca. A previsão é 
de que este ano seja consumido na arrumação da casa. Mas logo em seguida 
haverá nova eleição. A perspectiva é crítica.

O primeiro trimestre de 2011 acabou e o governo Simão Jatene, do PSDB, a rigor, 
ainda não começou. O governador pode alegar que nem poderia ter começado 
para valer, conforme ele pretendia: a herança maldita deixada por Ana Júlia 
Carepa, PT, vai pesar pelo menos durante todo este ano. O acervo de contas 
a pagar, de compromissos pendentes, de desorganização na máquina estadual
 e outros complicadores resultantes de uma das piores administrações que o 
Estado já teve absorverão toda a energia e inventividade da atual gestão. 
Só em 2012 ela poderá mostrar sua face e colocar em prática os seus planos e projetos.
O problema é que 2012 será mais um ano eleitoral: estarão em disputa as prefeituras. 
Mais uma vez, Belém será um campo de batalha. O conteúdo dos candidatos em
 potencial não traz novidade, mas a disputa deverá ser bem maior do que nos últimos
 anos. O PSDB dispõe de alternativas expressivas para se contrapor a nomes como
 Arnaldo Jordy, José Priante, Edmilson Rodrigues, Paulo Rocha (quem sabe, de novo), 
Ana Júlia Carepa, mas elas poderão se desgastar até a campanha. É o caso de Zenaldo 
Coutinho, que ocupou a estratégica chefia da Casa Civil, para se beneficiar dos
dividendos de estar tão próximo do governador, mas tem se desgastado pela sucessão
 de problemas e incidentes ao longo do trimestre.
Descontados os discursos, até agora não foi possível descobrir diferenças entre
 o derrotado (e desastrado) governo que saiu e o que entrou. Talvez porque o que 
esteja prevalecendo seja o efeito residual da gestão petista, a opinião pública convive com 
situações que pouco ou nada diferem da fase anterior. Não só pela “herança maldita”: retomando
 o estilo que deixou em 2007 para a sucessora, Jatene repete os erros do primeiro mandato.
A começar por manter a rotina desgastante das assessorias especiais do seu gabinete, 
um sorvedouro de recursos públicos dilapidados para acomodar interesses e servir a acordos 
políticos – e de outra natureza. Esse setor da administração pública se tornou símbolo do 
desmazelo e da conivência com o uso doméstico do governo para fins que nada têm a ver
com o bem coletivo. Os tucanos garantem que não chegarão ao limite de mais de dois mil
 assessores especiais, recorde petista, talvez ficando muito aquém. Mas o mecanismo é 
o mesmo: falta de justificativa para as contratações, sigilo nas informações a respeito
 e desprezo pela opinião pública.
Embora pagando o preço por suceder um governo fraco, os tucanos podem ter que arcar
com um custo muito alto pela vitória, que só foi possível graças a acordos políticos 
de todos os tipos. Por isso, é visível uma divisão entre uma parte técnica na administração
 e outra política, com fortes características fisiológicas. Sem um comando competente, 
capaz de resolver os muitos problemas do governo, Jatene não desfará os nós que herdou.
Mas ao ceder parcela considerável do poder a políticos empenhados apenas em obter
dividendos pessoais (e com um passado nada recomendável), pode experimentar
surpresas desagradáveis.
Uma delas já veio com a acusação de que seu secretário de assuntos estratégicos, 
o ex-prefeito de Paragominas, Sydnei Rosas, recorreu a trabalho sob condições 
degradantes em uma fazenda que possuía no Maranhão. A cabeça do secretário esteve
prestes a ser colocada numa bandeja, mas parece que ele conseguiu se explicar e superar
o problema. Mas pode ser uma vitória parcial. Outras situações semelhantes podem se
repetir. Para tentar enfrentá-las, o governador parece estar mais empenhado em 
negociações de bastidores do que em impor sua figura à frente dessa equipe ainda 
desencontrada e desigual. O governo, que ainda não começou, pode começar mal.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Promiscuidade é pouco...

Do blog do vereador Edvaldo Santos:DMTU libera veículos irregulares apreendidos no pátio de detençãoa pedido de vereadores e outros apadrinhados políticos

POSTADO POR: VEREADOR EDIVALDO SANTOS HORA: 08:50 
Não é de hoje que o vereador Antonio da Ótica tem demonstrado ser um opositor ao diretor do DMTU e coronel da PM aposentado Antonio Araújo. Em seu pronunciamento da tribuna da Câmara Municipal de Marabá, Antonio da Ótica mais uma vez atacou Araújo e de sobra acabou jogando lama em muita gente.
Em seu discurso, o vereador denunciou que o diretor do Departamento Municipal de Transito de Marabá, vem atendendo ao pedido do senhor Pedro Paixão conhecido também pelo apelido de “Lapeta” este que também é funcionário público, lotado no Estadio Zinho Oliveira, onde exerce a função de administrador daquela pra esportiva, o qual tem servido como intermediário entre o condutor infrator e o diretor do órgão.
O parlamentar disse que Araújo em atendimento aos pedidos de Lapeta, vem liberando constantemente, veículos tanto motos quanto carros que foram presos com documentos vencidos e outras irregularidades que se encontram presos no pátio do DMTU.
O vereador Gerson do Badeco, para complementar o que disse o vereador Antonio da Ótica, disse que a denuncia procede e foi ainda mais longe. Gerson que é agente de transito do DMTU, informou que vários vereadores que tem aceso a atual administração, vive infiltrado no departamento, pedindo ao diretor do órgão que libere motos e carros, presos com documentos atrasados e outras irregularidades.
Outra denuncia feita por da Ótica, foi que os agente do DMTU, que dirigem as viaturas vem perseguindo e correndo atrás de veículos, provocando acidentes na cidade, quando este não é o papel do DMTU.
Para encerrar, Antonio da Ótica disse que vai apresentar um requerimento convocando o diretor do DMTU para prestar esclarecimento ao povo na Câmara Municipal de Marabá.

Alpa formaliza parcerias em Marabá

A Aços Laminados do Pará assinou ontem (17/03), convênios de cooperação com a Fundação Zoobotânica de Marabá (FZM) para melhorias de sua infraestrutura, e com o Movimento Educacional para Preservação da Amazônia (Mepa) com o objetivo de contribuir para a manutenção do projeto de preservação de quelônios da região. Juntos, os dois convênios somarão um investimento de mais de R$ 330 mil destinados à execução de projetos ambientais em Marabá.
A parceria com a Fundação Zoobotânica de Marabá prevê o apoio financeiro para adequação da infraestrutura necessária ao manejo de fauna, especialmente de áreas como ambulatório, cozinha e recintos de animais. O convênio, que terá vigência de um ano, será no valor de R$232.800, com a finalidade exclusiva para execução do “Projeto de Apoio à FZM”, que será elaborado pela Alpa e executado pela Fundação.
Já o convênio com o Movimento Educacional pela Preservação da Amazônia tem por finalidade dar continuidade ao Projeto Quelônios da Bacia do Tocantins-Araguaia, em Marabá, com ações que envolvam técnicas de manejo sustentável, de monitoramento de desova e nascimento, e com programa de sensibilização através da educação ambiental da comunidade ribeirinha, envolvendo pescadores, alunos de escolas públicas e da comunidade em geral. O convênio terá valor de R$ 100 mil, divido em parcelas de valores iguais e terá vigência de um ano.
Este é o terceiro convênio assinado pela Alpa com instituições de Marabá. No final de fevereiro, a siderúrgica formalizou parceria na área educacional, com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), com o objetivo de garantir a manutenção dos cursos técnicos profissionalizantes em mecânica, eletrotécnica e química, e a implantação de um curso técnico em automação industrial no campus de Marabá, além de repasse de verbas reforma e ampliação predial do campus.
Siderurgia
A Aços Laminados do Pará tem previsão de entrar em operação até o final de 2013. Com um investimento total, estimado em US$ 3,7 bilhões, o empreendimento terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas de placas por ano. No momento, o projeto encontra-se com as obras de terraplenagem em andamento, previstas para serem concluídas até novembro deste ano, quando iniciará a execução das obras de construção civil. O empreendimento está localizado na fase 3 do Distrito Industrial de Marabá, ocupando uma área total de 1.035 hectares.

Mais uma obra do Maurino

Recorte do blog Sul do Pará, do companheiro João Carlos:

Contando urubus


Em entrevista ao Programa do Bacana, do jornalista e apresentador Marcelo Marques (assista AQUI e AQUI), o prefeito de Marabá, Maurino Magalhães de Lima (PR), fez uma afirmação que, confesso, me deixou encafifado. Ele disse que, quando assumiu a Prefeitura de Marabá, havia "oito mil urubus no lixão".
Fiquei a pensar como foi que ele chegou a esse número tão preciso. Será que contaram os urubus, um a um? E quem será que foi designado para tão estranha missão?
Como diria um velho amigo, ao se deparar com um dilema quase insolúvel: "Coisa esquisita". 
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Preguiçoso e desocupado, é bem possível que Maurino tenha ido contar 
pessoalmente a urubuzada. Afinal, foi o desgoverno dele que programou
seqüestrar urubus e soltá-los a 100 km de Marabá como forma de resolver
o risco que representam para a aviação..

Charles Trocate, combatente para a Academia de Letras

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã
(Carlos Drummond de Andrade, “O Lutador”)
  
Charles com seu filho Bernardo
Paraense de Castanhal, 35 anos, Charles Trocate é um combatente caboclo armado de palavras. Ao contrário do lutador de Drummond, porém, ele não se confronta com os vocábulos, nem tenta seduzi-los para prover seu próprio sustento num dia de vida. Cultiva-os, em verdade, para saciar a sede de justiça de um povo e de uma terra profundamente espoliados pela voracidade do latifúndio e das grandes corporações.  Sem nenhum travo de zanga ou desgosto, enlaça-os com carícias de mateiro para municiar o alforje de poeta-andarilho, “sem cavalo nem país esticando o invisível, / de poste em poste / adivinhando o desapego”. Ele próprio confessa sua parca provisão: “acaso reúno no bolso / a palavra e todo o inverno paralisado” – e o que lhe resta é apenas um toscoeito de pedras indiviso”.
O comentário é do analista literário Luiz Ricardo Leitão, feito em maio de 2009 no Rio de Janeiro. O analista recorda haver conhecido Charles Trocate no Pará, e viu nele um poeta que, como Drummond de Andrade, carrega consigoum mapa e um destino precário que insulta”, quem sabe a feição amazônica de dizer que possui somente duas mãos e o sentimento do mundo.
“A cartografia, aliás, diz Leitão, é um traço indelével da cidade que o abriga, essa hipnótica Marabá, fundada há menos de um século na confluência dos rios Itacaiúnas e Tocantins. Próspera testemunha dos anos dourados do ciclo da borracha e grande centro de exportação da castanha-do-pará, ela se cindida entre os antigos casarões da Cidade Velha e a singular configuração da Nova Marabá, traçada pelos militares em plena ditadura, cujo desenho representa uma enorme castanheira onde nãologradouros convencionais, mas sim folhas que desafiam a imaginação de visitantes incautos como este escriba que ora se manifesta.

Os tempos do fausto se foram, e agora Marabá representa o epicentro de um mundo em vertiginosa transformação, impulsionada pela temporalidade avassaladora do capital. As mineradoras, sobretudo a colossal e onipotente Vale do Rio Doce, varrem a região, pródiga em ferro e manganês, commodities vitais de um planeta neoliberalmente globalizado. Os trens cruzam noite e dia a paisagem com vagões abarrotados de minérios que os navios irão despejar nas fornalhas do outro lado do mundo, a preço de banana, para que mais tarde regressem a Bruzundanga sob a forma de trilhos e outras mercadorias dez ou quinze vezes mais caros.

A poesia de Trocate é um contraponto – e um contratempolírico e beligerante a essa vertigem. Ele ouviu o “ultimato do totem” e nos revela sem nenhum pejo sua advertência: “– O século está vestido de mofo / E manca.”
A própria dicção do trovador acusa o efeito abrasivo da razão instrumental:
“Na garganta
Outros mormaços se fazem
Chamo para uma dança sem fim
                                  a racionalidade
Mas ela foge em disparada
E acena um raro pacto
Íntimo.”

Ou ainda:

“O que se janta na história
No porão do delírio enquanto fugimos?
Cansa-me
O adeus dos camaradas
O aceno tísico
Dos debates.

Nada mais é tão distante
Que o lugar que quero chegar
A desgraça do momento
Não tem máscara
E é miúdo o dorso
Das perguntas


Apesar do aparente desalento, Charles Trocate não abdica da resistência, nem tampouco esmorece em sua logomaquia cabocla cevada à beira-rio. Sua tarefa, uma vez mais, é semear grãos de dúvida sobre as verdades cristalizadas, roçando com o verbo a textura opaca do mundo ao seu redor:

“É minha voz lambendo os fatos
Pondo de
Real estátua da dúvida
Água e sal que dormitam sentimentos”.
 

Ele o faz sem maiores hesitações, convicto de quesão navegáveis o rio e a noite”. Flui a poesia, reverso da agonia que a vida insiste em refugar:

Tempo de dúvidas passou
Ando avesso ao que é inútil e medroso
A galope
Pisando o solo dos mundos
Passará
O verão da angústia
Porque a vida não sabe possuí-la!”

Na Casa das Árvores, em Marabá, corpúsculo inédito em português e espanhol, há decerto menos estações, mas também é tempo de desfolhar o passado, em meio a razões incontestes que circulam “em forma de vento”. Charles recolheu a força das coisas insones e talvez agora esteja a reunir as folhas de sua castanheira para persistir em sua febril contenda, lutando corpo a corpo, todo o tempo, como o combatente de Drummond, “sem maior proveito que o da caça ao vento”.
É o parecer favorável.

Ademir Braz
Academia de Letras do Sul e Sudeste do Pará
Cadeira nº 07