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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Minha professora


Entre as personagens inesquecíveis da minha infância está a professor a Elza Marinho, filha de Pedro Marinho de Oliveira, por duas vezes o melhor prefeito que Marabá já teve. Ela tinha um sorriso suave e nunca a ouvi sequer levantar a voz para qualquer um dos cerca de 30 alunos na minha turma no Grupo Escolar Municipal.
Quando necessário, levava para casa o espécimen pouco comportado, e o fazia encher laudas infindáveis de papel almaço com a frase “devo me comportar na escola”. O moleque ficava de calo no dedo, de tanto escrever, confinado sozinho na sala de jantar. Esta a sua reprimenda. A partir daí, ninguém nunca repetia a dose do mau comportamento.
Na quarta-feira 19 li em jornal que minha professora morreu em São Paulo e seu corpo seria sepultado nessa data em Belém. Então, bateu-me a nostalgia de que estamos cada vez mais pobres nesta cidade sem memória, onde são raras as ruas e raros os prédios públicos com nome se professoras e professores que deram sua vida para nos fazer menos bárbaros.

Viver é isso!


O pensamento vivo de Oscar de Niemeyer, falecido dia 05 de dezembro, aos 105 anos de idade:
* Ganhei um convite para ver o filme da Bruna Surfistinha. Espero que seja mesmo um filme sobre surf. O filme da Bruna Surfistinha é uma apologia ao baixo meretrício e aos mais baixos instintos humanos. Mas pelo menos rolou uns peitinhos.
* Meu médico me proibiu de tomar vinho todos os dias. Sorte que ele não falou nada sobre Smirnoff Ice.
* Fui convidado para ver o pessoal do Comédia em Pé. Só não vou porque minha artrite não deixa ficar em pé muito tempo.
* A quem interessar possa: eu não estive presente na fundação de São Paulo há 457 anos. Na verdade eu não fui nem convidado.
* Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro.
* Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como pinico.
* Perto de mim Justin Bieber ainda é um espermatozóide.
* O frevo foi criado há 104 anos. Ou seja: só tive um ano de sossego desse pessoal pulando de guarda-chuvinha.
* Queria muito encontrar um emprego vitalício. Só pra garantir o futuro, sabe… Andei Comprando apostilas para Concurso do Banco do Brasil. Não quero viver de arquitetura o resto da vida.

biblioteca pública pra que?


A diretoria da EMEF José Vergolino enviou “Nota de Esclarecimento” sobre meu artigo “Inovação educacional” da semana passada, sobre o fim melancólico da Biblioteca Ilan Jadão, ali instalada há pelo menos dez ou 12 anos.
Dizem a diretora Aparecida Noceti, sua vice Lucília Nascimento e a coordenadora pedagógica Nilva Gomes, que no decorrer desses anos “não foram mais designados funcionários para trabalharem no local e a biblioteca ficou fechada. O acervo de livros, que há muito tempo estava defasado e se deteriorando sem que o órgão responsável tomasse qualquer providência quanto ao funcionamento da biblioteca e a manutenção e reposição de novos  livros. Como a biblioteca foi “esquecida” pelo órgão responsável e era impossível deixá-la aberta por falta de funcionários o local, a equipe gestora decidiu utilizar o espaço como sala de leitura, onde a professora sempre tinha que levar os livros comprados com recursos do PDE e  PDDE. Isso ocorreu desde i segundo semestre de 2011 e todo o ano letivo de 2012”.
E prossegue: “Os novos livros comprados pela escola estavam todos armazenados na sala dos professores por falta de espaço e estantes adequadas, por isso a direção solicitou que o espaço destinada a uma “biblioteca sem funcionamento” fosse desocupado para dar lugar a uma sala de leitura da própria escola equipada com recursos destinados à educação”.
Depois de tentar explicar o inexplicável – o fechamento da biblioteca pública por absoluto descompromisso com a coletividade e sua suposta “privatização” para a “comunidade escolar” – a “equipe gestora” (como se autointitula a diretoria da escola) arremete furiosamente contra o jornalista:
“A direção da escola esclarece ainda que não foi procurada pelo colunista Ademir Braz para conferir a veracidade das informações que ele recebeu. O artigo é mentiroso quando diz que os livros não foram encaixotados. Todos os livros foram encaixotados pela escola e um funcionário da FCCM, responsável pelo recolhimento dos exemplares, decidiu retirá-los das caixas, por conta própria, alegando estar sozinho e não ter condições físicas de carregar as mesmas para o veículo. O objetivo da escola é ter uma sala de leitura que atenda a comunidade escolar com livros novos e um profissional capacitado no local. Isto sim é inovação educacional.
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Gente, eu estou perplexo! Primeiro, os documentos que tenho são cópias dsa correspondências da “equipe gestora”  para o secretário de Educação e deste para a Casa da Cultura. São, portanto, papéis oficiais, o que dispensa qualquer consulta a quem os produziu e remeteu.
Dizer que o artigo é “mentiroso” é outro despautério. A informação obtida junto às fontes confiáveis diz que os livros foram jogados de qualquer forma no caminhão e assim entregues à Casa da Cultura, que há dez ou mais anos nada tinha a ver com bibliotecas públicas, de fato criadas por ela mas dela separadas na gestão de Geraldo Veloso e submetidas à secretaria de Cultura.
Se a “equipe gestora” der um pulinho à Fundação pode ser que ainda encontre os livros do jeito que lá chegaram: uma lástima.
Interessante a história de que a escola fechou a biblioteca pública, mas abriu sua sala de leitura particular “com livros e um profissional capacitado”. Ou seja: a quizília era mesmo com a biblioteca destinada ao público externo.
O resto é conversa fiada, nada interessante à inovação educacional. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O escritor marabaense Abílio Pacheco manda lembranças:

Minha alma disporei em cantos


Abilio Pacheco - Revista do Difere - ISSN 2179 6505, v. 2, n. 3, ago/2012
apacheco@ufpa.br


Quando sigo por estas ruas, ouço a voz e a voz do poeta. A voz dos versos do mesmo modo como “retinem nos ouvidos pás e gritos”1 e a voz do próprio pagão ora “imerso nas coisas deste e dos outros mundos”2 , ora caminhando ao meu lado na Velha Marabá.
Não sei o que me levou aquele fim de manhã para a rua Sete de Junho e de lá caminhei meio ao léu até a Bartolomeu Igreja. E a Cidade Velha era-me este espaço morto como uma língua morta. Era-me um espaço de memória de outros, mas – não sei como – de mim. Como o latim, o Núcleo Pioneiro e seus bairros  – “Santa Rosa,  Jureminha,  Alto-do-Bode, Cabelo Seco”3 – eram-me completely  unheimlich. Reconhecidamente íntimo. Externamente familiar.
E eu seguia – Dante guiado por Virgílio – guiado por Ademir. Chegando já à Bartolomeu Igreja: “aqui era um puteiro, aqui era puteiro, aqui era puteiro...” dizia-me apontando uma e outra casa. “Eu saia porre de um e porre caía no outro”.
Não custou sua fala me trazer à tona os versos em que lamenta o destino inexorável dos meninos da região: e eles “serão juquireiro castanheiro lavrador presos de correição”4 e das meninas que nada serão senão “flores da terra” “na valsa do deus dará”, “sono sem sonho”5.
Cristalizado. Fossilizado... era um tempo de casas de tolerância tão perto uma da outra. Mas no meu mapa essas casas: o Cajueiro, o Copa, a Viúva, a Índia e a Piscina eram distantes entre si. Ficavam na Folha 21, na Folha 15, na Folha 16, no Belo Horizonte, Transamazônica... nenhum na Velha Marabá.
Ouço o poeta me dizer do romance que escreve em que a terra é coisa medieva. Assusto-me com sua certeza sobre os modos e os meios de produção na região. Assombro-me com aquilo que desconheço e que deveria conhecer, mas que de fato vejo... Mas calo.
Calo, não calando e aborrecendo-me. Vivo (vive-se) entre “fardos e farpas, agravos e adagas”. Em águas terçãs, impregnados pele e pelos, unhas e dentes, olhos e lágrimas, ouvidos e gritos “e a mão em chaga viva tece de urtigas / um manto sob o céu de pássaros e bruxas”. A cidade é ainda cheia de meninos sombrios, cães sem dono, cantores e poetas.
A vontade é a de sair aos gritos em versos alardeantes amorosos e politizados, como se a palavra fosse pão, água, vinho, festa e ar. A palavra modificadora da vida ordinária do operário e do cidadão vizinho.
Não sei como encerrou-se minha caminhada ao lado do poeta. Creio mesmo que nunca cessou.
Saímos da Bartolomeu Igreja. Entramos na Antônio Maia... E estamos ainda lado a lado nesta vida de versos e sonhos pela cidade. Nós que por ela reciprocamente “morremos todos os dias”.
Eu pouco “sei disperso neste coração legado às ventanias”, mas sei mesmo que vagamente da “negra noite acumulada na boca entre versos” de Ademir Braz.

Observação:
Este texto é um exercício de tradução recriativa ou transcriação a partir do poema Minha Cidade, Minha Vida, do escritor marabaense Ademir Braz. O texto de chegada procurou lançar mão de elementos do texto de partida com o intuito de também acrescentar experiência e afetos nossos sobre a cidade, objeto do poema. A intenção foi de aproveitar elementos da poesia de Ademir (deste e de outros poemas) para fazer um ensaio de prosa poética, efetuando uma certa tradução da força afetiva do poema, fazendo uso dos elementos composicionais do mesmo, de modo a tocar (como afirma Walter Benjamim sobre a tradução) o original, mas também enxertando no texto elementos de nossa própria experiência de leitura da cidade e de nossa relação afetiva com a mesma, traduzindo mas mesclando lirismo de dois sujeitos amantes de Marabá.
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1 Do poema “Águas de passagem”, In: Braz, Ademir. Rebanho de Pedras (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá: Grafecort, 2003. p. 81.
2 Do poema “Minha cidade, minha vida”, In: Braz, Ademir. Rebanho de Pedras (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá: Grafecort, 2003. pp. 25-7.
3 Do texto “A Terra Mesopotâmica do Sol ou guia nostálgico para o nada”. , In: Braz, Ademir. Esta Terra (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá: Grafecort, 2003. p. 149.
4 Do poema “O Burocrata espia à janela”, In: Braz, Ademir. Esta Terra (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá: Grafecort, 2003. pp. 125-6.
5 Do poema “Flor da terra”, In: Braz, Ademir. Esta Terra (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá: Grafecort, 2003. p. 127.
6 Do poema “Minha cidade, minha vida”. In: Braz, Ademir. Rebanho de Pedras (Rebanho de Pedras & Esta Terra). Marabá:
Grafecort, 2003. pp. 25-7.
7 Idem.
8 Idem.
9 Idem.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Música para ouvidos corintianos

Derrota para Corinthians amplia inferno do Chelsea

Por Alastair Himmer
YOKOHAMA, Japão, 17 Dez (Reuters) - Perder um título pode ser algo visto como um infortúnio, mas desperdiçar quatro chances em quatro meses, como aconteceu com o Chelsea, já parece desleixo.
O time já havia sido derrotado na Supercopa da Inglaterra e na Supercopa da Uefa, e neste mês se tornou o primeiro atual campeão a ser eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões.
No domingo veio o quarto fracasso, contra o Corinthians, na final do Mundial de Clubes, em Yokohama, no Japão. O time também está 13 pontos atrás do Manchester United, líder do Campeonato Inglês.
"(O Japão) é muito longe para virmos perder", disse Frank Lampard a jornalistas depois de uma partida em que o Chelsea dominou até os 15 minutos do segundo tempo, mas parou nas mãos do goleiro Cássio.
"Não aproveitamos as nossas chances, e demos um gol. Esse torneio era significativo para nós desde o minuto em que embarcamos para cá. É uma grande frustração", acrescentou.
O gol que deu o bicampeonato mundial ao Corinthians saiu aos 23 minutos do segundo tempo, numa cabeçada de Paolo Guerrero dentro da pequena área, aproveitando bola espirrada pelo zagueiro Gary Cahill após chute de Danilo.
Os jogadores do Chelsea desabaram no gramado após o apito final. O zagueiro brasileiro David Luiz, chorando, foi consolado pelos colegas.
O técnico interino do Chelsea, Rafael Benítez, buscou consolo na atuação de Fernando Torres, que havia marcado cinco gols em três jogos anteriores, depois de ficar afastado por lesão.
"Fernando teve as chances. Ele marcou um gol que foi anulado (por impedimento). Ele tem de aproveitar essas chances numa final, porque não é fácil criar muitas delas em jogos assim. Se você tem duas ou três, você precisa marcar. Mas pelo menos ele estava ganhando muitas bolas no alto, e dava para ver que fisicamente ele está melhorando."
Na quarta-feira, após viajar 10 mil quilômetros de volta para casa, o Chelsea enfrenta o Leeds United pelo Campeonato Inglês.

Eleitos de Marabá e Ipixuna serão diplomados amanhã

No Terra do Nunca:


Nesta terça-feira (18), às 18 horas, acontece a  diplomação dos candidatos eleitos em Marabá e Nova Ipixuna. A diplomação será na sede da Câmara Municipal de Marabá. Mas, apesar da bonita cerimônia, nem tudo são flores. Alguns dos eleitos ainda estão com os mandatos em risco. Isso ocorre porque alguns tiveram as contas  rejeitadas ou aprovadas com ressalvas e podem ter problemas futuros com a Justiça Eleitoral. 
Além disso, alguns deles ainda podem ter o diploma cassado, pois existem ações neste sentido. Quem explica é o chefe da 23ª Zona Eleitoral, Antônio Araújo Moura. Segundo ele, os recursos contra a diplomação só podem ser feitos até três dias depois da diplomação. 
Por outro lado, a impugnação de mandato eletivo só pode ser feita até 15 dias depois da posse dos candidatos. Mas não é só isso. Existem ainda algumas ações tramitando na Justiça Eleitoral que ainda vão ser averiguadas e serão julgadas para definir a situação desses candidatos. Mas Antonio Moura deixa claro que a desaprovação das contas não implica de imediato na cassação de diploma. “Só se houver algum abuso de poder político ou de poder econômico, que ficar comprovado”, completa. 
“Os que tiveram contas reprovadas não significa que vão ter problemas quanto a cassação dos diplomas. É necessário toda uma instrução processual e apuração por parte da Justiça Eleitoral”, explica.


sábado, 15 de dezembro de 2012

Sabotadores

Anotem:
Vereador eleito Adelmo Azevedo reuniu-se hoje no Sindecomar com o ex-vereador Mamoré, os dois Pedros eleitos e mais Sempré, o "nativo", para discutir meios de sabotar a candidatura de Júlia Rosa à presidência da Câmara.
Diz-que a turma integra o  "grupo do Tião", o Miranda.
Adelmo quer ser presidente, imaginem...
Vocês se lembram do Adelmo? Quando vereador e ocupante eventual da direção da Casa, ele pediu ao Executivo uma granazinha safada pra festejar o aniversário dele.

Judiciário: brasileiro acredita pouco na toga. Só 39%

No Manuel Dutra:


Revista Consultor Jurídico via
blog do advogado José Ronaldo Dias Campos

Judiciário é pouco ou nada confiável, mostra estudo

O Poder Judiciário segue como uma das instituições que têm a menor confiança da população no Brasil, conforme mostra o Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), que analisou o segundo e terceiro trimestres de 2012. Feito pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, a Direito GV, o estudo mostra que a população brasileira considera o Judiciário só é mais confiável que as emissoras de TV, os vizinhos, o Congresso Nacional e que os partidos políticos.
Confiança nas Instituições
De acordo com a pesquisa — feita com 3,3 mil pessoas —, 90% dos brasileiros consideram a Justiça morosa e 82% a consideram cara. Outros 64% dos entrevistados acreditam que o Judiciário é desonesto e 61% o enxergam como nada ou pouco independente. Além disso, 64% dos ouvidos acham a Justiça “difícil” ou “muito difícil” de acessar.

O ICJBrasil também atribui notas para o desempenho do Judiciário. Numa escala de 0 a 10, a nota geral foi 5,5. A pontuação é baseada em dois subíndices: o de comportamento, que analisa se os cidadãos, quando enfrentam problemas, procuram soluções na Justiça, e o de percepção, que apura o sentimento da população em relação a celeridade, honestidade, neutralidade e custos. No primeiro requisito, a nota foi 8,7. No segundo, 4,1.

Para Luciana Gross Cunha, professora da Direito GV e coordenadora do estudo, os dados seguem a mesma tendência que sempre tiveram, “de má avaliação do Judiciário como prestador de serviços públicos”. Foram entrevistadas pessoas em oito estados brasileiros, que responderam por 55% da população nacional (Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo).
Polícia
O ICJBrasil também mostrou que a população não está satisfeita com o trabalho da polícia. A instituição foi apontada como confiável pelos mesmos 39% que o Judiciário.
Grau de satisfação com a atuação da polícia
Muito Satisfeito
Um pouco satisfeito
Um pouco insatisfeito
Muito insatisfeito
Indiferente
  
Contando juntos os “insatisfeitos” e os “pouco satisfeitos”, a cifra chega a 63%. Considerando a camada mais pobre da população, o índice pula para 65%. Na camada mais rica, cai para 62%.“É um dado alarmante, principalmente se considerarmos os últimos acontecimentos envolvendo o assassinato de policiais e diversas pessoas na periferia”, analisa Luciana Gross Cunha.
Revista Consultor Jurídico, 14 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O fechamento das pontes e o fim do mundo



O infelizmente ainda prefeito Maurino Magalhães tornou-se uma ameaça pública e, pior, de dimensão transamazônica. Por causa de sua incompetência, desde quinta-feira (13) servidores municipais, inclusive os responsáveis pelo trânsito urbano, passaram a bloquear as duas pontes sobre o rio Itacaiúnas, um dos trechos mais demandados e complicados da rodovia Transamazônica.
Se o objetivo dos manifestantes era chamar a atenção da sociedade para o fato de que a prefeitura não lhes paga os “perdimentos” há quatro ou cinco meses, o fechamento das pontes gêmeas seguramente causou desagrado e indignação a todos quantos transitam da distante região da Santarém-Cuiabá rumo norte do Tocantins e o Sul do Maranhão.
No meio do tumulto do segundo dia de obstrução, toda a manhã de sexta-feira 14, ponderava-se que a ação dos servidores teria maior serventia se eles fechassem cada uma das respectivas secretarias municipais além das inventadas por Maurino Magalhães para acomodar os milhares de penduricalhos que colecionou desde o começo da sua desastrada administração. Também poderiam, como sugeriu alguém mais exaltado, pegar responsável e responsáveis por esta situação vergonhosa de calamidade pública e lhes dar um banho de, por assim dizer, um banho de pinhão roxo com sal grosso até tirar a catinga.
Se não resolvesse a angústia de cada um, pelo menos lhes deixaria a alma inefavelmente mais leve.
Não se tira a razão do protesto e reivindicação dos servidores municipais. Entre muitos deles a fome já é uma dura realidade, conseqüência do pior governo que Marabá já teve e, pelo visto, terá até 1º de janeiro de 2013 (se não cumprir-se a profecia maia do fim do mundo em 21 de dezembro próximo, cujo beneficiário maior seria o próprio Maurino Magalhães, livre do merecido castigo).           
Mas o bloqueio da Transamazônica, onde está sendo feito, é de um prejuízo incalculável para a população marabaense. No Complexo Cidade Nova estão situados o Fórum, o INSS, Ministérios Públicos Estadual e Federal, Incra, Ibama, escolas, escritórios e outros pontos de trabalho de centenas de empregados que residem do outro lado das pontes.
Na banda da Nova Marabá estão o centro administrativo, a prefeitura, secretarias municipais, Receita Federal, Sefa, hospitais materno-infantil, regional e municipal, além de dezenas de outras instituições com alta demanda popular.
Todos com sua finalidade e serviços comprometidos pela obstrução. Por fim, quem são os mais prejudicados nessa história senão os contribuintes que, em última instância, são os mantenedores do salário de cada servidor?