EXONERAÇÃO DOS DIRETORES DANDO O QUE FALAR

Não teve jeito, nessa segunda-feira (27) nas escolas não se falava outra coisa que não fosse a troca dos diretores. Fiquei sabendo que houve até manisfesto em algumas escolas. Confesso que tive a curiosidade de passar, logo cedinho em frente a algumas escolas só para sentir o clima. Pareceu tudo normal. Sei que algumas injustiças foram cometidas, não vou citar nomes para não cometer mais uma injustiça.
Por mais que a gente defenda a rotatividade de professores na função de diretor, é complicado quando se ver o colega até chorando porque perdeu a função. A direção vira o ápice da piramide na escola, quando o companheiro chega lá não quer mais sair. O pior de tudo isso é que a pessoa parece que cria um vínculo emocional com a função e não consegue mais se imaginar fazendo outra coisa. Tenho certeza que não é somente pela gratificação financeira, talvez essa nem compense tanto, há algo a mais nesse negócio. Custa a mim, acreditar que seja puro apego ao poder. Será que é isso?
Sempre me dei bem com todos os diretores, mesmo nesses tempos de embate político, tenho andado pelas escolas e procuro sempre o diretor ou diretora, sou sempre muito bem recebido. Se tenho algum desafeto entre eles ainda não conheci. Tenho imenso carinho por todos os diretores e diretoras que conheço pessoalmente. A gente houve sim falar em alguns desmandos, alguns diretores que agem sem ter a impessoalidade.
Sou ousado até em dizer que o problema não está em nenhum diretor, qualquer um que passar dez anos numa função de comando, se apega a ela. O problema está nessa política maldita que se instituiu em vários municípios, não só aqui, direção de escola vira cargo vitalício, e, às vezes, hereditário. Há pelo menos um caso aqui que a diretora mãe, passou a função para diretora filha. Um absurdo isso! Encontrei nos corredores da Semed, há um mês atrás, uma diretora, pela qual tenho muito carinho e respeito, estava gelada, sem fôlego e quase perdendo a voz. Não ocasião ela recebera a notícia de que não iria poder concorrer ao cargo de direção caso fosse feita a eleição. "Meu deus!", dizia ela, "estou há dezessete anos como diretora, não sei fazer mais nada, o que vou fazer agora se me mandarem para uma sala de aula?". A rotatividade tem que existir para o bem do próprio servidor.
Se bem que a serpentinha já andou buzinando ao meu ouvido, dizendo que alguns dos que saíram conseguiram retornar. Correram atrás de um ou outro vereador que deu uma pressão pelos bastidores e, caso resolvido. Tudo bem, é disputa política, se não é da forma democrática...
---------------------
O secretário de Educação, Luis Bressan, disse na tevê que as demissões foram necessárias e "fazem parte do processo". Explicou em seguida que serão nomeados temporários e que está prevista para outubro a eleição democrática dos novos diretores.Uma fonte do segmento informou a Quaradouro que, na verdade, todos os diretores nomeados pelo ex-prefeito Maurino Magalhães não escondiam sua insatisfação com o prefeito João Salame e expressavam isso nas escolas, entre pais de alunos e alunos, o que desagradou João 23. Tanto, que embora a promessa de campanha sobre a eleição direta para a diretoria das escolas estivesse prevista para meados do segundo semestre, o prefeito decidiu antecipar a exoneração em massa e evitar que os maurinistas continuassem a "solapar" seu governo.




