CPT diocese de Marabá,
SPDDH, Fetagri e STR-Marabá relatam a tentativa frustrada do fazendeiro sair do
Brasil
O juiz Edmar Silva Pereira, da 1ª Vara do
Tribunal do Júri de Belém, decretou a prisão preventiva do fazendeiro Marlon
Lopes Pidde, acusado da chacina de 5 trabalhadores rurais no município de
Marabá, em 27/09/1985. O crime ficou conhecido como chacina da Fazenda
Princesa. O processo já tramita na justiça paraense ha 28 anos e, até agora,
nenhum dos acusados foi julgado pelos crimes cometidos.
O
Ministério Público tomou conhecimento de que Marlon Pidde encontrava-se na sede
da Polícia Federal do Estado de São Paulo tentando tirar seu passaporte. O
acusado pretendia empreender fuga do Brasil e se furtar do julgamento que
deverá ser marcado nos próximos meses. Atendendo ao Pedido do MP, o juiz
decretou de imediato sua prisão preventiva.
O
Fazendeiro Marlon Pidde, acusado de ser o mandante do crime, passou 20 anos
foragido. Foi preso pela Polícia Federal no final de 2006. Na época, estava
residindo em São Paulo e usava nome falso. O fazendeiro passou apenas 4 anos e
8 meses preso. Em Agosto de 2011, o STJ mandou soltar Marlon alegando demora da
Justiça Paraense em levá-lo a julgamento.
Logo
após sua prisão, os advogados da CPT e da SPDDH (que atuam na assistência da
acusação), em conjunto com o Ministério Público, ingressaram com Pedido de Desaforamento
do julgamento para a comarca da Capital em junho de 2007, no entanto, o
Tribunal só julgou o pedido no dia 08 de fevereiro de 2010, ou seja, quase 3
anos para julgar um recurso que deveria ser julgado em menos de 6 meses. Em seguida, a defesa de Marlon interpôs os
recursos Especial e Extraordinário contra a decisão do Tribunal que desaforou o
julgamento para Belém. Novamente o Tribunal demorou, exageradamente, apenas
para se manifestar sobre se admitia ou não os recursos. Foi mais de um ano para
uma simples manifestação. Somando os dois prazos, o processo passou mais de 4
anos nos corredores do Tribunal. Uma demora sem qualquer justificativa. Era o
argumento que a defesa de Marlon esperava e precisava para pedir sua liberdade
com fundamento no excesso de prazo de sua prisão.
O
caso ficou conhecido a nível nacional e internacional, em razão da crueldade
usada pelos assassinos, chefiados por Marlon, para matar as vítimas. Os cinco
trabalhadores foram sequestrados em suas casas, amarrados, torturados durante
dois dias e assassinados com vários tiros. Depois de mortos, os corpos foram
presos uns aos outros com cordas e amarrados a pedras no fundo do rio Itacaiúnas.
Os corpos só foram localizados mais de uma semana após o crime. O caso foi
levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, onde tramita um
processo contra o Estado brasileiro.
Espera-se
agora que o júri seja imediatamente marcado e que o fazendeiro Marlon e seu
gerente José de Sousa Gomes prestem contas dos crimes cometidos.