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terça-feira, 17 de maio de 2011

Menos quatro


Justiça extingue quatro processos de jornalista santareno
Processo teve sua tramitação prejudicada por sucessivas declarações de suspeição
Lucio Flavio Pinto - JornalistaPará - O desembargador João Maroja extinguiu, na última terça-feira (10/05) quatro processos contra o jornalista Lúcio Flavio Pinto, alegando prazos vencidos. No relatório o desembargador justifica que o processo teve sua tramitação prejudicada por sucessivas declarações de suspeição, e que quando processo chegou a seu gabinete no dia 05 de maio de 2011, estava prescrito, pois a queixa-crime baseava-se na lei de imprensa que continha regra própria sobre prescrição, estabelecendo o prazo único de dois anos para todos os delitos nela previstos, no que tange à pretensão punitiva. (http://notapajos.globo.com)

Conheça Lúcio Flavio Pinto

 Lúcio Flávio de Faria
Pinto (Santarém, 23 de setembro de 1949) é um jornalista e sociólogo brasileiro.
 É
autor de diversos livros sobre meio ambiente e Amazônia. Foi correspondente na região do jornal O Estado de S. Paulo e repórter dos jornais O Liberal e A Província do Pará. Desde 1987, publica o Jornal Pessoal, quinzenário individual que circula em Belém sem qualquer tipo de publicidade, e que tem como diferencial em relação ao restante da imprensa paraense o não alinhamento a nenhum dos grupos políticos e empresariais do estado.
Foi professor do curso de jornalismo da Universidade Federal do Pará.
Recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj, da Federação Nacional dos Jornalistas, que em 1988 considerou o Jornal Pessoal a melhor publicação do Norte e Nordeste do país.
Em 1997, ganhou o prêmio Colombe d'Oro per la Pace, dado anualmente pela organização não governamental italiana Archivio Disarmo a personalidades e órgãos de imprensa que tenham uma contribuição significativa na promoção da paz. Ele venceu na categoria "jornal".[1]
Em 2005, foi premiado com o Internacional Press Freedom Award, da organização nova-iorquina Committe to Protect Journalists (CPJ), dado a jornalistas que tenham se destacado na defesa da liberdade de imprensa.[2]
Escreveu no Jornal Pessoal nº 479, 2ª quinzena de dezembro/2010, um artigo intitulado "O PIG é uma fantasia", que também foi publicado em 11/01/2011 no site observatório da imprensa, alcançando mais de 40 comentários, alguns a favor e alguns contra o seu artigo.
Livros publicados (lista parcial)
Amazônia: o anteato da destruição. Belém: Grafisa. 1977. 
Amazônia: no rastro do saque. São Paulo: Hucitec. 1980. 
Carajás: o ataque ao coração da Amazônia. Rio de Janeiro: Marco Zero. 1982. 
Jari: toda a verdade sobre o projeto de Ludwig (as relacões entre estado e multinacional na Amazônia). São Paulo: Marco Zero. 1986. 
Amazônia: a fronteira do caos. Belém: Falangola. 1991. 
Hidrelétricas na Amazônia: predestinação, fatalidade ou engodo?. Belém: Edição Jornal Pessoal. 2002. 
A Internacionalização da Amazônia:
sete reflexões e outros apontamentos inconvenientes. Belém: Edição Jornal Pessoal. 2002. 
CVRD: a sigla do enclave na Amazônia (as mutações da estatal e o estado imutável no Pará). Belém: Cejup. 2003. 
(Fonte: Wikipedia)


Ouvidor de araque

Nos dias 12 e 13 de maio houve audiência pública na SR-27 com o desembargador Gersino da Silva Filho, sobre conflitos agrários na região.
Assinaram a ata do encontro o próprio desembargador, o representante do Ministério Público Federal, o procurador do Incra e membros dos movimentos sociais.
Curiosamente, aparece a assinatura de Eudério de Macedo Coelho como ouvidor agrário do Incra, em Marabá.
Eudério Coelho é ex-vereador de São Domingos do Araguaia, integrante da tendência PT pra Valer (de Luis Carlos Pies, Bernadete ten Caten e Zé Geraldo), e que está “encostado” no Incra sem portaria de nomeação desde julho de 2010, sem qualquer função e sem qualificação para assinar pela Ouvidoria.
Aliás, o Incra está cheio de “encostados” sem nomeação, todos colocados por Luis Carlos Pies, chefe de gabinete, que tem mais poderes do que o superintendente Luis Bonetti.
Luis Carlos Pies é o "manda-Chuva" no Incra




Hackers criam site para denúncias de abuso de autoridade

Com o título acima, recebi do companheiro André Ribeiro a importante notícia abaixo, publicada pela Redação do IDG Now! dia 13 de maio recente:


"Reunidos em Brasília para o IV Consegi, hackers de todo o país encararam o desafio de criar projetos que contribuam na fiscalização de gastos e atos públicos.

Reunidos em Brasília para o IV Consegi (Congresso Internacional Governo Eletrônico e Software Livre ), hackers de todo o país encararam o desafio de criar ferramentas que contribuam na fiscalização de gastos e atos públicos.
Um dos primeiros produtos é o projeto “Otoridades – você sabe com quem está falando? ”. Já no ar, o site permite denunciar abusos de autoridade em todas as esferas de governo. Compilados, os dados serão objeto de orientação e discussão pública, com espaço para os denunciados se retratarem. “Pretendemos criar uma plataforma onde as pessoas possam conhecer os casos de abuso de autoridade e onde eles ocorrem. Com isso, queremos orientar a população sobre esse aspecto problemático de nossa cultura política para que possam saber a que meios legais podem recorrer”, explica Luciano Santa-Brigida, um dos responsáveis pelo projeto, que veio de Belém para o encontro hacker em Brasília.
Segundo Pedro Markun, um dos fundadores do movimento “Transparência Hacker”, a metodologia do encontro é milimetricamente desorganizada, “caótica”. Em círculos, os hackers trabalham desenvolvendo aplicativos com dados e informações públicas que possam ajudar o cidadão na hora de se informar, fiscalizar ou participar do processo político. Os grupos dividem-se na produção de diferentes projetos, mas cada programador trabalha do seu jeito e na hora em que deseja. “Esse pessoal é fantástico, trabalham bastante e tem muita energia e tudo isso para produzir melhorias para sociedade. É muito bom estar aqui”, disse o ciberativista inglês Rufus Pollok, um dos fundadores da Open Knowledge Foundation, que veio para o Consegi 2011.
*Trabalho colaborativo*
Em menos de três dias de encontro, os hackers se dividiram em mais de 10 projetos. Se em alguns o objetivo é fiscalizar as autoridades, em outros a intenção é colaborar. No encontro, um grupo de hackers ajuda o Ministério da Justiça a compilar e organizar imagens de mais de 500 mil de projetos legislativos brasileiros, alguns redigidos há mais de 70 anos. “São dados públicos, abertos a qualquer cidadão, que estavam desorganizados no Ministério da Justiça e que foram disponibilizados para serem trabalhados pela comunidade”, explica Ricardo Poppi, servidor do MJ. Para Fabrício Zuardi, um dos desenvolvedores responsáveis pelo projeto trata-se de uma excelente oportunidade para ajudar o país fazendo o que gosta. “Não é todo dia que temos acesso a algo tão grande e importante para história do país. Esperamos produzir resultados interessantes”, conta."

sábado, 14 de maio de 2011

A cara do Maurino: a cidade tem fome e comida vai para o lixo

A principal matéria do jornal Correio do Tocantins deste sábado, 14 de maio, é mais uma prova
inconteste da praga sem controle que o desprefeito Maurino Magalhães representa para Marabá.
Mais cruel de tudo é que ele permanece impune, acima da lei e da moralidade pública, Veja:



14/05/2011
 Mais de uma tonelada de alimento vai para o lixo
 
Em plena crise do atendimento às refeições das crianças na rede pública em Marabá e no Brasil, como denunciado esta semana pelo Fantástico, da Rede Globo, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi obrigada a descartar, na tarde de ontem (13), 766 quilos de feijão, 700 quilos de achocolatado em pó, 56 garrafas de suco e 27 de óleo, que passaram do prazo de validade. Um caminhão encostou à porta do depósito onde os produtos permaneciam guardados e carregou quase uma tonelada e meia de alimentos para o aterro sanitário. Equipe do CORREIO DO TOCANTINS presenciou o fato.
De acordo com a coordenadora do Departamento de Alimentação Escolar (DAE) da Semed,  Regina Souza da Cruz, quando ela assumiu o setor, no início de 2010, esses alimentos já estavam guardados no barracão e próximos de terem a data de validade expirada. “Na atual administração, a merenda das escolas foi terceirizada e, por isso, não podíamos enviar esses alimentos, comprados com dinheiro público, para a empresa que está prestando o serviço”, explicou.
Passados três meses, o departamento entrou em contato com o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) a fim de que este fizesse encaminhasse os alimentos para doações ou descarte. A primeira intenção do CAE, ainda segundo Regina da Cruz, foi doar o alimento, mas era necessário o aval da Divisão de Vigilância Sanitária (Divisa).
LixoAo entrar em contato com o órgão, o DAE foi informado de que não poderia realizar essa doação sem antes realizar uma perícia nos produtos, atestando se ainda eram próprios para o consumo. O único problema era a impossibilidade de se realizar este teste na cidade. “Eles não aceitaram que doássemos porque tinham de passar pela análise em laboratório, mas a Vigilância não possui esse laboratório”, destaca Regina.
Constatada a situação, a boa ação foi descartada e sobrou apenas uma destinação: o lixo. “Como não tem laboratório, foi decidido que eles fariam uma análise aqui no depósito para nos orientar sobre como descartar esses alimentos. Depois de dois meses, eles vieram para cá analisar as datas de validade, peso e marcas, acompanhados pelo CAE”, acrescentou Regina.
A Vigilância Sanitária ficou responsável pela retirada dos alimentos e a destinação. Regina acredita que os produtos devam ser jogados no aterro sanitário porque não há uma empresa licenciada pelo órgão para fazer a incineração.
O termo de inutilização da Divisa quanto a situação dos alimentos é assinado pelos técnicos José Luiz Júnior e Sônia Regina Ferreira.
Câmara A vereadora Antônia Albuquerque, a Toinha do PT, relatou ao CORREIO DO TOCANTINS que recebeu a denúncia quanto ao descarte dos alimentos ainda pela manhã e esteve com a nutricionista responsável técnica do departamento, Cecília Ribeiro, para apurar o caso.
Após ser apresentada à situação, a vereadora ficou alarmada com o fato. “Só posso lamentar que diante da falta de alimentos em escolas e mesmo em entidades beneficentes, a gestão municipal deixe estragar alimentos no depósito”, declarou.
Ela afirma que pretende denunciar a situação e brigar para que isso não fique impune e não volte a acontecer. “O responsável por deixar essa comida estragar precisa pagar”, assevera.
POLÊMICANão é de hoje que a merenda escolar rende polêmica no município. Logo que assumiu, a atual administração adotou a terceirização do serviço, afirmando que a empresa responsável iria adquirir alimentos de pequenos agricultores da região e servir uma refeição completa. A ideia nunca funcionou a contento, segundo denúncia da vereadora Vanda Américo, a qual, esta semana disse que a Prefeitura Municipal tem dívida de R$ 13 milhões para com a EB Alimentos.
O prefeito Maurino Magalhães bateu boca com a vereadora na câmara na última quarta-feira, disse que ela estava mentindo, mas não negou a dívida. De outro lado, afirmou com veemência que manteria o atual modelo de refeição. Apesar das palavras do gestor, todos na Semed já sabem que a merenda escolar vai voltar ao controle da secretaria ainda neste semestre. (Luciana Marchal)


"Discussão sobre Carajás não deve ser desleal"

Quanto custa criar um novo estado?


Por Sandro Araújo
Blog do Sandro Araújo, maio, 2011

Imagine a situação: corre o ano de 1985. Você é um empreendedor e resolve estabelecer uma micro-empresa na cidade de Tocantinópolis, Goiás. Para obter a documentação necessária à instalação da empresa é necessária ao menos uma ida à capital do estado. Entre Tocantinópolis e Goiânia a distância a ser percorrida é de 1287km. De carro, no mínimo 16 horas pela rodovia Belém-Brasília. Não é tão simples abrir uma micro-empresa… Noutra situação, um advogado da cidade de Araguaína precisa obter um habeas corpus para um cliente que foi preso. A ida a Goiânia é obrigatória para a obtenção da liberdade do cliente. Deverá percorrer 1140km em pelo menos 13 horas e meia. Isto apenas de ida! Outro colega, da cidade de Araguatins, cujo cliente ficou inconformado com uma decisão judicial desfavorável, precisa ir ao Tribunal de Justiça em Goiânia para acompanhar um recurso judicial. São 1381km a percorrer, boa parte pela mesma Belém-Brasília.
Estes três casos ilustram a realidade vivida pela população do atual estado do Tocantins para exercer direitos simples ligados à cidadania: o acesso à justiça ou mesmo a regularização de uma empresa. Noutros casos, pessoas com graves problemas de saúde também precisavam percorrer distâncias semelhantes à busca de atendimento nos hospitais da capital goiana. Ressalte-se que boa parte dos atendimentos públicos de saúde era disponível apenas na capital.
O Brasil é um país enorme. Mesmo com o desmembramento de Tocantins, ocorrido após a promulgação da atual Constituição Federal, em 1988, o acesso aos serviços públicos citados ainda demanda boa dose de paciência na estrada. Mas hoje o advogado de Araguatins precisa percorrerapenas” 617km para chegar ao Tribunal de Justiça. Seu colega de Araguaína, 375km. E o empresário de Tocantinópolis, 521km. Em todos os casos, houve a economia de pelo menos 750km.
Quem vive em Santana do Araguaia, cidade do sul do Pará, quase divisa com Tocantins e Mato Grosso, para abrir uma empresa, ter acesso à saúde ou ainda lidar com processos no Tribunal de Justiça do estado, precisa percorrer 1203km. Quem vive em Itaituba, no Oeste do Pará, quase divisa com o Amazonas, percorre 1374km para ir à capital. E o caminho inclui travessia em balsa. Outras cidades, como Novo Progresso, exigem do cidadão o percurso de 1703km até a capital! Detalhe: todas as cidades citadas possuem acesso “facilitado” pelas poucas rodovias federais que cortam o território paraense.
Na esteira da aprovação pelo Congresso Nacional da realização de plebiscitos para a possível criação dos novos estados de Carajás e Tapajós, reportagem divulgada no portal g1 alerta: “Tapajós e Carajás seriam estados inviáveis, calcula economista do Ipea” .  Em resumo, o estudo informa que “os estados do Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano“. Diz ainda: “Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal” e completa:  “O PIB do Pará em 2008, [...] foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%.“
Tratar a viabilidade ou a inviabilidade da criação de uma nova unidade da federação pela simples comparação do custo de instalação da mesma com o PIB que gera é, no mínimo, desleal. De fato, um das principais motivadores para a criação é exatamente o estímulo ao desenvolvimento da região – o que, por si , é enorme catalizador e impulsionador ao crescimento do PIB. Dados do IBGE permitem verificar esta afirmação: enquanto o PIB Nacional, a preços correntes, saltou de R$ 1.064.999.712 em 1999 para R$ 3.031.864.490 em 2008, com aumento de 284,7%, no estado do Tocantins o PIB saltou de R$ 3.015.695 para R$ 13.090.837, ou seja, 434%. Daí se depreende que, pelosimplescrescimento do PIB, o valor a ser gasto na manutenção de um novo estado, comparativamente ao PIB, tende a decrescer. Aplicada a mesma projeção, digamos, ao futuro estado do Carajás, em dez anos o custo da máquina administrativa em relação ao PIB deveria cair de 23% para 15%. Note-se que, em 1999, Tocantins contava com 10 anos de instalação: nos anos que se seguiram à emancipação, a taxa de crescimento da economia do estado foi ainda mais vigorosa.
Mais uma vez: não se deve julgar a “viabilidade” de uma nova unidade da federação exclusivamente pelo custo de instalação. A máxima econômica do “Custo x Oportunidade”, talvez aqui mais que noutras situações, é válida. Imagine-se a quantidade de oportunidades que se seguem à criação de uma nova capital, por exemplo. Na década de 1930, Goiânia surgiu e hoje é uma das mais dinâmicas cidades do país. Na década de 1950, iniciou-se a construção de Brasília e a capital nacional é hoje Patrimônio Mundial, abrigando mais de 2 milhões de pessoas: um em cada 100 brasileiros reside no Distrito Federal! Instalada de fato em 1º de janeiro de 1990, Palmas hoje abriga mais de 200 mil pessoas. Se antes os goianos do norte precisavam se deslocar para Goiânia para tudo, inclusive para o acesso ao ensino superior, hoje Palmas conta inclusive com uma Universidade Federal.
Outro aspecto da discussão sobre o custo efetivo da instalação de um novo estado, é sinalizado pelo próprio estudo do IPEA. Se somados os futuros estados de Tapajós e Carajás custariam R$ 5,1 bilhões por ano para funcionar, arrecadam atualmente R$ 3 bilhões: ou seja, o “complementonecessário é de R$ 2,1 bilhões. Comparativamente, o que são, hoje, 2 bilhões de reais dentro do Orçamento Geral da União?
O orçamento da união, em 2011, prevê gastos da ordem de R$ 1.287.501.217.949 – quase um trilhão e trezentos bilhões de reais! Outros R$ 678.514.678.262 são previstos para a “rolagem da dívida pública”. Tomando-se por base o estudo do IPEA, o acréscimo de 2,1 bilhões necessários à instalação corresponderiam a 0,16% do orçamento 2011!
O Ministério das Cidades possui previstos para 2011 gastos da ordem de 22 bilhões de reais. O Ministério das Comunicações, por sua vez, tem orçamento de 4,37 bilhões em 2011. As Transferências a Estados, Municípios e ao Distrito Federal, de onde sairiam boa parte dos recursos para a instalação dos novos estados, possuem previsão de 178 bilhões de reais em 2011. Bastariam 1,18% destas transferências para viabilizar a instalação de Carajás e Tapajós!
A criação dos estados é, naturalmente, um jogo de perde-e-ganha. Se a população residente nos novos estados tem muito a ganhar, é de se esperar reação contrária por parte dos residentes no que restará sendo o estado do Pará. De fato, se Carajás e Tapajós forem criados, o Pará verá seu território reduzido a apenas 17% do atual. No caso do Tocantins, Goiás perdeu “apenas” 45% de seu território, conservando a parte mais rica, situada ao sul. Por seu turno, o “novoPará ainda permaneceria com 60% da população atual e boa parte do PIB. A perda de território, porém, não parece ser bem “digerida” pelosnovosparaenses. O próprio governador do estado, Simão Jatene, afirmou ser favorável ao plebiscito, mas sublinhou que a população “deve ter total clareza do que vai escolher e suas reais consequências”.
O IPEA, como órgão vinculado ao Governo Federal, que ficaria com a “conta” da instalação dos novos estados, faz o jogo do “é inviável”, vai sercaro”, o contribuinte não aguenta maisEm artigo publicado em sítio dedicado ao estado do Carajás, é possível ver um aspecto curioso sobre a Divisão Territorial no Brasil, especialmente quando da criação do estado do Paranáhoje um dos mais pujantes do país, o qual, à época e para os burocratas de plantão, era também considerado “inviável”.
A aprovação dos plebiscitos, pelo Congresso Nacional, é um enorme passo para a eventual criação dos novos estados. A população diretamente envolvida será ouvida e poderá, democraticamente, decidir seu futuro. A conta da instalação pode ser alta. Mas os diversos exemplos permitem prever que todos ganharemos: os paraenses, os carajaenses os tapajoenses e o resto do Brasil.
A justificativa do custo, como demonstrado, não pode e não deverá ser óbice à realização do anseio da população.

QUEREMOS É A SOLUÇÃO

Agnaldo Rosas de OliveiraAdvogado

Um movimento bem articulado, denominado “Na Mesma Moeda”, que começou pela internet e ganhou as ruas de algumas cidades brasileiras, protestou, na semana passada, contra o aumento dos preços da gasolina, e isso foi destaque em vários noticiários. Os protestantes, pela internet, marcaram um local de encontro, de onde saíram em carreatas até um posto também previamente escolhido, e abasteceram R$ 050 apenas, e pediram nota fiscal. Alguns chegaram a fazer o pagamento com cartão de crédito.

Um repórter de televisão entrevistou um dos donos de posto de gasolina, que julgou ser culpa dos governos estadual e federal o aumento nos preços dos combustíveis, pois embutem neles impostos elevados. Um dos protestantes, ao ser entrevistado, disse que não queria nem saber de quem era a culpa, queria era a solução.
E, parece que a reivindicação vem dando certo; os preços começaram a cair. É bom que se diga que, o que parece ser de interesse somente daqueles que tem automóveis é, em verdade, do interesse geral, pois os alimentos que consumimos,  por exemplo, na maioria das vezes  vem de locais distantes, e embutem nos preços os valores dos fretes. Nós consumidores acabamos pagando a conta.
Podemos concluir que o movimento “Na Mesma Moeda” inventou a roda, e agora podemos seguir em frente e, de forma simples e inteligente, cobrar soluções para outras situações que nos interessam, sem deixarmos nos levar pela falácia daqueles que sempre jogaram e jogam a culpa no outro. A questão da saúde seria um largo passo, ou vai se continuar ouvindo e acreditando que a culpa é do governo municipal, que diz que a culpa é do federal, que diz que a culpa é do estadual?