sexta-feira, 29 de junho de 2007
Fechando o cerco
Assim que expirarem, em 2008, os contratos de fornecimento de minério de ferro às guseiras de Carajás que usam carvão de desmatamento, a Vale do Rio Doce não vai renová-los. Para tocar seu próprio negócio, a Vale projeta construir uma termelétrica a carvão mineral na região. “Nos últimos anos - diz artigo de Míriam Leitão, em 20 de junho -, a Vale impôs, no contrato de venda de minério para produtores de gusa, cláusulas de respeito ao meio ambiente. Por esses contratos, os produtores são obrigados a respeitar as leis ambientais, cumprir leis trabalhistas, além de todas as ‘licencas, autorizações, alvarás, permissões, programas, certificados e estudos’ exigidos por lei. O problema é que, mesmo quem tem todos esses documentos, nem sempre os cumpre.”
Em outras palavras, é a Vale retirando mais um estorvo do seu caminho. A próxima remoção poderá ser o município de Marabá
TransTião
Apesar da greve dos motoristas, o transporte escolar municipal continua de vento em popa. Semana passada um Fiat Uno da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri) foi visto deixando criança no Colégio Monte Castelo. Já nesta semana o mesmo "serviço", no mesmo colégio, coube a uma L-200 branca, placa JUL-4887, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Novidade na expô
Com início neste sábado (30 de junho) e término dia 8 de julho, a expectativa de seus organizadores é que a XXI Exposição Agropecuária de Marabá – Expoama – resulte em pelo menos R$ 30 milhões em negócios, ou seja, aumento de 50% em relação a 2006.
Uma novidade deste ano vem por conta da distribuidora de máquinas agrícolas e equipamentos pesados Tracbel S.A.: vai realizar, à noite de 5 de julho e paralelamente à exposição, um ciclo de palestras técnicas, dirigidas aos profissionais das atividades mineradoras e siderúrgica, no Hotel Itacaiunas.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Fim do extermínio?
A desconfiança de que assassínios programados ocorrem em Marabá vem desde 2004, quando um policial militar foi morto por gangue quando tirava serviço, como segurança noturno do Hospital Climec, no bairro Cidade Nova.
Responsabilizados pelo crime, os jovens integrantes da “Gangue BH” (bairro Belo Horizonte) foram quase todos assassinados, segundo os registros da imprensa local. Um dos apontados como membro da “BH”, Emanuel, então com 16 anos, foi retirado às pressas da cidade por familiares e provavelmente é o único sobrevivente. Nunca ninguém foi preso por esses e outros crimes que alcançaram supostas gangues do Cabelo Seco, da Santa Rosa, da Liberdade/Independência e de outros bairros.
A seqüência de assassinatos de jovens delinqüentes, cuja autoria permanece até hoje no desconhecimento das autoridades e da opinião pública, incluiu menores de 15, 16 anos, apontados na imprensa como “elementos com passagem na polícia”. Esta, aliás, parece ter sido a senha que norteou a execução seletiva.
Talvez por esse conjunto de fatos, a Polícia Federal passou todo o dia de hoje cumprindo mandados de prisão na cidade. Segundo uma fonte, policiais militares foram a grande maioria dos detidos, acusados da formação de grupo de extermínio, juntamente com alguns civis.
E assim, vai algo no ar marabaense além, claro, dos urubus de matadouros clandestinos.
Noite festiva
Comovente e simpaticíssima. Só assim posso definir a a homenagem que me prestaram, dia 22 de junho, professores e alunos da Escola Deuzuita Melo Albuquerque, durante a II Noite Cultural por eles promovida e à qual tive a felicidade de ir com Ana de Luanda e Giordano Bruno. Houve recitação dos meus poemas, apresentação de conjunto musical de discentes, palavras enternecedoras de carinho e estima. Deram-me, imaginem, até um certificado de reconhecimento pela “importante contribuição à literatura nacional”. por lá conheci Max e Johás Johnson, bons músicos jovens, e muita gente interessada em literatura.
O corpo docente – Keila (diretora) Caíto, Cleonete, Edna, Eliane, Isabel, Ivan, Janilson, Lucileide, Marcleison, Marcos, Orlando e Valquíria –produziu um livreto onde ousou (quanto exagero!) ajuntar poemas da minha modesta autoria aos de Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana. Uma brochurinha simples, não mais que 10x15cm e 14 páginas, que foi distribuída entre os presentes como uma recordação daquela noite mágica.
Estou agora economizando algum para enquadrar o certificado e colocá-lo na sala de estar.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
A arte em grãos – VIII: Antônio Maranhão
Antônio Maranhão nasceu em Imperatriz (MA) em 30.10.1921, e ainda jovem migrou para o sudeste do Pará, onde meteu-se por 25 anos nas frentes pioneiras do negócio de castanha-do-pará, jornada em serviço público e alguma atividade política, comunista confesso que era e, mais ainda, humanista radical, inconformado com a brutal exploração do trabalhador no extrativismo, no transporte fluvial da produção, uma e outra atividade onde se perdia a vida como quem vai ao bar tomar uma aguardente. Sua opção política valeu-lhe prisão e tortura no regime militar.
Apesar da faina dura, sem trégua, sem direitos trabalhistas ou humanos – circunstâncias que marcaram o labor durante todo o século XX nesta banda esquecida do mundo, Maranhão ainda reservou um tempo para transformar em verso seus protesto contra as desgraças que vivenciou (e que permanecem até hoje aí, nos registros modernos da imprensa ou nos arquivos da Justiça comum e do Trabalho).
Parte desses poemas foi juntada por amigos e publicada em Conceição do Araguaia em dezembro de 1996 sob o título “Batismo sem sal”, produção independente com 44 páginas e apoio cultural de pessoas e entidades sediadas naquele município. Em 1998, exemplos da sua poesia sensível e comprometida com a Amazônia foram publicados na minha “Antologia Tocantina”, que me valeu sete anos de pesquisas sobre a produção literária em Marabá e teve patrocínio da Fundação Casa da Cultura.
Antônio Maranhão morreu aos 77 anos à noite de 37 de julho de 1998, em Belém, na Beneficência Portuguesa, onde esteve internado por 15 dias.
Uma amostra da sua verve:
Triste verdade
Andei muito chão
vi homens e mulheres sem trabalho,
ouvi velhos invocando a morte
e crianças abandonadas ao longo
de estradas riscando o sertão sem fim.
Vi cercas retilíneas, curvas, infinitas,
separando destinos.
E dominando a paisagem o verde da pastagem
Contrastando com a alvura do nelore no pastoreio.
Curiosamente, na vastidão das distâncias
Percorridas, não encontrei
- por incrível que pareça –
Um só bezerro abandonado.
Meu Deus... Estamos entrando no 3º. milênio.
Círculo de giz
(Aos meu amigos mui amigos)
Não sou poeta.
Sou, simplesmente,
o menor filho de uma égua
que Deus, na sua teimosia,
jogou sobre a terra
para trotear, sem parar,
as estradas que nos prepararam
para pagar os meus pecados
e as infâmias de outros tantos
colocados no mesmo círculo de giz
que o destino me traçou.
Entre o ser e o não ser
recebo a minha sela
e disparo pelo mundo afora,
até que um anjo menos quadrado
tenha pena de mim.
Amém.
Aos meus heróis do Araguaia
(Ao Osvaldão, tão amado e desamado
Como convém a um guerrilheiro que se preza)
Companheiro:
segura a tua mão na minha mão
estende teu olhar inquieto
lá nas encostas da Serra das Andorinhas
e andemos lentos e compassados
pra que não quebremos
a quietude dos ermos capinzais
vazios de homens e esperanças!
Companheiro:
ajoelhemo-nos contritos
segurando ainda as nossas mãos
para que, balbuciando uma reza,
possamos escutar o lírico sermão
dos guerrilheiros que tombaram
acreditando na ressurreição dos campos
transformados em trigais imensos!
Companheiro:
levantemo-nos agora do chão morno
cheirando ainda a sangue e suor
e relembremos os predestinados campônios
abatidos na hora da fuga
sob o sibilar de chumbo e gritos
agourando o tempo e o futuro!
Companheiro:
rezemos em silêncio um salmo
que exista dentro de nós mesmos
para que não acordemos
os esquecidos heróis que repousam
no seio úmido da terra saqueada.
Companheiro:
na hora da nossa dádiva, ofertemos
para eles uma rosa vermelho
um verso bíblico de Jeremias
e as estrelas do céu
espelhadas nas águas do Araguaia.
(Xambioá, o3.10.91)
domingo, 24 de junho de 2007
Gosta de carambola, donzela?
A arte de Vitória Barros
Vitória Barros é uma marabaensezinha tinhosa. à Falta de espaços públicos para a exposição da nossa arte, ela criou sua própria galeria, expõe a sua e a arte alheia, já albergou artistas de Belém e os daqui de casa. Tem uma arte maravilhosa e múltipla. Dos quadros às estruturas em PCV, como esta aí - a Última castanheira - postada no meio da Aldeia Cultural da Fundação Casa da Cultura de Marabá.
Um dia, mostrei-lhe uns textos inéditos e ela acabou inspirada neles e fez a obra maravilhosa que enriqueceu a capa da minha "Antologia Tocantina".
Predadores, vãndalos, irresponsáveis

Vejam aí o que a Celpa e suas empreiteiras irresponsáveis fizeram com meus pés de açaí. Aproveitaram-se que não havia ninguém em casa, avançaram por cima do muro e depredaram os açaizeiros e mais o oitizeiro que produzem sombra e frutos do lado de dentro do muro da minha casa. Agora, os 7 cachos de açaí que eu deveria colher em julho ou agosto estão morrendo, murchando, caindo, porque os filhos da puta cortaram o olho das palmeiras. E ainda deixaram meu pomar e minha calçada cheia das palhas que eles cortaram e não tiveram sequer a coragem de carregar.
sábado, 23 de junho de 2007
Festa para Vinícius
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