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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

TJPA deve exonerar contratados

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, nesta terça-feira (17/08), a anulação do ato da presidência do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) que efetivou, de forma irregular, servidores sem concurso público. Diante disso, o conselho determina que o TJPA exonere, no prazo de 180 dias, todos os funcionários irregularmente admitidos após a Constituição Federal de 1988.   No entanto, eles poderão ser aproveitados em cargos comissionados de direção e assessoramento, desde que preencham os requisitos legais determinados pela Resolução 88 do CNJ.
Os conselheiros determinaram, ainda, que o tribunal não contrate mais servidores sem a realização prévia de concurso. os servidores aposentados e aqueles que têm processo judicial em trâmite sobre a matéria ficam excluídos da decisão.  O TJPA também terá que apresentar, no prazo de 180 dias, projeto de reestruturação do seu quadro de servidores e nomear os candidatos aprovados no último concurso público, realizado em janeiro de 2009. As nomeações acontecerão de acordo com a ordem de classificação nas vagas que vierem a abrir em razão do desligamento dos servidores irregulares. Os servidores que não foram notificados terão prazos para defesa.

Eleições 2010



Ainda estou indeciso. Por isso, confio que o leitor inteligente vai me ajudar a fazer a melhor escolha. Escolham aí. Essa é a grande oportunidade de se melhorar a qualidade do político brasileiro. Mudança já!!!! 




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

... “os despojos de um Brasil”...


Profº. Msc. Wladirson Cardoso*
Para ser bastante clichê, a "linha" que divide a pobreza da riqueza no Brasil tem se acentuado cada vez mais e os programas sociais dos governos nada mais são que medidas paliativas no combate a todas às nossas mazelas que, por sua vez, caracterizam esta Terra de Santa Cruz, desde as naus portuguesas até à República, passando, obviamente, pela "Casa Grande e, também, pelas Senzalas" que se multiplicam ainda hoje  -  não apenas em termos objetivos, materiais; mas, principalmente, em termos ideológicos, mentais, gerando, pois, um abismo que o Censo 2010 tentará (muito canalhamente) obnubilar através de questionários e amostragens que não expressam fidedignamente a realidade da maioria absoluta da população.
 Ainda na mesma retórica, podemos dizer que a falta de compromisso político - quer de nossos representantes parlamentares, quer de nós mesmos - contribui não para o aumento do "pacto da mediocridade" no sistema de ensino (das séries iniciais ao Doutorado), mas também para a manutenção das taxas de desemprego (coisa que "bicos" e trabalhos temporários não resolvem!), bem como para o aumento da criminalidade, da violência e da barbárie - manifestas na ausência de programas efetivamente consistentes, onde as "minorias", cuja soma resulta na maioria (será que deu para entender?!...), não tem seus interesses contemplados e, também, onde estas mesmas "minorias", digo, crianças, mulheres, idos@s, negr@s, homossexuais, enfim, pagam com a própria vida os despojos de um Brasil marcado pelo desconhecimento dos princípios básicos resguardados nas cartas e documentos que consagram os Direitos Humanos como direitos inalienáveis.
A ironia e o pessimismo são características que a Filosofia Contemporânea, principalmente a de caráter ensaístico, adquiriu dos "grandes mestres" do pensamento moderno. Entretanto, como elevar o espírito do senso comum à crítica, se no Brasil não conseguimos nem pensar, ou melhor, não conseguimos nem planejar que país queremos?... Em tempos de Copa do Mundo e de ENEN; em tempos de Eleição e "Criança Esperança", deveríamos ficar atentos às razões sínicas de propagandas que divulgam a mentira... Eleger tucanos é algo impensável (PSDB nunca! Jamais!). Todavia, não penso que nossa esquerda tenha um plano de governo defensável...
momentos em que a dúvida nos permite seguir em frente e outros, porém, nos quais ela paralisa. Nenhum pensador descreveu este impasse da "vida pública" - nem Habermas, nem Rawls! Aguardo perplexo ao início da Propaganda Política (17/08/2010), na espera de ser mais uma vez recenseado por um agente do IBGE, questionando-me com toda esta Legião Urbana: "que país é este?"...
 * Bachare/Licenciado em Filosofia (IFCH/UFPA), 
Mestre em Direitos Humanos (PPGD/UFPA)
Doutorando de Antropologia (PPGA/UFPA)

Muito bem, obrigado...



Fila imensa na Caixa Econômica Federal, plenas  dez horas da manhã de quarta-feira.
- E isso é todo santo dia, explica motorista de táxi. Tudo gente atrás do FGTS, do salário desemprego, do que resta na caderneta de poupança.
Já uma fonte ligada à economia municipal diz que dos nossos 230 mil habitantes, pelo menos 115 mil estão com o rabo preso no comércio por inadimplência. Ou seja, compraram e não puderam pagar as contas.
Entre esses, presumo, os trabalhadores que o Maurino deixou de pagar por desídia e burrice.
Marabá vai muito bem, obrigado!...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

www.mstpara.com.br

Secretaria Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra - MST/Pará, informa a criação de pagina virtual como parte de uma série de atividades de comunicação "contra a hegemonia informativa e manipulativa da grande imprensa, sobretudo da região amazônica, fazendo uso desse instrumento de interação social para que possamos informar não, apenas, sobre nossas ocupações no estado, focadas sempre contra o latifúndio e a sua barbárie, que torna perene o trabalho escravo, desmata e deixa a terra improdutiva, mas, também fomentar um conteúdo das várias frentes de atuação do movimento na região, que perpassam pela organização das comunidades Sem Terras, da agricultura camponesa e a emancipação político-intelectual dos trabalhadores através do trabalho, da educação e da cultura".
O MST ressalta que nos últimos tempos "a criminalização empregada aos movimentos sociais pela imprensa burguesa, deslegitima toda ação, criando uma confusão de entendimento e sempre negando a possibilidade de uma informação que ao menos politize o debate da necessidade da realização da Reforma Agrária".
E traz um recado aos "desavisados": será premissa da pagina do MST/Pará trazer à tona essa discussão em todas as perspectivas; certamente será uma fonte de consulta para quem o obvio e manipulação não servem.
Por fim, estudos acadêmicos, pesquisas e artigos de especialistas referenciando a região amazônica e seus impasses de natureza econômica e social, pouco divulgado em nosso meio, ganharão espaço notório no pagina MST/Pará.



O lado D do Brasileirão

Luís Augusto Símon, da revista ESPN (originalmente publicada na edição de julho da revista ESPN)

São 40 clubes de 25 estados brasileiros. Vão se enfrentar durante quatro meses, em um campeonato regionalizado, com 154 jogos que merecerão nada mais que notas de rodapé nos jornais e revistas, alguns parabéns nas rádios e poucos segundos nas grandes redes de televisão. É a Série D.
“D” de desprezada. A CBF, ao divulgar o regulamento da competição, não fala nada de premiação, nem ao menos ajuda para transportes. “Estamos sozinhos, sem ajuda. Pelo menos isso significa que os clubes mais bem organizados terão alguma vantagem. É uma situação muito difícil fazer futebol assim”, diz Raimundo Queiroz, diretor de futebol do Santa Cruz, ex-presidente do Goiás.
A falta de ajuda para transportes é sentida principalmente pelos paraenses. Quando estão na Série A, por exemplo, são obrigados a constantes e cansativos deslocamentos, ao contrário de clubes do Sudeste. “A Série D é regionalizada, mas para nós não muda muito. Temos de usar o avião sempre”, diz Lucival Alencar, vice-presidente do Remo. Ele cita o jogo contra o Cametá como exemplo. “São apenas 150 quilômetros, mas se for de ônibus, temos de passar por três balsas em rios. Então, temos de fretar avião e é um gasto muito grande.”
O médico Ulisses Salgado, presidente do América-RJ, é enfático na crítica à CBF. “Ricardo Teixeira abandonou 40 clubes à própria sorte. E isso em um ano em que a CBF, por causa da Copa, vai faturar muito dinheiro. É um erro muito grande, porque esse campeonato poderia revelar bons jogadores.”
Sem apoio oficial, o convite para disputar a Série D foi gentilmente recusado por vários times. A debandada maior foi em Goiás. Santa Helena e Anapolina, os indicados, disseram muito obrigado e foram imitados por outros clubes. As vagas ficaram então com o Distrito Federal, que indicou Botafogo e Brasília. Roraima também desistiu, o que favoreceu o Cametá, do Pará.
As desistências se seguiram. Em Minas, o Uberaba foi confirmado após a saída de Democrata e Villa Nova. O Potiguar de Mossoró, no Rio Grande do Norte, entrou após as negativas de Corinthians de Caicó e Santa Cruz-RN. O Santana, do Amapá, deu lugar ao Cristal. O Pelotas substituiu o Veranópolis. E o Murici pediu para sair depois da enchente que destruiu a cidade alagoana.
Entre desconhecidos como Náuas, Vila Aurora e JV Lideral, para três times a Série D tem outro significado.
“D” de desejo. Para Remo, Santa Cruz e América-RJ é o primeiro passo para uma caminhada de ao menos três anos. A possibilidade de subir do fundo do poço à saída. O início do sonho de voltar à Série A.
Em 2009, tudo isso se transformou em um enorme pesadelo para o Santa Cruz. Mesmo com sua fanática torcida comparecendo em grande número nos três jogos (média de 38.246 torcedores), o time não passou da primeira fase.
“Jogamos o Campeonato Pernambucano com um orçamento de R$ 800 mil e diminuímos para R$ 450 mil na Série D. Jogadores saíram, precisamos montar outro time e tudo deu errado. Agora, o planejamento foi muito bem feito”, lembra e lamenta Fernando Bezerro Coelho, presidente do Santa.
O orçamento atual é de R$ 550 mil e foi mantido. O time tem a mesma base do Pernambucano. Os destaques são o atacante Brasão, que ajudou a eliminar o Botafogo na Copa do Brasil, e o veterano Jackson, ex-Palmeiras, Cruzeiro e até Seleção.
Se a situação é ruim, o torcedor e a diretoria do Santa Cruz podem ter algum consolo ao olhar para o Remo. Para o time de Belém, o fato de estar na Série D é um avanço. “Na última temporada, nem isso conseguimos”, lembra Lucival Alencar.
Nos últimos anos, o Remo tem perdido protagonismo mesmo no Pará, onde São Raimundo e Águia despontam para ser o grande rival do Paysandu.
O São Raimundo é de Santarém, próximo ao Amazonas e com muita identidade com o Estado vizinho. Há um grande intercâmbio de jogadores. E o Águia é de Marabá, vizinha à sede da empresa Vale do Rio Doce. Em caso de divisão territorial do Pará (há propostas avançadas), Santarém ficaria no Estado de Tapajós e Marabá, no de Carajás. “Esses times se aproveitam disso e buscam patrocínios regionais, o que o Remo não consegue”, explica o jornalista Tylon Maves, do Diário da Amazônia.
Mas é a força da torcida que faz o Remo ter um bom patrocínio. Empresas fortes da capital investem nos dois times de Belém, mesmo que o Paysandu, da Série C, esteja em posição melhor que o Remo. E como a folha de pagamento é menor, o clube está se recuperando financeiramente. Em campo, a aposta é o armador Gian, ex-Vasco, de 37 anos. “Ele é nosso diferencial”, diz Lucival Alencar.
Se simpatizantes fossem o mesmo que torcedores, o América, citado como segundo clube no coração dos cariocas, sempre teria o seu Giulite Coutinho, com capacidade para 18 mil pessoas, lotado.
Não é assim, mas a construção do estádio é uma das apostas do presidente Ulisses Salgado para sonhar com o acesso. “No Rio, apenas América e Vasco têm estádio próprio. Isso mostra que somos organizados. E que estamos em rota ascendente. Vamos subir na bola, sem tapetão, como em 2009”, diz, em referência ao título da Segunda Divisão carioca. “Quase disputamos um dos quadrangulares finais. Agora, mantivemos o patrocínio da Unimed, que garante o pagamento da folha salarial até o final do ano. vamos gastar com deslocamentos”, diz.
O que o presidente, que contratou Alex Dias, tem certeza é de que não lançará mão de uma arma que seriviria pelo menos para levar gente ao campo. “O Romário é diretor de futebol, encerrou a carreira e não joga mais. Vamos subir sem ele”.
Pena, peixe. Seria uma grande atração para a Série D.

Mais de 12 mil focos de incêndio

O local onde a situação é mais grave é a Reserva Indígena Xikrin do Cateté, no Pará, e não se sabe ainda a extensão da área afetada; no Tocantins, o fogo atinge áreas urbanas

Pouco mais de 12 mil focos de incêndio foram registrados nesta segunda-feira (16) em todo o País, segundo relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os focos estão espalhados por 18 Estados e pelo Distrito Federal. A maioria (5.046) concentra-se no Pará.
Segundo o coordenador de Operações do Corpo de Bombeiros do Pará, coronel Mario Wanzeler, as queimadas estão sob controle e monitoramento em todo o Estado. O local onde a situação é mais grave é a Reserva Indígena Xikrin do Cateté, região que é sobrevoada pelos bombeiros desde sábado. “É uma área de difícil acesso. Para se ter uma ideia, da sede da Funai  para são quatro dias de caminhada. Por isso soubemos do incêndio no dia 9 e ainda não sabemos a extensão da área atingida”, disse o coronel Wanzeler.
Ainda de acordo com ele, os demais focos de incêndio se concentram no sul do Pará em áreas de fazendas ou assentamentos e próximas a rodovias. “A pavimentação emana muito calor e a vegetação é sensível. Isso, somado à ação humana, cria os incêndios”, explicou. Segundo ele, até uma lata de plástico ou alumínio jogada por um motorista pode esquentar e dar início a um incêndio.
No Tocantins, onde foram registrados 1.750 focos, a situação preocupa os bombeiros pois o fogo chegou às áreas urbanas e novos registros têm surgido todos os dias. Nas proximidades de Palmas, os bombeiros trabalham há uma semana na Serra do Carmo. Hoje um grupo foi enviado ao distrito de Taquaraçu, a 20 km da capital, para combater o fogo.
Segundo o major Geraldo Primo, o trabalho na serra é complicado porque as condições são propícias para o fogo e surgem novos focos todos os dias. “Na parte alta, o capim tem mais de um metro de altura e com muito vento as labaredas podem chegar a quatro metros. Mesmo na parte baixa, o acesso é dificultado pela vegetação fechada. Em 12 horas por dia de trabalho, gastamos 6 horas com a locomoção da equipe”, contou.
Apesar de atingir áreas urbanas da capital tocantinense, o fogo não fez nenhuma vítima na cidade. Uma chácara foi incendiada, mas não havia ninguém na propriedade. O major recomenda que nesta época de estiagem haja sempre alguém em casa para avisar os bombeiros no caso de o fogo se aproximar. Ele também faz um apelo à população: “É preciso denunciar quem está colocando fogo em entulhos e pastagens. Se a sociedade não ajudar, podemos colocar mil homens no combate que o fogo não vai ser contido”, afirmou. (Agência Brasil)

Santo do pau oco

Faz de conta que eu sou o Lula


O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, que não vai bem das pernas eleitorais (pesquisa Datafolha dá vitória do tucano Geraldo Alckmin no 1º turno), sonha que o presidente Lula possa elegê-lo.
Mercadante disse a jornal paulista que falou com Lula, por telefone, na quinta-feira, antes do debate na TV Bandeirantes. "O presidente Lula disse que seria um militante destacado na nossa campanha e a partir da semana que vem estará presente, ajudando muito." Ele disse ainda que Lula "está animado e sabe da importância que tem São Paulo", por isso dará uma prioridade ao Estado.
“Aloisio Mercadante externa a sua confiança de que o Presidente Lula poderá fazer por ele o que ele próprio não está conseguindo”, analisa o advogado Plínio Pinheiro Neto, preocupado com a leitura de que “os candidatos, a partir de Dilma, estão se despersonalizando e esperando que Lula seja eles e que eles sejam Lula”.
Ora, diz Plínio Neto, o Presidente Lula tem maneira personalíssima de ser e de agir e uma capacidade impar de manipular as massas e convencê-las, atributos que por certo são intransferíveis. A partir do momento em que vemos todos esperando que a personalidade e o carisma de Lula sejam transferidos a eles e os elejam, passamos a não conhecer as suas verdadeiras facetas e poderemos incorrer no risco de elegermos ilustres desconhecidos e dissimulados quanto aos seus defeitos e carências pessoais, aos quais conheceremos, verdadeiramente, depois de eleitos.
Isso é trágico!”

Destruindo a memória e a beleza

Recebi do advogado e conselheiro da OAB, dr. Plínio Pinheiro Neto:

Nesta remansosa terra de Francisco Coelho, onde se destrói por prazer e irresponsabilidade a memória e as belezas naturais e algumas poucas implantadas pelos homens, estou a temer pelo futuro do belo bambuzal do acesso à Velha Marabá, que o nosso alcaide, sem o mínimo senso de estética urbana, dentre outras carências, resolveu iniciar o loteamento deste acesso e duas ocupações, por sinal grotescas, nasceram ao lado do posto de gasolina. Mando-te esta bela foto, tirada não sei por quem, que ficaria muito bem exposta em teu blog.

Um abraço com a grandeza do Rio Tocantins.
Aos poucos, bambuzal vai virando só lembranças

domingo, 15 de agosto de 2010

Você já pensou?...

O texto impressiona pela singeleza.  Põe a coisa assim na cara da gente e mostra que as saidas, o depois, se existe, permanecem imponderáveis - o consolo, a perspectiva, são frutos da especulação de cada um. O importante é isto aqui - o momento, o compromisso ou o descompromisso consigo e com os outros. Jean-Paul Sartre tratou disso no auge do Existencialismo (que marcou minha geração) e disse que para a vida só restaria o engagement na mudança radical da sociedade.
Faço minha parte. Se você ainda não pensou nisso, não custa verificar se o Bial - que parece piegas - tem ou não alguma razão.
Um abraço!  Bom domingo!

Pra mim, a vida é um cacho de buganvilia
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Morte
Pedro Bial
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos, parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada, estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena, mas nada acontecia ali de risível, era dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:  a morte por si , é uma piada pronta. A morte é ridícula.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário. Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório... Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu? O livro que ficou pela metade? O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve , fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá , o sono eterno pode ser bem vindo...
nãomuito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também rateia, sem falar quequase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
que esta não tem graça.
Por isso viva tudo quepara viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!!