quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Candidato
A imprensa de Belém o chama de Newton, mas o nome desse marabaense é Neuton. Neuton Miranda, ex-deputado estadual, comunista histórico e honorável. Atual Gerente Regional do Patrimônio da União, ele vai disputar a prefeitura de Belém como candidato próprio do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), decisão tomada dia 27, sábado, durante a décima edição da conferência municipal do partido, realizada em Belém.
Cumprimentos
Comovido, acuso e agradeço o recebimento, nessa quarta-feira, 31 de outubro, de gentil cartão do deputado federal Giovanni Queiroz manifestando seus votos de saúde e prosperidade pela passagem do meu aniversário, aliás ocorrido no dia 7 de setembro.
Literatura
Lançado não faz muito tempo, o livro autobiográfico do vereador Maurino Magalhães (sobre vencer ou vencer - de jegue até à prefeitura) está em nova tiragem. Pela segunda ou terceira vez este ano, os donos de bancas de revista estão tirando os encalhes da prateleira.
Por outro lado, não é verdade que exista, nas Terras de alocer, um movimento pela sua canonização.
Inquérito
O Supremo Tribunal Federal informa que recebeu, nessa segunda-feira (29/10), da Procuradoria Geral da República (PGR), parecer pelo recebimento da denúncia contra o deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), por suposto crime contra o planejamento familiar praticado através da laqueadura de trompas de várias mulheres em troca de votos no pleito de 2004, em que foi candidato à prefeitura de Marabá.É relator no Inquérito n. 2197, o ministro Menezes Direito.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
De súbito, umas lembranças!...
Cantávamos no coral desde a nave suspensa da igrejinha de São Félix nas manhãs ou noites de domingo. Era parte do conteúdo de canto orfeônico da escola mas foi assim, talvez, que me apaixonei pela música soturna e medieval das igrejas, o canto gregoriano, o som do cravo, da pianola de pedais tocada por Joãozinho Sariema. Ele também dedilhava acordeon em sua casa e ensinou-me, eu ainda menino, a datilografia na velha Remington inglesa. O Santa Terezinha era ali mesmo no centro: a entrada estreita pela Praça Duque de Caxias e os fundos, uma área livre com mangueira e sala de aula, para os lados da Avenida Antônio Maia, que chamávamos Rua Grande.
Estudar no Santa Terezinha era um privilégio raro para jovens pobres. Quando terminei o primário na escola pública e fui aprovado no exame de admissão, a família descartou qualquer esperança: não tinha como pagar o estudo no único ginásio da cidade. O pai castanheiro, a mãe lavadeira, o irmão operário que abandonara os estudos para ajudar na despesa da casa, essa a realidade. Naquele tempo, 1961, bem em frente nossa casa havia uma pitombeira jovem no meio do descampado que abria imensa janela para o rio. Foi lá que o velho Plínio Pinheiro, desbravador de castanhais e garimpos de diamantes, me encontrou aos prantos. Constrangido e assustado com a figura impressionante daquele homem enorme, firme e gentil ao mesmo tempo, contei-lhe a causa do desespero. Ele ouviu pacientemente e disse com a maior naturalidade “Vá fazer sua matrícula, veja os livros e o uniforme, e vá em casa buscar o dinheiro”, enquanto eu o olhava com espanto, sem entender, as lágrimas, de súbito, uns grãos de gelo. Em seguida, atravessou a rua, entrou em casa e conversou com mamãe, até que ela veio abraçar-me também em prantos. Velho Plínio não gastou comigo um único centavo. Através de prova seletiva, ganhei meia bolsa da prefeitura e meia do Estado, ambas com a condição de não repetir o ano nem tirar nota abaixo de sete. Isso não excluía, naturalmente, a força da família na compra de calçado, roupas, livros, transporte, mas era uma ajuda inestimável para manter-me no ginásio. Depois de tudo fui à casa do velho Plínio, aquele homem extraordinário, agradecer-lhe a generosidade e olhá-lo de perto uma outra vez para nunca mais esquecê-lo.
Quando mudamos em 1962 para o alto da colina, na margem esquerda do Itacaiúnas, arrancamos com as mãos raízes e pedras do solo ingrato e cercamos de jardins toda a extensão do ginásio, enquanto, na frente, erguemos um bosque, o “bouissonet”, como lhe chamavam as mestras dominicanas. O colégio mesmo, em boa parte, fora erguido com tijolos comprados e levados um a um pelos estudantes nesse trabalho de carreiro cotidiano de formigas.
Nos canteiros usamos sementes e mudas, muitas, vindas do inefável sertão goiano, trazidas pelas freirinhas de lá originárias. Mas valemo-nos, com desenvoltura, dos recursos ao alcance, flores amarelas da acácia silvestre, a passiflora roxa em rama sobre latadas, o flamboyant a esvair-se em sangue sobre gorgulhos. Um mamoeiro crescera bem ao lado de uma das janelas da nossa sala e quase podíamos alcançar com as mãos seus frutos voluptuosos.
Destinos
Para a pequena grande amada)
Ademir Braz
“Amanhã teremos cinema”, dizíamos na infância,
e o Marrocos enchia a tela de bang-bangs.
“Também vamos ao Pirucaba,
saltar n’água entre ariranhas
e chupar tanta azedinha
até dar cica nos dentes!”
“Quero ver Nega Tereza bubuiar no serrotão”,
vibrava Diabo Louro sob a croa sarará.
Serrotão era o encrespado de pedras e corredeira
no meio do Takai-una de saranzais e mandingas.
Nega Tereza, a parceira de mão grande e alvos dentes,
mais parecia menino que doce nega fulô.
E que coragem e ousadia que nos enchia de orgulho!
Vivíamos assim largados, lagartos no paraíso.
E sonhos não nos faltavam, pejados de alvoroço...
Quando a gente crescer – todos moços, nos propomos -
eu, Diabo Louro e Mariano vamos ser
escafandristas nos garimpos do Alencar.
E Nega Tereza vai? Garimpo, será que agüenta?
(Nega Tereza vai não... Ela vai ficar em casa
cuidando da negralhada que eu e ela teremos.
E pra ela um diamante, grande como uma pitomba,
vou trazer no picuá, vou mandar encastoar).
Então a gente cresceu e fez-se coisa do mundo.
Nega Tereza morreu (de filho que não era meu).
Mariano King Kong virou fumaça na vida.
Diabo Louro matou-se de solidão e cachaça,
e foi ser craque, o que era, nos campos do infinito.
E eu, que ia embora pra Escócia ou Martinica,
Perdi-me tanto entre amores
que dei por mim assim mesmo:
a falar grego sozinho nas ruas de Istambul.
(De “Confissões à lua”, in “Lua de Jade”, inédito)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Sobre anjos e menino
II
A mocidade, sepultei-a em dunas numa ilha,
entre o céu e o mar revolto. Foram dias de procura
em meio a conchas, sereias e noite escura,
onde quer me tenham levado o vento e a quilha.
Foram tempos suicidas, de manhãs sem razão.
Mendigo, descansei à sombra dum campanário,
onde acordei, raiado em signos, no santuário
entregue às urtigas e à hera febril da solidão.
Por onde andei perdi-me, achei-me ou sonhei
haver-me tido numa esquina ou num botequim.
Apenas vivi. E para isso, eu nunca me programei.
Não sei sequer quem fui entre os tantos de mim!
Caleidoscópico, deram-me a vestir algumas faces
- máscaras de baile, que usei indiferente -, até o dia
em que larguei, pelos salões, enfeites e disfarces,
cansado dos convivas e sua bronca fantasia.
III
Muitos anos depois, quando nada mais importa,
exceto o amor, talvez, e talvez a chama da revolta,
falam-me que a idade é uma ânfora de dores...
A maturidade, como chamam a isso, dá-me risos!
Pela janela, sobre telhados, vejo ângulos precisos,
quadriláteros, embaúbas, reentrâncias, cores...
Olhando mais acima, no horizonte, descubro
Um pássaro azul ao acaso no céu de outubro.
Mobilização nacional
Anda na internet um pedido de socorro segundo o qual o o PCC seqüestrou um grupo inteiro de deputados do PSDB, PT, PTB, PL, PPB e PMDB, e está solicitando um milhão de dólares para sua libertação. Se o resgate não for não pago em 24 horas, os bandidos vão banhá-los com combustível e queimá-los vivos.
Informa a nota que a pretexto de ajuda, já foram coletadas as seguintes doações: 580 litros de Gasolina Aditivada; 320 litros de gasolina Premium; 125 litros de diesel; 175 de gasolina convencional; 38 caixas de fósforos e 21 isqueiros.
“Não mandem álcool, por favor!, que os deputados podem consumi-los”, diz a nota. Mas “aceita-se também botijão de gás”.
Vale inicia corte de fornecimento a guseiras
A Companhia Siderúrgica do Pará S/A - Cosipar; a Ferro Gusa do Maranhão Ltda – Fergumar; Siderúrgica do Maranhão S/A – Simasa; e a Usina Siderúrgica de Marabá Ltda - Usimar terão a rescisão imediata dos seus contratos de fornecimento de minério de ferro pela Vale do Rio Doce. É o que informou à tarde de ontem a assessoria de imprensa da mineradora.
Segundo a nota, em em 28/08/2007 a Vale enviou correspondência a oito empresas produtoras de ferro gusa, solicitando que apresentassem informações e documentação suficientes para atestar que operam na mais absoluta conformidade com as leis ambientais e trabalhistas.
Após a análise da documentação apresentada pelas oito empresas, ela decidiu suspender a entrega de minério às guseiras acima relacionadas.
Itasider Usina Siderúrgica Itaminas S/A – Itasider; Siderúrgica Ibérica do Pará S/A – Ibérica; Siderúrgica do Maranhão S/A – Viena; e Siderúrgica Marabá S/A – Simara, têm 15 dias, desde ontem, “para que apresentem novos documentos, de forma a permitir uma análise mais adequada e conclusiva”, diz a nota da empresa.
Lucros e investimentos
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) dará entrevista coletiva hoje, sexta, a partir das 13h00, em sua sede no Rio de Janeiro. O Diretor-Executivo de Finanças, Fábio Barbosa, falará sobre os resultados da companhia no terceiro trimestre de 2007 por videoconferência com tradução simultânea para o inglês e francês.
A multinacional vai anunciar que um ano após inaugurar a maior mina de ferro a céu aberto do mundo, a Brucutu, em Minas Gerais, abrirá outra ainda maior, a poucos quilômetros de distância.
Segundo relatório da corretora Link, a nova mina 'gigante' receberá investimentos da ordem de US$ 2,2 bilhões, e deverá ser construída num prazo de cerca de 36 meses, segundo o engenheiro responsável pela área de ferrosos da empresa em Minas.
A Vale talvez anuncie também, como fez esta semana em carta circular ao governo federal e à governadora Ana Júlia, do Pará, que investirá US$ 45,5 bilhões no Brasil, chegando a um total de cerca de 148 mil empregos próprios e terceiros em 2012. Os investimentos sociais para 2008 devem chegar a US$ 260,3 milhões, aumentando em cerca de 42% em relação a 2007, de US$ 183,3 milhões. Na área ambiental, entre 2008 e 2012, a projeção de dispêndio será de US$ 1,8 bilhão.
“Somente no Pará, acrescenta, os dados são o seguinte: US$ 20 bilhões no estado do Pará, chegando a um total de 68 mil empregos próprios e terceiros até 2012. Os investimentos sociais para 2008, também no estado do Pará, devem ultrapassar US$ 98 milhões, aumentando em mais de 37% em relação àqueles realizados no ano de 2007, de US$ 71,6 milhões. Na área ambiental, a projeção de dispêndio, entre 2008 e 2012, é de mais de US$ 690 milhões.”
No primeiro semestre deste ano, a Vale obteve lucros líquidos de 11 bilhõ0es de reais contra R$ 14 bilhões em todo o ano passado, “decorrente da competência da empresa, dos preços elevados das commodities no mercado internacional e do surgimento de novos compradores, ou sobretudo, das taxas de crescimento da China”, segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto, mas também em razão da “isenção de impostos, os créditos favorecidos, a colaboração financeira oficial e o baixo valor da remuneração do trabalho.”
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