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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Um terço de força de trabalho federal 

tem cargo comissionado

Um em cada três funcionários públicos federais dos três poderes –Executivo, Legislativo e Judiciário– ocupa algum cargo ou função comissionada, segundo levantamento inédito que será analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

O país fechou 2015 com 60,7 mil cargos comissionados "puros", ou seja, ocupados por funcionários que não prestaram concurso público para ingressar em uma das esferas da União –Executivo, Legislativo ou Judiciário. São os mais suscetíveis a indicações políticas.

Há ainda outras 285,8 mil funções comissionadas –gratificações extras dadas a quem já é funcionário público e exerce alguma posição de confiança.

No total, portanto, são 346,5 mil servidores com algum tipo de comissionamento, num universo de 1,12 milhão de funcionários federais –ou seja, 30,9% do total.

A partir da análise do relatório do ministro Vital do Rêgo, o TCU pode sugerir providências como a reavaliação do número de cargos.

A análise mostra que o alto número de cargos e funções cria problemas de gerenciamento do Estado. O TCU apontou que os órgãos com menos funcionários comissionados eram tão ou mais eficientes que os com mais servidores nessa situação.

Além disso, o TCU alerta para o risco de que o processo de escolha de comissionados não encontre pessoas qualificadas para as funções.

Há casos em que os cargos e gratificações servem apenas como forma de melhorar salário de servidores sem que eles de fato tenham uma função gerencial, criando gastos desnecessários para a União.

O maior número de cargos está no Poder Executivo. São 33,5 mil cargos de comissão e 221,6 mil funções gratificadas. O governo divulgava que tinha 22 mil cargos, mas não estavam incluídas as estatais, onde foram encontradas 11 mil pessoas nessa situação.

De acordo com o TCU, dos R$ 9,7 bilhões gastos ao mês com o serviço público, R$ 656 milhões são destinados aos comissionados "puros" (R$ 386 milhões no Executivo). Outros R$ 2,8 bilhões pagam funções gratificadas.

No Executivo, o antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário –atualmente fundido com o Desenvolvimento Social– é o campeão de cargos comissionados proporcionalmente, com 27% de sua força de trabalho nessa condição. O Incra, da mesma pasta, tem 22%.

O governo do presidente interino Michel Temer anunciou um plano de reduzir o número de comissionados em 4.000, o que mostra que o impacto no universo total é relativamente modesto.

Partidos - Segundo o TCU, 11% dos cargos em comissão no executivo estão ocupados por pessoas filiadas a partidos.

Em estatais como Petrobras e Eletrobras há a maior proporção de comissionados filiados, com 15%, excluindo o Legislativo, que tem 24% de filiados. Nos ministérios, 11% dos comissionados são filiados a partidos.

No Ministério Público e na Justiça, o número de comissionados filiados chega a 4% e 5%, respectivamente.(O Mocorongo)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Lugar dos invisíveis



Capítulo 3

Muitos anos depois, desde que se incorporou definitivamente como seiva ou casca à essência vegetal trintenária que o abrigou tantos anos, Januário dos Espíritos seria lembrado apenas durante os verões, quando a jaqueira cobria-se de rosas douradas e gerânios. Ele não morreu: apenas voltara aos elementos, ao chumbo, ácidos, átomos, sais que um tempo fulgiram nas estrelas. Antes disso, quando profetizara o renascer das águas, a vinda do dilúvio, nascia agosto em Abaram e viria para sempre, dezenas de anos na forma de uma chuva fina e sem fim de cinzas a cair silenciosa sobre as casas, tangida desde longe pelo mesmo sopro quente das queimadas que avançavam sobre os castanhais. Já então cães irritados ladravam a noite inteira, velhos lacrimejavam, tossiam e choravam crianças inquietas. Deserdada dos ventos, a noite condensava de tal sorte o manto de fumaça sobre as casas e a mata que, pela manhã, criaturas mal dormidas tateavam entre as cômodas, câmaras ardidas, e erravam tontos de fumaça os animais pela rua. Infinitamente cinza era o céu de agosto. As nuvens – antes gigantescas e formidáveis - quase eternas de dezembro a maio, minguavam desse mês em diante até sumir nos largos horizontes de chumbo e cinza de agosto. Emparedado em fumaça, o sol desabava numa claridade suja sobre o verde escasso e o ar espesso fervia na entranha dos pássaros. Não havia como fugir desse inferno, das cidades, povoados, vilas enclausuradas em círculos de chama e cinzas. Jamais era dia por inteiro em Abaram. Andava em tudo um mormaço doentio a esmaltar os olhos, a empedrar o tempo, elidir as horas, cada instante a esgarçar-se em vácuo antes de consumir-se na penumbra. Deixava então o dia de ser dia - como se entende a massa luminosa das horas que transita acima dos homens e dos campos, de uma à outra parte do mundo. Suave e breve no começo, a seguir sufocante, corrosiva de vez, até que o sol falecesse no longe dos oceanos. Ressecavam-se, antes do coito das abelhas, as flores do cajueiro. As mangas, miúdas, amareleciam raquíticas; pecavam os frutos no limoeiro. Meses inteiros não chovia, e agosto avançava por setembro, outubro, novembro.
Foi em agosto também, embora muito antes do dilúvio, que Fortunato Costa teve o sonho profético. Ele morava há anos no centro empoeirado de Abaram e certa madrugada dormitava, entre o sono frouxo e os torpores ainda remotos do despertar, quando a luz azul filtrou-se por baixo da porta. Dentro da luz, no quarto escuro e tosco, um ser incandescente. “Fortunato - a voz de catedral fazia tremer as paredes -, Fortunato, assim que amanhecer faz o que meu Senhor te ordena”. Folha seca, a alma de Fortunato vagou longo tempo ao sopro do vendaval de luz e ressonâncias inumanas a ditar-lhe condutas, palavras, regras miúdas. Quando sua mulher levantou-se, de manhã, devagar e suspirando como há cinqüenta anos, ela percebeu que, acordado, as mãos cruzadas sobre o peito descarnado, Fortunato olhava sem ver as ripas de morototó enegrecidas do telhado. “Matutando cedo, meu velho?”, “Não, minha velha, foi sono curto”, ele disse. Ela arrumou em rodilha os cabelos grisalhos e foi buscar lenha no depósito fora da casa. No quintal, os gatos amontoavam-se sobre os sacos de estrume para os canteiros. Nos céus apontavam os fulgores do aço de agosto.
Mais tarde, quando a cidade começava a derreter-se em suores e zanzavam inquietas as crias sob o cajueiro carregado de flores secas e frutos pecos, nem o cheiro do café torrado e moído em casa fez mover-se Fortunato, ele que toda a vida levantara-se antes do abrolhar da aurora. Ele ficou ali, na cama fincada no chão, as mãos juntas na ossatura do peito, olhos ainda gatiados pela visão do arcanjo. E pela primeira vez na vida nada dissera à companheira. Desse dia em diante, passou a meter-se em vestes apenas diversas na cor, mas rigorosamente iguais no talho: calça, camisa e gravata confeccionadas sob medida no mesmo tecido. E mal servia-se do café matinal com mangulão e leite fresco, entregue à porta em bujões zincados, punha Fortunato o chapéu e atirava-se às ruas. “Lá vem o gravata do mesmo pano”, debicava o populacho ao vê-lo apontar em qualquer esquina montado num burrico, as pernas compridas a esbarrar no chão. Circunspecto, Fortunato nem os ouvia: a um missionário não cabe dispersar-se nas miudezas profanas do mundo. Todo santo dia trotava pelas ruas e vielas da cidade e diziam haver certo método na sua loucura: se ia pela Rua dos Mineiros, ao alcançar o Varjão descia pela Rua do Poço, tomava a Rua Grande, dobrava em direção ao Alto do Bode e chegava em casa pelo Barro Branco pontualmente à hora do almoço. “Por onde anda, meu velho?”, indagava aflita a companheira. “Procuro, minha velha, não se vexe”. À tarde, após a sesta, cruzava por baixo a ponte que unia a Rua Nova aos fundos da igreja do padroeiro, circundava o Cabelo Seco, passava em frente ao cemitério, subia a rua Itacayúnas, descia a Baixa da Égua, varava o Pau d’Urubu, entrava e saía do Beco do Facão de Fora, arrastava-se por Jurema, Jureminha, empertigado e solene entre as prostitutas e os jogadores de bilhar. Certa feita, o poeta Augusto Bastos parou-o no meio da rua: “Eis nosso D. Quixote – saudou-o gravemente - mas falta-lhe uma lança. Meu reino por uma lança!” O cavaleiro ali, impassível diante dos boêmios diuturnamente em farra. Bastos tinha os cabelos grisalhos e longos, a barba cerrada e suja, olhos alucinados de aguardente e poesia. Bastos, goiano de origem e de início do século, veio ainda criança para Abaram. Morou uns tempos em Belém, onde o convívio com intelectuais o revelara o poeta candente e escorreito. Em 1932, empolgado com o Movimento Constitucionalista, foi para São Paulo, onde engajou-se como soldado, mas logo abandonou a farda. Desiludido, retornou a Abaram, à vida espartana e à boemia. Baixinho, empinava-se agora na ponta dos pés e sua cabeça emparelhava com a do burrico guarnecida por antolhos. “Deixai crescer o cavanhaque, distinção dos nobres”, continuava Bastos, a rédea de couro numa das mãos. Um dos bêbados voltou com uma lança – na verdade, uma vara pintada à mão e coberta de fitas coloridas -, confiscada entre as fantasias do boi-bumbá de Pamica. Bastos enfiou-a na mão direita de Fortunato. “Ide agora, cavalheiro andante, e dai combate aos dragões que infernizam esta corrutela sem nenhum futuro”, proclamou solene, enquanto seus parceiros cutucavam o animal.
A noite bulia nos olhos de Fortunato feito carícia a ronronar o tempo, os contornos do céu. Na esquina, crianças brincavam e sua voz tangia os anjos caídos do crepúsculo:
Nesta rua, nesta rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão;
Dentro dele, dentro dele mora um anjo,
Que roubou, que roubou meu coração.

Se roubei, se roubei teu coração,
Tu roubaste, tu roubaste o  meu também;
Se roubei, se roubei teu coração,
É porque, é porque te quero bem.

Se esta rua, se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de diamante
Para o meu, para o meu amor passar.

Durante bom curso. o animal rabiscou seu  caminho, há tempos para lugar nenhum. Sobre ele, o ancião caminhava distraído sobre pedrinhas da infância perdida nem Deus sabe onde, no cerrado ou na caatinga, entre seriemas e gorgulhos polidos nas fontes secas. Então passou os dedos nodosos nos cabelos brancos, úmidos e empoeirados da soleira, suspirou profundo e nem percebeu que já as trevas ganhavam o mundo. 


3o. Capítulo do meu romance "Lugar dos Invisíveis"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Era só o que faltava!

 
Essa história de cores para  controlar o consumo de energia (na verdade. para aumentar a tarifa), virou piada.A tarja juá esteve amarela, azul, vermelha. Agora está laranja.
Daqui a pouco as contas virão na cor da bandeira do GLBT.

A coisa tá feia...





Cidadão filiado a partido político, conta em site de grupo na internet como anda a “sensação de insegurança” (“sensação”, é?) em Marabá. Dia desses, ao pagar uma conta de pão, ele saiu correndo desesperado quando a vendedora lhe perguntou:

- O senhor quer o troco em bala?

“Já pensou ,disse ele mais tarde,  arriscar milha vida a perder a vida por causa de trinta centavos?”

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Façam suas apostas. Vai começar o jogo de azar


 
O estudo das organizações sociais define o partido politico como uma agremiação ou associação estável, apoiada a uma ideologia determinada relacionada entre seus afiliados e seguidores, que aspira assumir em algum momento o poder de uma nação para desenvolver seu programa de governo.

Este, contudo, é apenas o conceito formal e histórico de partido político e que não contempla as transformações substanciais que algumas dessas organizações vêm atravessando nos últimos anos. Hoje, por exemplo, dentro de algumas entidades partidárias, principalmente em regiões onde o contato humano é mais estreito, é crescente o número de afiliados de várias legendas com afinidade ideológica para analisar e debater os problemas que os afetam e às suas comum\idades, em busca de soluções coletivas.

Uma nova percepção política começou a agitar, desde ano passado, alguns segmentos locais, de partidos ditos “pequenos”, que promovem encontros de dezenas defiliados, quase todos ou talvez todos,  candidatos ao Legislativo Municipal, para a troca de experiências e informações. Eles parecem em busca de um denominador comum para conhecimento mútuo e domínio da variada gama de seus problemas  comuns.

E o que mais se destaca nesses encontros, segundo um participante, é a certeza de que o presente modelo eleitoral está falido, contaminado pela compra de votos, pelo abandono da defesa dos interesses da população.

Outro grupo que também começa a mover-se, embora sem muita convicção, são os chamados candidatos alternativos à prefeitura municipal. Pelo menos dez deles reuniram-se em meados de janeiro para sondagem se passiveis alianças. Eles  entraram pela noite em meio a cafezinho, biscoitos, e muita prosa. Cercado de potenciais concorrentes, embora as convenções ainda devam sacramentar o escolhido de cada sigla, teve participante que pouco falou, mas saiu rouco de tanto ouvir.

Da parte dos candidatos públicos e notórios (e bota notório nisso!) a movimentação atende ao lugar comum das fórmulas sem criatividade. Gasta-se rios de dinheiro com pesquisas eleitorais que, a rigor, e por serem clandestinas, se prestam apenas à massagem (ou não) do ego que as custeia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SINTEPP denuncia aparelhamento do Estado


Blog do Barata
Alberto Andrade, um dos alvos das denúncias feitas ao Ministério Público...
...que também atingem o vereador de Belém Fernando Carneiro, do PSol.
Com um total estimado de cerca de 22 mil associados e uma receita anual calculada em R$ 12 milhões, o Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará, está no epicentro de graves suspeitas de malversação de seus recursos financeiros e do seu patrimônio pela atual diretoria da entidade, em desvios que, se confirmados, resvalam para a corrupção pura e simples. O estopim do escândalo é uma representação anônima, feita ao MPE, Ministério Público do Estado do Pará, elencando um vasto repertório de denúncias de corrupção, supostamente ocorridas na esteira do alegado aparelhamento do sindicato pela APS, Ação Popular Socialista, uma tendência do PSol, o Partido Socialismo e Liberdade, na qual pontifica o vereador de Belém Fernando Carneiro. A diretoria do Sintepp rebateu parcialmente as denúncias em alegações encaminhadas ao MPE, prontamente rebatidas.

O elenco de denúncias abrigado na representação anônima é devastador e comprometem visceralmente Conceição Holanda, tesoureira do Sintepp. Ele inclui de suspeitas de prestações de contas obscuras até concessão de empréstimos valendo-se de recursos sindicais, ao arrepio da lei, passando por pagamentos indevidos a diretor da entidade, incluindo Alberto Andrade, o Beto Andrade, vice-diretor geral. As denúncias ainda incluem despesas não devidamente esclarecidas com consumo de combustível; utilização de veículos do sindicato em locais inadequados e em períodos injustificáveis; custeios de diárias, hospedagem e alimentação não suficientemente justificados; financiamento de campanha eleitoral do PSol, beneficiando a campanha a deputado estadual do vereador de Belém Fernando Carneiro. As denúncias ainda mencionam o uso indevido do espaço físico do Sintepp para fins político-partidários; relações absolutamente informais com prestadores de serviço, propícias a mascarar desvio de recursos; pagamento de diárias de hotel, de nomes estranhos ao sindicato, em período que coincide com a eleição de nova diretoria.

SINTEPP – O temor de represálias

Na representação encaminhada ao MPE é sublinhado que as denúncias são de responsabilidade de “um expressivo grupo de professores, filiados e pertencentes à base da categoria profissional, que insatisfeitos e duvidosos quanto a condução administrativa do Sintepp recorreram ao guardião da lei e da moralidade”. Ao justificar os motivos do anonimato, o “expressivo grupo de professores” é contundente, atendo-se a constrangedores episódios policiais protagonizados pelo diretor geral do sindicato, Geraldo Mateus Ferreira, e pela tesoureira, Conceição Holanda, como ilustrativos do “modus operandi dos diretores do Sintepp quando contrariados ou questionados”. “Temendo, consequentemente, represálias que podem acarretar em atentados as nossas integridades físicas e de familiares, preferimos o anonimato”, fulminam os autores ocultos da representação. Segundo registros de BOs, boletins de ocorrência, Mateus Ferreira ameaçou por telefone um ex-funcionário do Sintepp e Conceição Holanda agrediu um funcionário do sindicato.

Em off, para não ferir a suscetibilidade de colegas eventualmente envolvidos no contencioso, três advogados ouvidos pelo Blog do Barata convergem para conclusões similares. “A representação está bem fundamentada”, opina um dos advogados, endossado pelos demais. “Algumas das denúncias são factíveis, não são acusações vagas, enquanto outras dependem de investigações que o Ministério Público pode implementar”, avalia outro, avalizado pelos colegas ouvidos. “A representação é trabalho de profissional qualificado; como evidencia a argumentação exposta para defender, com inegável fundamentação, a competência do Tribunal de Justiça para julgar o contencioso”, reforça um terceiro advogado, corroborado pelos dois outros colegas. Os três advogados, também em off, entendem que eventuais lacunas da representação foram satisfatoriamente supridas no documento no qual os denunciantes rebatem as alegações da assessoria jurídica do Sintepp.

SINTEPP – Diretores sob suspeita

A representação, a priori, tisna a imagem de dirigentes do Sintepp, ao associá-los ao aparelhamento do sindicato de que é acusada a atual diretoria, com o agravante da suspeita vde que possam ter coonestado, por atos ou omissões, graves ilícitos. São citados nominalmente, como militantes do PSol, Mateus Ferreira (diretor geral), Beto Andrade (vice-diretor geral), Conceição Holanda (tesoureira), Mauro Borges (diretor de. Secretaria), Maurilo Estumano (diretor de Assuntos. Jurídicos), José Alacid (diretor de Funcionários), Williams Silva (diretor de Comunicação), Ronaldo Rocha (diretor de Saúde do Trabalhador) e Edilena Pena (Conselho Fiscal).

Em seu desdobramento, a representação observa que a filiação partidária, por si só, não depõe, em tese, contra nenhum dirigente sindical. Mas, aí, faz a ressalva demolidora: ”Contudo, sabemos que nem tudo o que é legal implica em ser justo. Deixando sérias dúvidas e questionamentos quanto ao grau de isenção nas ações administrativas desses diretores, pois exemplos a nível nacional não nos faltam de partidários que usam do governo para benefício de suas agremiações políticas (caso Petrobrás, Mensalão, Simens - Metrô de São Paulo, etc). Logo, tem a vida nos revelado que é tentadora a relação poder institucional concomitante a ligação partidária o que quase sempre leva a desvios de condutas, interesses, objetivos e até a imposição de certo ideologismo”.

O revolucionário 7 de janeiro em Belém


O dia 7 de janeiro é emblemático para Belém do Pará. É, talvez, a data mais marcante de sua história. Marco de movimentos de resistência indígena, negra e mestiça à opressão portuguesa, durante o período colonial, de repercussão nacional e internacional, ainda assim pouco é mencionada, malgrado sua alta importância. 

Em 7 de janeiro de 1619, os índios Tupinambá, primeiros habitantes da região, revoltados pela escravidão a que eram submetidos, atacaram o Forte do Presépio. Para sufocar o levante, Francisco Caldeira Castelo Branco, o fundador de Belém, determinou a prisão e morte do cacique Guaimiaba.

Em 7 de janeiro de 1835, mais de 200 anos depois, a tomada de Belém, também pelo Forte e o antigo Palácio do Governo, onde hoje funciona o Museu Histórico do Estado do Pará, marca a Cabanagem. Na noite do Dia de Reis de 1835, a população saiu às ruas a fim de assistir a uma peça no Teatro Providência. O presidente da província, Lobo de Souza, estava na plateia. Enquanto isso, na surdina, os cabanos começaram a ocupar pontos estratégicos da cidade, com armas nas mãos. A madrugada foi intensa: o palácio do governo nem chegou a oferecer resistência significativa, no quartel houve adesão da tropa e o prédio da Maçonaria foi logo depredado.  Alcançado em um terreno baldio quando tentava ir da casa da amante ao palácio, o presidente Lobo de Souza, o Malhado, foi abatido

O senhor de engenho e fazendeiro Félix Clemente Malcher foi, assim, eleito primeiro governador cabano, tendo Francisco Vinagre como comandante das armas. O líder Eduardo Angelim recusou os cargos que lhe foram oferecidos. Mas não tardou para que o moderado Malcher e o extremado Vinagre se desentendessem. Angelim, preso em um navio de guerra durante os embates, foi libertado depois da deposição e morte de Malcher, pelos próprios cabanos, que entregaram o poder ao marechal Manuel Jorge Rodrigues, enviado pela regência, em 26 de julho. Mas o marechal mandou prender Francisco Vinagre e mais 300 cabanos. Angelim fugiu, então, para o interior, e nova fase cobriu Belém de sangue a partir de 14 de agosto de 1835, durante 11 dias. Angelim, aos 21 anos, se elegeu governador, o terceiro cabano, depois de Francisco Vinagre. 

A radicalização do movimento, com Belém sitiada, culminou com o saque e o assassinato da tripulação de um navio inglês, que transportava grande quantidade de material bélico para um comerciante britânico estabelecido em Belém, daí que não demorou para três navios de guerra da marinha inglesa, com bandeira branca hasteada no mastro, aportarem, exigindo o hasteamento da bandeira britânica no lugar da brasileira, a entrega dos criminosos à justiça da Inglaterra e a indenização devida à companhia de navegação. Angelim atribuiu a responsabilidade pelo pagamento e aplicação da justiça ao governo brasileiro, o que foi aceito pelo capitão Strong. 
Durante oito meses e dezenove dias os cabanos dominaram Belém, que foi retomada pelas tropas legais em 12 de maio de 1836. Mas a Cabanagem havia se espraiado pelo interior, ao longo do caudaloso rio Amazonas. Em cinco anos de sangrentos combates, cerca de 30 mil pessoas tombaram. Uma carnificina que ceifou dez por cento da população do Grão Pará e Rio Negro. 

A Cabanagem, hoje aos 181 anos, merece ser estudada com ênfase nas escolas parauaras e sua memória preservada. Boa hora para que o Memorial criado por Oscar Niemeyer, no Entroncamento, seja restaurado e utilizado de acordo com a sua finalidade.

Efeito de teste nuclear é registrado em Parauapebas

Notícia Sul do Pará

De acordo com o Centro, a onda P teria atravessado o núcleo da Terra e foi registrada, às 23h 50, pelas estações da rede do norte e nordeste do país. Uma das estações, cujo código é PRPB, localizada em Parauapebas, no sudeste paraense, também registrou tremores causados pela onda P.

A estação de Boa Vista, a BOAV, foi a que registrou maior intensidade provocada pela onda e o tremos pode estar relacionado com o possível teste com a bomba de hidrogênio.

Segundo o Centro, as estações localizadas nas regiões sul e sudeste, por causa da distância em relação ao ponto da explosão, não ticera.
Informações de Pebinha de Açucar

Rio Arataú transborda e isola municípios da Transamazônica

Rio transbordou na madrugada desta q

Do G1 PA
Os moradores de municípios que ficam ao longo da rodovia Transamazônica estão isolados desde a madrugada desta quarta-feira (6). O rio Arataú transbordou próximo à ponte de Pacajá, no sudeste do Pará, a mesma ponte que desabou no início de dezembro de 2015.
Por causa disso, a população de cidades como Pacajá, Altamira, Brasil Novo, Uruará e Medicilândia estão sem acesso a Belém.
Segundo os moradores, o nível do rio ainda estava baixo quando um desvio foi contruído para resolver o problema do acesso de veículos com a queda da ponte. Porém com as chuvas dos últimos dias, o volume de água aumentou, causando o isolamento de parte da estrada.
A preocupação dos moradores agora é que continue chovendo e o desvio não suporte a pressão da água e acabe cedendo. Uma equipe da Polícia Rodociário Federal já foi enviada ao local.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Racismo na TAM: “Troca de lugar com a feinha (negra) aí”, diz funcionário

negrobelchior

Por Douglas Belchior, com informações dos coletivos Treme Terra, O Preço, Rua, Sarau AfroBase, Vaidapé

“Vitimistas! Mini Marxistas! Viva Bolsonaro 2018!”, gritaram os passageiros

Na tarde de sábado (19/12) no vôo TAM-JJ3705 de Brasília para Congonhas-SP, um grupo de jovens artistas sofreram ofensas racistas por parte de funcionários da TAM que seguiam no vôo como passageiros. Segundo relato dos artistas, os agressores foram acobertados pelos comissários de bordo da TAM, receberam privilégios no tratamento dentro do avião e tiveram sua conduta racista apoiada por parte dos passageiros.

Depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião!”

Os jovens artistas periféricos voltavam de Brasília, onde participaram da 3° Conferência Nacional da Juventude, que reuniu por 4 dias cerca de 5 mil jovens de todo o país e onde se discutiu, entre outras coisas, justamente a problemática da questão racial no Brasil.

Segundo o relato, um homem branco teria enviado uma mensagem com teor racista para um colega, também branco, sentado à algumas poltronas de distância: “Depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião!” O mesmo homem teria, em uma segunda mensagem ao amigo, escrito: “Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”, referindo-se a uma das jovens negras do grupo.

Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”

Os jovens, ao perceber a troca de mensagens discriminatórias, resolveram tirar satisfações junto ao agressor, que reafirmou: “Para andar de avião, a pessoa tem que se comportar direito”.

Com a discussão, os comissários de bordo intervieram e ameaçaram chamar a Polícia Federal. Os jovens foram incisivos em concordar que se chamasse a PF, já que estavam sendo vítimas de racismo, crime inafiançável no Brasil. A tripulação não acionou a polícia, promoveu mudança de lugares dos agressores e o vôo seguiu. No entanto, durante a viagem, os jovens perceberam que um dos agressores fora convidado pelos comissários a conversar separadamente sobre o ocorrido, atrás das cortinas do serviço de bordo e a discussão recomeçou. “Porque a tripulação ouve e trata com privilégio os agressores e não os agredidos?” , questionou o grupo de jovens.

Para andar de avião, a pessoa tem que se comportar direito”

Com a aeronave em solo, já na chegada à SP, o grupo de artistas resolveu promover uma intervenção artística ainda dentro do avião, com um recital da poesia “Somos”, de autoria de Juliana Rodrigues, a Afro Ju, uma das jovens agredidas durante o vôo. Eis que parte dos passageiros, incomodados com o conteúdo dos versos, passaram a hostilizar o grupo. “Vitimistas! Mini Marxistas! Viva Bolsonaro 2018!”, gritaram alguns passageiros, segundo relatos dos jovens.