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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

É o cara!

O prefeito eleito Maurino Magalhães mantém-se calado quanto a seus futuros auxiliares, mas aqui fora a especulação – arte de desocupados – anda solta, principalmente sobre a importação de mão-de-obra do Tocantins ou a escolha deles por critérios mais religiosos do que técnicos. Mas esta semana deu-se como certo que para a Secretaria de Agricultura Maurino vai chamar o agrônomo marabaense Raimundo Nonato Gomes Filho, sem dúvida sua melhor definição. Nonato Gomes possui atributos raros: é competente, honesto, tem desenvoltura e criatividade. Não é um burocrata e possui iniciativas pessoais. É dele o melhor projeto que já se elaborou aqui para a agricultura municipal. Talvez por isso, creio, não foi avante – este é um segmento da nossa economia que jamais interessou, de fato, à administração. Resgatar Nonato Gomes será uma das melhores providências do novo prefeito.

Campus

O campus da UFPA está desde abril do ano passado – quando o ex-interventor Erivan Souza Cruz assumiu a gerência do campus 2, construído pela Vale -, sem coordenador titular. No período, ocupa o cargo interinamente a profª. Zenaide, por indicação da diretoria da universidade. Como a última eleição para a coordenação deu maior grilo no início de 2008, não se descarta o risco de nova intervenção. Já no curso de Direito falta professor de Administrativo desde agosto e este semestre acaba na véspera do Natal.

Recitais

Sexta-feira, 28 de novembro, a Escola de Música da Fundação Casa da Cultura de Marabá promove recital no auditório do “José Mendonça Vergolino”, a partir das 19h00, em comemoração aos 15 anos daquela escola dirigida pela profª. Júlia Lima. A entrada e franca. No sábado, 29, a partir das 19h00 e no auditório da secretaria de Saúde, quem abrilhanta a cultura são o Recital do Coro Carlos Gomes e a Orquestra Jovem de Belém, ambos pela primeira vez se apresentando nesta cidade. O ingresso é simbólico: R$ 10.

Andorinhas

Parece definido para 2 de dezembro, em Belém, o lançamento do livro “Andorinhas”, do prof. Paulo Gorayeb, Diretor de Pós-graduação da UFPA. Há três anos Gorayeb luta para dar a lume o livro sobre a criação e implementação do Parque das Andorinhas, em São Geraldo do Araguaia, fruto das pesquisas iniciadas pela Casa da Cultura de Marabá, desde 1987, sob coordenação do biólogo Noé Carlos von Atzingen. O parque, com cerca de 60 mil hectares, possui oito ecossistemas distintos (cerrado/cerradão, floresta mista, floresta densa, floresta semidecídua, floresta galeria, parque, campo litológico e floresta de várzea); 113 sítios arqueológicos; 5.740 gravuras e pinturas rupestres; grutas e cavernmas, a maior delas com mais de um quilômetro de desenvolvimento; 570 espécies de animais vertebrados, dos quais 25 estão na lista dos ameaçados de extinção; 84 espécies de orquídeas e 51 de plantas medicinais, entre outros achados.

Nostalgia

“Rei de Copas. Antão. Zezé. Taracanga. O Lauro, que era coxo, virou Cudemola. Tapioca era um pretinho retinto! Aí vinham Maria do Prego, Bebé, Consola, Piroca, Zé do Pilar, Curica, Cobrão, Tantã, Boca Quente, Zagaia, Mito, Feloca. Jacaré. Tinha também Jiloca, Tia Duque, Camiranga, Geladeira, Domingo Massa Bruta, Nira, Biju e Véi Zuza. Bons tempos...” Do advogado Haroldo Jr., lembrando da infância e da sua Jacundá, em 1974, que hoje é um cardume de saudades sob a represa do Tocantins.

Faz sentido

Por exigência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), jogos da Série C, a partir da 3ª fase, só devem acontecer em estádios para dez mil pessoas, no mínimo. Por isso, Água e Duque de Caxias jogaram em Volta Redonda (porque o clube anfitrião não tem estádio) para somente 23 pagantes. Se o jogo fosse em Marabá, mais de 4 mil pessoas lotariam o estádio a cada partida, com renda significativa. O raciocínio é do médico Fernando Monteiro, coberto de razão.

Intermitências

Dia da Consciência Negra e de São Félix de Valois, padroeiro de Marabá, as quedas de tensão da rede Celpa foram sucessivas e duraram mais de meia hora, em Folhas da Nova Marabá. Foi logo depois da chuva.

Mal das pernas

O Hospital Regional do Sudeste do Pará, sediado aqui, está com problemas. Entre esses, o equipamento de tomografia e ressonância magnética, quebrado há tempo e sem previsão de conserto. No começo do ano passado, essa máquina quebrou e levou mais de seis meses para ser recuperada. Quebrou de novo e, parece, talvez receba conserto só ano que vem. O resultado é que paciente internado e que carece desse exame é encaminhado ao São Lucas. Quem for apenas consultar-se e o médico cismar que precisa desse recurso, está frito: vai desembolsar cerca de R$ 1.200.

Banda larga na escola já era

Agora lascou-se a inclusão digital das escolas públicas.Uma decisão judicial suspendeu o plano de conexão de 55 mil escolas públicas à internet de alta velocidade pelas operadoras de telefonia fixa - conforme acertado com o Executivo no início deste ano - e abriu uma polêmica no setor de telecomunicações. Segundo o jornal O Globo, a Associação de Defesa do Consumidor ProTeste pediu o cancelamento temporário do programa, alegando não haver clareza sobre a propriedade da rede de fibra ótica ao fim do contrato. A liminar foi concedida pela juíza substituta da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, Maria Cecília de Marco Rocha.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Prisão para escravagistas

A Justiça Federal no Pará decretou ontem, 13 de novembro, a prisão preventiva do empresário Agenilson José dos Santos, o Paulista, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de submeter 163 pessoas a trabalho escravo em Placas, no oeste do estado. A determinação foi tomada para evitar que o empresário continue atrapalhando as investigações. De acordo com depoimento citado na decisão, para ameaçar as testemunhas Paulista chegou a citar o caso Dorothy Stang, missionária assassinada em 2005 no Pará por defender trabalhadores rurais. O mandado de prisão expedido pelo juiz José Airton de Aguiar Portela,de Santarém, foi encaminhado no final da tarde para a Polícia Federal. Além de Paulista, o MPF acusa de promoção do trabalho escravo outros quatro dirigentes da empresa Perfil Agroindústria Cacaueira e dois comerciantes que, com a aprovação da Perfil, obrigavam os trabalhadoresa comprarem exclusivamente em seus estabelecimentos todos os materiais para o cultivo do cacau. Em sua maioria, essas compras eram feitas mediante empréstimos concedidos pelos próprios comerciantes. Crianças escravizadas A denúncia da Procuradoria da República em Santarém, enviada à Justiça no último dia 24, foi baseada em dados levantados em uma operação realizada na área rural de Placas em 25 de setembro por integrantes do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Dos 163trabalhadores encontrados em condições semelhantes às de escravos, 30 eram crianças ou adolescentes (22 com idade até cinco anos e oito com idade de cinco a 13 anos). Também foram encontradas armas e munição em poder de Paulista.“Constatamos a presença de um número significativo de pessoas, adultas e crianças, que sofreram acidentes provocados por instrumento cortante (podão, cutelo e facão), picadas de cobras, de aranhas,escorpiões e outros”, diz o relatório da operação. Segundo o documento anexado à denúncia, um adolescente de 13 anos ficou cego do olho esquerdo devido a um acidente de trabalho ocorrido quando ele carregava uma saca de cacau de aproximadamente 40 quilos. Sem nenhum direito Segundo o MPF, além de não fornecer as mínimas condições de moradia e higiene aos trabalhadores a Perfil Agroindústria Cacaueira não respeitava direitos trabalhistas como o registro em carteira, férias, 13ºsalário, entre outros. No total, a empresa recebeu 17 autos de infração por irregularidades detectadas pelos fiscais. As primeiras informações sobre irregularidades no local foram recebidas em abril pelo Conselho Municipal da Criança de Placas. Segundo relato de integrantes do conselho, ao visitarem a empresa eles foram ameaçados por Paulista. “Sua batata está assando. Lembra o que aconteceu com a irmã Dorothy?”, disse Agenilson dos Santos a um dos conselheiros, de acordo com a ação do MPF. Além de pedir a condenação de todos os denunciados (lista abaixo) pelo crime de redução a condição análoga à de escravo, punível com dois aoito anos de prisão, a ação da Procuradoria da República em Santarém pede a punição de todos por frustração de direitos trabalhistas, cuja pena é de um a dois anos de prisão. O MPF também pediu a condenação de Paulista pelo crime previsto no artigo 236 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê detenção de seis meses a dois anos para quem impedir ou embaraçar a ação de membro do Conselho Tutelar. O processo tramita na Justiça Federal em Santarém com o número 2008.39.02.001455-9. Denunciados: Agenilson José dos Santos, o Paulista; Juarez Marinho dos Santos; Nivaldo Rodrigues da Silva; Agenor José dos Santos; Eulelice Soares dos Santos; Arilton Lopes de Freitas; Andréia Generoso de Souza prpa.mpf.gov.br)