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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Eclusas de mais de R$ 1 bilhão no Pará ficam ociosas durante a seca


No Globo.com


Edição do dia 26/02/2013
26/02/2013 21h40 - Atualizado em 26/02/2013 21h40


As eclusas estão praticamente paradas. Segundo especialistas, sem uma obra complementar, elas vão continuar subutilizadas.


As eclusas da usina de Tucuruí, no Pará, custaram mais de R$ 1 bilhão, mas estão subaproveitadas.
As eclusas estão praticamente paradas. Menos de 2% da capacidade foram utilizadas até agora. A função da eclusa é permitir que embarcações atravessem a barragem, superando o desnível de 69 metros entre o Rio Tocantins e o reservatório da hidrelétrica de Tucuruí.
A obra consumiu mais de R$ 1,6 bilhão dos cofres públicos. Mas, segundo especialistas, sem uma obra complementar, elas vão continuar assim: subutilizadas.
O problema está na região entre os municípios de Marabá e Tucuruí, no sudeste do Pará. Durante quatro, cinco meses, quando o nível do Rio Tocantins está muito baixo, as grandes embarcações não conseguem passar por causa de rochas espalhadas ao longo de 43 quilômetros, que impedem a navegação com segurança. Dessa forma, as balsas não chegam até as eclusas. Em 2010, o governo federal fez a licitação das obras para remover as pedras e aumentar a profundidade do rio, mas o processo foi cancelado, e até hoje o uso da hidrovia permanece restrito.
Enquanto não sai uma decisão definitiva, o impacto na região é grande. O Rio Tocantins é importante para escoamento da produção mineral e agrícola do centro-norte do país até os portos da região de Belém.

“Desafogaria as estradas, tem todos os elementos necessários a fazer com que o empresário procure a navegação ao invés da rodovia”, diz Michel Dib Tachy, da Superintendência e Administração de Hidrovias Amazônia Oriental.

Empresas que estavam investindo na região estão reavaliando os planos.

“Criar e investir em barcaças, empurradoras que ficarão seis meses paradas e seis meses funcionado, é inviável”, avalia o empresário Divaldo de Souza.

Uma mineradora chegou a interromper a construção de uma siderúrgica que iria criar 20 mil empregos.

“Praticamente duplicou a população, que não tem o que fazer hoje. Isso preocupa. Há uma responsabilidade da União em torno disso também. Tinha todo um cronograma de acontecimentos. Até hoje isso não aconteceu”, destaca José Conrado, presidente da Federação das Indústrias do Pará.

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), mesmo funcionando apenas na época das chuvas, as eclusas são importantes para a região. Sobre a obra para retirada das pedras, o governo federal disse que vai preparar uma nova licitação.

De acordo com o Dnit, a licitação deve ficar pronta em maio. O início das obras está previsto para agosto.

Emergência para a merenda escolar


No Zeca News


Semed garante que merenda chega as escolas a partir desta quinta

O Prefeito João Salame baixou Decreto de Emergência na Secretaria Municipal de Educação para solucionar a falta de merenda nas escolas. Isso ocorreu  por que a gestão passada não executou licitação de continuidade, portanto, era inevitável que a  administração  atual teria que apelar para o estado de emergência. Os pais das crianças já estão cobrando a merenda e o ano letivo já está sendo prejudicado por esse motivo. O Secretário  de Educação Luis Bressan, informou   que  o processo legal de tomada de preço  foi encaminhado hoje para aquisição da merenda  e vai suprir  por um  por mês  a necessidade nesse período  emergencial. A partir de amanhã, o alimento começa a ser entregue no depósito da Semed  e quinta-feira, a distribuição nos bairros da cidade. No início da semana é a zona rural que receberá a comida das crianças. Final da semana que vem a situação da merenda escolar já deve estar normalizada em toda cidade e zona rural. 
Foi publicado edital  para fazer a aquisição de todo material da merenda para  garantir o período letivo por meio de pregão eletrônico que vai ocorrer dia  de 11 de maio, data já marcada em Diário Oficial.  Isso  vai definir a compra geral de todos os itens da merenda escolar para todo ano e garantirá a regularidade da alimentação nas  escolas. Hoje mesmo foi encaminhado para todas as unidades escolares os contratados que vão suprir a falta de merendeiras,  professores e agentes de serviços gerais para completar o quadro  para  área urbana (com mais 450 profissionais)   e zona rural (contando com mais 250 profissionais). Dia 1º de março os concursados começarão a ser chamados (250 professores e 70 agentes de serviços gerais). O secretário  de Educação ainda afirmou:"já iniciamos o planejamento neste semestre para fazer  um novo  concurso no segundo semestre para área urbana e rural, fechando o quadro da Educação em todas as áreas."

Gilberto Leite volta à Acim

No Zeca News



A informação foi confirmada nesta manhã pelo próprio Ítalo Ipojucan. Segundo ele, o único empecilho para que Gilberto não assumisse o cargo novamente era o tratamento de saúde que ele vem fazendo e que o obrigar a se ausentar de Marabá periodicamente.
Mas Gilberto foi consultado sobre o assunto na manhã desta quarta-feira (27) e disse ter condições de assumir a missão de presidir a entidade que atua pelo setor produtivo de Marabá.
Outro fato importante com a confirmação de Gilberto na presidência da Acim, é que Ítalo Ipojucan poderá trabalhar de forma mais exclusiva na Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Mineração, da qual é titular.

Agora, sem asas...


Receita apreende jatinho dos Maiorana

(Foto: Octávio Cardoso)
A ORM Air Táxi Aéreo, de propriedade de Romulo Maiorana Jr., não é mais fiel depositária do jatinho de luxo de fabricação norte-americana de cerca de US$ 15 milhões apreendido pela Receita Federal em agosto do ano passado sob a suspeita de descaminho (entrada de produtos importados sem o devido pagamento de impostos). Auditores da Receita estiveram no final da manhã de ontem no hangar da empresa e apreenderam a aeronave, que foi transferida para um pátio do aeroporto.

A ORM Air estava como fiel depositária do jatinho há seis meses, à espera de uma decisão do processo, e ontem a Receita Federal decidiu remover o bem. Especialistas consultados pelo DIÁRIO afirmam que, quando a Receita age dessa forma, é praticamente certa a decretação do perdimento do bem, decorrente da prática de descaminho. “Nesse caso, a empresa aérea de Romulo Jr. perde a posse sobre o bem, que fica sob a tutela da União”, observou um advogado tributarista consultado pelo jornal.

A ORM Air ainda pode recorrer no âmbito administrativo na Receita Federal; e no âmbito da Justiça Federal se o perdimento ocorrer de fato, mas a chance de sucesso é remota. “Se for confirmado o perdimento, a aeronave permanece no pátio até que a Receita Federal decida leiloá-la. O descaminho pode ser sanado caso o réu arque com toda a dívida perante o fisco, com juros e correção. Nesse caso o réu admite o crime tributário”, esclarece o especialista.  (No Diário do Pará)

Marabá 100 anos: o amor que não temos...


Santarém, cidade modelo. Por que não?

Este artigo está publicado na revista Vox Green, recém-lançada
Por Manuel Dutra
Esta cidade existe com a marca de seus artistas plásticos, compositores eruditos e populares, jornalistas e poetas, com a expansão de seu polo universitário e de suas bibliotecas. A moldura é o encontro do Amazonas com o Tapajós.
Foto: Blog do Jeso, 25.02. 2013
A primeira parte do título deste artigo pode soar estranha. Mas a segunda parte, a das possibilidades, não me parece estranha, haja vista a presente mobilização de milhares de pessoas na cidade e no seu entorno em defesa do respeito que a cidade merece. A brutal agressão das margens da Rodovia Fernando Guilhon, pela especulação imobiliária, sentiu o baque do grito de uma população que já não suporta a destruição de uma das mais antigas e belas cidades da Amazônia.

Hoje, esse mutirão em defesa da seriedade pública é exemplo para tantas outras cidades da região, agredidas, em silêncio, por aventureiros sem o menor compromisso com as cidades infelizmente brutalizadas.

Sinal positivo
Por que, então, não avançar? Nenhum governo, aqui ou em qualquer lugar do mudo, agirá plenamente em favor da coletividade a não ser debaixo de pressão social. O fato de o prefeito Alexandre Von ter cancelado parte das licenças à empresa Buriti é sinal positivo, inclusive porque, com um ato administrativo, ele derrubou a decisão do TJE que mandou prosseguir a obra ilegal.
Santarém, como cidade, não pode assistir ao espetáculo de sua destruição. Ao contrário de mau exemplo, esta cidade pode tornar-se um modelo.

Poucas cidades no mundo talvez possam ufanar-se de possuir tantos atributos de beleza e cultura. Qual cidade, no planeta, é banhada, ao mesmo tempo, pelo maior rio do mundo, o Amazonas, e pelo decantado Tapajós, um dos mais belos e enigmáticos rios do Brasil? Natureza e cultura esta cidade e esta região têm de sobra.

Versos, plástica, universidades
Santarém só pode existir ao som das melodias do maestro Wilson Fonseca, com os versos de Emir Bemerguy, com a plástica de Laurimar Leal, Dona Dica Frazão e Elias do Rosário, com o acervo cultural ímpar do bibliófilo Cristóvam Sena, com o Bosque Santa Lúcia de Steven Alexander, o Bosque da Cidade, a Biblioteca Municipal, a beleza do recém-reconstruído Teatro Vitória, o Museu João Fona. E o Sairé, sim o Sairé da decantada Alter do Chão... E não pode existir sem a marca de tantos artistas plásticos, compositores populares, cantores, escritores, jornalistas e poetas cuja relação é tão grande que não recordo todos aqui, aos quais peço desculpa até por estar longe do dia a dia de Santarém já há mais de duas décadas.
Santarém é hoje um destacado polo universitário, com cinco instituições, entre elas a Universidade Federal do Oeste do Pará, o Núcleo da Universidade Estadual do Pará, além de outras três particulares. O turismo se incrementa, mas atenção, a maioria dos turistas não viaja para ver "points", ou seja, "pontos turísticos", mas para conhecer cidades, povos e a sua cultura e também as belezas naturais.
Igualmente Santarém não pode existir sem o Tapajós ora verde esmeralda ora azul, cristalino e transparente com os seus 16 quilômetros de largura próximo ao local onde deságua no Amazonas, na frente da cidade, em espetáculo intermitente. Nem sem a riqueza de seus peixes, da miríade de seus furos e igarapés. Santarém tem as duas coisas que fazem a vida de um povo: natureza e cultura.
Paragominas, exemplo a seguir
Santarém só existe com a sua história, que começou bem antes da chegada dos europeus à confluência dos dois grandes rios, no século 17. Antes, aqui dominava um povo bravo, os Tupaiú, com seu exército de gente valente que resistiu à conquista do invasor. Que cultivava a terra, com seus imensos roçados de milho, banana e algodão, como descreve Betendorf, o jesuíta que veio consolidar a conquista europeia. É esse imenso acervo acumulado que ganha moldura entre as belezas naturais intermináveis.
Há 15 anos, a cidade de Paragominas era considerada uma das piores da Amazônia, ambiente devastado, ruas e praças desarborizadas, um lugar feio e inóspito. Mas o povo e as autoridades de Paragominas decidiram reconstruir a sua autoestima, investiram amor em seu rincão e hoje aquela cidade do sudeste paraense é considerada um modelo de reconstrução, de traçado urbano verde e aconchegante, o calor minimizado pela densa arborização. Como conseguiram? Através de muitas ações, mas antes de qualquer coisa, decidiram querer realizar a mudança que hoje turistas vão presenciar e admirar a Cidade Verde, um exemplo para tantas outras.
Alexandre Von pode liderar
Assim como Alexandre Von tomou coragem de atender ao pleito popular, mandando paralisar a "obra" da Buriti, bem que o novo prefeito poderia assumir a liderança dessa mudança, uma liderança que vá além dos afazeres burocráticos dentro de um gabinete, encarando a sociedade e convidando a todos os santarenos para uma nova empreitada que ultrapasse a lenga-lenga dos políticos quando falam em "obras e serviços".
A grande obra de um prefeito é contribuir, e mesmo liderar a sociedade por ele governada, na construção de uma cidade e de um município onde as pessoas do lugar sintam alegria de viver e trabalhar, e tenham orgulho de afirmar: aqui há bem-estar, é gostoso caminhar por nossas ruas, nossos filhos têm um futuro.
As formas de mobilização podem ser muitas, iniciando com a convocação das forças organizadas da sociedade para o estabelecimento de uma agenda comum, que envolva criativamente o poder público e os cidadãos. Uma primeira iniciativa seria um vasto mutirão de limpeza da cidade, num processo em que essa tarefa não fique tão somente a cargo da prefeitura e que seja um momento de educação coletiva das autoridades e do povo. Com uma cidade limpa, a autoestima logo retornaria e todos se veriam compelidos e não espalhar a sujeira pelas ruas e praças.
Prefeitura e Povo
Um segundo momento seria a criação de uma lei inovadora obrigando as empreiteiras vencedoras de projetos de pavimentação para que, junto com o asfalto, além do esgotamento de águas pluviais, plantem árvores a cada dez metros de pavimentação. 
A partir de iniciativas aparentemente simples, outras medidas mais arrojadas seriam tomadas, como a discussão de uma nova lei, igualmente inovadora, a fim de que Santarém seja dotada de um Plano Diretor Urbano de longo prazo, com regras claras, cuja aplicação seja vigiada por um conselho de cidadãos, juntamente com a Câmara de Vereadores.
Estas coisas são difíceis? Impossíveis? As respostas só poderão ser dadas depois, já que não podemos afirmar que seja difícil ou impossível algo que nunca tentamos. Ou fazemos agora, ou Santarém enfrentará problemas ainda mais graves do que hoje enfrentam cidades como Belém e Manaus, onde a vida se torna cada dia mais dramática, tantos são os problemas não resolvidos a tempo.
Nós podemos, sim, ser um modelo amazônico de cidade dentro da natureza e cheia de vida e cultura.
* Jornalista, professor na UFPA, em Belém, e na UFOPA, em Santarém
http://blogmanueldutra.blogspot.com.br/

Por que não a execução sumária no meio da rua?




QUARTA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO DE 2013

Rancor petralha investe em penas mais pesadas para jornalistas na proposta do novo Código Penal


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão – 
serrao@alertatotal.net
A petralhada quer implantar formas legais de reprimir a liberdade de imprensa, intimidando criminalmente jornalistas, através de regras piores que as previstas na Lei de Imprensa de 1969 – revogada pelo Supremo Tribunal Federal. O sistema de intimidação será implantado na reforma do Código Penal – elaborado por 15 juristas – aumentando exageradamente as penas para os crimes de calúnia e difamação cometidos pela e através mídia. Além de retrocesso, a proposta vai contra a intenção da comissão de “buscar formas alternativas, não prisionais, de sanção penal”.

A comissão de juristas formada pelo Senado não deve ter sido diretamente influenciada pelos petistas que defendem a pretensa “democratização dos meios de Comunicação via regulação da mídia”. Mas quando chegar à Câmara dos Deputados, na Subcomissão de Crimes e Penas, presidida pelo deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), a porca vai torcer o rabo. Molon soltou a retórica pega-bobo dos stalinistas radicalóides de seu partido: “Nosso objetivo com a reforma do Código Penal é fazer justiça: quem cometer crime grave deve ser punido exemplarmente”. No caso, principalmente, os críticos do projeto petista de poder. Será que o raciocínio jurídico do petista vale para os “companheiros mensaleiros”?

A chamada de atenção sobre o perigo das novas penas para jornalistas no texto em gestação do novo Código Penal foi do jurista Miguel Reale Júnior, em entrevista à Agência Brasil. Reale participa nesta quinta-feira, em Brasília, da audiência pública na Comissão Especial do Senado que analisa o texto que substituirá o CP de 1940. Reale considera rigorosa demais as penas previstas para difamação e calúnia por meio da mídia. “A pena mínima, de três meses, passa a ser de dois anos, por uma difamação por meio de imprensa. Isso é oito vezes superior à da Lei de Imprensa, que foi revogada por ser ditatorial”.

Embora represente um avanço em termos de padronização e organização, a nova proposta do CP viabiliza um exagerado rigor seletivo contra a imprensa (pretendido pela petralhada e por alguns setores do Judiciário que sofrem de miopia democrática). Reale Júnior tem toda razão. O Supremo Trbunal Federal revogou a Lei de Imprensa de 1969. Agora, os oportunistas petistas e alguns membros do judiciário (aparentemente ressentidos com a liberdade de imprensa) aproveitam o novo Código Penal para revigorar regrinhas do arbítrio. 

Assim funciona a atual democraduta petista, rumo a um Estado Capimunista de Direito no Brasil, assim que eles conseguiram implantar aquilo que o grande líder José Dirceu e seus companheiros chamam de “socialismo”. Se eles forem vitoriosos, o regime de Cuba parecerá uma disneylândia – sobretudo para os jornalistas de oposição.

Os petralhas já praticam o chamado crime de “stalking” (“perseguição insidiosa ou obsessiva”) contra aqueles que consideram inimigos. O líder José Dirceu, sempre que pode, ataca a imprensa e manifesta a vontade de criar mecanismos para regulá-la.

Jornalistas que se cuidem...

O Artigo 140, que trata do aumento das penas em crimes contra honra, determina: “As penas cominadas neste Capítulo são aplicadas até o dobro se qualquer dos crimes é cometido: I – na presença de várias pessoas; II – por meio jornalístico, inclusive o eletrônico ou digital, ou qualquer outro meio de comunicação que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria;
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No item III, cria-se uma dificuldade para o funcionário público que quiser revelar um fato que suspeita ser criminoso, incorrendo em suposto crime contra a honra de algum superior. A pena aumenta se o crime for cometido “por servidor público, ou quem exerça cargo, emprego ou função pública, inclusive em entidade paraestatal, prestadora de serviço contratada ou conveniada, que revele ou facilite a revelação de fato que, em razão da atividade, deva permanecer em segredo, ou que viole sigilo legal ou juridicamente assegurado”.

No artigo 141, não constitui difamação ou injúria: “I – a ofensa irrogada em juízo ou fora dele, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador, inclusive a calúnia; II – a opinião desfavorável da crítica jornalística, literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III – o conceito desfavorável emitido por servidor público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício; IV – o relato ou a divulgação de fato atinente ao interesse público, que não esteja acobertado por sigilo funcional, em razão do cargo, legal ou juridicamente assegurado.

Os jornalistas podem se salvar do rigor seletivo com a hipótese de retratação prevista no Artigo 142: “Extingue-se a punibilidade se o acusado, antes da sentença, retratar-se cabal e suficientemente da calúnia, da difamação ou da injúria, com a aceitação da vítima”. O Artigo 143 também permite o pedido de explicação: “Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicação extrajudicialmente. Aquele que se recusa a dá-las ou não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

Jornalistas também precisam tomar cuidado com o enquadramento na suposta “ofensa à pessoa jurídica”. No artigo 137, §1º está escrito:  “Divulgar fato que sabe inverídico, capaz de abalar o conceito ou o crédito de pessoa jurídica: Pena – prisão, de um a dois anos. O §2º pondera que “a exceção da verdade somente se admite se o ofendido é: I – servidor público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções; ou II – pessoa jurídica”. Ou seja, empresas que se sentirem melindradas vão usar e abusar do novo CP contra críticas midiáticas.

Definições e penas

No Capítulo IV, que trata dos Crimes contra a honra, ficam definidos os seguintes crimes:

Calúnia: Artigo 136. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – prisão, de um a três anos. § 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a divulga. § 2º A exceção da verdade somente se admite caso o ofendido tenha sido condenado pela prática do crime que lhe tenha sido imputado.

Difamação: Artigo 137. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – prisão, de um a dois anos.

Jornalistas também precisam tomar cuidado com o enquadramento na suposta “ofensa à pessoa jurídica”. No artigo 137, §1º está escrito:  “Divulgar fato que sabe inverídico, capaz de abalar o conceito ou o crédito de pessoa jurídica: Pena – prisão, de um a dois anos. O §2º pondera que “a exceção da verdade somente se admite se o ofendido é: I – servidor público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções; ou II – pessoa jurídica”.

Diferentes injúrias

Injúria: Artigo 138. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – prisão, de seis meses a um ano.

A Injúria se torna qualificada, pelo § 1º, se consistir “em referência à raça, cor, etnia, sexo, identidade ou opção sexual, idade, deficiência, condição física ou social, religião ou origem: Pena – prisão, de um a três anos.

Também existe a Injúria real, no § 2º, “se consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza, ou pelo meio empregado, se consideram aviltantes: Pena – prisão, de seis meses a um ano e seis meses, além da pena correspondente à violência”.

No § 3º fica claro que o juiz deixará de aplicar a pena: I – quando o ofendido provocar diretamente a injúria; ou II – no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

Projeto Original

A comissão do novo CP foi composta por juristas de reconhecida competência, cujos nomes podem ser conferidos no texto da proposta original.  

Vale a pena conhecer a íntegra do trabalho proposto pelo grupo presidido por ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, com relatoria do Procurador Regional da República da Terceira Região, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves.


Perigo legal

Detalhe: tal proposta original corre o risco de ser deturpada em vários aspectos.

Os senadores já propuseram mais de 460 emendas ao texto dos juristas.

Quando chegar à Câmara dos Deputados, onde a orientação mensaleiro-petralha comanda as discussões, o monstrengo pode ficar ainda mais feio...

Aborto na jogada

Além do aumento de punição aos profissionais de imprensa texto proposto para o novo Código Penal traz outros temas polêmicos em seus 532 artigos.

Cria novas hipóteses de aborto legal - atualmente permitido em caso de risco de vida para a gestante, quando a gravidez decorre de estupro ou se o bebê for anencéfalo.

O aborto é outro tema que os radicalóides insistem em aprovar no Brasil...

Brecha abortista

O artigo 128 da proposta do novo CP escancara uma brecha para o abortismo.

Está escrito no item IV que fica excluído o crime de aborto “se por vontade da gestante, até a décima segunda semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”.

Tal interpretação interessa às grandes transnacionais defensoras do abortismo, cujos médicos facilitarão diagnósticos psicológicos para a interrupção da vida.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Amat: de rerum novarum ao dejà-vu da bola de meia


Aos 53 dias do seu governo, o prefeito João 23 já amargou uma derrota que qualquer observador político dava como certa. Até os buracos de olaria sabem que desde sua fundação por Haroldo Bezerra, na década de 90 do século passado, o eleitorado da Amat vota em quem lhe assegura privilégios, vantagens, quaisquer compensações.
No “quem dá mais?” da maioria dos prefeitos-eleitores Jatene e sua máquina estatal prometeu asfalto – a panaceia com que prefeitos liliputianos pensam assegurar a sobrevivência política. Salame, sem cacife, tentou reanimar – em vão - a fantasia da emancipação de Carajás – apenas um sonho que a sensatez arquivou até que condições objetivas nos permitam desarquivá-lo. 
Salame perdeu. E perdeu feio: 11 votos a 25. Um solitário voto em branco assinalou o protesto anônimo contra todos os arranjos.
No dia seguinte João 23 sacou a metralhadora e disparou suas balas de festim no vencedor, (Sancler Ferreira, que encabeçava chapa única, manipulada por Jatene); nos que o elegeram; em Simão Jatene; e, por que não?, na Amat que antes não queria e depois mudou de ideia.
“O prefeito de Tucuruí , diz em nota João 23, não moveu uma palha na luta pela criação do Estado de Carajás, disse Salame em nota depois da derrota. Não participou de um comício, de uma reunião sequer. Nem mesmo no seu município. Não por acaso foi justamente em Tucuruí que tivemos a menor votação no plebiscito. Cerca de 66% dos votos, contra mais de 95% na maioria dos municípios da região. Não seria justo que exatamente esse prefeito se tornasse presidente da Amat, que tem no seu estatuto a luta pela criação do Estado de Carajás como prioridade.
Mais grave ainda é que sua candidatura passou a ser articulada diretamente pelo governo do estado, que liberou secretários para montar acampamento em Marabá oferecendo asfalto para os prefeitos votarem na sua chapa. Vários prefeitos confessaram este fato. Um outro chegou a dizer que sua fazenda foi invadida e se não votasse no candidato do Governo, a polícia não iria retirar os ocupantes de sua propriedade”.
Nem a Amat escapou: “perdeu importância. Deixou de unir os prefeitos para lutar pelo Carajás, pela hidrovia do Araguaia Tocantins, pela pavimentação de nossas estradas, para se impor diante do Governo do Estado e exigir tratamento igual ao que é dado à prefeitura de Belém. Só na data da eleição da Amat ela volta a ter alguma importância como moeda de troca para migalhas, para promessas na maioria das vezes não cumpridas”.
Como se vê, as trombetas de Jericó não deixaram pedra sobre pedra. Mas faltava o grand-finale: imediatamente João 23 retirou Marabá da Amat que ele não queria, mas queria.
Dessas coisas novas, eu fiquei com uma sensação de dejà-vu. Deve ser coisa de idoso, fustigado por lembranças despertadas pelo centenário da cidade. Eu me lembrei com insistência dos tempos de infância, quando os peladeiros de rua j0gavam em qualquer pedaço de chão disponível e usando até bola de pano, confeccionada com meia velha e mulambos. Dividiam-se em grupos proporcionais à quantidade da turma na grade de espera, colocavam pedras demarcatórias do gol e tinham regras que dispensavam a intervenção de juiz. Macaca não valia, acabava em briga, rixa, fim de amizades.
Um gol na partida, e o grupo perdedor saía, entravam outros “times” por ordem de chegada, e o negócio rendia até que o sol esfriasse, quando quase todos corriam para o banho no rio.
Isso acontecia todo santo dia no Granito, Granitim, e no buraco onde construíram mais tarde o Armazém Paraíba, na Praça Duque de Caxias, e ali depois da ponte atrás da igreja do São Félix onde havia no meio da rua um cajueiro deitado no chão e copa acima das casas, e na frente da casa Amim Zalouth, perto do Tocantins, onde inventaram de  construir a Conab, fechando a janela para o rio.
Então começaram a surgir os “granfos”, como chamavam os peladeiros àqueles filhos de comerciantes endinheirados que chegavam ao campinho com jogo de camisas no ombro, bola oficial debaixo do braço, devidamente equipados com a camisa 10, tornozeleira e calções caríssimos.
Autossuficientes, escolhiam a dedo os que achavam os melhores, uniformizavam-nos e tomavam conta da pelada. Ruins de bola, não demoravam muito estavam sentadinhos fora do campo, esquecidos, empacotados e reluzentes, a olhar os craques e suas jogadas fantásticas. Quando se davam conta que não eram mais sequer lembrados e não faziam falta alguma, pediam as camisas de volta, tomavam a bola e acabavam com a brincadeira. Até que voltasse a pelota de pano a circular entre algazarras e descamisados.
Pensando bem, talvez não tenha nada a ver uma coisa com a outra, as peladas de antigamente e os sucessos políticos da atualidade. Mas que parece, parece.






As alcovas das eleições da AMAT

No Parsifal Pontes:

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Na sexta-feira (22), a Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins (AmatCarajás) elegeu, com 25 votos, o prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira (PPS), para presidi-la em 2013. O prefeito de Marabá, João Salame (PPS), obteve 11 votos.
Eleições em colegiados pequenos são favas contadas para qualquer governo, mas as despesas para contar as favas estão cada vez maiores para o erário.
> Em 2011 a conta pode ter chegado a R$ 50 milhões
Na última eleição da AMAT (2011), quando o governo elegeu o ex-prefeito de Tucumã, Celso Cardoso, a planilha das continências veio à tona: ummanuscrito, de punho do próprio Celso, revelou que o prato de resistência foi a distribuição de 90 quilômetros de asfalto.
O governo não cumpriu todo o compromisso, mas a parte liquidada pode ter beirado os R$ 50 milhões. Para quem nada tinha, a metade do cobertor aliviou o frio.
> Em 2013 a conta subiu
Nesta eleição de 2013, já na quinta-feira (21), o Secretário de Obras do Governo, Joaquim Passarinho, acompanhado de áulicos, desembarcou em Marabá para avalizar os votos do dia seguinte.
Na sexta-feira (22), os prefeitos contabilizavam o que haviam conseguido para eleger Sancler Ferreira: como o governo não admitia ser derrotado pelo prefeito de Marabá, (que já foi aliado e é hoje um dos seus mais ferrenhos desafetos) a caneta do Passarinho foi bondosa.
Pelo que se ouviu, a conta ultrapassou os 200 km de asfalto, fazendo com que o preço da eleição da AMAT esse ano possa beirar os R$ 150 milhões.
> Altaneira Polícia Militar
Embora eu já tenha visto bois voarem, desta vez houve um compromisso inusitado: foi prometido a um prefeito, além do asfalto, a garantia de que a Polícia Militar vai retirar os invasores da sua fazenda. É a briosa prestando serviço eleitoral.
> Cínicos, estoicos e epicuristas
Não há juízo moral na narrativa e a prática não é invenção dos tucanos. Como os governados querem mais que rezas, não é possível governar um Estado apenas com ave-marias: todos os governos se valem desses artifícios para conquistar e manter espaços de poder.
A diferença está apenas nos discursos: uns são cínicos, outros estoicos e há também os epicuristas. Os mais espertos, dependendo da ocasião, alinham-se com todas essas escolas no decorrer do dia: são os pragmáticos.

3 comentários:

  1. É doutor, se a sua conclusão é esta: "não há juizo moral nesta narrativa", pois a prática é de todos ou pelo menos a maioria dos governantes, então não tenho comentários a fazer, é decepcionante ouvir isso de V.Exa, me desculpe, o senhor e os atuais políticos paraenses são uma vergonha, pelo menos os que pensam assim !! basta !
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  2. É deputado, para tudo há sempre uma boa explicação: quando vocês ganham (o que não acontece faz tempo) é a vitória limpa, do prestigio e da força política; mas quando perdem, os votos foram comprados. Fico impressionado com as contas que o senhor faz, parece mesmo de quem é do ramo e sabe os detalhes das cifras. Deve ter o condão da adivinhação ou quer mesmo chutar o pau da barraca.
    Na verdade, a diferença dos votos (mais do que o dobro) diz tudo. Quem sabe não esteja na hora de rever esse projeto “juvenil” na política: nem os políticos, a exemplo dos resultados das últimas eleições, inclusive das associações dos municípios, e muito menos a população, quer esse tipo de política de volta. E olha que na eleição da Amat a tropa de choque do PMDB foi presente em Marabá, à frente Helder Barbalho e o deputado que comenta. Mas deve ter ido só passear, já que não “houve pressão”, nem mesmo sobre os prefeitos do PMDB, a julgar pelo resultado de 25 x 11.
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    Respostas
    1. Você não leu a postagem toda, pelo visto. Eu não fiz avaliação moral alguma e isso está escrito. Eu não disse que quando nós ganhamos é limpo: não é. Eu disse que todos somos iguais. Se um dia chegarmos ao governo faremos igual: somos todos farinha do mesmo saco e eu já escrevi isso aqui. Eu sei do que estou falando e sei fazer contas. E advirto: a conta feita é cortado raso e considerando apenas o asfalto.
      Se quer defender o governo não há problema algum. Mas a sua contestação é sofrível e não destitui absolutamente nada do que está escrito.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Saúde na UTI


O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que recentemente considerou desperdício a Uepa abrir cursos de medicina no interior do Estado, informa que o atendimento de urgência e emergência paraense faz parte dos cinco dossiês entregues – ou a serem entregues – este mês pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) à Comissão Interamericana dos Direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Os dossiês relatam históricos de macas em corredores, condições precárias de trabalho, filas de espera para o atendimento, falta de medicamentos e aparelhos de auxílio de diagnóstico, equipes incompletas e atrasos nos pagamentos de plantões, salários e gratificações.
Em Belém, que o sindicato médico parece considerar todo o Pará, a Fenam visitou, em novembro do ano passado, dois hospitais de urgência e emergência – o Metropolitano e o PSM da 14 de Março, concluindo que o quadro é de calamidade pública.
Agora, imagine se a federação dos médicos fizesse uma visita ao interior do Estado...

Sem presos, a Holanda transforma os presídios em museus e hotéis

No Parsifal Pontes:


A Holanda é o país europeu com a mais baixa criminalidade do mundo e os índices não param de baixar. Os delitos ainda praticados são de média e baixa gravidade, cujas penas não são de reclusão, por isso os presídios do país experimentam um ótimo problema: estão vazios e oito já foram fechados.
O governo chegou a cogitar alugar vagas nos presídios para a Bélgica, mas o Parlamento recusou autorização e os presídios vão sendo transformados em paragens de utilidades diversas, como museus e hotéis.
Um dos hotéis mais procurados é o “Het Arresthuis”, um presídio erigido no século 19, que foi transformado em um hotel de luxo:
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Quando for à Holanda e quiser se hospedar no presídio, clique aqui e faça a reserva.