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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Você se lembra da Sudam?

No Salomão Larêdo

QUAL O PAPEL DA SUDAM, HOJE? ESTUDAMOS A AMAZÔNIA NAS ESCOLAS? CUIDAMOS DO QUE É NOSSO?

Salomão Larêdo, escritor e jornalista

Para pesquisa, fui ao prédio da SUDAM, na Av. Almirante Barroso esquina da trav. Antonio Baena. Queria saber algo sobre a SPVEA – Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que antecedeu a SUDAM. A informação é de que pouco quase nada existe da SPVEA e aí começa a interrogação.


O que houve? Por quê não foi preservado? Se existe memória, onde está? E apesar de saber das idas e vindas, fecha, abre e relação política desta autarquia pública, a sensação que tenho ao entrar num prédio que abrigava importantíssimo órgão público nas décadas de 1960/1970, é a pior possível. 


Do lado externo o prédio já se traduz pela falta de trato. Dentro, o sinal não é a dinâmica da outrora SUDAM (que embora menos suntuosa que a SUDENE e naquela época merecesse outro tratamento, era uma potência, tinha prestigio e pagava salários altíssimos aos funcionários) e parecia que estava num local que parou no tempo. A biblioteca, aberta, com apenas uma pessoa pra informar e tudo parecia sem renovação, poeirento, obsoleto. 

Biblioteca da SUDAM

Mas, fiz fotos e apanhei um folder que aqui publicamos para que o leitor possa analisar e se questionar de qual é a função e o papel da Sudam, hoje, no Pará e na Amazônia? Precisamos, como amazônidas, questionar a função de um órgão criado para desenvolver a região. Aconteceu isso? Porque ainda existe a SUDAM? Estudamos isso nas escolas? Conhecemos a Amazônia? Cuidamos do que é nosso? Leitor, a análise é tua.

FOLDER











Dois milhões de pessoas sob risco de ter benefício do INSS suspenso. No Pará são 13,37%

No Mocorongo

Para fazer a comprovação, o beneficiário deve ir à agência bancária em que recebe levando documento de identificação com foto
Mais de dois milhões de aposentados e pensionistas do INSS no país ainda não fizeram a prova de vida e a renovação de senha dos benefícios recebidos em bancos por meio de conta corrente. Todo esse pessoal corre risco de ter os pagamentos suspensos caso não atualizem seus dados cadastrais nas agências bancárias em que recebem mensalmente.

O alerta foi feito pelo INSS. Todo o contingente que não se recadastrou (2.197.282 segurados) representa 7,04% do universo de aposentados e pensionistas que deveriam fazer a prova de vida. No Rio, 6,24% ainda não foram às agências bancárias para atualizar o cadastro. O instituto informou que dos 31,1 milhões de benefícios ativos, 29 milhões já renovaram a senha nos bancos.

“Não consideramos que os números sejam altos. Mas são preocupantes. O recadastramento começou em 2012, mas tem muito segurado que não atualizou seus dados. Eles têm até o fim do ano para fazer a prova de vida. Se não fizerem, terão os pagamentos suspensos”, avisa Flávio Souza, gerente-executivo da Gerência Centro do INSS no Rio de Janeiro.

Para Souza, ainda não dá para afirmar que os benefícios que não foram atualizados sejam irregulares. “Após o fim do prazo, o INSS vai analisar os casos de segurados que não se recadastraram”, explicou.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Previdência anunciou a prorrogação do prazo, que inicialmente, terminaria em 28 de fevereiro. Na ocasião, 4,7 milhões de beneficiários não tinham feito o recadastramento. Desse total, 97% ou 4,5 milhões de benefícios eram de segurados que recebiam por meio de conta corrente. 

Ao todo, 2.666.619 de segurados precisavam fazer a prova de vida no Rio de Janeiro. Pará (13,37%), Roraima (13,17%) e Acre (11,22%) são os estados com maiores índices de aposentados e pensionistas que ainda não fizeram a atualização de seus dados nos bancos.

Procedimento é obrigatório
A renovação de senhas e a prova de vida são obrigatórias para aposentados, pensionistas e segurados do INSS e devem acontecer anualmente. Para fazer a comprovação, o beneficiário deve ir à agência bancária em que recebe levando documento de identificação com foto (identidade, carteira de trabalho ou carteira de habilitação).

Algumas instituições financeiras com sistemas de biometria estão usando a tecnologia para fazer o recadastramento.

Quem já compareceu à agência bancária desde que o cadastramento começou, em 2012, não precisa fazer outra prova de vida.

Os segurados que não puderem ir até às agências bancárias por motivos de doença ou por dificuldade de locomoção, devem fazer o recadastramento por meio de um procurador devidamente cadastrado nos postos do INSS.

Quem mora no exterior pode usar o procurador cadastrado no INSS ou por meio de documento de prova de vida emitido por consulado.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Com novos municípios, Brasil cabe cada vez menos no PIB


Ives Gandra da Silva Martins
Especial para o UOL
Tínhamos, em 5 de outubro de 1988, pouco mais de 3.900 municípios. Hoje, são mais de 5.500. Foram criados com a necessidade de o mesmo povo, que sustentava as estruturas burocráticas dos anteriores (3.900), sustentar mais 1.600 novas estruturas, com mais 1.600 Poderes Executivos e Legislativos e, à evidência, com necessidade de uma carga tributária maior sobre a mesma população.
A criação destes municípios – e de três novos Estados, com a Lei Suprema de 1988 - foi um dos fatores que elevaram a carga tributária de 24% para 37% do PIB.
E com tendência de aumentar, pois os municípios, os Estados e a União vivem com permanentes problemas de caixa, buscando sempre, de renovadas formas, retirar mais recursos dos contribuintes para se autossustentarem, assim como as benesses dos detentores do poder.
Aquilo que o contribuinte sabe quanto custou para ganhar e sobreviver, em face desta permanente elevação da carga tributária, é dele retirado. Mais de um terço do que tem ou ganha é direcionado para sustentar uma Federação má prestadora de serviços públicos. A Federação brasileira, decididamente, não cabe no PIB.
A criação de 1.600 municípios e de três novos Estados foi um dos fatores que elevaram a carga tributária de 24% para 37% do PIB

Bem fez a presidente Dilma em vetar o PLC 98/2003, que cuidava de fusão, criação e desenvolvimento de novos municípios, com o irrespondível argumento de que haveria aumento de despesas, sem correspondente aumento de receitas, a não ser à custa do aumento da carga tributária.
Insistência parlamentar
Volta o Legislativo à luta por criação, fusão, incorporação ou desenvolvimento dos municípios com o PL 104/2014, recém-aprovado pelo Senado e encaminhado à Câmara dos Deputados.
À evidência, é um eufemismo falar em "fusão e incorporação" de municípios, pois quem tem o poder não o larga nunca, a não ser que o perca para adversários. A "fusão e a incorporação" representaria, em princípio, redução de duas cidades para uma, de 2 Executivos para 1, de 2 Legislativos para 1, com a correspondente perda do poder dos políticos que não comporiam a nova administração.
"Criação e fusão" de municípios é tão ficção científica - diria "ficção política" -, quanto a criação de territórios. Esta é uma norma constitucional de impossível adoção, pois implicaria a concordância dos poderes dos Estados em vê-los transformados em territórios, com a consequente transferência para a União de sua administração.
O que o PL 104/2014 cuida é, efetivamente e só, da criação de novos municípios, abrindo espaço para que mais políticos possam ingressar no cenário já demais lotado, que será sustentado pelo aumento de carga tributária dos cidadãos "não governamentais".
Tenho me oposto a esta proliferação de burgos desde 1988, quando disse que a Federação, com o novo modelo de aumento do custo e do peso do Estado, faria com que ela não coubesse no PIB, adaptando frase do confrade Antonio Delfim Netto para a realidade brasileira.
A criação de inúmeros municípios sem qualquer base de sustentação tributária - e dependente dos repasses da União, do Fundo de Participações do IPI e IR - demonstra que minhas preocupações procediam. Houve, em poucos anos, um fantástico nascimento de novos municípios, chegando ao número atual.
Em boa hora, foi possível estancar, com a Emenda nº 15 de 1996, a qual modificou o § 4º do artigo 18 da CF, dando-lhe a seguinte redação: A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei."
É inacreditável a abertura de espaços para geração de novos políticos, de novos detentores do poder, de novos índices elevados da carga tributária, de novos integradores do poder, ou seja, de novos burocratas.
A possibilidade de lei complementar para abrir novamente campo, objetivando a expansão de novos municípios – há quase 400 novas tentativas de criação - afigura-se preocupante, pois implicaria necessariamente que a mesma população iria sustentar não mais um Executivo e mais um município, mas dois Executivos e duas Câmaras Municipais.
O peso tributário sobre essa população seria maior, além de promover uma redução de percentual de participação unitária municipal no fundo correspondente. Ou de um aumento de despesas para a União, se tal redução não houver, com a consequente pressão sob áreas de sua atuação institucional.
Pessoalmente, estou convencido que a criação de novos municípios interessa, fundamentalmente, aos políticos e burocratas do Brasil. Parafraseando Thomas Friedman, em seu livro "Quente, plano e lotado", o país já está "lotado" em número de governantes, "plano", em seus objetivos políticos (ter o poder e como efeito apenas colateral prestar serviços públicos) e "quente". O calor, todavia, sendo a irritação que faz o sangue subir à face, pela sinalização de novo aumento da carga tributária para cobrir as despesas decorrentes de sua criação.
Decididamente, o Brasil cada vez cabe menos no PIB.


Judiciário custa muito caro ao Brasil

Banco de Imagem - close-up, de, a, escalas justiça. Fotosearch - Busca de Imagens, Fotografia Poster, e Fotos Clip Art


Ricardo Mac Donald, advogado, secretário municipal de governo de Curitiba, colunista no Blog do Esmael Moraes,

Ao examinarmos a despesa dos órgãos e o total da receita líquida do ano passado, o custo dessa manutenção foi de 17,58% para os outros Poderes, enquanto que, com a saúde, por exemplo, o Executivo estadual gastou 13,73%.
Não existe comparação possível entre os vencimentos do Executivo e os salários e benesses dos demais Poderes, com o agravante de que todos querem nivelamento salarial pelo teto.
Se um benefício é concedido ao Judiciário, imediatamente os membros do Ministério Público e Tribunal de Contas pedem a sua extensão, alegando isonomia; sempre sob o argumento de que é legal, está na Lei, mas ninguém informa quão forte foi o movimento corporativo para que isso se realizasse.
E, à medida que essas superestruturas avançam no orçamento comum dos impostos de todos os paranaenses, resta cada vez menos dinheiro para o Estado fazer investimentos.
Parágrafo investimentos
Notem que só o Executivo tem a preocupação de arrecadar e fazer frente às necessidades da população. Aos demais Poderes, resta a impressão de que cabe a eles apenas requisitar verbas, que se avultam em percentuais e quantidades, a cada ano.
Não é à toa que, seguidas vezes, a imprensa apresenta quadros comparativos com outras nações desenvolvidas, e os superfuncionários do Brasil aparecem como os mais bem pagos do mundo.
Gastamos com o judiciário, por habitante, mais do que o dobro da média dos países europeus. Em relação ao PIB, nenhum país europeu se aproxima. Os juízes e promotores em início de carreira ganham mais do que o dobro da média europeia.
Destacamos os salários anuais, em euros, de cinco países europeus: França, Alemanha, Portugal, Espanha e Suécia:

Mas então deveriam estar todos satisfeitos?
Parece que não, pois a pressão sobre o orçamento é constante para aumento de verba; pedidos para auxílios variados, como alimentação, moradia, etc; superação do teto constitucional que limita o vencimento, adicionais diversos, incorporação de planos, além de diferenciais como férias de 60 dias mais recesso de 15 dias no fim ano, aposentadoria integral – regalias que colocam os membros dessa superestrutura em uma classe diferenciada e um tanto descolada da realidade brasileira.

Mas como está a qualidade dos serviços prestados à população que paga a conta?

Quer diminuir a corrupção no Brasil? Tire poder das mãos de políticos!

Por Fábio Ostermann
Não chega a ser uma grande novidade a afirmação de que a corrupção é uma das grandes chagas que ainda insistem em impedir o desenvolvimento do Brasil e a resolução de diversos problemas que ainda nos prendem ao subdesenvolvimento. Estima-se que percamos anualmente cerca de R$82 bilhões para a corrupção, dos quais apenas uma ínfima parcela (0,7%) é efetivamente recuperada.
Também não é novidade o fato de que, entra ano, sai ano, entra governo, sai governo, os casos de corrupção no Brasil parecem somente crescer em frequência e magnitude. O que a opinião pública parece ignorar solenemente, entretanto, é a estreita ligação entre a corrupção no Brasil e a excessiva abrangência do Estado em nossa sociedade.
O gráfico abaixo é composto por dados de 25 países de distintas realidades políticas, geográficas e econômicas. Nele percebemos a forte correlação entre corrupção e liberdade econômica por meio da análise de dois rankings internacionalmente reconhecidos: o Índice de Percepção de Corrupção, da Transparência Internacional, e o Índice de Liberdade Econômica, da Heritage Foundation.
A correlação entre as duas variáveis é visível. É claro que nem toda correlação implica em uma relação de causalidade, mas temos bons motivos para crer que um mercado mais livre afeta, sim, o nível de corrupção encontrado em um país. Isto deve-se fundamentalmente ao fato de que quanto maior a participação do Estado na economia e a autoridade conferida a seus agentes para interferirem no processo de mercado, maiores são as oportunidades de corrupção.
Dadas as dificuldades no cumprimento de tarefas tão prosaicas e, ao mesmo tempo, tão vitais ao crescimento e desenvolvimento do país, como a abertura de um negócio, a obtenção de uma licença ou o pagamento de tributos, é natural, e até instintivo, que se busque maneiras de contornar tais obstáculos. Some-se a isso a falta de uma cultura de transparência e prestação de contas por parte dos poderes públicos e um sistema penal permissivo e ineficiente (onde a probabilidade de punição é baixíssima) e temos um ambiente perfeito para o florescimento da corrupção em suas diversas formas.
Parafraseando Nelson Rodrigues, o subdesenvolvimento institucional brasileiro não é fruto de improviso, mas sim uma obra de séculos. Neste contexto de apatia da sociedade civil e hipertrofia de um Estado com vocação patrimonialista, não se pode falar em diminuição da corrupção sem antes colocarmos o Estado em seu devido lugar. O escritor e satirista político P. J. O'Rourke resume bem a questão: “Quando a compra e venda são controladas por legislação, as primeiras coisas a serem compradas e vendidas são os próprios legisladores”. Ao delegarmos a agentes políticos a autoridade de definir de maneira tão arbitrária, e cada vez mais abrangente, quais bens e serviços serão negociados, e em que termos o serão, estamos não só abdicando da nossa liberdade de escolher, mas também oferecendo um prato cheio para que interesses específicos “adotem” determinadas causas e políticos que as defendam.
Se os homens fossem anjos”, escreveu James Madison no número 51 d'O Federalista, “nenhum governo seria necessário”. A tragédia é que o processo político estabelece incentivos que parecem garantir que justamente aqueles dotados das características menos “angelicais” cheguem ao poder. Diante deste cenário, é absolutamente necessário que o governo seja tão enxuto quanto possível.
Quanto maior o escopo de atuação do Estado e da “sociedade política", menos sobra para o indivíduo e para a sociedade civil. Em síntese: se queremos diminuir a corrupção que permeia e contamina as instituições políticas brasileiras, é preciso reduzir os poderes nas mãos dos políticos. Uma sociedade de homens livres deve reclamar para si o direito de escolher o que fazer com sua vida, liberdade e propriedade sem ter que delegar parte fundamental de sua autonomia a uma autoridade política.

Publicado originalmente no Instituto Ordem Livre


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Barrados no baile






Alguns dos candidatos a candidato que levaram cartão vermelho no Tribunal Regional Eleitoral do Pará:

Valdir Ganzer (PT), suplente de senador, vetado para concorrer à titularidade; 
Ubirajara Sompré (PROS) queria ir para Belém. Queria! Na Alepa não se entra sem documentos;
Chico da Pesca (PROS), olha a bronca, sem registro porque foi demitido do serviço público após processo disciplinar;
Paulo Rocha (PT) andou encalacrado com o Mensalão, renunciou ao  mandato de deputado federal  e achava que, poeira assentada, poderia chegar ao Senado. Errou! Renunciante não tem outra vez; 
Olavio Rocha (PSB), vetado em razão de condenação pelo TRE; 
Magda Gobira (DEM) sonhava ser deputada federal, mas perdeu o prazo de filiação partidária; 
Luiz Sefer (PP), ex-deputado estadual que renunciou a seu mandato envolvido em acusação de estupro, queria reeleger-se. Não deu.
Eloi Iglesias (PHS) até pensou ir cantar na Alepa, mas foi parar na freguesia dos sem lenço e sem documento; 
E o Artur Tourinho (PMDB)? Dançou com as contas reprovadas pelo TCU;
Jorge Washington Marques (PROS) e Chico das Cortinas (PHS) namoravam de longe a Alepa. Mas não tinha documentos e sem isso rola nada não...
Claudio Almeida (PR) não prestou de contas de outras campanhas eleitorais e vai ficar vendo a banda passar.


Audiência pública sobre Guerrilha



A Comissão Nacional da Verdade (CNV) realiza em Brasília, dia 12 de agosto, audiência pública sobre graves violações de direitos humanos cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia, um dos episódios mais violentos da ditadura militar, que resultou em prisões ilegais, torturas e dezenas de mortos e desaparecidos políticos na primeira metade dos anos 70. A audiência pública acontecerá no auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).
O objetivo é apurar graves violações de direitos humanos cometidas contra integrantes da guerrilha do Araguaia e contra a população local, que resultaram na morte e desaparecimento de camponeses e de militantes do PCdoB que atuavam na região.
Serão ouvidos testemunhos de sobreviventes das operações militares e de familiares de vítimas da repressão política.
Quatro militares que protagonizaram a repressão à guerrilha foram convocados pela CNV para prestar depoimento: Sebastião Rodrigues de Moura - mais conhecido como "Major Curió", Leo Frederico Cinelli, Thaumaturgo Sotero Vaz e José Conegundes do Nascimento.
A CNV tem apurado e identificado, com base em documentos e depoimentos, as circunstâncias dos desaparecimentos e mortes ocorridos na região do Araguaia, assim como sua autoria. Com a realização de audiência pública , espera-se que sejam obtidas e divulgadas informações que ajudem a elucidar aspectos importantes do episódio.
A CNV deverá realizar, no mês de agosto de 2014, diligência de visita à chamada "Casa Azul", localizada no município de Marabá (PA), imóvel pertencente ao DNER que serviu como base do CIE (Centro de Informações do Exército) e centro clandestino de tortura e morte durante as operações militares contra a guerrilha do Araguaia.
Nos meses de agosto e setembro, a CNV realizará também novas tomadas de depoimentos de agentes do estado relacionados à repressão à guerrilha do Araguaia.


Papagaiada





Há anos eles arremetem, com ódio cada vez maior, nessa tentativa de extinguir o Exame de Ordem e a própria Ordem dos Advogados do Brasil. 
Frustrados e furiosos, os deputados federais acabam de criar a carreira do paralegal: bacharel de Direito não aprovado no Exame mas capaz  de atuar na área jurídica sob responsabilidade de um advogado.

Ora, o paralegal recém-inventado existe há décadas e se chama estagiário.

Depois dos 7 a 1





A versão da Copa do Mundo em solo paraense: 
Clube do Remo x Seleção da Etiópia.

Durma-se com um deboche desses!...

Campanha 2014 no Pará: separatismo fora de pauta

No Manuel Dutra:


 Quando governador, o hoje senador Jader Barbalho chamou os separatistas do Tapajós de “políticos de calças curtas”, embora sem mencionar o comprimento das calças dos políticos do restante do Pará, inclusive a dele próprio. Os separatistas, ao mesmo tempo, até hoje não têm um hino, uma bandeira e um brasão do novo Estado que desejam construir. Se tais símbolos existem, estão na gaveta dos escritórios da campanha do “PLIP”.

Primeira experiência de criar um Estado pela via democrática.
Mesmo assim, o povo é mantido à distância
 Por Manuel Dutra

A partir do dia 19, como em todas as campanhas eleitorais, os candidatos vão falar de muitas coisas para dizer poucas coisas, quase sempre nada. Vão dizer que vão lutar pela “segurança”, pelo “saneamento”, pela “educação”, pela “transparência”.

Nenhum eleitor dirá ser contrário a esse tipo de discurso velho e recorrente, pois todos querem as suas cidades e os seus estados em melhores condições. São palavras politicamente corretas, apenas os candidatos não indicam como vão lutar por segurança, saneamento, etc. Nem dirão o que eles pensam ser a “educação” e a “transparência”. Nem de onde vão tirar dinheiro para os anunciados programas de “bom governo”. Utilizando palavras universalmente aceitas, os políticos nos enganam, sem detalhar o que pensam e o que, efetivamente pretendem fazer com seus eventuais mandatos. Se dissessem, a grande maioria sequer seria candidato ou candidata.
                                                               
Só na cabeça dos políticos separatistas as elites
tradicionais do Pará aceitariam tamanha perda
Logo, nada de substancial estará nos programas de rádio e TV que começam dentro de 12 dias. Por exemplo, o candente tema do separatismo no Pará não vai aparecer em nenhum programa do período eleitoral. E não vai aparecer porque os “separatistas” são, acima de tudo, oportunistas. Nem mesmo levarão em conta o elevadíssimo índice do SIM verificado no plebiscito de novembro de 2011, superando os 90% nas principais regiões que desejam – e continuam desejando – separar-se do Pará para formarem novos Estados.

Os políticos do sudeste do Pará provavelmente dirão alguma coisa no rádio e na TV, mas os do Tapajós ... destes o eleitor nada espere, pois as “lideranças” do chamado Oeste do Pará são historicamente reverentes aos grupos de poder tradicionais centrados na capital, aos quais sempre obedecem como cordeiros e contra os quais nunca lutaram nem lutarão. As “lideranças” do Oeste há décadas esperam que o Estado do Tapajós lhes seja oferecido na bandeja, como um presente. Aliás, no plebiscito, o projeto que foi à consulta popular foi elaborado por um senador de Roraima, que sequer conhece a história e o presente dessa região paraense.

No caso do Tapajós, a “luta” pela criação do novo Estado prossegue, de maneira burocrática, sem penetração popular, sem o apelo efetivo a um embate social muito mais que partidário. A ideia da emancipação continua a existir, pois isso já faz parte da cultura local desde meado do século 19, notadamente a partir de 1883 quando primeiro se colocou num papel o desejo de que o Baixo Amazonas se constituísse numa nova Província do Império. Mas a sua institucionalização continua monopolizada pelos políticos ou seus empregados, distantes do povo e de suas aspirações.

Erros & Erros
A campanha do plebiscito foi uma sequência de erros que aprofundaram as possibilidades de derrota, como de fato aconteceu. É claro que houve jogadas institucionais pesadas, a partir da falsa interpretação da disposição constitucional sobre a “área diretamente interessada”. Mas houve outro erro intencional, da parte da Justiça Eleitoral, impondo que os comitês de campanha fossem compostos apenas por políticos com mandato. Isso descaracterizou o plebiscito, pois não se tratava de uma eleição, como esta cuja campanha vai começar dentro de alguns dias. Era uma consulta popular com vistas a alterações de limites político-administrativos. Ninguém seria eleito a coisa nenhuma. A justiça eleitoral deu tanta importância ao plebiscito que até o presidente do TSE veio expressamente a Belém para coordenar os trabalhos assim descaracterizados, como se fosse uma eleição e não, de fato, uma consulta popular.

Erro de fundo
Os políticos militantes que ainda esperam ganhar na bandeja um Estado para seu usufruto, por ignorarem os fundamentos históricos e mesmo a composição de forças das elites paraenses, cometeram erros quase infantis. Sonharam com ganhos. Então vejamos:

Ganhos esperados pós-plebiscito: caso se concretizasse a divisão do território paraense, o Estado do Carajás, a sudeste, teria 285 mil quilômetros quadrados e uma população aproximada em 1, 3 milhão de habitantes. Essa região apresenta muita riqueza mineral além de pecuária mais desenvolvida. O Tapajós, por sua vez, teria 722 mil quilômetros quadrados sendo, portanto, mais extenso, com uma população de cerca de 1,2 milhão de habitantes. Estes seriam os ganhos mais visíveis dos separatistas em caso de vitória.

Vejamos um pouco das perdas dos grupos de poder do Pará remanescente: Restariam cerca de 240.689 quilômetros quadrados para o Estado do Pará atual, ou seja, 17% de sua atual superfície, que abrigaria uma população de 5,2 milhões de habitantes. O que vemos nestes números? Do gigante territorial Grão-Pará e Maranhão restariam 17% do Grão-Pará e Rio Negro, ou seja, apenas 240 mil e poucos quilômetros, uma redução extremamente drástica de seu território original, histórico.

Agora, coloco uma hipótese: A ideia dessa monumental alteração territorial é uma perspectiva inaceitável para as elites tradicionais com raízes em Belém, com vários de seus setores oriundos do Marajó, da Bragantina e do Salgado. O plebiscito traria um duro golpe a estes grupos que não suportariam assistir às seguidas divisões de seu território, embora este território exista mais no seu imaginário do que na realidade da vida econômica, cultural e social, com a centralização da vida econômica, política e cultural na capital paraense. É um atavismo estéreo. O hoje Estado do Amazonas separou-se do Pará por duas vezes, em 1932, passageira, e em 1850, definitiva. Da primeira, voltou ao domínio do Pará pela força. Na segunda, foi decisão de Pedro II. O Amapá saiu do Pará a contragosto, sob uma penada do ditador Getúlio Vargas. Agora, seria muito esperar que as elites de Belém ficassem assistindo ao desmembramento de mais da metade de seu território por consulta popular na qual poderiam interferir, como de fato interferiram com êxito.

Por despreparo, ignorância do que distingue uma campanha eleitoral (tal como estão acostumados a fazer) de um movimento social suprapartidário, os organizadores do SIM no plebiscito, mas também os seus adversários, caíram em contradições que, talvez, nem eles próprios se tenham dado conta. Vejamos algumas:

Contradição 1:
Os defensores do Tapajós contradisseram o seu próprio discurso quando defendiam um território menor para melhor administrá-lo. Ora, o mapa utilizado na campanha do plebiscito indicava que o Tapajós ocuparia um espaço correspondente a mais de 50% do atual Pará, ou seja, na realidade pretendiam criar um novo gigante territorial, o que nega o discurso da redução espacial para melhor administrar.

Diziam pretender um espaço menor e, ao mesmo tempo, objetivavam construir um Estado com a terceira ou quarta dimensão em relação aos demais Estados brasileiros. O Tapajós, pelo mapa geográfico da campanha da divisão, começaria lá na Guiana e terminaria nos confins do Xingu. Desejavam substituir um Pará territorialmente agigantado por três outros espaços, dois dos quais enormes. Além disso, no caso específico do Tapajós, a configuração territorial pretendida era muito diferente daquela que saiu das propostas da Comissão de Estudos Territoriais logo após a Constituinte de 1988, muito mais sensata e realista.

A configuração pretendida pelos autonomistas do Tapajós desobedeceu profundamente os estudos precedentes do IBGE e do IDESP, quanto às chamadas regiões homogêneas. Qualquer analista sensato poderia prever um desastre político e administrativo um Estado do Tapajós com aquelas dimensões, com regiões internas tão díspares e distantes umas das outras. É só olhar o mapa da Amazônia e do Brasil.

Contradição 2:
De ambos os lados, do SIM e do NÃO, os discursos eram redutores aos aspectos econômicos e fiscais, construíam números, índices e percentuais. Lideranças clientelistas, habituadas a esse tipo de discurso, como sabemos, desconhecem a aspiração social mais que secular, já que podemos afirmar que o desejo de emancipação já pode ser considerado um item da cultura regional do Oeste. São incapazes de estruturar uma campanha séria. Quando governador, o hoje senador Jader Barbalho chamou os separatistas do Tapajós de “políticos de calças curtas”, embora sem mencionar o comprimento das calças dos políticos de Belém, inclusive a calça dele próprio. Os separatistas, ao mesmo tempo, até hoje não têm um hino, uma bandeira e um brasão do novo Estado que se deseja construir. Se tais símbolos existem, estão na gaveta dos escritórios da campanha do “PLIP”.

Fica difícil entender que militância é essa, que até hoje não tem o hino e uma bandeira, não tem o brasão, enfim, os símbolos da nova identidade. Eles são incapazes de perceber algo além do imediato, isto é, verbas, divisões tributárias, repasses, percentuais, imposto tal ou qual. São incapazes, porque imediatistas, de compreender que uma tal luta ultrapassa, em muito, esses expedientes burocráticos. Por isso não sabem desenvolver o discurso que inflama, como diz o sociólogo Pierre Bourdieu, a fala que toca a cultura e a identidade de um grupo social ou de um povo.

E vejamos que Santarém se vangloria de sua cultura. Onde estão os elementos básicos dessa cultura no decorrer da campanha separatista? Em canto nenhum. Quem faz esse discurso? Ninguém. E isso foi um perigo porque, na hipótese em que o plebiscito aprovasse a divisão do Pará, seria com essas mesmas lideranças que o povo iria contar, com estas e com outras, mais espertas e mais preparadas que com certeza aportariam no Tapajós para dele fazer um Estado à sua imagem e semelhança, transformando uma aspiração mais que secular num aglomerado de índices, “projetos” e coisas do tipo “planejamento estratégico”, seja lá o que isso significa na cabeça dos políticos à frente do movimento emancipacionista.

Esse perigo, aliás, continua, caso se realize novo plebiscito. O risco está demonstrado ao lado, no vizinho Estado do Amapá, de onde não param de sair notícias de corrupção contaminando os centros do poder estadual. No Pará atual a corrupção também existe, assim como nos outros Estados mais antigos da Federação. Nos Estados novos a situação pode aprofundar-se, dada a experiência, nas unidades amazônicas, de grupos espúrios que arribam, rapidamente e bem organizados, como quadrilhas, na direção dos novos Estados criados desde a Constituição de 1988.

Contradição 3:
O embate discursivo pela emancipação coincidiu com as velhas práticas político-eleitorais produzidos nos mesmos ambientes tradicionais de dominação, do curral eleitoral, naquilo a que Benchimol chamou de “latifúndios político-eleitorais. Se for para continuar esse mesmo discurso, aqui vai outra pergunta: em caso de novo plebiscito, vai haver entusiasmo popular para dizer SIM no Oeste e/ou também no Sudeste do Pará? Se o discurso não for revisto, se os velhos métodos de campanha eleitoral persistirem no que deveria ser uma campanha cívica, limpa, na qual os políticos fossem tão-somente participantes e não os donos do barco, aí se poderá pensar num resultado diferente. A diferença poderá começar com a pressão popular para que o dispositivo constitucional básico seja efetivamente posto em prática.

Aliás, o plebiscito de 2011 deveria ter feito parte de um grande debate sobre a organização político-administrativa da Amazônia. Um debate que poderia dar uma contribuição nacional, se tornou um debate paroquial e tacanho. O Brasil sempre teve dificuldades em redefinir limites internos e isso vem desde o seu nascimento, com as Capitanias hereditárias, as sesmarias e hoje com o latifúndio.

No entanto, o plebiscito não deixou de ser um momento importantíssimo, pois foi a primeira vez que se tentou criar novos Estados pela via democrática, já que os demais o foram pela via autoritária.

O Tocantins foi o único que não foi criado por um ato autoritário, mas não teve consulta popular. Foi criado pela Constituinte de 1988, depois da greve de fome do então deputado José Wilson Siqueira Campos que, pelo seu gesto, viria a se tornar uma espécie de rei do Tocantins, que governou por quatro mandatos.

O Estado do Tapajós não passou por pouco na Constituinte daquele ano, mas a causa principal foi o fato de que a capacidade de luta dos representantes daqui foi muito débil, a despeito do esforço de pessoas como os deputados Gabriel Guerreiro, Paulo Roberto Matos e mesmo Benedicto Monteiro. Mesmo assim, os representantes favoráveis à aprovação mantiveram-se distantes do povo e de suas reais aspirações.

SIM, mas...
Em duas ocasiões em que eu tive contato em Santarém com movimentos populares, tratando da emancipação do Tapajós no período pré-plebiscito, percebi que as lideranças populares tinham um discurso do SIM destoante do SIM dos promotores do plebiscito. Na primeira reunião de que participei havia representantes de sete municípios; no segundo eram 17 municípios e, de todos eu ouvi mais ou menos assim: nós vamos votar SIM, vamos votar pelos nossos municípios, para nossas comunidades, nosso sindicato, nossas associações, etc. Vamos votar SIM, mas vamos querer outros SIMs também, nós queremos o Estado, mas queremos ver como será o uso da terra no novo Estado do Tapajós, a questão ambiental, o setor florestal e madeireiro, como é que vai ser a justiça social, quem vai escrever a Constituição do Estado. E indagavam: nós não vamos dizer nada sobre essas coisas?

Talvez aqui repouse uma das causas da derrota. Se o discurso for o mesmo, novo plebiscito poderá ter o mesmo destino. Justamente porque há questões de fundo a discutir, o tema da emancipação estará fora dos palanques e da mídia durante a campanha eleitoral que se avizinha.