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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nem Deus dá jeito!

Recebi do Sintepp, e publico tal qual:

"Lamentavelmente a ameaça, a perseguição e a retaliação são instrumentos muito bem utilizados pelo atual gestor de Marabá que ultimamente birra que  não senta pra negociar com ninguém nesse município e ainda se diz um servo de Deus. “Hoje “os trabalhadores da educação em greve têm nas mãos a concretização das ameaças:-” O CONTRA CHEQUE ZERADO”.
Falta de aviso não foi o prefeito jurou se vingar das vaias que recebera na frente do presidente. Vaia a qual atribui apenas ao servidor da educação que não passavam de vinte pessoas dentro do local, pois os outros foram barrados pela segurança do presidente por estarem com faixas, nariz de palhaços e outros apetrechos não permitidos no evento. Segundo ele, o prefeito, foi os trabalhadores em educação quem orquestraram a vaia dele na frente do Lula. Se tivesse sido ele não deveria ter se vingado de maneira tão baixa e mesquinha. Agora pergunto o que será que ele vai fazer com os trabalhadores da Saúde que também estavam lá e o vaiaram? Os sem teto? Os garimpeiros?Os universitários? Os estudantes secundaristas? E os empresários? Será que só vai ter tronco para o pessoal da educação?
Em greve desde o dia 2 de junho os que se aventuraram a tirar o extrato do contra cheque custam a acreditar que tiveram seus direitos violados. O Ministério Público recomendou ao prefeito que não descontasse os dias parados e sentasse com os grevistas para por fim na greve, mas ele afrontou o Ministério Público mais uma vez, essa não é primeira, e mandou cortar o ponto dos trabalhadores da educação. Como já vinha fazendo desde o inicio de seu mandado afronta o Ministério Público e não atende a recomendação de uma promotora. Será que nessa Terra não existe "JUSTIÇA”? Nem a justiça divina parece que funciona contra esse prefeito."
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Ora, se nem Deus dá jeito será que?...

PT no Maranhão

O post é do blog de Josias de Souza e já tem um tempinho, mas vale pela atualidade e originalidade. Reparem.

Lições de Lula que o PT-MA insiste em não aprender


 Última cidadela do ex-PT, o Maranhão tornou-se démodé. A ideologia do petismo local saiu de moda. Lula a substituiu por um modelito prêt-à-porter.
O chique agora não é a ética incondicional, mas a moral de conveniência eleitoral. Num ambiente assim, coerência é como cabide em casa de nudista.
Em vez de resistir, gente como o deputado Domingos Dutra (PT-MA) deveria ajustar-se aos novos tempos.
Interessado em ajudar, o signatário do blog, um formador de opinião em decadência, relaciona cinco ajustes a que os teimosos precisam se submeter:
- Coisas que o PT do Maranhão não precisa mais fazer:
1. Lembrar que Lula já chamou Sarney de ladrão.
2. Vestir a camiseta de Che Guevara.
3. Cultivar a barba.
4. Ler Neruda.
5. Honrar pai e mãe.

- Coisas que o PT do Maranhão é obrigado a fazer:

1. Rezar pelos Sarney antes de dormir.
2. Procurar uma camiseta da Roseana.
3. Aderir ao bigode.
4. Ler Marimbondos de Fogo.
5. Honrar pai, mãe, tios, tias, sobrinhos, sobrinhas, filhos, filhas, netos, netas, namoradas dos netos e namorados das netas com cargos públicos.

Para facilitar a adaptação, o repórter sugere ao petismo maranhense três dias e três noites de audição de boa música. Aqui, a Rádio Iraniana Tradicional.
Se não funcionar, recomenda-se atear fogo às vestes. Com o cuidado de se despir antes de riscar o fósforo.

Negociatas

Colho do blog do deputado Parsifal esta explicação bem ilustrativa do que pretendem setores evangélicos com apoio a candidaturas majoritárias. O título é "Religião e política", mas bem que poderia ser a máxima franciscana "É dando que se recebe".


A religião e a política têm estado em biunívoca correspondência desde que o gênio humano sistematizou ambas: tempo houve em que aquela assinava as cartas desta. 
O pentecostalismo no Brasil teve dois marcos iniciais: a Congregação Cristã do Brasil, em São Paulo, em 1910, e a Assembleia de Deus, em Belém, em 1911.
Os pentecostais seguiram tímidos até o inicio dos anos 80, quando começou a expansão que se constata hoje.
Há aqueles que pregam, inferindo estatísticas otimistas, que os evangélicos, em 20 anos, serão maioria no Brasil.
Não poderiam, portanto, os políticos, passar ao largo das denominações evangélico-pentecostais que, embora estejam muito aquém em número da esmagadora maioria católica, cultivaram a característica de votarem em bloco, dando carenagem formal significativa ao candidato ao qual declaram apoio.
Assim, tão ou mais importante que dizer que um candidato tem apoio de um partido, é declarar que a "Assembleia de Deus", "fechou", com ele.
As denominações se erigem em um sistema "político" quanto a hierarquia na qual se estruturam. As disputas internas para presidir as diversas convenções, que reúnem um determinado numero de campos, que por sua vez são segmentos da mesma igreja, guardadas diferenças de métodos, são processos eleitorais.
No Pará, a quase centenária Assembleia de Deus, viu-se dividida em dois segmentos, sendo que a liderada pelo Pastor Gilberto Marques, "fechou" com a governadora Ana Júlia.
A outra parte da mesma denominação, liderada pelo Pastor Samuel Câmara, ainda está "em aberto".
Há ainda, com foco mais condensado no Sul e Sudeste do Pará, um outro ministério da Assembleia de Deus, o Madureira, cuja convenção reúne cerca de 500 igrejas na região.
Foi em busca de apoio político desta convenção, que nos fizemos a Xinguara, neste passado final de semana, quando estivemos reunidos com toda a diretoria do Ministério.
O apoio da Assembleia de Deus, Convenção Madureira, à candidatura majoritária do PMDB, tem significativa representação político eleitoral: a denominação está presente em todos os municípios do Sul e Sudeste do Pará.
Ainda poderá, a Madureira, acostar à candidatura majoritária do PMDB, o apoio da igreja da posição Norte e Nordeste do Estado, com menos inserção que no Sul e Sudeste, mas não menos importante do ponto de vista estrutural.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Já não era sem tempo...

Secretário Giorgie Guido, de Comunicação Social, deixou o governo Maurino Magalhães, segundo o blog do Laércio Ribeiro. Assim que assumiu, ano passado, Giorgie arrumou a Secom e começou a elaborar o perfil midiático desse governo que, sem pé nem cabeça, atropelou o trabalho do profissional competente, apesar de jovem (ou, talvez, por isso mesmo), ao contratar segmento da turma importada do Tocantins para fazer o mesmo serviço, ainda que desconhecendo a realidade local. Sem respeito ao secretário, os importados fazem o que querem, convalidados por Maurino, e acabam gerando propaganda mentirosa como a das “122 obras” do prefeito que, na verdade, até agora não tem nenhuma (pintar prédios erguidos em administrações passadas não é obra nova).
“Certamente pesou no pedido de exoneração decisão de Mascarenhas Carvalho, pai de Guido e dono do jornal Correio do Tocantins, pondera Laércio Ribeiro. Mascarenhas nunca morreu de amores por Maurino e sua aproximação com o governo era mais por uma afinidade com o vice, Nagilson Amoury. Mascarenhas mantém de longas datas sólida relação de amizade com Amoury e, obviamente, não gostou nem um pouco do tratamento recebido pelo vice-prefeito por parte de Maurino. Agora, com a saída de Giorgie do governo, o jornal Correio do Tocantins vai ficar mais à vontade para mostrar as deficiências da administração municipal.”
Com a saída de Giorgie da prefeitura, ganha o jornalismo do Correio do Tocantins. 

Aleluia!!!!!

                                ELE VOLTOU, O CHAGUINHA VOLTOU NOVAMENTE...

Ferreirinha está fora das eleições 2010

Somente na eventualidade de uma improvável decisão do Tribunal Superior Eleitoral que modifique a decisão da Justiça Eleitoral de Marabá e do Tribunal Regional Eleitoral, o ex-vereador e presidente do Águia de Marabá, Sebastião Ferreira Neto, não poderá concorrer a cargo político eleitoral na eleição de 2010. É que reunido na manhã desta terça-feira, 29 de junho, o TRE entendeu que havia duplicidade de filiação do candidato, simultaneamente registrado no PSB e no PT, e declarou ambas nulas.
Sem partido político, a intenção de Ferreirinha concorrer à Assembléia Legislativa do Estado pelo Partido dos Trabalhadores foi para o espaço.
A decisão do Tribunal contrariou parecer da Procuradoria Regional Eleitoral, que se manifestou pelo provimento do recurso, por entender que, “não obstante a falta de comunicação à Justiça Eleitoral da desfiliação de Sebastião Ferreira Neto do PSB, o envio das devidas comunicações legais enviadas pelo PSB e pelo PT à Justiça Eleitoral afasta a comunicação de duplicidade partidária”, o que culminaria no reconhecimento da sua filiação junto ao PT.
Para o relator desembargador Ricardo Ferreira Nunes a duplicidade de filiação partidária era fato concreto e o Pleno manteve a declaração de sua nulidade.

Arqueologia da guerra

Daniella Jinkings

As buscas por ossadas de militantes mortos na Guerrilha do Araguaia, na década de 1970, foram retomadas esta semana. No último sábado (26), o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Defesa fez um rastreamento em torno do cemitério de Xambioá (TO), mas as escavações só poderão ser feitas após autorização judicial. A procura tinha sido suspensa em outubro de 2009, devido ao início do período chuvoso na região.
Desde de maio, uma equipe retornou à região para ouvir novas testemunhas e complementar informações recebidas pelas expedições anteriores. Na última terça-feira (22), o grupo deslocou-se para áreas no Tocantins e no Pará com o intuito de reiniciar a fase de escavações.
Um dos principais pontos de busca é a Fazenda Araguaia, no município de São João do Araguaia, no Pará. Porém, segundo o Ministério da Defesa, técnicos que participam da expedição já encontram alguns obstáculos para identificar corpos no local porque, na época do movimento guerrilheiro, muitos garimpeiros viviam na mesma região. Por isso, é grande a possibilidade de que eventuais ossadas encontradas sejam de trabalhadores dos garimpos.
Durante o recesso do grupo que coordena as buscas, parentes de um ex-guerrilheiro fizeram escavações por conta própria e encontraram pedaços de um crânio. Os despojos serão avaliados pela perícia da Polícia Federal junto com outros restos encontrados por expedições da década de 1990.
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento do início da década de 1970, que surgiu para enfrentar a ditadura militar. Muitos guerrilheiros e militares foram mortos em combates na selva amazônica. Até hoje, dezenas de participantes do movimento estão desaparecidos. No ano passado, a juíza da 1ª Vara Federal do Distrito Federal, Solange Salgado, determinou que o governo federal reiniciasse as buscas na região.(Agência Brasil - EBC)

Porque o Afluente sumiu

Que o professor e jornalista Ulisses Pompeu é um profissional brilhante e sério, todos sabemos. O que não sabíamos é que deixou de lado seu blog AFLUENTE, que tanta falta faz numa cidade de ralo espaço crítico, é que ele foi ameaçado pelo questionamento que andou fazendo contra o poder apropriado há pouco tempo pela turma que aí está.
Provocado por Quaradouro, eis o que diz Ulisses Pompeu:

"Amigos, colegas, obrigado por lembrarem de mim e do meu blog. Deixei de escrever lá, é verdade, e nunca escondi de ninguém o principal motivo: as ameaças recebidas, não em relação a mim ou meu trabalho, porque a isso não temo. Mas em relação ao trabalho de minha esposa, enfermeira, concursada pelo município e Estado, mas que foi cedida pelo Dr. Nagilson (doutor?) quando secretário de Saúde, para a Sespa.
As ameaças vieram veladas, eu não queria que minha caneta respingasse no trabalho dela, que é séria e não é alinhada com nenhuma tendência partidária.
Nem meu trabalho como assessor específico da Semed me limita a escrever sobre problemas na administração municipal, nem mesmo na própria Semed. Os sindicalistas do Sintepp me respeitam, conhecem meu trabalho, porque não fico no leva-e-traz de um lado para outro. Cumpro meu papel.
Mas sentiram falta de mim? Que bom. A fonte voltará a jorrar e o AFLUENTE voltará a alimentar o rio."
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Assim, vejam os leitores com que estamos lidando: se o jornalista se recusa ao silêncio ou à coonestação (dicionário, por favor), a pressão vem em forma de ameaça. Por isso, é preciso resistir, denunciar, firmar posições intransigentes contra esse tipo de patifaria que não merece abrigo na democracia.

Volta logo, caro Ulisses! Junte-se à trincheira dos que defendem a liberdade de opinião e de expressão.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pastores com Jader. Advinhem pra quê?

Sob o título "Pastores", o blog Sul do Pará, do companheiro João Carlos, publica a seguinte nota:

Depois de presidir a convenção peemedebista, o deputado Jader Barbalho seguirá para Xinguara, onde deve chegar por volta das 17h00. Ali, acompanhado de Domingos Juvenil e do líder do PMDB na Assembléia, deputado Parsifal Pontes, Jader participa de evento da Igreja Assembléia de Deus Madureira. Pastores de todo o sul do Pará vão se reunir com Jader.
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Quando se deu a proclamação da República, com o conseqüente divórcio entre Estado e Igreja no poder do Brasil, não passou pela cabeça dos republicanos que no futuro, não tão distante, a igreja e a fé alheia passassem a ser moedas habituais na barganha de vantagens tão profanas.

A poesia do passado



ESCRITO POR EMILIANO MORAIS   

Os últimos dias na chamada imprensa alternativa - Brasil de fato, Correio da Cidadania, entre outros - foram marcados com uma questão um tanto insólita. Os teóricos da chamada esquerda em declínio (sim, em declínio por ser uma esquerda sem projeto) tomaram parte numa batalha épica.
Os setores desta esquerda atrelada à governabilidade, tendo no ápice das referências Lula e o PT, acreditam desgraçadamente que sendo seu projeto “democrático popular” uma espécie de política social-democrata atenderá aos anseios do povo numa fase de um capitalismo redimido. E através desta redenção do capital elevará do inferno aos céus uma sociedade mais igualitária. Observem o termo, igualitária. Notem que na gramática deste protótipo de esquerda a palavra socialismo não tem tradução.
Os Satãs, tomando a palavra no seu original grego que significa “os adversários”, se revestem de todo tipo de nuance para, de uma forma ou outra, se caracterizarem como o outro, numa posição de embate no grande coliseu das eleições. Mas de Satãs “os adversários” passam a diabos, “os acusadores”, e sem projetos que os caracterizam como alternativa no grande palco do “circo e pão” (eleições), lançam-se no pragmatismo das desqualificações todos os gladiadores.
Nesta luta titânica não foi reservado lugar para um exorcista, e Deus e Diabo, atraídos pelo mesmo engodo, sem apresentar uma alternativa para o país nos seus respectivos projetos, vagueiam entre afirmar o Estado burguês e negá-lo conservando-o, caracterizando assim alternativas “democráticas” que não mudam de conteúdo, apenas de forma. E mais uma vez na história a esquerda brasileira titubeia entre a necessidade de uma alternativa ao capitalismo e o “santo princípio liberal”.
Os gladiadores definem o princípio “Democrático” que norteia as suas elaborações programáticas com um gáudio: democracia, igualdade e liberdade. Tão pobre anseiorobespieriano se a abstração tivesse ido um pouco mais além, pois está exposta no programaliberté, fraternité e egalité. Este sonho iluminista custou a cabeça de um dos maiores expoentes da revolução francesa e agora, como tragédia, retorna ao ideário da esquerda eleitoreira. Os mortos tolhem os vivos, como dizia Marx.
Primeiro tomemos o conceito “democracia” para análise. A democracia é um importante princípio da doutrina liberal, isso para não retomarmos seu original em grego, que nas palavras de Luiz Antônio Cunha consiste no igual direito de todos em participarem do governo através de representantes de sua própria escolha. Essa elaboração baseia-se nas formulações de Rousseau, ideólogo da moderna doutrina democrática.
É bom lembrar que o próprio Rousseau sabia das limitações da real aplicação deste princípio, das dificuldades práticas para a existência de um governo da maioria dos cidadãos.
Rousseau afirmou que, “tomando o termo em rigorosa acepção, nunca existiu, e nunca existirá, verdadeira democracia. É contra a ordem natural que o grande número governe e que o pequeno seja governado. Não se pode imaginar que o povo permaneça incessantemente reunido para dar despacho aos negócios, e com facilidade se vê que, para esse efeito, não poderia estabelecer comissões sem mudar a forma de administração”. Por esse motivo a representatividade vem como a forma mais eficaz para aplicação de tal princípio.
O conceito poderia ser digestivo caso houvesse possibilidade de aplicação apenas de um dos princípios liberais, coisa extremamente inaplicável, pois, ao se aplicar um, todos vem à tona, não conseguem caminhar soltos, estão extremamente interligados.
Ao aplicar o princípio democracia, vossos programas se viram obrigados a considerar de importância ímpar aplicar outro princípio liberal: igualdade.
A igualdade, como pretendem os senhores, tenta transparecer uma nova forma de igualdade, uma igualdade de valores e paridade que não seja desigualdade entre os indivíduos. A igualdade é somente aplicada no modo de produção capitalista e este presume somente a igualdade perante a lei. Como na natureza os homens não são iguais em talento e capacidades, também não podem ser iguais na posse. E, para resolver tal problema, condiciona a igualdade somente junto à lei, igualdade de direitos entre os homens, igualdade de direitos civis.
Com diz Cunha, “todos têm, por lei, iguais direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à proteção das leis”. Marx, em a “Crítica ao programa de Gotha”, afirmou que este igual direito é direito desigual para trabalho desigual. Não reconhece nenhuma diferença de classes, porque cada um é apenas tão trabalhador como o outro. Mas reconhece tacitamente o desigual dom individual — e, portanto, (a desigual) capacidade de rendimento dos trabalhadores — como privilégio natural que uma nova sociedade precisa estabelecer na desigualdade entre indivíduos desiguais.
Ao transcender a igualdade logo se é conduzido à “liberdade”, outro princípio que juram ser de uma necessidade popular, porém apenas transfigurada em outro princípio liberal.
Na liberdade se exalta a livre organização da sociedade civil, conclamam os defensores da livre expressão, da movimentação (e aqui não conseguem ir além de explicar o nada), convocam os deuses em nome da livre atividade política e de organização dos(as) cidadãos(ãs). Esse princípio liberal que a ele empresta o próprio nome pleiteia antes de tudo a liberdade individual, e a partir daí todas as outras: econômica, intelectual, religiosa e política. A liberdade na priori liberal é a liberdade que os indivíduos têm na defesa da ação e das potencialidades, por isso está tão ligada ao princípio do individualismo. Por tal, não é de se admirar o fato de não ter aparecido na base do enfrentamento dos projetos.
Na luta pela transformação da sociedade capitalista em uma sociedade socialista, os proletários precisam munir-se de instrumentos que os botem em força superior aos burgueses, seu projeto não pode confundir-se com anseios liberais (burgueses) e nem com anseios social-democratas (aliança do trabalhador com a pequena burguesia). Seu projeto precisa trazer conteúdo novo e de caráter transformador, revolucionário. Um projeto de classe, da classe proletária, caráter que em momento algum foi planificado pela esquerda na disputa eleitoral.
Florestan Fernandes sabiamente afirmou que “na periferia do mundo capitalista e de nossa época não existem ‘simples palavras’. Se a massa dos trabalhadores quiser desempenhar tarefas práticas, específicas e criadoras, ela tem de se apossar primeiro de certas palavras chaves – que não podem ser compartilhadas com outras classes que não estão empenhadas ou não podem realizar aquelas tarefas sem se destruir ou se prejudicar irremediavelmente”.
 Apegada a conteúdos burgueses, mais uma vez a esquerda brasileira perde a oportunidade de unificar-se na elaboração de uma plataforma única para a disputa política, aguardando somente as ações das movimentações de massas para a composição de um projeto de transformação socialista, já que é só na ação “prático-teórica” que é possível tal elaboração. Dividem-se no casulo que a história os reservou e garganteiam como feirantes o que de bom têm em vossas barracas programáticas.

Emiliano Morais é membro da direção do MST-MG.
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Os grifos são meus. O artigo saiu no Correio da Cidadania.