terça-feira, 14 de outubro de 2008
Reflexos do baile
A crise internacional do capitalismo especulativo já chegou ao Distrito Industrial. Há empresa que vai dar férias coletivas, e pelo menos uma já teria abafado um alto-forno, diz uma fonte.
Falta de rumo
Final de semana movimentado na Folha 16. No sábado, 10, houve show de brega patrocinado por uma rede de armarinhos. Dia 12, exibição de pirotecnia e malabarismo sobre duas rodas por conta de revendedora de veículos.
Tudo à frente do ginásio poliesportivo, que é cedido para qualquer coisa que não seja relacionada com suas atribuições e finalidades.
Definido
Vem do Distrito Industrial de Marabá o novo “Empresário do Ano”. Trata-se de Ian Correia, da guseira Sinobras. Unanimidade na escolha dos filiados ao Sindicom - Sindicato do Comércio - e à Associação Comercial e Industrial.
Day after
Maquinário e trabalhadores desapareceram, no dia seguinte às eleições, do canteiro de obras em parte do bairro Belo Horizonte. Em conseqüência, diz morador do local, valas, bueiros e outras feridas espalhadas em suas ruas e travessas permanecem escancaradas às chuvas do inverno que, parece, já começou. Também, ao que parece, o governo do Tião acabou...
Maionese
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, quer “reinventar a Amazônia para reconstruir o Brasil”. A proposta faz parte do “Projeto Amazônia”, esboçado por ele, e que será debatido por ele com os senadores, dia 15, na Subcomissão Permanente da Amazônia.
Mangabeira afirma que sua proposta tem a finalidade de fazer do soerguimento da Amazônia prioridade brasileira na primeira metade deste século. Ainda de acordo com o ministro, transformar a Amazônia em uma área estratégia é transformar o Brasil. O primeiro passo nessa direção, segundo ele, será o de reafirmar a soberania brasileira na Amazônia e, assim, colocar a região não só a serviço do Brasil, mas também da humanidade.
Tudo bem. Mas ele que corra, antes que a Amazônia acabe em fogo e desmatamento.
Retrato do Brasil
Com o lema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: Superando as Desigualdades”, Brasília sedia, de 15 a 18 de dezembro próximo, a 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos. O objetivo principal é a revisão e atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). O diferencial desta edição, segundo organizadores do encontro, é a abordagem dos direitos humanos em torno da sua universalidade, interdependência e indivisibilidade, tratando de forma mais coesa, associada e integrada as múltiplas dimensões destes direitos, quer sejam os direitos civis e políticos, bem como os econômicos, sociais, culturais e ambientais. Para dar conta desta inovação, a metodologia a ser utilizada para as discussões será baseada num conjunto de eixos orientadores, por meio de um enfoque transversal e integrado.
Nas últimas semanas, o processo de construção e realização da conferência provou sua importância e atualidade a partir da divulgação de pesquisas que mostram a violação dos direitos humanos e as desigualdades no país.
Os números mais recentes das desigualdades presentes no território nacional vieram à tona com a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, do IBGE. A pesquisa mostra as condições de habitação, rendimento e trabalho, associadas a aspectos demográficos e educacionais, em cerca de 145 mil domicílios de todo o país, e traz informações por grandes regiões, unidades da federação e regiões metropolitanas.
O levantamento aponta que o ensino fundamental está praticamente universalizado no Brasil entre as crianças de 7 a 14 anos (97,6% freqüentam a escola), mas a quantidade de matrículas não se traduz em qualidade da educação, já que 1,3 milhão de crianças de 8 a 14 anos de idade não sabiam ler e escrever (5,4% dessa faixa etária). Mostrou também que a taxa de freqüência das pessoas de cor preta e parda às instituições de ensino superior não alcançou o patamar que os brancos tinham dez anos antes. A diferença a favor dos brancos, em vez de diminuir, aumentou nesse período: em 1997, era 9,6 pontos percentuais aos 21 anos de idade, enquanto em 2007 esta diferença saltou para 15,8 pontos percentuais.
Os dados mostram que as mulheres freqüentam mais a escola que os homens, mas o rendimento médio real delas no mercado de trabalho corresponde a 66,1% da remuneração média masculina.
Em relação ao trabalho infantil, os números informam que a atividade predomina entre negros (59,5% das crianças que trabalham são pretas ou pardas). Mostram ainda que 300 mil crianças deixaram de trabalhar, mas entre as que não conseguiram, a jornada aumentou em cerca de uma hora.
A taxa de analfabetismo no Brasil (10%) caiu, mas ainda representa 14,1 milhões de pessoas no país - ou um(a) em cada dez brasileiros(as) com 15 anos ou mais. Na Região Nordeste, apesar de a taxa ser de 19,9% - a menor em 15 anos - é quase o dobro da média nacional e quase o quádruplo do apurado no Sul (5,4%), a menor marca do país. (Fonte: Informes Abong)
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Tem alguém mentindo
Quinta-feira, 2 de outubro.
1. Manchete do jornal Correio do Tocantins:"Maurino é líder com quase 50%".
E o lead: "A três dias das eleições de 2008, o candidato a prefeito da coligação "A Marabá que queremos", Maurino Magalhães de Lima, segue líder em pesquisa de intenção de voto realizada no município, apresentando o percentual de 49,2% da preferência. Na segunda posição, aparece João Salame Neto, com 24,2%, enquanto Bernadete ten Caten é citada pçor 16,3% dos entrevistados e Tibirica pór 0,7%. O levantamento é do Instituto Perspectiva, que ouviu 623 pessoas do dia 28 de setembro a 1º de outubro."
Quinta-feira, 2 de outubro.
2. Manchete do jornal Opinião: "João Salame abre vantagem em nova pesquisa e lidera isolado".
Diz o lead: "Nova pesquisa feita pelo Instituto Alvo Publicidade e Marketing, de Belém, apresenta crescimento ainda maior do candidato João Salame (PPS), em relação a Maurino Magalhães (PR). Registrada na 23ª Zona Eleitoral em 26 de setembro, sob o número 4200/08, a pesquisa aponta que se as eleições fossem hoje, Salame seria eleito com 40,6% dos votos válidos, 6,2 pontos percentuais à frente de Maurino Magalhães (PR), que aparece em segundo lugar com 34,4% das intenções de voto. A deputada Bernadete ten Caten (PT) figura em terceiro lugar com 12,8%. E em quarta colocação aparece Félix Urano, o Tibirica (PSOL), com 2,1% da preferência do eleitorado".
Reação do eleitor confundido: "Tem alguém mentindo aí..."
Reação do Tibirica: "Tô em segundo lugar, já que todos os outros estão em primeiro, né?"
Eu adoro o Tibirica.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Nilson Chaves! Nilson Chaves!
Dauro Remor e Néviton Ferreira, meus parceiros musicais, são amigos do nosso Nilson Chaves, embaixador da cultura amazônica no resto do mundo. Não faz muito tempo, Néviton e Dauro trouxeram Nilson Chaves para um show no Hotel Itacaiúnas, a três vozes, e a iniciativa acabou se tornando o fenômeno artístico mais importante deste ano.
Finda a apresentação fui estar com os três, eu empolgado como se fosse meu primeiro encontro de amor. E deu-se que Nilson me deu seu e-mail para que lhe mandasse umas letras, o que fiz depois de criteriosa seleção das coisas que achei parecidas com sua linha de trabalho. Ele acusou o recebimento e não se falou mais nisso.
Sábado passado, na inauguração do centro de cultura e biblioteca em que o prefeito Tião Miranda transformou o antigo Mercado Municipal, patrimônio tombado na Marabá Pioneira, Nilson Chaves foi a atração maior com seu violão. Conversou, cantou, fez a platéia cantar, trouxe músicas novas e lá pelo meio da festa anunciou este poeta como seu mais novo companheiro de criação.
Eu fiquei tipo assim – gelado, sem graça, saltou um botão da camisa, minha filha Luanda, que adora o Nilson, não parava de me abraçar, todo mundo aplaudiu.
Gente, que coisa linda! Puta que pariu!
A guerra das pesquisas
A Vox Opinião Pesquisa e Projetos Ltda. – Vox Populi – é uma empresa de verificação de mercado e de opinião pública com sede em Belo Horizonte (MG). Para realizar em Marabá uma consulta eleitoral relativa às eleições municipais, contratada pela Rede Brasil Amazônia de Televisão (RBA), ouvindo 600 pessoas entre os dias 24 e 25 de agosto recente, a empresa recebeu R$ 26.466,66.
Praticamente no mesmo período, e realizando o mesmo serviço num universo de 597 eleitores, a VCHA Veritate (de Belém) cobrou da Empresa de Comunicação Carajás (SBT) R$ 3.500,00.
A diferença de custos é espantosa e o resultado pífio. Se fora apenas para consumo interno ou se vetada sua divulgação pela Justiça Eleitoral, a opinião pública não tomou ciência do resultado de nenhuma delas.
As três publicadas em seguida - pelo Correio do Tocantins, Diário do Pará e Opinião, essa na quinta-feira, anteontem – o foram em tão pouco tempo e com resultados tão espantosos e contraditórios que parecem feitas apenas para destacar o candidato apoiado pelo contratante da pesquisa, à véspera da eleição.
As pesquisas eleitorais não são infalíveis, mesmo as realizadas por institutos com credibilidade reconhecida (o Ibge já teve de retratar-se nacionalmente por falha de avaliação eleitoral). Uma pesquisa é apenas o retrato de um momento da campanha, diz o cientista político Fernando Abrucio, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). E, para interpretar bem todos os índices, o eleitor deve saber como os institutos fazem as pesquisas e o que querem dizer todos os números.
O eleitor pode se perguntar se apenas mil entrevistas numa grande cidade, por exemplo, são suficientes para refletir o quadro político local. Segundo os institutos, o mais importante é a qualidade da amostra, e não o seu tamanho. Ou seja, o quanto aquele grupo se parece com o total da população pesquisada.
A margem de erro significa que a pesquisa não é confiável? Como os institutos não entrevistam toda a população, o erro amostral existe em toda pesquisa. A margem de erro é calculada com base no tamanho da amostra e nos resultados obtidos. Quanto mais diversificada for a população, maior é o erro.
Se a pesquisa ainda é a maneira mais objetiva de saber os impactos da campanha na cabeça do eleitor, como sugerem os cientistas políticos, há ainda o fato de que além dos erros amostrais, que podem ser calculados, também existem erros como dados desatualizados, entrevistadores mal treinados, questionários mal elaborados ou fatos inesperados na campanha eleitoral. Um erro no cálculo dos índices também pode levar a interpretações diferentes. Vale a pena refletir sobre isso.
Seu voto é sua arma
O levantamento é da organização não governamental (ONG) Transparência Brasil: de 3.021 projetos apresentados entre 2005 e 2008 pelos vereadores de São Paulo, 892 foram aprovados. Desse conjunto, apenas 206 se referiam a assuntos com impacto concreto sobre a vida e a administração da cidade. As demais proposições aprovadas dedicavam-se a homenagens, fixação de datas comemorativas e outros assuntos irrelevantes.
Os resultados dessa produção legislativa colocam em questão a relação custo-benefício da Câmara paulistana. A ONG lembra que a Constituição de 1988 prevê importantes funções a serem exercidas pelos vereadores. Além de fiscalizar o Executivo municipal, o vereador deve legislar sobre tributos locais (IPTU, ISS, taxas), orçamentos anuais e plurianuais e concessões de serviços públicos, entre outras responsabilidades.
Para desempenhar suas funções, os vereadores contam com excelentes condições de trabalho: eles têm um corpo funcional composto por servidores concursados e assessores de vereadores, há verba de gabinete para custear despesas do exercício do mandato etc.
Você sabe quantos serão e quanto custa em dinheiro público cada vereador em Marabá? Você já viu o que fazem dentro e fora do Legislativo, o que produzem de concreto para o desenvolvimento social?
Pense nisso quando você for às urnas dia 5 de outubro para eleger ou reeleger o seu candidato.
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