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terça-feira, 31 de maio de 2011

Temporada de caça: só falta o bicho papão

Leão Azul, de Belém, outra vez fora de série: da série A, da série B,
da série C e da série D. 

Teimosia + burrice + má-fé = maior fracasso

Reportagem do Correio do Tocantins desta terça-feira mostra o que todo mundo já sabia: terceirização da merenda é caso de polícia. Veja: 
31/05/2011
 Refeição escolar dá errado e volta ao controle do município
 
Vendido pelo governo municipal como
um projeto revolucionário, para mudar a
vida dos alunos da rede pública e até
melhorar a qualidade nutricional diária
 deles, a “refeição escolar” chega ao fim
em Marabá de forma melancólica.
Nesta quarta-feira (1º) o município reassume
a merenda escolar para 48.500 dos 60 mil
alunos da rede, nos moldes do que era
praticado antes da terceirização. Alvo de críticas desde a sua implantação, em agosto
de 2009, o modelo de refeição escolar afunda antes do final do governo Maurino Magalhães.
A dois meses de completar dois anos, a “refeição escolar”, como foi batizado o sistema de
 alimentação nas escolas da rede, começa a ser abortada, para voltar à clássica
 merenda, como era trabalhada anteriormente, inclusive com premiação nacional recebida
ainda no governo anterior.
A mudança para refeição foi uma promessa de campanha de Maurino Magalhães
em 2008 e ganhou ainda mais força poucos meses antes dele assumir como prefeito
, com a garantia de que seria o principal projeto social do seu governo, devido
à alimentação nas escolas significar, para muitas crianças, a principal refeição do dia.
No mundo ideal da propaganda oficial, o prefeito prometia que os custos não seriam
 altos para o município, mesmo com a terceirização que vinha a reboque do projeto.
Isso porque a empresa contratada iria adquirir os alimentos de pequenos
produtores da região, dando um impulso a estes últimos, o que nunca foi efetivo
devido ao desinteresse das cooperativas de pequenos agricultores.
No dia 4 de agosto de 2009, respaldado pela Câmara Municipal, onde tem
maioria entre os vereadores, Maurino assinava contrato com a EB Alimentação
 Escolar Ltda., representada pela sua vice-presidente, Cristiane Venturri.
A Semed divulgou que seriam servidas 60 mil refeições diárias ao custo mensal
 de R$ 2 milhões por mês ao município.
Em 17 de agosto, com grande estardalhaço e cercado por assessores
e políticos, o prefeito lançava na escola Irmã Theodora, no Bairro da Liberdade,
a refeição escolar, servindo ele mesmo o primeiro prato a um aluno. Na cozinha,
funcionários da EB, entre eles nutricionistas.
Nas semanas que se seguiram vieram queixas de pais de alunos e de diretores
de escolas, minimizadas pela prefeitura que afirmava ser impacto da mudança
 do perfil ou perseguição de servidores contrários às mudanças implementadas
pelo novo governo.
As vereadoras Vanda Américo (PV) e Toinha Carvalho (PT) chegaram a
denunciar que estava sendo servida até farofa com ovo e banana em algumas
 unidades. Uma espécie de carne processada, o suco de caixinha ao invés
de polpa de frutas, e o enlatado de salsicha lideravam as reclamações.
A ajuda de custo que os municípios recebem – no caso de Marabá, R$ 350 mil
 – para a alimentação escolar, por parte do FNDE (Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação) também ficou prejudicada com a terceirização.
Na voltaApós muito bate-boca, inclusive na Câmara de Marabá, o município decidiu
 recuar da refeição escolar. Em ofício circular enviado no dia 24 de
maio a diretores de escolas, a coordenadora do Departamento de Alimentação
 Escolar, Regina Souza, informava a eles que a distribuição de gêneros alimentícios
 havia sido retomada em 23 de maio na zona rural e, a partir de 1º de junho, na área urbana.
O documento, ao qual o CORREIO DO TOCANTINS teve acesso, observava outras
 recomendações de praxe como o pedido para que os diretores fiscalizem o
trabalho das merendeiras, observem a aceitação do cardápio e a qualidade dos gêneros
alimentícios.
O CT levantou, ainda, que 23 escolas da educação infantil e mais 18 com turmas
de 1º ao 5º ano, num universo de pelo menos 11.500 alunos, continuaram atendidas
pela EB Alimentos. Nas que serão retomadas pela prefeitura, fogões, freezers,
panelas e pratos, entre outros utensílios, pertenciam ao patrimônio e estavam apenas
 cedidos à empresa, no que serão reincorporados.
Na semana passada, em sessão realizada na tarde de terça-feira, sem a
presença de vereadores da oposição, o governo conseguiu aprovar a contratação
de 100 merendeiras até que saia o resultado final e convocação de aprovados em concurso.
Reportagem do Jornal esteve ontem à tarde no Deptº de Alimentação Escolar, para
levantar se o alimento já estava todo distribuído às escolas da rede, mas a
coordenadora Regina Souza não quis gravar entrevista. Informalmente, respondeu
que o estoque começou a ser entregue ontem mesmo e teria continuidade
 hoje, finalizando a tempo para a retomada da merenda pela Semed.
 Ela também não permitiu fotos no interior do depósito.
Há duas semanas o CT esteve naquele mesmo departamento apurando
 informações para reportagem sobre uma tonelada de alimentos que tiveram
 de ser incinerados por perda do prazo de validade. (Da Redação)

RespostaPrefeitura defende que não há quebra de contrato
Para entender melhor como o governo municipal pretende reassumir a merenda
 escolar no momento em que continua com contrato em vigor com a empresa
 EB Alimentos, a reportagem acionou a Prefeitura de Marabá por meio da
Secom e recebeu resposta de que não está havendo quebra de contrato de
nenhuma das partes, mas apenas um período de experiência na retomada de alimentação.
“A empresa EB Alimentos, que tem a licitação para fazer a refeição escolar,
vai ficar responsável pela refeição dos alunos somente da educação infantil”,
 diz trecho da resposta, atribuindo, em seguida, ao prefeito Maurino Magalhães
de Lima, a informação de que a medida se da “em virtude da reclamação em algumas
 escolas em relação ao sabor da refeição”.
Continua o e-mail ao CT: “Como havia a cobrança incisiva por parte de alguns
 vereadores contra a qualidade da refeição e da empresa EB Alimentos, inclusive
com alguns pedindo o cancelamento da refeição e a volta a antiga merenda,
o prefeito diz que decidiu conversar com a empresa e fazer esse acordo. Ao final,
será feito um comparativo entre a refeição feita pela EB e pela prefeitura,
para definir que medida será tomada”.
A Secom garante, ainda, que o prefeito tem a refeição como projeto carro chefe
 do seu governo. “Por isso, vai fazer de tudo para que dê certo, independente
de quem esteja fazendo a refeição”. Também destaca que a EB Alimentos
vai atender a 30% dos alunos da rede municipal. O valor de cada prato sai por R$ 1,70.
Trecho final da reposta da prefeitura diz o seguinte: “O prefeito faz questão de ressaltar
 que a EB vinha fazendo um bom trabalho, mas, como se trata de um projeto pioneiro
no município e de refeição, é difícil agradar a todos. ‘Tem muita escola que não quer
 a saída da empresa, mas vamos assumir por um período e depois fazer esse comparativo’”.
O CORREIO DO TOCANTINS também enviou e-mail com questionamentos à
,coordenação local da EB Alimentos, a qual ficou de repassar à assessoria da empresa
 em outro estado e nos responder, o que não aconteceu até o fechamento da edição.
Entre outras coisas o CT quis saber se existe mesmo a dívida milionária da prefeitura
 para com a EB, como denunciado recentemente pela vereadora Vanda Américo.

O PT esqueceu os trabalhadores

Mino Carta
A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.
Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.
As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.
E com poderes largos, como grande conselheiro, negociador junto à turma graúda, interlocutor privilegiado do mercado financeiro e do empresariado, a contar com a simpatia de amplos setores da mídia nativa. Um ex-trotskista virou figura querida do establishment, vale dizer com todas as letras. Ele trafega com a devida solenidade pelas páginas impressas e nos vídeos, mas é convenientemente escondido quando é preciso, como se envergasse um uniforme mimético a disfarçá-lo na selva da política.
Murmuram os botões, em tom sinistro e ao mesmo tempo conformado: pois é, a política… Está claro que se Lula volta à cena para orquestrar a defesa de Palocci com a colaboração de figuras imponentes como José Sarney, o propósito é interferir no jogo do poder ameaçado e garantir a estabilidade do governo de Dilma Rousseff, fragilizado nesta circunstância.
A explicação basta? Os botões negam. CartaCapital sempre se postou contra a busca do poder pelo poder por entender que a política também há de ser pautada pela moral e pela ética, igual a toda atividade humana. Fatti non foste a viver come bruti, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: vocês não foram criados para praticar, embrutecidos, a lei do mais forte. Nós de CartaCapital poderemos ser tachados de ingênuos, ou iludidos nesta nossa crença, mas a consideramos inerente à prática do jornalismo.
 No tempo de FHC, cumprimos a tarefa ao denunciar as mazelas daqueles que Palocci diz imitar, na aparente certeza de que, por causa disso, merece a indulgência plenária. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende, e outros fortemente enriquecidos ao deixarem o governo graças ao uso desabrido da inside information, foram alvo de CartaCapital, e condenados sem apelação. Somos de coerência solar ao mirar agora em Antonio Palocci.
Em outra época, os vilões foram tucanos. Chegou a hora do PT, um partido que, alcançado o poder, se portou como os demais, clubes armados para o deleite dos representantes da minoria privilegiada. Devo dizer que conheço muito bem a história do Partido dos Trabalhadores. A primeira reportagem de capa publicada por uma semanal sobre a liderança nascente de Luiz Inácio da Silva, dito o Lula, remonta a começos de fevereiro de 1978. IstoÉ foi a revista, eu a dirigia. Escrevi a reportagem e em parceria com Bernardo Lerer entrevistei o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, na vanguarda de um sindicalismo oposto ao dos pelegos.
Dizia a chamada de capa, estampada sobre o rosto volitivo do jovem líder: Lula e os Trabalhadores do Brasil. então sabia do seu projeto, criar um partido para defender pobres e miseráveis do País. Acompanhei a trajetória petista passo a passo e ao fundar o Jornal da República, que nasceu e morreu comigo depois de menos de cinco meses de vida, fracasso esculpido por Michelangelo em dia de desbordante inspiração, passei a publicar diariamente uma página dedicada ao trabalho, onde escreviam os novos representantes do sindicalismo brasileiro. Ao longo do caminho, o partido soube retocar seu ideário conforme tempos diferentes, mas permaneceu fiel aos propósitos iniciais e como agremiação distinta das demais surgidas da reforma partidária de 1979, marcado por um senso de honestidade e responsabilidade insólito no nosso cenário.
Antonio Palocci é apenas um exemplo de uma pretensa e lamentável modernidade, transformação que nega o passado digno para mergulhar em um presente que iguala o PT a todos os demais. Parece não haver no Brasil outro exemplo aplicável de partido do poder, é a conclusão inescapável. Perguntam os botões desolados: onde sobraram os trabalhadores? Uma agremiação surgida para fazer do trabalho a sua razão de ser, passa a cuidar dos interesses do lado oposto. Não se trataria, aliás, de fomentar o conflito, pelo contrário, de achar o ponto de encontro, como o próprio Lula conseguiu como atilado negociador na presidência do sindicato.
muito tempo, confesso, tenho dúvidas a respeito da realidade de uma esquerda brasileira, ao longo da chamada redemocratização e esgotadas outras épocas em que certos confrontos em andamento no mundo ecoavam por aqui. Tendo a crer, no momento, que a esquerda nativa é uma criação de fantasia, como a marca da Coca-Cola, que, aliás, o mítico Che Guevara bebia ironicamente às talagadas na Conferência da OEA, em 1961, em Punta del Este. Quanto à ideologia, contento-me com a tese de Norberto Bobbio: esquerdista hoje em dia é quem, aspirante à igualdade certo da insuficiência da simples liberdade exposta ao assalto do poderoso, luta a favor dos desvalidos. Incrível: até por razões práticas, a bem de um capitalismo necessitado de consumidores.
Nem a tanto se inclina a atual esquerda verde-amarela, na qual milita, digamos, o ultracomunista Aldo Rebelo, disposto a anistiar os vândalos da desmatação. E como não anistiar o ex-camarada Palocci? Lula fez um bom governo, talvez o melhor da história da República, graças a uma política exterior pela primeira vez independente e ao empenho a favor dos pobres e dos miseráveis, fartamente demonstrado. CartaCapital não regateou louvores a estes desempenhos, embora notasse as divergências que dividem o PT em nome de hipócritas interpretações de uma ideologia primária.
Na opinião de CartaCapital, e dos meus botões, não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci, e sim de ajudar a presidenta Dilma a repor as coisas em ordem, pelos mesmos caminhos que em 2002 o levaram à Presidência com todos os méritos.
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Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br (27.05.2011)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A frase do dia




"O que não te destrói, te fortalece!"

"Polícia do PA não tem condições de apurar mortes"

O procurador da República Tiago Rabelo, que atua em Marabá, avalia que os altos índices de violência no campo em especial na região sul do Pará se justificam pela falta de policiais e servidores responsáveis por investigar os crimes. "A Polícia Civil, hoje em dia, não tem pernas para apurar", comenta. "Nessa região, notadamente, os governantes compadecem com uma polícia pessimamente estruturada".
Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 1.581 pessoas foram assassinadas no campo nos últimos 25 anos. E a maior parte dos crimes ocorre no Pará. Só em 2010, foram 18 casos no Estado dos 34 registrados em todo o País.
Na última semana, no Pará, foi assassinado o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. No sábado (28) assentado Herivelto Pereira dos Santos também foi morto na mesma região. A CPT afirma que o Ministério Público tinha sido informado de que José Cláudio e Maria eram ameaçados, o que Rabelo nega. Ele rebate a dificuldade de ação dos procuradores também com a falta de pessoal.
- A CPT tem razão em evidenciar a propalada impunidade, que de fato existe, mas o Ministério Público Federal não pode invadir a atribuição de outros órgãos, é bom que fique claro - justifica.
Em seguida, aponta que até mesmo os órgãos federais não dão conta das demandas. Rabelo, que é membro da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo e atua em Marabá há mais de dois anos, avalia que muitos servidores se negam a trabalhar na região.
- No Sul e Sudeste do Pará são 38 municípios para apenas dois procuradores da República e nove delegados da Polícia Federal... Ouve-se muito que a Amazônia Legal é prioridade, mas se fosse prioridade mesmo não seria assim. A realidade aqui é de extrema carência de pessoal e de equipamento.
Leia a entrevista.

Terra Magazine - O Pará é o Estado que mais registra assassinatos no campo. Em 2010, segundo a CPT, foram 15. O que explica esse número chocante?
Tiago Rabelo - Nesse ponto, a CPT tem razão em evidenciar a propalada impunidade, que de fato existe, mas o MPF não pode invadir a atribuição de outros órgãos, é bom que fique claro. Mas a impunidade existe. A responsabilidade é muito mais política. A Polícia Civil, hoje em dia, não tem pernas para apurar, eficazmente, esse tipo de crime em que a elucidação da autoria é muito complexa. É preciso dotar as polícias civis do aparato adequado. Na situação que está atualmente é mesmo muito difícil desenvolver uma investigação profícua e célere. É uma questão estrutural e política acima de tudo.

Questão política? O senhor avalia que autoridades locais interfiram pra atrapalhar a investigação?
Falar é fácil, provar é difícil. No âmbito federal, eu não tenho notícias desse tipo de interferência indevida. O que ocorre é uma interferência indireta, porque não se instrumentaliza e não se equipa as polícias da maneira correta. E isso decorre de uma omissão histórica da política. Dos governantes. Nessa região, notadamente, os governantes compadecem com uma polícia pessimamente estruturada.

Quando o senhor fala em equipar a polícia, se refere a que? O que falta?
Principalmente gente. É preciso rever os critérios de lotação de servidores nas polícias e em todos os órgãos públicos aqui na região. Muitas nomeações são subjetivas. Geralmente não se leva em conta a extensão territorial e a dificuldade de acesso aos assentamentos. Só aqui na região de Marabá a gente conta com 503 cujo acesso é extremamente difícil. Em períodos de inverno, praticamente impossível. As pessoas chegam aqui e almejam remoções, saem em alguns meses e muitas vezes não são substituídas. Ouve-se muito que a Amazônia Legal é prioridade, mas se fosse prioridade mesmo não seria assim. A realidade aqui é de extrema carência de pessoal e de equipamento.

Carência nas polícias e no Ministério Público também, é de se imaginar.
Não posso dizer que seja diferente. Aqui somos apenas dois que respondemos por todo o Sul e Sudeste do Pará. São 38 municípios para apenas dois procuradores da República e nove delegados da Polícia Federal. É pouco, até mesmo pela demanda muito grande. Reforma agrária, conflitos agrários, meio ambiente, trabalho escravo, direito à memória e à verdade... infinitas demandas.( Dayanne Sousa, Terra Magazine)

Preso acusado da morte de líder camponês

Ozéas Vicente Machado, de 38 anos, acusado de ter efetuado os cinco disparos que ceifaram a vida de Adelino Ramos, o Dinho, líder do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), foi preso na manhã desta segunda-feira (30), no distrito de Extrema, em Rondônia. Uma grande operação policial simultânea, nas fronteiras dos Estados de Rondônia, Acre e Amazonas resultou na prisão do acusado. 
Ozéas Vicente foi conduzido para Porto Velho.   

Não é louco. É mentiroso mesmo!

Dois anos e meio mentindo, enganando. Haja saco! 
MAIS UMA (LOUCURA) DO MAURINO

Com sua mania de fazer promessas absurdas, mesmo sabendo que não vai cumprir, o prefeito Maurino Magalhães está prometendo deixar alguns bairros de Marabá 100% asfaltados. É o caso do abandonado Amapá.
Com relação a esse bairro, embora ele seja relativamente pequeno, tá muito na cara que a prefeitura não terá condições de deixá-lo totalmente pavimentado. Não nesta administração. A não ser que o serviço seja da pior qualidade, sem drenagem, e na modalidade asfalto-sonrisal, aquele que derrete com a primeira chuva.
Vamos aguardar os 19  meses de gestão que ainda restam a este governo para tirar a prova dos nove.
É bom lembrar que existem outras promessas do Maurino que sequer saíram do papel, como a criação do Hospital do Câncer, por exemplo.
Só pra acrescentar: talvez o prefeito não saiba, mas o bairro do Amapá ocupa os dois lados da Rodovia Transamazônica. Ou seja, a área conhecida como Agrópolis, onde fica a sede da Superintendência Regional do Incra, também é Amapá. Ele vai ter que dar conta de tudo asfaltado, sob pena de ser tratado como fabricador de balelas.(Fonte: Blog do Laércio Ribeiro)

domingo, 29 de maio de 2011

Açougueiros florestais

Dos 17 deputados federais do Pará que votaram no novo Código Florestal brasileiro, apenas duas honrosas exceções recusaram-se a convalidar a destruição do que resta da floresta nacional, principalmente a amazônica:

1. Arnaldo Jordy (PPS)

2. Cláudio Puty (PT).

Os 15 restantes, verdadeiros açougueiros da natureza, são:

1. Giovanni Queiroz PDT

2. Lira Maia DEM

3. Elcione Barbalho PMDB

4. José Priante PMDB

5. Luiz Otávio PMDB

6. Wladimir Costa PMDB

7. Lúcio Vale PR

8. Zequinha Marinho PSC

9. André Dias PSDB

10. Dudimar Paxiúba PSDB

11. Wandenkolk Gonçalves PSDB

12. Beto Faro PT

13. Miriquinho Batista PT

14. Zé Geraldo PT

15. Josué Bengtson PTB

(Com dados do blog Lamparina Urbana)



PT pra Valer perde hegemonia em Marabá

Um dos fatos mais relevantes do encontro municipal do Partido dos Trabalhadores, realizado no último domingo (22/05) em Marabá, foi o evidente enfraquecimento da tendência Pt pra Valer, da deputada estadual Bernadete ten Caten e do federal Zé Geraldo, depois da migração da vereadora Antonia Carvalho e seus correligionários para o grupo Articulação Socialista do federal Beto Faro e do estadual Milton Zimmer.
Na eleição de delegados aos encontros estadual e nacional, onde fica demonstrada a força que cada tendência detém no interior da comunidade petista, o grupo de Toinha garantiu seis dos quinze escolhidos, enquanto o PT pra Valer só emplacou quatro. As demais tiveram resultados modestos: Democracia Socialista e Unidade na Luta, dois cada uma, e Articulação Carajás somente um.
Foi uma derrota interna para o outrora todo-poderoso PT pra Valer.
Outra derrota do trio Bernadete, Luiz Carlos e Bresson, assinalam militantes, foi o debate sobre as eleições 2012, onde 80% dos filiados presentes indicaram Toinha como pré-candidata do PT às eleições majoritárias em Marabá. Toinha conta com o apoio interno das tendências AS, ARCA e DS.
“Pra não sair por baixo, dizem militantes, Luiz Carlos, nos acréscimos do segundo tempo, indicou como pré-candidatos para a disputa os filiados Josiel, carteiro do correio (alguém conhece?), que nas eleições de 2004 foi candidato a vereador e obteve pouco mais de 200 votos; Dorimar, também candidato a vereador em 2008 quando garantiu em torno de 300 votos, e Bressan, que na última disputa a uma vaga na Câmara de Vereadores ficou em oitavo lugar da coligação. O esposo da deputada perdeu o senso do ridículo”.

Identificado terceiro morto de Nova Ipixuna

Já foi identificado o corpo da terceira pessoa assassinada no interior do Projeto de Assentamento Praia Alta/Piranheira, Município de Nova Ipixuna, a pouco mais de 30 km de Marabá, área de influência da rodovia PA-150. Segundo nota distribuída hoje pela Comissão Pastoral da Terra – CPT da diocese de Marabá – trata-se do camponês Herenilton Pereira dos Santos, desaparecido desde quinta-feira.
O corpo foi encontrado por um grupo de assentados a 50 metros de uma das estradas vicinais, distante 7 km do local onde José Cláudio e Maria foram assassinados.
“Na terça-feira, dia do assassinato de José Cláudio e Maria, diz a CPT, Herenilton e um cunhado seu encontravam-se trabalhando em sua roça às margens de uma estrada vicinal a uns 5 km do local onde o casal de extrativistas foi assassinado por volta das 8 horas da manhã. Já por volta de 8:40h os dois presenciaram a passagem, a poucos metros deles, de dois homens em uma moto, modelo Bros de cor vermelha, vestidos de jaqueta e portando capacetes. Um deles, carregava uma bolsa comprida no colo. As descrições da moto, e dos dois motoqueiros, coincidem com informações prestadas à polícia por testemunhas que presenciaram a entrada, no assentamento, de dois pistoleiros horas antes do crime naquela manha de terça-feira.”
Ainda segundo a CPT, o parceiro de Herenilton, que se achava a cem metros daquele, viu quando os supostos pistoleiros pararam a moto e um deles abordou um trabalhador que se encontrava no local e pediu informações de como chegar ao porto do Barroso. O porto é uma das saídas do assentamento em direção ao município de Itupiranga, trafegando pelo lago da hidrelétrica de Tucuruí. Informados os dois seguiram viagem.
Na quinta feira, Herenilton saiu de casa para ir ao mesmo porto comprar peixe como sempre fazia e não mais voltou. O corpo dele foi encontrado ontem dentro do mato, antes de chegar ao porto. A polícia, acompanhada de peritos do IML, esteve no local e fez a remoção do corpo para Marabá. O agricultor tinha 25 anos, era pai de 4 filhos e vivia no assentamento desde criança. Era muito conhecido e, de acordo familiares e vizinhos, não tinha envolvimento com atos ilícitos ou desentendimentos com qualquer pessoa.
“Até o momento, não podemos afirmar que o caso tenha relação com a morte de José Cláudio e Maria, mas também não podemos descartar essa hipótese, afirma a CPT. A polícia precisa esclarecer as causas do crime. O assassinato é prova de que a polícia, depois de 5 dias das mortes dos extrativistas, sequer tinha investigado as principais rotas de fugas do assentamento que os pistoleiros possam ter usado para fugirem após cometerem os crimes. Como explicar que um assassinato, com características de pistolagem, ocorra dois dias depois e nas proximidades do local onde os extrativistas foram mortos com todo o aparato das polícias civil e federal, “vasculhando a região” conforme anunciam?”