Às vésperas da guerra eleitoral, o
prefeito João Salame (PROS) apresenta seu exército de prés: seu irmão Beto
Salame, para a Câmara dos Deputados; Mizael, Leodato Marques e Ubirajara Sompré
para a Alepa. Segundo o jornal da família, Beto vem estribado em volumosa
quantidade de projetos que elaborou em ano e meio à frente da secretaria
municipal de Planejamento. “Gastar com honestidade o dinheiro público é
obrigação de todo governante”, diz em sua profissão de fé.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Verbas federais
Sob a rubrica “Fomento a projetos destinados à redução de
acidentes de trânsito”, no total de R$ 2 milhões, o ministério das Cidades
repassou dia 5 de junho à prefeitura de Marabá mais uma parcela de R$
268.200,00.
Noutro convênio (nº 707451), no valor total de R$
1.316.250,00, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento liberou
outros R$ 38.697,75, para a construção de mercado municipal em Morada Nova.
Fim da corretagem
A Justiça Federal proibiu as empresas associadas à
Associação Nacional de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) de cobrarem dos consumidores no Pará os encargos financeiros referentes aos
serviços de corretagem (taxa de corretagem e comissão ao corretor) em imóveis
do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). O Ministério Público Federal (MPF)
havia pedido que a proibição fosse aplicada em todo o país, mas a Justiça
considerou melhor restringir a decisão liminar (urgente) ao Estado do Pará.
São associadas à Abrainc as empresas Brookfield
Incorporações S.A., Cury Construtora e Incorporadora S.A., Cyrela Brazil Realty
S/A- Empreendimentos e Participações, Direcional Engenharia S.A., EMCCAMP
Residencial S.A, Even Construtora e Incorporadora S.A., EZTEC Empreendimentos e
Participações, Gafisa S.A., HM Engenharia e Construções S.A., JHSF
Incorporações Ltda, João Fortes Engenharia, Moura Dubeux Engenharia, MRV
Engenharia e Participações, Odebrecht Realizações Imobiliárias S.A, PDG Realty
S.A. Empreendimentos e Participações, Rodobens Negócios Imobiliários S.A.,
Rossi Residencial S.A., Tecnisa S.A., Trisul S.A., WTorre S.A. e Viver
Construtora e Incorporadora S.A.
"Sendo um programa de incentivo a aquisição de novas
unidades habitacionais, visando reduzir o déficit habitacional no país, tenho
que, mesmo diante da inexistência de expressa vedação [proibição] legal, a
atribuição da responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem pelos
adquirentes dos imóveis revela-se totalmente incompatível com seus fins",
registra texto da decisão da juíza federal Hind Kayath, da 2ª Vara Federal em
Belém.
A ação contra a cobrança das taxas foi ajuizada pelo MPF em
14 de maio. Para o procurador da República Bruno Araújo Soares Valente, a
cobrança dessas taxas viola os direitos do consumidor. Segundo ele, o pagamento
dos serviços de corretagem é uma responsabilidade das incorporadoras, que devem
incluir esse custo no valor do imóvel. Ao não fazer isso, as empresas fraudam
as regras do PMCMV, que exige informações reais sobre valores para poder
avaliar a possibilidade de incluir o empreendimento no programa, e
desrespeitaram os direitos do consumidor à informação clara, além de praticarem
propaganda enganosa.
Vai encarar?
Durante entrevista de emprego em grande empresa de Marabá, a
recrutadora fez a seguinte advertência:
"Olha, minha gente, mais uma coisa: a proprietária
aqui, mulher do dono, é muito estressada e sempre tem uns ataques de fúria.
Nessas ocasiões, ela grita com os funcionários. Então, quem aqui não gostar de
ouvir gritos, pode desistir agora, porque eu não quero que ter trabalho de,
daqui a um, dois meses, ter de calcular pedidos de demissão".
Teve candidata que saiu de fininho...
O crime organizado dos políticos
“Um dia antes da intervenção do Banco Central no Banco
Santos, em 2004, Sarney resgatou da sua conta bancária mais de R$ 2 milhões. O
MPF (SP) suspeitou que o parlamentar teria informação privilegiada. O inquérito
só foi remetido ao STF no dia 19/5/14, dez anos depois. O Procurador-Geral da
República pediu a prescrição porque Sarney já tem mais de 70 anos (a prescrição
de 12 anos caiu pela metade). Ou seja: crime já está prescrito. Dias Toffoli
(no STF) arquivou o caso. Sarney está livre do crime, “se é que aconteceu,
disse o PGR”).
O inquérito tramitava na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal
em SP. Em maio de 2014, dez anos depois dos fatos, foi remetido o inquérito
para o STF, porque José Sarney é parlamentar, que deve ser julgado pela Corte
Suprema. Na plano penal, o arquivamento se tornou inevitável. No plano
criminológico, esse caso possui uma riqueza de detalhes impressionante, a
confirmar a tese de que o Estado brasileiro se tornou (também) um grande crime
organizado.”
O texto entre aspas é parte de extenso trabalho publicado
pelo advogado Luiz Flávio Gomes (dono da LFG, instituição de ensino de
Direito), é expõe cruamente a organização “mafiosa” dos bastidores da alta
política brasileira. Vale a pena ler.
Shitstorm: Tsunami é pouco!
Parsifal 5.5
Mario Couto, Simão Jatene, Henry Mencken, Tom Jobim e Roger Lima
O repto do senador Mario Couto chafurdou tanto o ninho que os tucanos acusaram o golpe em uma nota oficial garantindo que os “membros da Executiva Estadual, prefeitos, parlamentares federais e estaduais, e demais lideranças do PSDB do Pará”, reafirmam o “irrestrito apoio à reeleição do governador Simão Jatene”.
> Couto reage
O senador Mário Couto desembainhou a peixeira é declarou que a nota é "falsa e mentirosa", duvidando que todos os citados tenham aceitado os termos dela: "Isso é característico dele (Jatene) que está vendo a angústia do fracasso virar pesadelo".
Couto arremata a desqualificação da nota com a reafirmação do seu intento: "Quando vejo uma nota dessa fico ainda mais motivado. Vou mostrar ao Pará quem é Simão Jatene".
> Trair e coçar é só começar
É óbvio que os que assinaram a nota não lhe poderiam negar chancela sem perder tentos no governo, portanto, não é sensato apostar que Jatene não será sujeito de traição, afinal, como disse Henry Mencken, “nenhum homem merece confiança ilimitada, pois na melhor das hipóteses a sua traição só espera uma tentação suficiente.”.
Não creio, inobstante, que a taxa de traição seja suficiente para romper as adufas do Palácio dos Despachos, pois o esturro do mais fraco dos governos ainda ecoa a duas léguas do seu epicentro.
> Lavar a alma
O senador Mario Couto sabe que as suas chances de vitória na peleja com Jatene são parcas, portanto, o seu foco é lavar a alma e rasgar as vestes do rei para se enxugar com elas, deixando, de saldo, o rei nu. E reis nus não são algo que se possa admirar, pois como disse Tom Jobim, “não queria conhecer os seus ídolos de perto, pois você irá se decepcionar com eles.”.
> Venda de ingressos
O fato é que o senador Couto conseguiu ser o rentista da convenção do PSBD no dia 30.06: já surgiu a ideia de vender ingressos à plebe rude que deseja assistir ao espetáculo, pois, como disse Roger Lima, “a vida é uma festa e a realidade uma ressaca.”.
Esperemos… Pode acontecer tudo daqui até o falecimento de junho, inclusive nada.
Prefeito tenta agredir repórter
NOTA DE REPÚDIO
![]() |
| Jornalista Belmiro Silva |
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| Prefeito- Valter Peixoto |
Em determinado momento, quando fazia um pronunciamento o prefeito fugiu da pauta e começou a atacar a imprensa de forma generalizada, se referindo às reportagens sobre ações do Ministério Público e Poder Judiciário que apuram denúncias de supostas irregularidades em seu Governo. Como o repórter, Delmiro Silva era o único profissional de imprensa que estava no local, e passou a ser vítima direcionada do prefeito que começou a lhe ofender chamando o mesmo de repórter mentiroso. “Este aí é o mais mentiroso da região”, afirmou o prefeito se beneficiando covardemente da sua condição de prefeito.
Quando o prefeito terminou sua fala, o repórter conseguiu junto aos organizadores da reunião, o direito de se explicar, mas nas primeiras palavras foi interrompido pelo autoritarismo do prefeito que emocionalmente desequilibrado e aos gritos partiu para cima do repórter, mas foi contido por pessoas que participavam da reunião.
Para que a liberdade de imprensa fosse exercida livremente no Brasil foi necessária uma grande luta.
Por isso, é importante que ela seja exercida com muito discernimento, ou seja, para honrar a liberdade conqui/s/tada deve haver responsabilidade, e exatamente com muita responsabilidade que este profissional tem desempenhado sua função, portanto não merece esse tratamento.
A liberdade de expressão é direito de suprema importância para que a sociedade possa conhecer e se defender de possíveis arbitrariedades cometidas pelo poder público. É condição primordial para que o Estado seja caracterizado como sendo democrático.
O art. 5º, IX da Constituição Federal dispõe que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Assim, de acordo com a Carta Magna, a regra é a liberdade ampla para o exercício do direito à expressão, sendo que a restrição é exceção e deverá apoiar-se na Constituição para que seja legítima.
A Associação dos Profissionais de Comunicação do Sul do Pará (APCOM) reitera sua adversidade a qualquer tentativa de ofensa a profissionais de imprensa no exercício de sua profissão. E encaminha esta nota para os demais órgãos de representação da classe e veículos de comunicação. (APCOM)
Cai arrecadação de royalties de mineração em Parauapebas
COMPENSAÇÃO FINANCEIRA
Do primeiro dia deste ano até hoje, 6 de junho, o município de Parauapebas, maior arrecadador isolado de royalties de mineração do Brasil, recebeu na conta-corrente de sua prefeitura cerca de R$ 151.068.695,22 como cota-parte da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem). As minas de ferro de Serra Norte e a de manganês do Azul renderam menos em abril e maio em relação aos meses anteriores deste ano. A saber, a produção de um dado mês geralmente paga Cfem ou royalties de mineração no mês seguinte.
O melhor mês para o caixa da prefeitura, no quesito indústria extrativa mineral, foi fevereiro. Após o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) fazer a partilha aos entes de direito (União ficou com 12%; Governo do Pará, 23%; Prefeitura de Parauapebas, 65%) da grana repassada pela Vale, o município de Parauapebas (leia-se: prefeitura local) foi compensado com R$ 31.245.028,74 em março.
O volume de dinheiro repassado pela mineradora é expressivo, tendo em vista que pouquíssimos municípios no Brasil – apenas 49 de 5.570 – conseguem ter tamanho "fôlego econômico" como a "Capital do Minério".
No entanto, o vigor dos royalties recebidos no primeiro semestre deste ano (com data-base sempre entre 2 e 8 de cada mês) não é o mesmo do ano passado. Em 2013, no primeiro semestre, a Prefeitura de Parauapebas recebeu "salário" da Vale de R$ 323.805.735,70. No comparativo com 2014, é possível afirmar que a queda na arrecadação foi de aproximadamente 115%. Isso se deve ao fato de que, no ano passado, a mineradora repassou cerca de R$ 200 milhões, em duas parcelas, decorrentes de uma dívida que contraiu junto ao município de Parauapebas. Por isso, mesmo num ano de produção abaixo do que extraiu em minérios em 2011 e 2012, a Prefeitura de Parauapebas apresentou recolhimento recorde de Cfem, com a incrível quantia de R$ 450.805.592,51 entocada em 2013.
PERSPECTIVAS
Dificilmente o recolhimento da Cfem chegará a esse patamar novamente nas condições de produção atual. Com o preço do minério de ferro oscilando dia após dia, e mesmo com a ampliação da capacidade produtiva dos atuais 110 milhões de toneladas (Mt) para 150 Mt, a estimativa é de que a partir de 2015 o valor da cota-parte de royalties parauapebenses chegue ao patamar de R$ 400 milhões. Se o Marco Regulatório da Mineração sair do papel e trouxer, a reboque, o aumento na alíquota que incide sobre o minério de ferro, dobrando-a dos atuais 2% para 4%, a Prefeitura de Parauapebas verá dinheiro como nunca. Caso o Marco tivesse sido aprovado no primeiro dia do ano passado com as perspectivas supostas, a prefeitura da "Capital do Minério" teria recebido impressionantes R$ 900 milhões em Cfem, o que a tornaria a 25ª prefeitura mais endinheirada do Brasil.
Como tudo é passageiro, a previsão de esgotamento da principal vedete do município é para 2035, conforme relatório divulgado pela Vale para suas operações em todo o mundo no final de março deste ano, o chamado 20-F, um documento pouco conhecido no Brasil pelo seu tamanho (a versão 2013 divulgada este ano, por exemplo, tem 278 páginas, e brasileiro tem preguiça de ler coisa importante), mas muito famoso na Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos, dada a profundidade e a qualidade com que a Vale se detalha.
Uma das ações para acelerar a retirada do minério em Serra Norte veio com o aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que autoriza a Vale a realizar supressão vegetal para aumentar a lavra em N4W e N5. Com a licença ambiental, chamada de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Global, a mineradora está liberada para explorar 1,6 bilhão de toneladas dos 2,64 bilhões que já foram medidos, provados e são prováveis existir, com teor de hematita que varia de 66,4% a 67,2%. Ou seja, o EIA Global permitirá minerar novas áreas em N4W e N5.
Vale ressaltar que na Serra Norte, onde se localizam as montanhas de minério de ferro de Parauapebas, os platôs são nomeados de N1 a N9, porém existem minas de ferro em operação apenas nos platôs de N4 e N5. As demais áreas (N1, N2, N3, N6, N7, N8 e N9) são pouco impactadas e vêm sendo alvo de pesquisa nos últimos anos. A propósito, acerca dos Enes ainda "adormecidos", um estudo divulgado em 2002 pela Revista Brasileira de Geociências aponta existir 854 milhões de toneladas de minério de ferro flutuando nesses depósitos. Mas isso, numa gulodice orgânica do mercado por ferro, dura menos de seis anos, considerando-se a previsão de produção para 150 Mt.
TOMANDO NO COBRE
Arrecadação de Canaã caiu 37% e de Marabá subiu 139%
Diferentemente de Parauapebas, onde o minério de ferro impera, em Canaã dos Carajás e em Marabá, até o momento, quem manda é o cobre. A commodity que colocou a "Terra Prometida" no mapa do Brasil em 2004 e turbinou a economia da "Rainha do Tocantins" de 2012 para cá é extraída pela Vale, que não tem concorrente à altura no Brasil. Aliás, os dois projetos dela na região, o Sossego (em Canaã) e o Salobo (em Marabá) praticamente concorrem entre si.
Este ano, a Prefeitura de Canaã faturou até o momento R$ 11.266.370,24 em cota-parte de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), uma respeitável dinheirama para quem gerencia apenas 33 mil habitantes e sabe racionalizar recursos. Entretanto, é um recolhimento 37% menor em relação à compensação de 2013, no mesmo período, quando R$ 15.481.625,06 entraram no caixa daquela prefeitura.
Já a Prefeitura de Marabá viu o recolhimento da cota-parte da Cfem mais que dobrar entre 2013 e 2014. Este ano, já entraram na conta-corrente da prefeitura R$ 10.792.352,75 ante R$ 4.509.915,40 nos seis primeiros meses do ano passado. É um crescimento de quase 140% e que tende a aumentar, especialmente em 2015.
Mesmo assim, na disputa de royalties de cobre, a experiência leva vantagem. O projeto Sossego, vivo desde o início da década passada, continua o mais produtivo, ao passo que o Salobo, recém-nascido nesta década, ainda está sendo desenvolvido para aprender a produzir mais e melhor. É bom que se diga que – como adiantado pelo Blog Pesquisas Acadêmicas em postagens do ano passado e deste ano – Marabá deverá ultrapassar Canaã dos Carajás e se tornar, ano que vem, o maior produtor de cobre e maior arrecadador de Cfem oriunda desse metal do Pará e do Brasil.
PERSPECTIVAS
Com o crescimento assustador da indústria extrativa do metal em Marabá, as operações em Canaã vivem dias de sufoco porque todos os investimentos estão centrados na expansão de Salobo, o que inclui elevação de barragem de rejeitos e aumento da capacidade da mina. Atualmente, a capacidade de produção do projeto marabaense é de 100 mil toneladas por ano (tpa) de cobre, mas a Vale quer 200 mil tpa. Para tanto, o investimento esperado para o Salobo apenas este ano é de US$ 332 milhões, conforme o orçamento da Vale para 2014. Não há uma cibalena sequer para o Sossego. Só mesmo metas de produção.
Não obstante, o relatório 20-F, da Vale, é categórico em destacar que, em 2024, daqui dez anos, o último que sair do Sossego deverá apagar a luz: a jazida de cobre vai exaurir. Evidentemente, um dia acabará porque minérios são recursos finitos. A exaustão do Salobo, considerada a capacidade de produção atual (100 mil tpa), é projetada para 2065. Porém, quando a produção estiver turbinada na meta de 200 mil tpa, sua vida-útil deverá enfartar até, no máximo, 2040. Em todo caso, Marabá está assentado sobre a maior planície de cobre do Brasil. Hoje, de cada quilo de cobre medido e provado no Brasil, 532 gramas estão debaixo dos pés dos marabaenses.
No que tange a Canaã, há poucas preocupações com relação à economia – muito mais existe no que tange ao retorno social e como ficará o município com o boom demográfico por que passa atualmente. A "Terra Prometida", que é filha da "Capital do Minério" e neta da "Rainha do Tocantins", tem cartas na manga na indústria extrativa de cobre. Uma dessas cartas é o projeto Corpo 118, que não saiu do papel. A outra é o empolgante (para desempregados de plantão) projeto de ferro S11D, a maior engenharia mineral e financeira da história da Vale, como a mineradora mesmo alardeia aos quatro cantos.
Por causa do S11D, toda a logística da indústria extrativa regional teve de ser repensada e adaptada. Hoje, Canaã dos Carajás é um dos maiores empregadores do país, tanto em razão da montagem do S11D quanto por causa da construção do Ramal Ferroviário Sudeste do Pará (RFSP), um trecho em trilhos de 102 quilômetros que ligará o projeto canaense à Estrada de Ferro Carajás (EFC), esta a qual está sendo duplicada para receber tantas carradas (ou melhor, "trenzadas") de minério. Só este ano, está na programação da Vale o investimento de US$ 1,09 bilhão nas obras do S11D e de US$ 1,91 bilhão para aumento da capacidade logística do Sistema Norte para apoiar o projeto de ferro canaense.
Com o S11D em ação de um lado e o Sossego de outro, a arrecadação de Cfem de Canaã deverá estar pau a pau com a de Parauapebas. Será tanto dinheiro quanto possível pintar a prefeitura da cidadezinha com milhares de cédulas de oncinhas-pintadas e garoupas. A sugestão, todavia, é investir no social para que a "Terra Prometida" não cometa os mesmos erros de sua genitora e enfrente gargalos similares, sem matriz econômica alternativa. Minério acaba e gerações humanas se perpetuam.
Em Marabá, por outro lado, não há minério de ferro à vista e que seja economicamente viável explorar. Há, na verdade, rochas no leito do Rio Tocantins – que gentilmente lhe empresta as águas – as quais estão prestes a serem removidas (ou "remomortas"?), mas cuja providência insiste em não sair do papel. Com o pedral tirado do meio do caminho, não haverá royalties a receber. Existe, sim, uma possibilidade de desenvolvimento regional com Marabá polarizando as coisas. Aliás, em matéria de polarizar, Marabá é, de fato, rainha.
Historicamente, tem polarizado problemas crônicos (de saúde, de educação, de serviços comerciais e bancários) de sua vizinha e muito pouco ou quase nada recebe em troca. Em breve, deverá polarizar a dinâmica de Rondon do Pará, que está recebendo o maior projeto de extração de alumina do globo, o Alumina Rondon, da Votorantim Metais. A principal cidade da Mesorregião do Sudeste Paraense fica, assim, no fogo cruzado de projetos maiores disso, maiores daquilo no mundo, à espera de também se agigantar e fazer jus ao prestígio que tem lá fora. Mas ainda é muita polarização para pouco retorno social. E que o povo cobre.
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terça-feira, 10 de junho de 2014
MST faz mais uma denúncia grave contra superintendente regional do Incra
Superintende do Incra de Marabá armou emboscada contra
lideranças Sem Terra
Marcio Zonta
Aliança entre órgão e fazendeiros coloca em risco vida de
militantes pela reforma agrária no Pará
O Pará pode estar prestes a viver mais um genocídio de
camponeses nos próximos dias.
A afirmação de Eudério Coelho, superintendente do Incra de
Marabá dizendo que não enfrentará o latifúndio na região é apenas um indício,
entre muitos.
Ademais, segundo uma fonte, que prefere resguardar sua
identidade, que vive os bastidores do Incra, Eudério teria feito tal afirmação
por estarem na sala ao lado, da onde se reunia com líderes Sem Terra, os
fazendeiros Rafael Saldanha de Camargo e Zé Iran, acompanhado de pistoleiros.
“Em certo momento da reunião com Eudério, entraram dois
homens na sala, se dizendo repórter e fotógrafo, tiraram várias fotos e fizeram
várias anotações e depois nos seguiram comunicando via celular nossa saída a
alguém”, descreve Maria Raimunda do MST.
Um carro similar ao utilizado pelas lideranças Sem Terra
para ida até o Incra, foi incendiado nas proximidades do acampamento por um
grupo de homens armados horas depois.
O ato inescrupuloso de Eldério, conforme observa os
participantes da reunião foi “entregar de mão beijada, apresentar as lideranças
do MST para os fazendeiros”, diz Maria.
Comboio de
pistoleiros
Outro integrante do MST no Estado no Pará disse ter recebido
um telefonema de uma pessoa ligada ao prefeito de São Felix do Xingu, dizendo
que o mesmo teria enviado mais cinqüenta pistoleiros para região próxima as
fazendas ocupadas.
Por mais que o município fique a 500 Km de Marabá, o
prefeito João Cleber de Sousa Torres (PPS-PA) estaria preocupado, já que a
ocupação das mil e duzentas famílias Sem Terra estragaria seus negócios de
madeireiro.
Souza tem ligações econômicas com Rafael Saldanha, grileiro
da fazenda Santa Tereza e Zé Iran, também proprietário ilegal da fazenda
Cosipar.
Conforme revela um servidor do Incra, que teme represálias,
a área ainda que tenha sido extremamente devastada, resguarda vários hectares
de castanheiras mais adentro das fazendas, da onde Souza retiraria a matéria
prima.
Souza é dono da Ipanguaçu Madeiras LTDA, bem como do Jurity
Agropecuária, que compreende três grandes propriedades no Estado do Pará, as
fazendas Bom Jardim, Ouro Branco e Princesa do Vale.
O envio de pistoleiros para região teria se realizado na
forma de consórcio, como se chama habitualmente no Pará, onde Souza arrecadou
junto á vários latifundiários dinheiro para bancar a pistolagem contra as
famílias acampadas e eliminar lideranças Sem Terra no estado paraense nos
próximos dias.fazendeiros Rafael Saldanha de Camargo e Zé Iran, acompanhado de pistoleiros.
“Em certo momento da reunião com Eudério, entraram dois
homens na sala, se dizendo repórter e fotógrafo, tiraram várias fotos e fizeram
várias anotações e depois nos seguiram comunicando via celular nossa saída a
alguém”, descreve Maria Raimunda do MST.
Um carro similar ao utilizado pelas lideranças Sem Terra
para ida até o Incra, foi incendiado nas proximidades do acampamento por um
grupo de homens armados horas depois.
O ato inescrupuloso de Eldério, conforme observa os
participantes da reunião foi “entregar de mão beijada, apresentar as lideranças
do MST para os fazendeiros”, diz Maria.
Comboio de
pistoleiros
Outro integrante do MST no Estado no Pará disse ter recebido
um telefonema de uma pessoa ligada ao prefeito de São Felix do Xingu, dizendo
que o mesmo teria enviado mais cinqüenta pistoleiros para região próxima as
fazendas ocupadas.
Por mais que o município fique a 500 Km de Marabá, o
prefeito João Cleber de Sousa Torres (PPS-PA) estaria preocupado, já que a
ocupação das mil e duzentas famílias Sem Terra estragaria seus negócios de
madeireiro.
Souza tem ligações econômicas com Rafael Saldanha, grileiro
da fazenda Santa Tereza e Zé Iran, também proprietário ilegal da fazenda
Cosipar.
Conforme revela um servidor do Incra, que teme represálias,
a área ainda que tenha sido extremamente devastada, resguarda vários hectares
de castanheiras mais adentro das fazendas, da onde Souza retiraria a matéria
prima.
Souza é dono da Ipanguaçu Madeiras LTDA, bem como do Jurity
Agropecuária, que compreende três grandes propriedades no Estado do Pará, as
fazendas Bom Jardim, Ouro Branco e Princesa do Vale.
O envio de pistoleiros para região teria se realizado na
forma de consórcio, como se chama habitualmente no Pará, onde Souza arrecadou
junto á vários latifundiários dinheiro para bancar a pistolagem contra as
famílias acampadas e eliminar lideranças Sem Terra no estado paraense nos
próximos dias.
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