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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Tocantins: avança a degradação


O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Commam) de Imperat5riz (MA) realizou no último domingo, a segunda blitz no rio Tocantins, no perímetro compreendido entre a Praia do Cacau e povoado Imbiral, onde foi recebida pelo diretor, pelos professores e por alunos da Escola Municipal Enock Alves Bezerra.
A ação contou com o apoio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra), que cedeu duas equipes de garis para acompanharem os conselheiros e realizarem o trabalho de limpeza das margens maranhense do rio Tocantins. “Nunca vi tanto lixo e tanto desleixo das pessoas”, afirmou o gari Francisco Silva.
Durante a blitz, os participantes puderam constatar a degradação do rio, causado pela ação das pessoas, que continuam jogando lixo nos riachos, cujos dejetos são arrastados pelas águas da chuva para o leito do rio. Também se verificou muito lixo nos locais de pesca, onde as pessoas pescam e se acampam.
Esses locais foram adesivados com orientação de se cuidar do meio ambiente, bem como, os barcos que fazem a linha dos portos de Imperatriz para as Praias do Cacau, do Meio e Praia do Goiás, além de outros balneários localizados nas duas margens do rio Tocantins.

O tamanho da pizza?


Faltando menos de um mês para o início do julgamento do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados que defendem os 38 réus na Ação Penal nº 470 esperam dos 11 ministros da corte uma análise técnica do caso – e acreditam que, se ela ocorrer, praticamente não haverá condenações. Os argumentos que sustentam sua crença na absolvição vão desde a ausência de provas técnicas até a jurisprudência do Supremo, que, se seguida pelos ministros, favoreceria os réus. Ainda assim, o grupo – que inclui boa parte dos mais renomados criminalistas do país – não descarta um julgamento político e dá como perdidos os votos do relator Joaquim Barbosa e do presidente da corte, Carlos Ayres Britto. É o que diz análise de Cristine Prestes, do Valor, deste final de semana.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vale e FCCM iniciam restauração do Palacete Augusto Dias

No Barrancas do Itacaiúnas:


Prédio pode ser restaurado em breve; obras começam em 2013

Iniciaram nesta semana os trabalhos para elaboração dos projetos de reforma e restauração do Palacete Augusto Dias, prédio da antiga sede da Câmara Municipal de Marabá, que será transformado em Museu Histórico. O projeto de restauração será realizado pela equipe de consultores do Fórum Landi, uma organização ligada à Universidade Federal do Pará (UFPA) contratados pela Vale, por meio do projeto Aços Laminados do Pará, Alpa.

A equipe técnica da primeira visita foi composta pelos técnicos do Fórum Landi, pela  museóloga Célia Cursino, pelos  representantes da Fundação Casa da Cultura de Marabá ( FCCM) e do projeto Alpa. A FCCM será responsável pela  gerência do Museu Histórico.
Neste inicio de trabalho, os técnicos e pesquisadores estão conhecendo as instalações, fazendo o levantamento cadastral e topográfico do prédio, que também já sediou a Prefeitura de Marabá. Os dados levantado vão ajudar a compor o projeto executivo do Museu , que prevê resgatar traços e a estrutura original do prédio, transformando-o em espaço cultural da região sudeste.
A expectativa é que a  elaboração dos projetos de reforma e de restauração do Palacete estejam concluídos até o final deste ano, com previsão de inicio da obra para 2013, ano do centenário de Marabá.

Para o gerente de Meio Ambiente da Alpa, Leonardo Neves, fala da importância para a empresa participar da reforma do Palacete Augusto Dias. “Participar deste projeto é uma forma de contribuir com a preservação do resgate da memória cultural de Marabá”, enfatiza. A Alpa também patrocina o projeto de memória de Marabá por meio da publicação do livro sobre a cidade, previsto para ser lançado no mês de aniversário de Marabá, em abril de 2013.

Quando estiver reformado e transformado em Museu Histórico Francisco Coelho, “o espaço irá abrigar a Pinacoteca, os arquivos fotográfico e histórico da cidade e que hoje encontram-se á disposição da população para visitação na Fundação Casa da Cultura de Marabá”, explica a coordenadora da Pinacoteca Municipal Pedro Morbach, Cátia  Weirich.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Delta movimentou R$ 1 trilhão em 10 anos

No Parsifal.org.br

Relatórios do Banco Central: entradas de R$ 7 bilhões à Delta em 10 anos

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A leitura dos relatórios do Banco Central enviados à "CPMI do Cachoeira" sobre as movimentações financeiras da Delta Construções deixaram os integrantes da CPMI de cabelo em pé e a mão coçando.
Caso não haja um erro de leitura nas movimentações de saída da empresa, o que Cavendish assinou de cheque, como dizia o meu pai, é dinheiro que o diabo não conta e Deus sua a camisa para conferir.
> R$ 7 bilhões de entrada e R$1,4 trilhão (?) de saída
De acordo com os dados a Delta teria movimentado mais de R$ 1 trilhão nos últimos 10 anos: os registros de entrada seriam de R$ 7 bilhões e os de saída de R$ 1,4 trilhão.
O valor de R$ 7 bilhões de entradas, em 10 anos, fatora uma média de R$ 700 milhões por ano, o que é uma alta movimentação. Mas considerando que a Delta passou a ser a principal arrematadora das obras do governo federal, a grandeza não está fora do razoável.
Porem, saídas de R$ 1,4 trilhão no mesmo período soa inverossímil, pois, oficialmente não há como sair mais do que entrou nas contas da empresa, por isso os técnicos que leem os relatórios precisam pedir ajuda ao Banco Central para descobrir onde está o equívoco.

Novos apelos, novas mentiras. E haverá quem acredite...

No Correio do Tocantins


03/07/2012
 O que candidatos a prefeito vão dizer para ter seu voto?
 
Moradia, emprego, saúde, educação. De quatro em quatro anos, toda vez que se abre vaga para a Prefeitura de Marabá, os temas que encabeçam a lista de promessas dos candidatos são praticamente os mesmos. Mas apesar do feijão com arroz de costume, há sempre um “tempero” especial para dar sabor à disputa. Em 2012, no momento em que Marabá se prepara para receber grandes empreendimentos, o CORREIO DO TOCANTINS levanta que tipo de discurso dominará a campanha rumo à Prefeitura de Marabá.
O atual gestor municipal, Maurino Magalhães, é candidato a prefeito por seu partido, o PR. Sabendo que está atrás nas pesquisas divulgadas (e até mesmo aquelas ditas de consumo), ele deverá focar a propaganda de sua administração em duas grandes obras do governo federal no município: a duplicação da rodovia Transamazônica e a construção de 2.500 casas populares pela Caixa.
Na educação, o grande trunfo do prefeito atual será propagandear que reformulou o PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) do Magistério, que deu aos servidores mais de 30% de reajuste apenas em 2011. 
Maurino deverá taxar seu principal adversário, Tião Miranda, como o “anti-popular”, colocando-o na disputa como alguém pouco interessado em olhar para os pobres. 
Estando atualmente no segundo mandato como deputado estadual pelo PPS, João Salame chega à sua segundo campanha eleitoral para a Prefeitura em Marabá sendo o único candidato sem experiência de gestão pública, mas se apresentando como oposição às administrações de Sebastião Miranda e de Maurino.
Ele sabe que precisa subir nas pesquisas para passar do ex-prefeito Sebastião Miranda, que havia lhe indicado como candidato em 2008, mas não conseguiu vencer Maurino nas urnas. Como não tem obras para mostrar, o jornalista João Salame deverá meter o dedo na ferida administrativa de Maurino e Tião, além de mostrar suas propostas para desenvolver um governo mais organizado que Maurino e mais democrático que Tião.
Sobre este último, tanto Salame quanto Maurino certamente tentarão demonizá-lo, acusando-o de “traidor” em relação à campanha para emancipação de Carajás. Eles argumentarão que Tião preferiu omitir-se da luta por Carajás a pedido do governador Simão Jatene. Sabendo que será metralhado neste aspecto, Tião, através da equipe de marketing que prepara sua campanha, já está reúne argumentos e imagens que provem o contrário. Resta saber se essa imagem de “inimigo do povo” da região, como querem colar em Tião, será internalizada pelo povão, quem realmente faz a diferença nas urnas.

Em relação ao governador Simão Jatene, ele será um dos mais fortes cabos eleitorais de Tião nesta campanha pela volta à Prefeitura de Marabá. Salame, por sua vez, terá o apoio de outro grande político do Estado, o senador Jader Barbalho, do PMDB, que abdicou do nome de Ítalo Ipojucan em favor do candidato do PPS.

Com menos de meio minuto na TV, o candidato do PSOL, Manoel da Cosanpa, deverá apresentar propostas mais utópicas para diferenciar-se de seus concorrentes. Suas chances para chegar à Prefeitura são mínimas, mas o importante para o partido será a exposição na mídia, mesmo que pequena.

Quem quiser ganhar a eleição terá de ter na ponta da língua o discurso voltado aos projetos sociais, ao controle da máquina pública e a um plano de obras arrojado. O município está numa onda de crescimento econômico, mas a sustentação disso depende de infraestrutura para alavancar o desenvolvimento da indústria. (Ulisses Pompeu)

Elza deve ser a vice de Maurino


No Terra do Nunca:

Fonte segura de lá de dentro do PR acabou de me informar que o candidato a vice-prefeito de Maurino Magalhães na eleição deste ano é, na verdade, uma candidata: a ex-deputada Elza Miranda.
A decisão foi tomada às 3h desta madrugada, depois de muitos debates e especulações em torno de quase uma dezena de nomes.
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Putz! E ela aceitou!!!??? 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Matando por terras

Pouco antes de morrer, o cineasta Adrian Cowell liberou um documentário com cenas brutais da guerra travada na Amazônia brasileira. Filmada nos anos 80, a obra manteve-se inédita no Brasil por mais de duas décadas para proteger as testemunhas de assassinatos. Nesta semana, o filme será exibido pela primeira vez – e poderemos constatar que o passado continua dolorosamente presente

ELIANE BRUM|
Revista Época
Cena 1 – Os homens andam pela floresta. Eles têm pés de andar, machucados pelas raízes, pelo sol, pela chuva, pelo caminho. E velhas espingardas nas mãos. No rosto, a expressão dos que foram lançados uma curva além. São homens desesperados – e homens desesperados não têm nada a perder. Exceto a vida, mas esta eles vão perder de qualquer jeito. Em busca de terra, já não há para onde ir. Exceto mais e mais para dentro. “A gente vai ficar. Se for, a gente só morre mais depressa”, diz um. Ali, eles já morrem depressa demais. É o corpo de um companheiro que vão buscar. Raimundo Piauí, posseiro como eles, sem-terra em busca de terra, apodrece há sete dias na mata. Assassinado por pistoleiros a mando de fazendeiros na guerra cotidiana travada na Amazônia.  
Cena 2 – Ele é só um velho caçador, com uma espingarda de caça quase tão velha quanto ele. Os pistoleiros sabem disso. Mas não importa. Ele está ali, fácil e frágil. E é preciso dar um aviso aos posseiros que lutam pela terra. Os pistoleiros exigem a espingarda. Ele não entrega. Não entrega porque não pode entregar. Sem ela, morrerá de fome no meio da mata. É morrer de um jeito – ou de outro. Ele se vira. Os pistoleiros o abatem pelas costas. Um tiro atinge a sua boca, os dentes se espalham. Ele cai. João Ventinho era o seu nome. Mais um, só mais um ninguém cuja vida jamais será paga na Justiça. 
Cena 3 – O homem corre. Os pistoleiros o perseguem atirando. O homem carrega uma criança nas costas. O menino grita primeiro. As últimas palavras do homem são: “Ô malvadeza”. Os dois corpos tombados na terra. O do posseiro Sebastião Pereira, liderança rural. E o de Clésio, de três anos. Um corpo de menino na mesa do necrotério, vítima de uma guerra que o matou antes que pudesse entendê-la. Uma guerra onde as crianças recebem balas de chumbo.
Estas cenas reais fazem parte do documentário Matando por terras (52 minutos), que será exibido pela primeira vez no Brasil nesta quinta-feira (5/7), no CineSesc, em São Paulo. Filmado nos anos 80, ele não pôde ser mostrado aqui por mais de duas décadas para não expor as testemunhas dos crimes – e condená-las também à morte.
A versão brasileira de Matando por terras foi o último trabalho do cineasta britânico Adrian Cowell. Ele se preparava para viajar ao Brasil para concluí-la quando morreu de ataque cardíaco, em Londres, no último 10 de outubro. Tinha 77 anos – 50 deles filmando a Amazônia. É pelo olhar de Adrian, um homem nascido na China e criado na Inglaterra, que uma parte da memória brasileira foi preservada. Não tivesse ele desembarcado no Brasil em 1957, aos 23 anos, para filmar o Monte Roraima, e uma parte crucial da saga amazônica teria permanecido invisível, sepultada em sangue e silêncio. Este testemunho único será exibido de 5 a 12 de julho, numa mostra em sua homenagem, promovida pelo CineSesc. (Confira a programação completa aqui.)O filme revela, de forma crua e persistente, como possivelmente nenhum outro documentário sobre o tema, a guerra travada na Amazônia. Uma guerra que, antes como agora, a maioria finge desconhecer. Rodado ao longo da rodovia Belém-Brasília, documenta o conflito entre fazendeiros – temerosos de perder os privilégios garantidos pela ditadura militar – e sem-terra. Mais de 100 pessoas foram mortas na região neste período.  
Morrendo por terras (Foto: Divulgação)
Adrian Cowell produziu o maior registro audiovisual da Amazônia. Todo o seu acervo foi doado à PUC de Goiás e está disponível para ser acessado: quase 900 mil metros de filme, sete toneladas que se transformaram em 30 documentários. Neste percurso, Adrian conviveu com Orlando Villas-Boas antes mesmo da criação do Parque Indígena do Xingu. Trabalhou também com Apoena Meireles, outro grande sertanista, assassinado em 2004 durante um assalto em Porto Velho (Rondônia). Em meio século, ele filmou um Chico Mendes ainda desconhecido do próprio Brasil – e o seu trabalho ajudou a projetar o líder seringueiro no mundo. 
Adrian filmou tribos isoladas e filmou a destruição. Enquanto ele capturava a vida em um embate de morte, seus personagens tombavam junto com a floresta. Às vezes, antes mesmo do final do filme. Adrian começou a filmar Chico Mendes porque o personagem cuja história planejara contar, Padre Josimo, um religioso negro da Comissão Pastoral da Terra, foi assassinado no Tocantins pouco antes do início das filmagens. E Chico Mendes foi executado ao longo das gravações da série mais famosa de Adrian, A década da destruição, que será exibida na mostra.
O cineasta acreditava que um dia documentaria "A década do meio ambiente", com o fim da devastação da Amazônia. Morreu com seu sonho – mas sua obra teve uma importância crucial para que a preservação da floresta e dos povos da floresta deixasse de ser uma questão de ecologistas para se tornar um problema do mundo. 
Em 1980, Adrian conheceu o cinegrafista brasileiro Vicente Rios e, juntos, filmaram pelos 30 anos seguintes. “Rios e Cowell formaram uma poderosa dupla, como aquelas de pistoleiros do Velho Oeste, retratadas pelos filmes de Sergio Leone”, escreveu o jornalista Felipe Milanez, idealizador e curador da mostra. “Por vezes, andaram literalmente armados de revólver, para o caso de precisarem se defender, como em Serra Pelada, ou então portando uma arma muito mais poderosa: a câmera.” 
Quem quiser conhecer as aventuras vividas pela dupla poderá ouvir da boca do próprio Vicente, na abertura da mostra e em algumas sessões apresentadas por ele. Vicente Rios também exibirá um documentário inédito – Visões da Amazônia. A obra apresenta cenas de bastidores das filmagens e coloca Adrian diante das câmeras, fazendo uma reflexão sobre suas memórias e sua paixão pela floresta. 
Adrian apaixonou-se tanto pela Amazônia e pelo seu povo que deu ao filho um nome que junta mundos: Xingu Cowell. O menino morreu em um acidente de caiaque, aos 18 anos, no mesmo ano em que Adrian começou a filmar Matando por terras, no sul do Pará. O próprio Adrian participaria da mostra de cinema em homenagem à sua obra, mas tombou no meio do gesto. Até o fim, ele acreditou que a floresta poderia ser salva. E lutou por isso.
Em 6 de junho de 2011, Adrian escreveu para o jornalista Felipe Milanez. O cineasta acabara de saber do assassinato de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo. O casal foi executado a tiros nas proximidades do assentamento onde viviam, em Nova Ipixuna, no sul do Pará. Adrian dizia, com o português que aprendeu enquanto se embrenhava na selva, que o filme “Matando por terras”, ainda inédito, mostraria que os assassinatos registrados por ele, 25 anos atrás, continuavam se repetindo no Brasil de hoje. Foi assim, porque o filme é presente tanto quanto passado, que a versão brasileira foi feita.
Na Amazônia, o século 20 invadiu o século 21, a violência tolerada (e muitas vezes patrocinada) pela ditadura persistiu na democracia. E os mesmos de sempre seguem tombando a tiros. Adrian Cowell poderia ter filmado cada uma das cenas a seguir. Todas elas – e muitas outras – aconteceram há pouco. E continuam se desenrolando neste exato momento.
Cena 1 – Zé Cláudio e Maria, lideranças que vivem da extração de castanha, estão perto do assentamento onde vivem. Zé dirige, Maria se agarra a ele na garupa. Assim que Zé diminui a velocidade da moto para passar sobre a ponte que cobre um igarapé, são atacados pela dupla de pistoleiros. O primeiro tiro de escopeta atravessa a mão direita de Maria e atinge o lado esquerdo do abdômen de Zé. Em seguida, mais tiros de escopeta e de um revólver calibre 38. Um dos assassinos puxa a faca, caminha até Zé Cláudio e corta um pedaço de sua orelha direita. Uma prova do serviço feito para entregar ao mandante. É 24 de maio de 2011. Hoje, é Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria, que vive sob ameaça de morte. (Assista aqui ao depoimento de Zé Cláudio.)
Cena 2 – João Chupel Primo, mais conhecido como João da Gaita, trabalha na sua oficina mecânica, em Itaibuba, no oeste do Pará. Um minuto depois está morto, com uma bala na cabeça. É 22 de outubro de 2011. Caçado por pistoleiros, seu amigo Júnior José Guerra começa a fugir. Os dois haviam denunciado a quatro órgãos federais e dois estaduais uma milionária operação criminosa de roubo de ipê do interior de áreas de preservação. Toda a madeira passava – e continua passando – por um assentamento do Incra, entre os municípios de Itaituba e Trairão. João e Júnior denunciaram também 15 assassinatos consumados nos últimos dois anos na região por causa da posse da terra e do controle da madeira. Denunciaram às autoridades – e não foram protegidos. (Leia aqui.)
Cena 3 – Em 2010, a líder rural Nilcilene Miguel de Lima foi espancada e teve sua casa queimada, no município de Lábrea, no Amazonas, depois de denunciar a grilagem e o roubo de madeira em seu assentamento. Em maio de 2011, fugiu enrolada em um lençol do pistoleiro atocaiado perto da sua casa. Só voltaria em outubro, protegida por uma escolta da Força Nacional. Em 30 de março de 2012, sua amiga Dinhana Nink, de 27 anos, foi a sétima pessoa assassinada na região nos últimos cinco anos por denunciar madeireiros e pistoleiros. Ela tinha fugido para Rondônia para escapar da morte, mas a alcançaram. Mataram-na com um tiro no peito diante do mais jovem de seus três filhos, Tiago, de 6 anos. Quando o pai de Dinhana encontrou o corpo, Tiago limpava o sangue do rosto da mãe. No último 19 de maio, a Força Nacional interrompeu a proteção a Nilcilene, e ela teve de deixar sua casa e a colheita para trás para se esconder mais uma vez. É nesse desamparo que se encontra agora. (Leia aqui.)

A guerra na Amazônia continua, como Adrian Cowell apontou pouco antes de morrer. Em “Matando por terras”, ele registra a campanha presidencial de 1989. Nela estão Lula, Fernando Collor e Ronaldo Caiado. Lula nos históricos comícios bordados de bandeiras vermelhas do PT, ao som do povo cantando “Lula-lá” com esperança e orgulho na voz. Collor fazendo promessas no tom histriônico de “caçador de marajás”, e Caiado incitando os fazendeiros a reagir contra os “invasores”. Em certo momento do filme, ainda aparece Paulo Brossard, então ministro da Justiça, reagindo com veemência às denúncias de assassinatos na Amazônia, feitas pela Anistia Internacional, com uma frase que já era popular naquela época: “É uma fantasia!”.

O Lula de 1989 diz: “A única forma de acabar com a violência é punindo. E fazendo a reforma agrária”. Collor foi eleito e depois deposto por impeachment. Fernando Henrique governaria por dois mandatos. Só então Lula se elegeria por duas vezes e ainda faria a sucessora. Mais de duas décadas depois, a realidade mostra que o mesmo filme poderia ter sido feito hoje – apenas com novos cadáveres.

Antes, os mortos eram chamados de sem-terra ou posseiros. Hoje, a maioria é “assentado”. No papel, conquistou-se assentamentos do Incra, reservas extrativistas, florestas nacionais. Mas as conquistas dos anos de democracia não alcançaram o concreto dos dias: o Estado que está no papel não está na vida. Há vastas porções da Amazônia sob o controle do crime organizado – cada vez mais sofisticado e com braços mais longos. Sem o apoio do Estado, quem denuncia o “malfeito” assina sua sentença de morte. E vive seus últimos dias na insanidade: quem morre hoje estava marcado para morrer, avisou às autoridades que morreria, documentou as ameaças e os pedidos de socorro, às vezes em vídeo – e morreu.

Adrian Cowell emprestou seus olhos e arriscou sua vida por meio século para mostrar o que muitos brasileiros não queriam ver. Conhecer sua obra é um bom começo para mudar esse filme. 
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ex-prefeito de Novo Progresso acusado de improbidade


O ex-prefeito de Novo Progresso (PA) Tony Fábio Gonçalves Rodrigues (Baú) foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo crime de desvio de verbas públicas e por improbidade administrativa. As duas ações foram encaminhadas à Justiça Federal em Santarém na semana passada.
Investigações do MPF apontaram que no último dia do seu mandato, em 31 de dezembro de 2008, Baú desviou R$ 162 mil em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A então servidora municipal Sílvia Maria de Sousa Corrêa também é acusada nas duas ações pelas mesmas ilegalidades.
Caso condenados, os acusados podem ser punidos com dois a doze anos de reclusão pela apropriação ou desvio de verbas. Pela improbidade administrativa, a pena pode ser de perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
Em 29 de dezembro de 2008 – dois dias antes do fim do mandato – o ex-prefeito exonerou a então secretária de educação, Célia Zacchi, sem justificativas. No mesmo dia foi feita a nomeação de Sílvia Corrêa. Além de ter sido nomeada como Secretária Municipal de Educação de Novo Progresso, foi nomeada como gestora do Fundo Municipal de Educação. Assim, a servidora ganhou plenos poderes para gerir os recursos da conta do Fundeb.
No dia seguinte, Sílvia Corrêa sacou todo o dinheiro existente na conta, em um total de R$ 162 mil, e repassou tudo ao ex-prefeito. “Esse valor era destinado ao pagamento dos profissionais de educação de Novo Progresso, no mês de dezembro de 2008, os quais, no entanto, estão até a presente data sem receber”, denuncia o procurador da República Cláudio Henrique Cavalcante Machado Dias.
“A situação desafia, pois, pronunciamento jurisdicional que restabeleça as diretrizes constitucionais atinentes à administração pública, recupere aos cofres do erário federal os recursos públicos malversados, bem como imponha as sanções previstas aos responsáveis pelos ilícitos cometidos”, registra o MPF nas ações.
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Baú foi prefeito de Novo Progresso (PA) entre 2005 e 2008, mas somente após quatro anos do fim do mandato dele é que o Ministério Público Federal (MPF) o acusa de desvio de verbas públicas e improbidade administrativa. Se o MPF e o Judiciário tivessem sido ágeis na fiscalização e tomada de providências contra ele, seguramente os danos praticados contra Novo Progresso teriam sido evitados ou, pelo menos, minimizados.
Já o TCE e TCM parece que até hoje não examinaram a prestação de contas do Baú.

domingo, 1 de julho de 2012

Fortaleza 0 x 0 Águia - Estreia com carimbo dos goleiros!


Clubes bem que tentaram, mas o gol não saiu no PV
Fortaleza e Águia apenas empataram, por 0 a 0, neste domingo, no Estádio Presidente Vargas, na estreia da Série C do Campeonato Brasileiro. Cearenses e paraenses bem que tentaram, mas Lopes e Marcelo Cruz, goleiros de Fortaleza e Águia, respectivamente, se destacaram. Com isso, os clubes somaram apenas um ponto no Grupo A.
Fortaleza e Águia estão no Grupo A ao lado de Santa Cruz-PE, Cuiabá-MT, Salgueiro-PE, Rio Branco-AC, Guarany-CE, Icasa-CE, Treze-PB, Paysandu-PA e Luverdense-MT. Este grupo conta com 11 clubes por causa da inclusão, na Justiça, do Treze.
Os quatro melhores da chave, ao final de turno e returno, avançam à fase final. Nesta, os dois primeiros conquistarão o acesso ao Campeonato Brasileiro da Série B de 2013.
Esta é a terceira participação consecutiva do Fortaleza na Série C. Rebaixado na Série B de 2009, em 2010 clube foi o décimo colocado e no ano passado ficou apenas na 13.ª posição. O Águia também vem tendo campanha semelhante ao do rival na Terceira Divisão. Exemplo disso é que em 2011 o time foi apenas o décimo na classificação geral.
Quase!
Fortaleza e Águia deram a entender que não estavam cansados da indefinição pelo início da Série C. Os dois clubes demoraram a entrar em campo e o primeiro tempo começou com oito minutos de atraso. A partida, pelo menos, foi movimentada.
Logo aos nove minutos, Cléo recebeu passe de cabeça e bateu forte. A bola acertou a trave do Águia. O atacante estava inspirado em teve nova oportunidade três minutos depois. Cléo mandou um petardo, mas o goleiro Marcelo Cruz espalmou.
O Águia também teve uma grande oportunidade. Aos 16 minutos, Valdanes cabeceou com perigo e a bola acertou a trave tricolor. A partir dai o jogo ficou truncado e feio. Os torcedores preferiram observar as belas leoninas fora do campo.
Não deu!
O segundo tempo mostrou um Fortaleza ofensivo e um Águia na defensiva. Mas foi o time do Pará que criou a primeira oportunidade dos 45 minutos finais. Logo aos três minutos, Ivonaldo, dentro da área, chutou firme, mas Lopes defendeu.
A partir dai, o Fortaleza cresceu. Aos nove minutos, Marcelo Régis, mesmo livre na área, bobeou e chutou em cima do goleiro Marcelo Cruz. O atacante teve mais uma oportunidade aos 19 minutos, quando Rafinha cruzou na medida para Marcelo Régis, que desperdiçou a chance.
Aos 25 minutos, Valdson, que entrara na vaga de Geraldo - muito mal na partida -, mandou um petardo, mas Marcelo Cruz defendeu outra vez. Mas aos poucos, o Águia aumentou a posse de bola e passou a gostar do jogo.
Aos 38 minutos, após cruzamento certeiro, Bernardo cabeceou com perigo, mas Lopes fez boa defesa. A resposta do Fortaleza foi uma pixotada de Assisinho. Os técnicos mexeram e bem que tentaram mudar o resultado da partida, mas no final deu empate e sem gols. Destaque negativo foi a quantidade de cartões amarelos para o Águia. Oito ao todo e a maioria por fazer "cera".
Próximos jogos
Pela segunda rodada do Grupo A, o Fortaleza enfrentará o Luverdense, em Lucas do Rio Verde-MT, no domingo, às 16 horas. Antes, no sábado, às 16 horas, o Águia receberá, em casa, o Cuiabá. (Agência Futebol Interior)

PT e PMDB em rota de colisão

Por Mauricio Dias, naCartaCapital:

As eleições municipais de outubro podem provocar um abalo mais sério, muito além da incompatibilidade conhecida entre PT e PMDB, com reflexo perigoso na aliança política que forma a base governista no Congresso. A disputa botou os dois partidos em rota de choque.


Com quase todos os candidatos definidos nas capitais e nas grandes cidades, o Partido dos Trabalhadores entra mais uma vez na mira. Desta vez não só é alvo dos adversários como também, e principalmente, do PMDB, um aliado controvertido, mas de peso numérico fundamental para a sustentação de Dilma no Congresso. Uma base, aliás, tão expressiva numericamente quanto instável politicamente.

O crescimento numérico do PT, do piso ao topo da pirâmide partidária, inquieta aliados e adversários. Em evolução constante desde que entrou na competição, cresce velozmente o número de petistas nas prefeituras e nas câmaras municipais, nos governos estaduais e nas assembleias legislativas, no Senado e na Câmara Federal.

Na Câmara, o resultado disso está registrado no avanço da bancada de deputados do PT e do PMDB. A primeira cresce e a segunda declina.

Os peemedebistas saíram da eleição de 1986 com 131 representantes e, em 1990, caíram para 109. O PT saltou de 17 deputados naquele ano para 35 na eleição seguinte. Em 2010, o PT elegeu mais deputados: 88 ante 77 do PMDB.

“O PT desafia a estabilidade adquirida pelo PMDB ao longo dos anos. Sem chances de disputar a Presidência, o partido controla o Congresso a partir das bases municipais e domina parte da máquina administrativa”, analisa Francisco Meira, do instituto Vox Populi.

Para os petistas tudo começou em 1982, um ano após a fundação do partido. Foi um fiasco. A partir daí, o PT iniciou sua marcha para o poder.

Por injunções impostas pelo regime militar, só houve eleição em 1988. A partir desse pleito, os números foram favoráveis nos municípios e nas disputas legislativas.

“Consolidado o governo central, o PT pode dar mais um passo em 2012 e quebrar a longa hegemonia do PSDB em São Paulo”, lembra Meira.

“Temos de barrar o apetite avassalador do PT”, alertou em São Paulo o tucano José Serra, quando foi oficializada a candidatura dele à prefeitura da capital.

Algumas semanas antes, reação semelhante teve o PMDB. A inquietação do partido está exposta no manifesto assinado pela bancada na Câmara. No texto não há meias-palavras: “Estamos vivendo uma encruzilhada, em que o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal do País”.

Em 2008, o PMDB ainda conquistou o maior número de votos, porém, perseguido de perto. Obteve mais de 18 milhões de votos e o PT, pouco mais de 16 milhões.

Naquelas eleições, no entanto, os petistas se viram empurrados para o “fundo do País”. Praticamente metade (277) das 559 prefeituras sob controle do partido está em municípios com população abaixo de 10 mil pessoas. Outras 121 ficam em cidades entre 10 mil e 20 mil habitantes.

Assim, o objetivo agora é conquistar prefeituras em cidades com população acima de 100 mil pessoas. Nelas, essencialmente, são montadas as plataformas de vitória nas eleições legislativas e o consequente domínio do Congresso nacional. É o que o PT quer. É o que o PMDB teme.