sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Estação Conhecimento
O presidente da Vale, Roger Agnelli, lança hoje (17/10), em Tucumã, sul do Pará, um projeto inovador na área social: o Estação Conhecimento, uma ONG, criada pela empresa, com gestão compartilhada com o poder público e a sociedade civil organizada, para desenvolver economicamente regiões onde a mineradora atua. O público-alvo são jovens entre 7 e 19 anos, que serão atendidos com programas nas áreas de esportes, cultura e educação profissional. Até 2010, serão beneficiados 31 mil jovens em 31 núcleos a serem construídos nos estados do Maranhão, Minas Gerais e Espírito Santo, além do Pará. Somente no Pará, serão 14 núcleos, para atender 14 mil jovens.
“...é necessário auto-estima”
Apesar de não estar na sala de aula, visto que na minha formação profissional optei para atuar no desempenho de outras atividades pedagógicas e educativas, observo que entra ano e sai ano e a vida do/a professor/a está cada vez mais difícil.
Chego a esta conclusão porque também trabalhei em sala de aula com uma turma de 2º ciclo e outras 14 de 5ª a 8ª séries. Antes de viver essa experiência atuei como diretor de uma escola situada em área de Acampamento do MST, onde de vez em quando assumia as turmas que faltavam professores para não deixar que os filhos dos sem terras fossem também ‘filhos sem aulas’.
Pensando sobre o que dizer aos meus colegas neste dia 15 de outubro, considerado dia dos professores desde 1827 (decreto do Imperador D. Pedro I) restou à dúvida: “o que direi de motivação a quem não recebe motivação para seguir carreira numa das mais importantes profissões da humanidade?”
Correndo o enorme risco de não ser ouvido por muitos de meus colegas, digo-lhes que devemos resgatar a nossa auto-estima profissional. O salário que recebemos é insignificante diante da nossa tarefa que é revolucionária quando assumida com autonomia e responsabilidade social.
Este ano o presidente Lula sancionou depois de muita luta dos trabalhadores da educação a lei que estipula o salário mínimo dos professores em R$ 950,00. Esta lei que entra em vigor a partir de 2009 não animará a maioria dos educadores brasileiros, todavia a luta continua por melhores condições de salário e trabalho, sobretudo porque esse piso salarial não é o que atenderá as nossas necessidades básicas.
Não acredito que muitos estejam trabalhando somente pelo dinheiro, se assim fosse não estariam sendo professor, poderiam fazer qualquer outro serviço onde ganhariam hora extra, FGTS, salário família e outros direitos trabalhistas que o professor não tem direito.
Mais do que reclamar faz-se necessário atitude por parte da maioria dos colegas que preferem reclamar sozinho ao invés de agir em seu sindicato de classe. Mais do que um dia é necessário auto-estima por parte da maioria dos professores que deixaram de acreditar no poder que tem nas mãos, capaz de transformar a vida das pessoas para melhor.
Vamos à luta companheiros. Como diz a música “quem sabe faz a hora não espera acontecer!”. (* Raimundo Pereira Moura Martins, pedagogo e Delegado Regional do Sindicato Nacional dos Pedagogos)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Prova dos 9
Quando eu era menino, o que não faz tanto tempo, aliás, a certo tipo de indivíduo que tomava porrada de patrão mas não lhe largava o saco e até mataria quem ele mandasse, a esse chamava-se cabra de peia. Eu não sei se ainda usa-se por aqui esse palavreado comum entre proletários das minhas ruas e rios, mas uma coisa é certa: como tem cabra de peia em Marabá! Como aumentou a quantidade dessa corja subalterna e crapulosa!
Taí o resultado da eleição que não me deixa mentir.
Método de persuasão
Então apenas aspirante a cargo legislativo, e dizendo-se de família proprietária de área ocupada há mais de vinte anos (embora sem regularização fundiária), candidato eleito foi em campanha a bairro na área em litígio pedir voto para si e seu majoritário, sugerindo que caso nenhum fosse eleito os “invasores corriam o risco de perder os lotes em que vivem”.
Terrorismo puro, da pior qualidade.
Reflexos do baile
A crise internacional do capitalismo especulativo já chegou ao Distrito Industrial. Há empresa que vai dar férias coletivas, e pelo menos uma já teria abafado um alto-forno, diz uma fonte.
Falta de rumo
Final de semana movimentado na Folha 16. No sábado, 10, houve show de brega patrocinado por uma rede de armarinhos. Dia 12, exibição de pirotecnia e malabarismo sobre duas rodas por conta de revendedora de veículos.
Tudo à frente do ginásio poliesportivo, que é cedido para qualquer coisa que não seja relacionada com suas atribuições e finalidades.
Definido
Vem do Distrito Industrial de Marabá o novo “Empresário do Ano”. Trata-se de Ian Correia, da guseira Sinobras. Unanimidade na escolha dos filiados ao Sindicom - Sindicato do Comércio - e à Associação Comercial e Industrial.
Day after
Maquinário e trabalhadores desapareceram, no dia seguinte às eleições, do canteiro de obras em parte do bairro Belo Horizonte. Em conseqüência, diz morador do local, valas, bueiros e outras feridas espalhadas em suas ruas e travessas permanecem escancaradas às chuvas do inverno que, parece, já começou. Também, ao que parece, o governo do Tião acabou...
Maionese
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, quer “reinventar a Amazônia para reconstruir o Brasil”. A proposta faz parte do “Projeto Amazônia”, esboçado por ele, e que será debatido por ele com os senadores, dia 15, na Subcomissão Permanente da Amazônia.
Mangabeira afirma que sua proposta tem a finalidade de fazer do soerguimento da Amazônia prioridade brasileira na primeira metade deste século. Ainda de acordo com o ministro, transformar a Amazônia em uma área estratégia é transformar o Brasil. O primeiro passo nessa direção, segundo ele, será o de reafirmar a soberania brasileira na Amazônia e, assim, colocar a região não só a serviço do Brasil, mas também da humanidade.
Tudo bem. Mas ele que corra, antes que a Amazônia acabe em fogo e desmatamento.
Retrato do Brasil
Com o lema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: Superando as Desigualdades”, Brasília sedia, de 15 a 18 de dezembro próximo, a 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos. O objetivo principal é a revisão e atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). O diferencial desta edição, segundo organizadores do encontro, é a abordagem dos direitos humanos em torno da sua universalidade, interdependência e indivisibilidade, tratando de forma mais coesa, associada e integrada as múltiplas dimensões destes direitos, quer sejam os direitos civis e políticos, bem como os econômicos, sociais, culturais e ambientais. Para dar conta desta inovação, a metodologia a ser utilizada para as discussões será baseada num conjunto de eixos orientadores, por meio de um enfoque transversal e integrado.
Nas últimas semanas, o processo de construção e realização da conferência provou sua importância e atualidade a partir da divulgação de pesquisas que mostram a violação dos direitos humanos e as desigualdades no país.
Os números mais recentes das desigualdades presentes no território nacional vieram à tona com a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, do IBGE. A pesquisa mostra as condições de habitação, rendimento e trabalho, associadas a aspectos demográficos e educacionais, em cerca de 145 mil domicílios de todo o país, e traz informações por grandes regiões, unidades da federação e regiões metropolitanas.
O levantamento aponta que o ensino fundamental está praticamente universalizado no Brasil entre as crianças de 7 a 14 anos (97,6% freqüentam a escola), mas a quantidade de matrículas não se traduz em qualidade da educação, já que 1,3 milhão de crianças de 8 a 14 anos de idade não sabiam ler e escrever (5,4% dessa faixa etária). Mostrou também que a taxa de freqüência das pessoas de cor preta e parda às instituições de ensino superior não alcançou o patamar que os brancos tinham dez anos antes. A diferença a favor dos brancos, em vez de diminuir, aumentou nesse período: em 1997, era 9,6 pontos percentuais aos 21 anos de idade, enquanto em 2007 esta diferença saltou para 15,8 pontos percentuais.
Os dados mostram que as mulheres freqüentam mais a escola que os homens, mas o rendimento médio real delas no mercado de trabalho corresponde a 66,1% da remuneração média masculina.
Em relação ao trabalho infantil, os números informam que a atividade predomina entre negros (59,5% das crianças que trabalham são pretas ou pardas). Mostram ainda que 300 mil crianças deixaram de trabalhar, mas entre as que não conseguiram, a jornada aumentou em cerca de uma hora.
A taxa de analfabetismo no Brasil (10%) caiu, mas ainda representa 14,1 milhões de pessoas no país - ou um(a) em cada dez brasileiros(as) com 15 anos ou mais. Na Região Nordeste, apesar de a taxa ser de 19,9% - a menor em 15 anos - é quase o dobro da média nacional e quase o quádruplo do apurado no Sul (5,4%), a menor marca do país. (Fonte: Informes Abong)
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