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domingo, 23 de janeiro de 2011

A cada dia, nova patifaria

O automóvel Spacefox Route, de cor prata, 2009/ 2010, placa NSE 5918, Itupiranga (PA), apreendido pela polícia e cedido como fiel depositário ao DMTU pelo Tribunal de Justiça Federal, foi flagrado e fotografado no motel Madrid.

A esbórnia (que está no blog do vereador) foi devidamente denunciada por Edivaldo Santos (PPS) ao Ministério Público no dia 7 de janeiro, endereçado justamente à promotora Mayanna Silva Souza de Queiroz, aquela que pediu o afastamento da vereadora Elka (Fórmula 1) Maravilha.
Parece que os carros de uso exclusivo em serviço público  estão se prestando a tudo, menos ao serviço público.
Estou curioso para ouvir a versão do ainda não identificado agente de trânsito (se é que foi agente de trânsito), sobre que tipo de serviço ele fazia no motel...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Giordano Bruno


Giordano Bruno (1548-1600) era astrônomo, filósofo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, no que rejeitou a teoria geocêntrica tradicional e ultrapassou a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas.
Intelectual de vanguarda e iconoclasta, foi assassinado pela Igreja Católica, durante a Inquisição Romana.   
“Foi, sem dúvida, um pioneiro que acordou a Europa de um longo sono intelectual
Ele cunhou a frase "Libertas philosophica", o direito de pensar, sonhar e filosofar, e foi martirizado devido ao seu excessivo entusiasmo. A idéia do universo infinito foi uma das mais estimulantes idéias do Renascimento”, diz dele o estudioso Fábio Santibánez Merino (Lógica transfinita e conocimiento complejo).
Por essas coisas dei a meu filho o nome desse mártir da ciência e da filosofia
Meu Giordano Bruno ( aí na foto, ele tinha 13, hoje tem 17 anos), que nesta sexta-feira teve o nome no listão de classificados da Universidade Federal do Pará (UFPA) para o curso de Bacharelado em Sistemas de Informação. O desejo dele.
Escrevo esta nota às 02:50 da madrugada de sábado (22/01), porque durante todo o dia a emoção causou-me angústia, inquietação, alegria, a pressão arterial - sempre alta - quase bate nas nuvens juntamente com meu coração.

Eu amo meu filho.
Profundamente.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Operação Enchente

Parece que, enfim, a Coordenação Municipal de Defesa Civil de Marabá (Comdec) despertou para a possibilidade de enchente este ano e já  começou a monitorar diariamente o nível do Tocantins, em constante elevação.
Diretor da Comdec, Joab Pontes, disse à imprensa que a Defesa Civil discute com a prefeitura ações da “Operação Enchente 2011″ que visam socorrer e remanejar as famílias desabrigadas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiúnas.

Novo líder do PDT

A bancada do PDT na Câmara, diz o site Congresso em Foco, se reunirá na próxima semana para bater o martelo sobre quem será o próximo líder do partido na Casa. Ao partido, interessaria a permanência do deputado Paulinho da Força Sindical. Ele, contudo, tem dito a correligionários que não tem o menor interesse em continuar na liderança do partido na Câmara: prefere levar adiante a campanha pelo aumento do salário mínimo.
Com isso, o nome mais forte será o do deputado Giovanni Queiroz (PA), um dos principais defensores da criação do Estado de Carajás no Pará.

Fim do pacto

Trinta prefeituras paraenses (Marabá, inclusive) já aderiram ao pacto contra o desmatamento na pecuária, que garante mais prazo para que pecuaristas peçam a Licença Ambiental Rural das propriedades. O prazo para assinatura do Termo de Ajuste de Conduta acaba dia 31 de janeiro próximo. Para os municípios que não assinarem, ficam valendo as condições já acordadas com os frigoríficos: quem não tiver pedido a Licença não pode comercializar gado. A informação é do Ministério Público Federal do Pará.
Os municípios que assinaram abrigam boa parte da produção bovina paraense e garantiram mais tempo para que as propriedades rurais se adequem às regras da pecuária sustentável: fazendas acima de 3 mil hectares podem pedir a Licença Ambiental até 30 de agosto de 2011, quem tem entre 500 e 30 mil hectares têm até o final de 2011 e as menores que 500 hectares até junho de 2012.
Em contrapartida à extensão de prazo para o licenciamento, as prefeituras se comprometem com o desmatamento zero e com o controle sobre as atividades produtivas. Entre as condições que devem ser obedecidas, as prefeituras devem alcançar um pacto pelo controle do desmatamento com a participação do Legislativo e de sindicatos patronais e de trabalhadores.
“Dentre as metas do pacto celebrado no município deve se incluir que todos os produtos gerados em suas cidades (carne, leite, grãos, madeira) sejam socialmente justos (sem trabalho análogo ao escravo ou degradante) e ambientalmente corretos”, diz o compromisso. Outra regra é que, até junho de 2011, 80% do território do município que assinar deve estar no Cadastro Ambiental Rural (Car).

Ninguém quer bulir na Pererelka

Está hoje no blog do Hiroshi Bogéa:


Ecos do "Caso Elka"

O "Caso Elka" tem algumas situações merecendo comentáirios.
Aos ítens.
1- Concluído o relatório da Comissão Especial de Investigação, a discussão dele, em plenário, será amparada pelo clima de corporativismo, ou a maioria dos vereadores está mesmo empenhada em corrigir os desatinos da vereadora investigada, aprovando alguma punição, supostamente a ser sugerida pela CEI?
2- A votação, em sessão especial, será aberta, com cada vereador declarando sua posição, ou o regimento interno facilita a camuflagem da votação, através de escrutínio secreto?
 3- Caso prevaleça o voto secreto, desde já o blog  destaca este fato à população, pedindo para todos ficarem alertas. E sugere, àqueles vereadores envolvidos na seriedade da apuração,  transparência de seus votos, Quem for contra as bandalheiras, declare  abertamente punição à vereadora, deixando na esparrela os favoráveis às safardanas.
4- O advogado Inocênio Mártires, constituido pela vereadora Elka, andou  costeando o alambrado (*). Do jeito que chegou, assim como quem não quer nada, saiu da sala onde se reúne a CEI.
Do alto de sua fama, o competente profissional quis mandar recados aos integrantes da Comissão, como a que chegou a sugerior  a alguns vereadores  presentes naquele momento no prédio, para que eles não "levassem a sério a posição radical do Ministério Público", conforme contou servidor de um parlamentar.
5- Dos três integrantes da Comissão Especial de Investigação, o poster confia plenamente no trabalho desenvolvido até agora pelas vereadoras Toínha Carvalho (PT) e Irismar Sampaio (PR). Essas duas pessoas estão empenhadas em levar até o fim o caso, buscando a prevalência da ética e da moralidade do legislativo.
O mesmo, com todas as letras, o blog não pode dizer do vereador Leodato Marques (PP), terceiro membro.
Esse moço tem feito um esforço arretado para tudo terminar em pizza.
Se depender dele no plenário, Elka Queiroz não deverá sofrer nenhum dano.
O pastor é buliçoso, muito buliçoso.
Amanhã, voltaremos a tratar deste assunto.
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NB: (*) Expressão imortalizada por Leonel Brizola,  própria para designar comportamento de gado propenso à fuga

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Casa de Noca

Dia desses, a farra foi na penitenciária agrícola, regada a cabeça-amarela e outros quitutes.
Agora, uma passagem de policiais civis e militares nas carceragens do Centro de Recuperação Regional de Marabá, dia 17, rendeu a apreensão de 19 celulares e respectivos carregadores, 300 petecas de cocaína e três pedras de crack.
Dizem que os meninos, ainda insatisfeitos, planejavam uma revoada monstra. Que só não aconteceu porque um cagueta entregou todo mundo.
Tá ferrado, o mano. E Marabá também...



Rui Castro

Rui fala a Rádio Xinguara AM

           
Não vi meu amigo Rui Castro. Ele esteve aqui, de férias, passou em casa e eu não estava. Edmar Brito diz em seu blog que ele visita Xinguara e retorna a Goiânia no final desta semana para reassumir seu trabalho na TV Brasil Centralonde é repórter esportivo

Uma crônica

Diante da surpreendente e lisonjeira reação do distinto leitorado, sinto-me estimulado a trazer-lhes mais um escrito, desta vez uma crônica. Espero que gostem:


A nostalgia dos velhos amores
Quando me entendi por gente, na cidade havia um único carro: o caminhão do seu Pedro, o Fon-fon. Era bastante velho, tinha o volante no lado direito, e o dono dizia que era de fabricação inglesa. Como veio parar aqui, não sei. Não havia estradas e entrar ou sair da cidade era uma aventura entre cachoeiras e pedrais, e até me lembro que na primeira vez em que vi de perto um avião aterrissar no aeroporto, corri de medo.
Ainda hoje me indago se o caminhão do Fon-fon teria vindo peça a peça desmontado em barco e remontado na cidadezinha empoeirada. Certo dia apareceu um circo com um gigante que puxou o caminhão, cheio de meninos, por uma corda amarrada nos cabelos. Enquanto arrastava aos trancos a pesada tralha na praça principal, eu via as veias engrossando no seu pescoço de búfalo.
Assim como a balança de ferro fundido do mercadão, o Fon-fon e seu caminhão mágico dissolveram-se no ar, para sempre. Hoje, Marabá tem 17 mil carros e nenhum gigante capaz de puxá-los pelos cabelos.
Durante muitas décadas, a cidadezinha continuou a mesma com seus fogões a lenha e geladeira a queroseneprivilégios de casas raras. Luz, entre seis da tarde e onze da noite, quando seu Pedrinho, Piston e Nicandro conseguiam acordar o Caterpillar amarelão da usina de força e luz, e a energia precária faiscava em lâmpadas comuns sobre postes de madeira.
Em regra, éramos todos muito pobres, mas não faltava o quilo diário de carne em nossas mesas e dos rios pescadores traziam uns peixes enormes.
Foi assim que, menino ainda e sufocado de saudade e angústia, larguei essas coisas e fui aprender um pouco mais fora, num mundo que me ensinou o jejum forçado e a solidão. Foram décadas de ausência e seguidas vezes vim e fui e vim, nessa ainda agora dolorosa e mal-resolvida paixão por Marabá. Aqui amei, sofri, fui profundamente amado e decerto fiz involuntariamente alguém sofrer. Agora, essas lembranças afloram e Marabá faz amanhã (cinco de abril) 90 anos de cidade e, em julho, 105 de fundação.
Há 18 retornei decidido a ficar de vez, ter filhos, continuar a sonhar e lutar por um futuro mais digno para minhas crias e as dos conterrâneos, e depois deixar, quem sabe, embranquecer, pelos 88 anos, meus ossos juntos aos ossos de meus pais, tia, sobrinho e amigos nas campas de São Miguel.
tempos, contudo, me dou conta que, se avançamos, foi para trás. Quanto mais nos modernizamos, mais tornamo-nos insensíveis, perdemos a solidariedade.
Enquanto estradas foram abertas e a cidade inundou-se de trabalhadores, empresários e bandidos, videogames, antenas cancerígenas e telefones celulares, computadores internetados, parabólicas e bancos, e uma industrialização capenga acampou no inimaginável distrito industrial, há gente passando fome, morrendo de fome, e não era isso que eu sonhava para minha terra. A industrialização não é, eu sei, necessariamente um processo que torne a vida mais humana, porém nada custava iludirmo-nos com as possibilidades de outros horizontes.
Pois agora, com uma esquisita sensação de impotência, de sonho sonhado em vão, de vez em quando me pego assim olhando o tempo, a curva do rio, os aviões enormes que cruzam os céus, e torna essa impressão de que, apesar dos meus 50 e muitos anos e dessa pobreza crônica, a qualquer hora volto a pegar a estrada e ir para bem longe viver uma outra história (talvez desta vez para sempre, como o caminhão inglês e o gigante com pescoço de touro). (04.04.2004)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um conto

Conclui um livro inédito de contos, que não tenho a menor idéia de que será publicado. 
É a velha história do escritor sem dinheiro.
Dou-lhes uma amostra do conteúdo. 


Dona Neusa

Os meninos tinham quase todos a mesma idade – nove e dez anos. Moravam na rua à margem do rio, do campinho de peladas junto às olarias. Artistas e bandidos, eles trocavam tiros em duelos de faz de conta sobre o descarte da palha de arroz da usina jogada na ladeira que levava à grota das traíras. À noite iam para frente do Cine Marrocos ver cartazes de filme e trocar gibis. O pai de dois deles, Walter, ficava insuportável quando bebia. Brigava com a vizinhança, um dia tocou fogo na casa e foi muito difícil apagar as chamas na cobertura de palha. Dizem que nunca mais bebeu, depois disso. Aí, quem resolveu dedicar-se aos tragos foi a mãe, dona Neusa, uma senhora baixinha e clara que passava os dias na máquina Singer a costurar calças e camisas de carregação para os comerciantes de castanha.
Foi numa noite de reprise e de pouca gente à entrada do cinema que o fato aconteceu. O filho da lavadeira já desistira de trocar as revistinhas lidas e relidas do Dr. Robledo, que virava o Cavaleiro Negro quando a ordem periclitava ante o assédio de assaltantes e pistoleiros, realidade distante do povoado, e guardava as revistas sob a camisa quando uma mulher de vestido negro e longo, com uma rosa vermelha sobre o seio esquerdo, aproximou-se. Ele sentiu o cheiro de bebida e demorou algum tempo para reconhecer dona Neusa com os cabelos negros soltos, os lábios carmins, pequeninas argolas douradas na orelha esquerda. Eram quase da mesma altura. Ela sorriu e pegou-lhe a mão. Preciso de um homem que me leve ao Cabelo Seco, disse, era tarde e tinha medo de passar debaixo da ponte, a centopéia de madeira e pernas de tijolos fincados no pântano atrás da igreja de São Félix. Ele sentiu-se homem, a mãozinha dela aninhada na sua luva de Cavaleiro Negro. A Rua Grande vinha de longe, do fim da cidade, e se estreitava de repente entre as colunas sem reboco e depois seguia adiante, no leito de areia fina onde um cajueiro enorme a tornava mais sombria. Pois ali, sobre a terra nua, dona Neusa puxou-o de encontro à rosa do seio, beijou-o na boca, ele sentiu um calor bom no corpo e o pinto a latejar entre as pernas finas. Espojaram-se como animais insaciáveis, enquanto a lua crescente andava ao acaso no céu. Era tarde quando se desvencilharam. Caminharam juntos em silêncio pela rua do cinema, entre as casas de portas e janelas fechadas. Separaram-se na esquina da rua à margem do rio. O coração em sobressalto, ele a viu passar debaixo da luz rala do poste e entrar em casa. Na ponta dos pés ele evitou acordar pai e mãe e mergulhou silenciosamente no tambor de água das plantas do quintal. Boa parte da noite revirou-se inquieto na rede, a carne em chamas a despedir-se do menino de dez anos.
O pai olhou-o pensativo no dia seguinte quando ele pediu uma calça comprida e algum dinheiro. Foram ambos à Casa Pernambucana e ele animou-se com uma calça azul, de linho, e duas camisas mangas curtas com bolso na frente. Na Casa Andrade, compraram uma caixa de lenços, um espelhinho redondo, um vidrinho de óleo de mutamba para os cabelos, e um pente Flamengo.  O pai nada dizia, só olhava. Ao anoitecer, mal acabou o jantar, um rapazinho cheiroso e penteado ganhou as ruas. Foi direto à casa dos amigos, no outro quarteirão. Dona Neusa abriu a porta, examinou-o da cabeça aos pés. Na cozinha, Walter e os meninos ainda jantavam Então ela falou de uma vez:
-  Vá embora. Eu não me responsabilizo pelas loucuras que a outra faz.