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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Maiorana: agora, no meio da rua

Por Lúcio Flávio Pinto

Bastou o Diário do Pará fazer jornalismo para provocar furor sem igual dos seus competidores e inimigos. O jornal do ex-deputado federal Jader Barbalho publicou matéria sobre a realização da primeira audiência a que os irmãos Ronaldo e Romulo Maiorana Júnior têm que comparecer, perante a justiça federal, para responder por desvio de recursos da Sudam. Desde então, O Liberal publica reportagens, editoriais e notas diárias em suas colunas sobre a corrupção do PMDB, nacional e local, que tem Jader Barbalho como o seu maior símbolo.
Até então, a principal arma do Diário contra os Maioranas era o insulto. No velho estilo dos pasquins e jornais partidários, o jornal divulgava notas ofensivas à família, incluindo a matriarca, Déa Maiorana. A última matéria, saída num domingo (16/1), relatava fatos a propósito da instrução do processo em que o Ministério Público Federal cobra a devolução do dinheiro dos incentivos fiscais desviado pelos irmãos através de um projeto para a industrialização de sucos regionais.
A denúncia foi aceita e o processo iniciado, mas os Maiorana deixaram de comparecer a duas audiências, alegando viagem. A próxima estava marcada para o dia 1º. Novamente os Maioranas estariam viajando. Mas o juiz Antônio Campelo ameaça tomar providências caso a ausência se repita.
O destaque dado ao assunto (publicado antes no Jornal Pessoal) criou uma expectativa reforçada sobre a audiência. Talvez tenha abortado a estratégia dos donos do grupo Liberal para escapar da tomada dos seus depoimentos. Atrairá a atenção do restante da imprensa para o acontecimento, no qual pessoas acostumadas a impedir o acesso de terceiros ficarão expostas à curiosidade pública na condição de réus.
A ira dos irmãos se refletiu nos editoriais que se repetiram tanto em O Liberal quanto no Amazônia, o jornal mais novo da "casa", numa linguagem agressiva, visando um objetivo claro: atingir a pessoa de Jader Barbalho. O ataque parecia ter uma vantagem adicional: dizia-se que o ex-governador, que sofre de hepatite, estaria também com diverticulite, doença que o levara a uma consulta e tratamento em São Paulo.
Estaria, portanto, para uma resistência mais baixa a um ataque massivo. Mas, assim como o ex-ministro costuma reagir quando acusado de corrupção, os Maiorana também nada disseram sobre o conteúdo da reportagem do adversário. Nesses momentos, ambos os inimigos têm razão quando acusam. Por isso, preferem não exercer sua defesa, exceto para aplicá-la segundo a regra de que a melhor defesa é o ataque.
As seguidas e cada vez mais violentas referências a Jader e ao PMDB tinham ainda um segundo propósito: continuar a pressionar o governador Simão Jatene, do PSDB, a voltar atrás no compromisso assumido com o ex-senador peemedebista, que resultou na entrega de alguns cargos na linha de frente da administração estadual. Além de estender as críticas aos representantes do PMDB no governo Jatene, O Liberal bate pesado no secretário de ciência e tecnologia, Alex Fiúza de Melo, ex-reitor da Universidade Federal do Pará.
Alex se tornou persona non grata aos Maiorana desde que depôs em meu favor nas ações que os irmãos propuseram contra mim na justiça, depois que Ronaldo Maiorana me agrediu fisicamente (a agressão completou seis anos no dia 5). Pedi o testemunho de Alex porque O Liberal, depois de lhe atribuir irregularidades durante sua gestão à frente da UFPA, não lhe concedeu o direito de resposta.
Os Maiorana, que se consideram acima do bem e do mal, também se arvoram a proprietários da opinião pública. Parece que a situação está mudando. Agora, eles também têm que entrar na chuva. E quem vai à chuva, se molha.
(Reproduzido do Jornal Pessoal nº 481, janeiro 2011/2ª quinzena)
 

A que ponto chegamos... FORA, GALVÃO!!!

No Correio do Tocantins de hoje:


Em penúltimo, Águia terá que vencer todas

Em penúltimo lugar na tabela do primeiro turno do Campeonato Paraense de Futebol de 2011, com apenas dois pontos, o Águia de Marabá teria de vencer seus três últimos compromissos nesta fase para sonhar com a classificação. O cálculo é feito pela própria diretoria do clube. No último sábado, com portões fechados em Tucuruí, o Azulão perdeu para o Independente por 2x1 e continua sem vitórias na competição.
Em quatro jogos, o Águia tem dois empates e duas derrotas e mostra pouca condição de se recuperar, quando só restam nove pontos em disputa. O próximo compromisso da equipe é em Marabá, no sábado (12), às 19 horas, quando recebe o Cametá no Zinho Oliveira. Depois disso, vai a Belém para a encarar o líder Paysandu, no dia 17 e encerra o primeiro turno contra o Castanhal no dia 27, em Marabá.
Perguntado sobre a que atribui o momento nebuloso que vive a equipe, o presidente Sebastião Ferreira Neto, o Ferreirinha, a exemplo do que fez anteriormente o treinador, culpou o curto tempo de preparação do grupo antes do campeonato. Ferreira admite, no entanto, que o plantel é limitado e que faltam peças de reposição. Segundo ele, as dificuldades financeiras enfrentadas neste início de temporada impediram as contratações que o clube ambicionava.
Ferreirinha garante que neste quesito as coisas também estão melhorando, embora não adiante em que sentido. Os grandes patrocinadores fixos do clube neste momento são Unimed, Leolar, Sinobras, Prefeitura de Marabá e Herbalife.
ComparaçõesEnquanto a diretoria lamenta não ter conseguido fazer grandes contratações, parcela da torcida questiona a saída de peças que foram destaque no elenco em 2010 e que estão sendo titulares em outras equipes no Parazão 2011. “Aqui deixavam o Thiago Marabá na reserva daí o cara foi pro Remo ser titular e o time de Belém tá bem. Não dá pra entender”, comentava o torcedor Sílvio Carleno no último sábado, enquanto ouvia o jogo do Azulão pelo rádio com um grupo de amigos na Folha 28.
Fora Thiago Marabá, há ainda os casos de Ari, agora comandando a zaga do líder Paysandu e do artilheiro Felipe Mamão, que teria saído daqui a troca de uma proposta melhor do Paraná, mas que agora ressurge na Tuna-Luso. No último domingo, contra o São Raimundo, o atacante marcou nada menos que os três gols do time, mostrando que continua com a boa fase do final da última temporada.
No caso de Felipe Mamão, Ferreirinha também se diz perplexo com a repentina aparição do mesmo na Tuna, uma vez que saiu daqui para jogar no Sul. Ele acredita que o fato de ter recém passado por cirurgia no joelho pode ter inviabilizado a contratação dele no Paraná, razão pela qual voltou ao Pará.
EquipeApós a derrota em Tucuruí na tarde de sábado, o time voltou para Marabá no mesmo dia e o domingo foi de folga para o grupo. Na reapresentação, nesta segunda-feira (7), os jogadores fizeram academia pela manhã e treino físico no campo do SESI à tarde. Nesta terça-feira o treinamento será em dois turnos no Estádio Zinho Oliveira.
A diretoria promete três reforços: um para o ataque, outro para o meio de campo e um volante. Para esta última posição a novidade já estava em Marabá ontem. Trata-se de Élson, 27 anos, 1,87 metros e que tem como último clube o Democrata, de Minas Gerais.
Último jogoO jogo Independente x Águia de Marabá ocorreu com portões fechados devido a não liberação do estádio Navegantão para receber torcedores. A Federação Paraense e o Corpo de Bombeiros têm sido rigorosos quanto a exigências do Estatuto do Torcedor.
Mesmo sob sol forte, nos primeiros 45 minutos o time comandado por João Galvão até mostrou força com chutes a gol e bastante disposição. O trio Torrô, Patrick e Ley teve chances claras de gol mas não conseguia balançar a rede do time da casa, o que custaria caro mais tarde. No final do primeiro tempo, aos 42 minutos, o Independente abriu o placar com Marraketi.
Sem apresentar muita força ofensiva no segundo tempo, o Águia chegou ao empate graças a um gol contra do volante Adenilson aos 13 minutos. O golpe final veio aos 36 minutos, quando o zagueiro Guará aproveitou rebote do zagueiro Darlan e marcou o segundo gol do Independente. (Patrick Roberto)
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Será que ganha?
Só queremos ver se depois dessa morte na beira da praia ainda se vai continuar com João Bocão à frente da equipe.

Mais golpe com madeira ilegal

Área que deveria ter floresta regenerada ainda recebe criação de gado no Pará.
 (Foto: Ibama/ Divulgação)

Fiscais do Ibama flagraram falso plano de manejo florestal usado por uma fazenda no município de Santana do Araguaia, no Pará, para movimentar 6,5 mil metros cúbicos de madeira nativa amazônica como se o produto tivesse origem legal, informou o órgão nesta segunda-feira (7). A quantidade de madeira seria suficiente para encher cerca de 250 carretas de caminhões. O produto foi registrado no Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), que controla a compra e venda de madeira no Pará.
De acordo com a instituição ambiental, a propriedade estava embargada desde 2006, mas conseguiu em 2010 autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (Sema-PA) para explorar madeira da Amazônia. Nos limites da fazenda, porém, havia matas secundárias e pastos degradados, segundo o Ibama, que multou o proprietário em R$ 80 milhões.  A atividade ilegal foi descoberta durante operação do Ibama realizada na segunda metade de janeiro em uma área de 72 mil hectares, distribuída por 5 municípios no sudeste do estado. O objetivo da ação era vistoriar fazendas embargadas que tiveram a criação de gado proibida para permitir a regeneração natural da floresta amazônica.
 Fiscais do órgão, no entanto, encontraram novos bois sendo criados nas propriedades, que foram embargadas por praticarem o desmatamento ilegal. No total, nove fazendas não respeitaram o embargo que permitiria a regeneração natural da floresta.  Segundo o coordenador da operação, Diego Guimarães, seria possível haver novas matas nos locais se a proibição fosse respeitada. O órgão aplicou R$ 155 milhões em multas e estabeleceu um prazo de 30 dias para os fazendeiros retirarem o gado das áreas fiscalizadas.

As novas sobre Espadarte

Do blog Hupomnemata


Uma notícia surpreendente correu no estado na semana passada: a de que a Vale teria comprado uma área com 3 mil hectares no local onde se planeja construir, no futuro, o porto de Espadarte, projeto ambicioso, que coloca o Pará no topo da economia portuária brasileira e mesmo latino-americana.
O porto do Espadarte encurtaria em 400 km a distância entre Carajás e o terminal de exportação atual, o porto de Itaqui, no Maranhão. Além disso, permitiria a atracação de navios de altissimo calado, - cerca de 25 metros - tornando-se um dos únicos portos do mundo a permitir embarques desse tipo. Na verdade, desde sempre a ferrovia pela qual se exporta o minério de ferro de Carajás deveria ter sido na direção de Espadarte. Havia estudo para isso e sempre se soube que Espadarte é superior, economicamente falando, a São Luis. O entanto, prevalesceu a pressão política feita por José Sarney, muito mais forte que os argumentos racionais que apontavam Espadarte como a solução correta.
A área foi comprada por R$ 10 milhões à RDP Empreendimentos, do holandês Hendrik van Scherpenzeel e se espalha por quatro ilhas: Ipomonga, Areuá, Marinteua e Romana.
Ao fazer a aquisição, a Vale passou na frente numa corrida silenciosa que vinha ocorrendo há uns cinco anos e que envolvia investidores chineses, americanos e o mega-empresário brasileiro Eike Batista.
Porém, Espadarte coloca uma questão ambiental de primeira grandeza, pois produz impacto sobre a reserva extrativista Mãe Grande de Curuçá.A reserva ocupa uma área de 35 mil hectares onde vivem 32 mil pescadores, espalhados em 52 comunidades.
Há tempo para o debate. O porto não é, com certeza, para já. De acordo o que foi divulgado, é pouco provável que a construção seja iniciada antes de 2015. Isso se deve ao fato de que a Vale efetuou, recentemente, investimentos de duplicação de techos da ferrovia Carajás-São Luis e, também, investimentos no porto de Itaqui.
O porto de Vila do Conde, em Barcarena, a 37 km de Belém, não constitui uma alternativa concreta para a Vale, e isso por duas razões: não permite atracação a um calado tão elevado e não tem condições de absorver a produção da Vale, pois está comprometido com a demanda da hidrovia do Tocantins, inaugurada em dezembro, que prevê um volume de 70 milhões de toneladas de carga por ano.
Em qualquer situação, na verdade, Espadarte não substitui Itaquiu. A sua função seria complementar a capacidade de exportação da Vale.
Essa recente expansão de Itaqui, no valor de US$ 1,2 bilhão, habilita esse porto a suportar produção de Carajás até 2015, momento em que a produção de minério de ferro a ser exportada pela Vale alcançará 230 milhões de toneladas por ano. 

Alegria!

Filho do professor Ulisses Silva, licenciado  pleno em Matemática e acadêmico de Direito no campus da UFPA em Marabá, nasceu João Paulo, essa figurinha bonita e marabaense que ilustra Quaradouro.
Parabéns!  

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não puxou ao pai

O centroavante que pertence ao Vitória da Bahia e que foi cedido por empréstimo ao Luverdense está treinando no estádio Passo das Emas. Enquanto o jogador se prepara dentro de campo, a diretoria tenta regularizar a situação burocrática para deixá-lo à disposição do técnico Gaúcho, para a partida de domingo.
O atleta, Danilo Galvão, que dizem ser entendido em bola, é filho do técnico e um dos donos do Águialinha, João Galvão. 

Resultados pífios


Aguialinha 0 x 0 São Raimundo
Aguialinha 1 x 1 Tuna uso
Remo 1 x Aguialinha 0
Independente 2 x Aguialinha 1

Fora, galvão!!!!!

Enfim uma boa notícia!


(Do blog da Maria Helena/Globo)
Um estudo feito pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrou que o brasileiro consome, em média, 86 litros de cerveja ao ano. Um outro estudo recente conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (UniFeSP) mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km ao ano.
A conclusão é ótima:
O brasileiro faz 16,7 km por litro!

Pena leve para Pererelka

Jornalista Laércio Ribeiro (Revista Foco e Jornal Opinião) deu uma guaribada no blog. Veja aí.
CASO ELKA

A vereadora afastada Ismaelka Queiroz, a Elka, está sendo ouvida neste momento, a portas fechadas, pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias contra ela de quebra de decoro parlamentar.
De acordo com a vereadora Antônia Albuquerque, a Toinha, presidente da CEI, os trabalhos estão na reta final, devendo o relatório ser submetido à votação na primeira sessão depois do recesso legislativo, marcada para terça-feira da semana que vem (15/2).
Nos bastidores, especula-se que a Comissão vai concluir pela procedência da denúncia e vai sugerir pena mediana à vereadora, que seria suspensão temporária do mandato. Essa suspensão, segundo o procurador jurídico-legislativo, Valdinar Monteiro de Souza, é de 30 dias - nem mais, nem menos -, período durante o qual a parlamentar também sofrerá a suspensão de seus proventos.
Recurso - À decisão tomada pelo plenário sobre o futuro de Ismaelka não caberá recurso na esfera legislativa. Mas ela poderá, se quiser, recorrer na justiça comum. Neste caso, a apelação só pode ser de cunho processual, ou seja, só lhe caberá contestar a validade do processo, alegando, por exemplo, que não foi lhe concedido o direito à ampla defesa. Jamais poderá apelar contra o resultado da Comissão.
Se a Justiça der provimento ao seu recurso, o processo poderá voltar à estaca zero e as apurações serem retomadas do início novamente, com oitivas, diligências e tudo o mais.
O suplente de vereador Francisco Cândido, o Chico do Flamengo (PTB), tomou posse na Câmara Municipal de Marabá na manhã desta segunda-feira (7/2). Ele assume a vaga deixada por Ismaelka Queiroz, a Elka, afastada temporariamente por conta de processo de quebra de decoro que foi instaurado contra ela.
Interpelado por este jornalista, Chico do Flamengo desconversou diante da pergunta que todos estão fazendo neste momento: qual será sua postura no parlamento com relação ao governo? Não respondeu se vai compor a bancada de oposição, embora tenha sido eleito pelo grupo de Tião Miranda, adversário de Maurino na últimas eleições.
Corda bamba - Chico do Flamengo assume sem saber se fica. Ele está diante de duas ameaças e a maior dela vem do Ministério Público Eleitoral (a outra está no possível retorno de Elka). É que ele teve suas contas desaprovadas - ou reprovadas como preferem alguns juristas - e, certamente, terá seu afastamento proposto pelo MP. Se isso ocorrer, quem assume a vaga deixada por Elka é Gilsim Silva.

Escândalo na Sema envolve deputados

No Diário do Pará de domingo, 06/02/2011

Conversas telefônicas interceptadas com ordem judicial revelam como funcionava o esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) para aprovação de planos de manejo durante o governo de Ana Júlia Carepa. As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) apontam que os envolvidos teriam praticado corrupção ativa e passiva numa organização criminosa que, além de se utilizar de valores obtidos com os ilícitos em suas despesas corriqueiras, ainda tentou esconder os rendimentos desonestos por meio de contas bancárias e bens em nome de terceiros.

O processo corre em segredo na Justiça Federal, mas as transcrições das conversas circulam com desenvoltura entre jornalistas. A propina corria solta e generosa. Até vazamento de informações dentro do MPF foi descoberto. O processo já tem mais de 3 mil páginas.

O DIÁRIO teve acesso às conversas, que envolve servidores da Sema, intermediários, madeireiros, fazendeiros, autoridades do governo passado e políticos como os deputados federais eleitos Cláudio Puty (PT), Giovanni Queiroz (PDT), os estaduais Cássio Andrade (PSB), Bernadette ten Caten (PT) e Gabriel Guerreiro (PV).

O então secretário do órgão, Aníbal Picanço, de acordo com o relatório da investigação, saiu de uma humilde casa no bairro do Reduto para ocupar um apartamento no Umarizal avaliado em R$ 1,5 milhão. O candidato a deputado Sebastião Ferreira, o “Ferreirinha”, tem seu nome citado em várias conversas. Ele tinha muitos clientes entre os madeireiros. E muitos pedidos na Sema.

É possível verificar a pressão exercida para liberação dos projetos sob influência política devido à proximidade da eleição de outubro passado. Um dos diálogos é entre o ex-secretário Cláudio Cunha e Gabriel Guerreiro (PV): “Deputado, aquele seu manejo deve tá saindo já, viu?”. Guerreiro responde: “Tá na sua mão, solte pra mim hoje”. E Cláudio retorna: “Não, vou soltar agora”. Mais adiante, fala para um servidor da Sema que vai atender o deputado e “gastar a tinta dessa caneta com o maior prazer”.

Cássio Andrade, dono de uma empresa que negocia peixes ornamentais, também telefona e cobra celeridade na liberação de seu projeto. “São os meus peixinhos...”, resume. É atendido prontamente. Em outro trecho, Picanço diz para Cláudio Cunha que Bernadete “tá torrando a paciência” e pergunta se ele está acompanhando os processos dela. Cunha responde que sim, mas argumenta que os projetos têm “pendências em Marabá”, que a deputada quer “empurrar goela abaixo”.

ESQUEMA

No dia 16 de setembro do ano passado, uma denúncia feita à PF escancarou o esquema. “Venho denunciar uma quadrilha que há muito tempo está instalada na floresta amazônica, trata-se de pessoas que uniram-se para confeccionar créditos de madeira de forma fraudulenta através de projetos de manejos e aprovados em áreas sem documento e muitas vezes sem nada de mata”.

O denunciante cita que José Vicente Tozetti e seu filho, Carlos Tozetti, com atuação na Transamazônica, uniram-se a um advogado conhecido na Grande Belém como doutor Luiz para influenciar a resolver problemas na Sema e com isso “arrecadar dinheiro para a campanha do PT, ou seja, de Ana Júlia”. A união teve como base um ambicioso e audacioso plano de aprovar plano de manejo em uma área que em sua metade está completamente desmatada e a outra invadida.
“Com muita astúcia e desenvoltura obtiveram êxito na grande fraude, conseguiram aprovar um plano de manejo completamente fraudulento, com mais de 70 mil metros cúbicos, avaliado em R$ 8 milhões”, diz o denunciante. O projeto estava em nome de Isaías Galvão Bueno. A transação foi tão bem sucedida que um jovem de 24 anos, José Vicente Alves Tozetti, comprou um avião de marca Corisco. Os créditos falsos do projeto foram vendidos por um tal de Paulo Sérgio, conhecido por “Paçoca”. (Diário do Pará)