Pages

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Diz-me com quem andas...


Do blog de Aurismar Queiroz, sobre quem desrespeita o direito dos professores.


Não bastasse a vereadora Elka Queiroz em seu discurso mal formado cometer a grosseria, para ser bem suave, de ter chamado os profissionais da saúde de nível superior que estavam na plenária da Câmara Municipal de Marabá, na sessão do dia 19/10, de “cachorrinhos olhando o frango assar”, ao que tudo indica foi armado um circo para enrolar os professores.
Os principais atuantes dessa armação foram as vereadoras Toinha do PT e Irismar do PR. Duas propostas de emenda levantadas pela primeira, articulada pela segunda e apoiada por todos os vereadores pareceu uma maravilha para os professores readaptados e melhor ainda aos professores regentes de sala. Aqueles, até então excluídos do PCCR em apreciação, ficariam com uma gratificação de regência, mesmo sem estarem regendo, de 10%, estes teriam a mesma gratificação no percentual de 15%.   O bom caboclo, que já viu muitas folhas caírem, estava lá para dar o seu aval a tudo que os legisladores emendassem.
E assim foi feito. As emendas e o projeto de lei que institui o PCCR foram votados e aprovados por unanimidade. Era só o bom caboclo, na sua introspecção kantiana, sancionar a lei e pronto, todos estariam satisfeitos (Opa! Todos não, os coordenadores pedagógicos foram esquecidos!). No entanto, não foi isso que aconteceu. O que se fala é que, quando o bom caboclo foi embora, finalmente o prefeito MauRino Trapalhães tomou conta do seu corpo e declarou: “vereador nenhum vai meter o dedo no projeto de lei do executivo! Sanciono o projeto vetando as duas emendas. E, tem mais, somente quando eu voltar da terra dos alemões.
Então, companheiros, esse foi o circo da CMM. Mas, onde estavam os palhaços?


CÂMARA MUNICIPAL DE MARABÁ
REGIMENTO INTERNO

TÍTULO VI
DOS AUTÓGRAFOS DA SANÇÃO, DO VETO E DA PROMULGAÇÃO
Art. 225. Após receber o autógrafo de projeto de lei, o Prefeito, aquiescendo, sancioná-lo-á e encaminhará cópia original da lei à Câmara no prazo máximo de três dias após sanção.
§ 1.º Se o Prefeito julgar o projeto de lei, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, veta-lo-á total ou parcialmente dentro de quinze dias úteis contados da data em que o receber, comunicando ao Presidente da Câmara, no prazo de 48 horas, as razões do veto.
§ 2.º O veto parcial abrangerá somente texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
§ 3.º Decorrido o prazo de quinze dias úteis, o silêncio do Prefei­to do Município importará sanção do projeto.
§ 4.º Comunicado o veto, a Câmara o apreciará em  trinta dias, contados da data de recebimento, em discussão única e votação secreta, e o manterá quando este não obtiver o voto contrário da maioria absoluta de seus membros.
§ 5.º Antes da apreciação de que trata o artigo anterior, o veto deverá receber parecer da Comissão de Justiça, Legislação e Reda­ção.
§ 6.º Rejeitado o veto, o projeto de lei retornará ao Prefeito do Município para promulgação.
§ 7.º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4.º deste artigo, que não flui durante o recesso parlamentar, o veto será co­locado na Ordem do Dia da sessão imediata, independentemente de parecer, suspendendo-se as demais proposições até a votação final.
§ 8.º Se a lei não for promulgada em 48 horas pelo Prefeito nos casos dos parágrafos 3.º e 6.º deste artigo, o Presidente da Câmara a promulgará. E se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente fazê-lo.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Marabá: transporte escolar em situação precária

No Diário do Pará desta terça-feira. Reportagem de Chagas Filho.

Estudantes da rede municipal de ensino que precisam usar os veículos que fazem o transporte escolar em Marabá estão praticamente arriscando a vida. Os ônibus – pelo menos a maioria – estão em situação precária, sem manutenção, e são um perigo para a vida dos alunos. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), subseção de Marabá, encaminhou denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) em Marabá, que está investigando essa situação.
O DIÁRIO teve acesso às imagens de alguns desses ônibus, que transportam crianças e adolescentes em situação que passa longe de ser segura. Caso dos três caminhões pau de arara que atuam no PA Patauá, a 98 km de Marabá, levando alunos das localidades Sítio Novo, Jatobá e Pau Preto até a escola Rachel de Queiroz.
Mas o transporte dos alunos no PA Cabaceiras talvez seja o mais preocupante de todos. O extintor de incêndio do veículo está vencido, as barras de segurança das poltronas não mais existem e as lanternas estão quebradas. Além disso, o ônibus está geralmente todo sujo. E isso não é tudo: o pneu de estepe está solto dentro do ônibus, e os alunos só sentam na parte de cima das poltronas, porque todas estão sujas.
Caso Josiane
Essa situação de insegurança já fez uma vítima em Marabá, a estudante Josiane Rodrigues Bezerra, que se acidentou quando voltava para casa, na vila Murumuru, dois anos atrás. Até hoje ela tem problemas na perna esquerda e quase toda semana busca medicamentos no Hospital Municipal de Marabá para diminuir as dores.
Segundo denúncia do Sintepp, na época do acidente, a família de Josiane teria sido procurada por Antônio Disney Almeida de Souza e Rosicleide Maurício de Melo, funcionários do alto escalão da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Os dois teriam pedido que a família não procurasse a imprensa e autoridades para denunciar o fato. Em troca, teriam dado à família R$ 100 e cestas básicas - com a data de vencimento ultrapassada.
A “visita” aguçou a curiosidade do Sintepp, que desconfiava do envolvimento dos dois servidores na contratação dos ônibus para o transporte escolar no município. Com isso, o caso foi parar no MPF.
O Ministério Público cobrou explicações da Semed e recebeu a resposta de que os ônibus estão contratados por processo licitatório desde a gestão do antigo prefeito de Marabá, Tião Miranda, não havendo nenhuma coerência na denúncia formulada.
Em razão do ponto facultativo dos servidores públicos municipais no dia de ontem, o DIÁRIO conseguiu ouvir os dois servidores citados na denúncia do Sintepp. (Chagas Filho, Diário do Pará)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Seminário discute luta dos povos da Amazônia contra hidrelétricas

De terça (25) até quinta-feira (27), a cidade de Altamira (PA), a 800 quilômetros de Belém, receberá cerca de 600 representantes de comunidades que se consideram ameçadas com a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Eles participam do seminário "Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”. O objetivo do encontro, um "seminário mundial contra Belo Monte", é discutir respostas às situações de risco e impactos produzidos pela usina.
Eden Magalhães, secretário-geral do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afirmou que o encontro é para juntar forças de todas as comunidades da região. Ele ressalta que "todo o Xingu" é contra Belo Monte. "Precisamos unir forças contra essa política desenvolvimentista que o governo brasileiro quer impor", destacou.
Entre as representações, estarão comunidades de pescadores, ribeirinhos, pequenos agricultores, garimpeiros e indígenas. Também participarão indígenas de outras regiões do Pará, como Belém, Santarém, Marabá e sul do estado, além de outros do Mato Grosso, Goiás e Tocantins. Diversas categorias de trabalhadores de todo o estado, por meio de seus sindicatos, virão em caravana para o evento.
O primeiro dia será reservado aos debates sobre o cenário político e socioambiental, além da perspectiva de direitos humanos. Nos outros dois haverá para grupos de discussão e trabalho, e, por fim, a plenária final. O seminário foi proposto por organizações como o Cimi, Comissão Pastoral da Terra (CPT), movimentos sindicais e ONGs. (Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual)

Assassinado mais outro líder camponês

João Chupel Primo, 55 anos, foi morto com um tiro no último sábado, algumas horas depois de denunciar exploração madeireira ilegal na Resex Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão.
O Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que garanta proteção para testemunhas que denunciaram, na semana passada, uma rota de retirada ilegal de madeira da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio e da Floresta Nacional Trairão.
Dos três denunciantes, um foi assassinado no último sábado com um tiro na cabeça. O morto é João Chupel Primo que esteve, junto com outros homens, na sede do MPF em Altamira na quinta passada informando detalhes sobre a exploração madeireira na Resex e na Floresta Nacional Trairão.
Para o MPF, o crime tem relação direta com as denúncias que Chupel fez em Altamira. Ele já havia registrado boletins de ocorrência na Polícia Civil de Itaituba e passado detalhes sobre os madeireiros que agem na região para a Polícia Federal em Santarém e para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração das Unidades de Conservação que estão sendo invadidas por madeireiros.
O morto é uma liderança do Projeto de Assentamento Areia e, de acordo com ele, os madeireiros vinham usando o assentamento como porta de entrada para as matas ainda relativamente preservadas que fazem parte do Mosaico de Conservação da Terra do Meio.
O MPF tem três procuradorias atuando no caso, em Altamira, Belém e Santarém e no último sábado pediu que a Polícia Federal abra inquérito para investigar os crimes ambientais na região.

Últimas notícias sobre a viagem de Maurino à Alemanha

Inventur der Katastrophe
24.10.2011, 18:18
Ein Auto, unter Trümmern begraben, ein zusammengesacktes Studentenwohnheim, mehr als 260 Tote: Am Tag nach dem Beben im Osten der Türkei zählen die Bewohner von Ercis die Opfer der Katastrophe. Sie machen sich mit Berichten von Geretteten gegenseitig Hoffnung - und kritisieren die mangelnde Vorsorge.
·                      
Es ist merkwürdig ruhig in der Stadt, 24 Stunden nachdem die Erde bebte. Ab und zu eine Sirene, ein Aufschluchzen, aber ansonsten haben sich Staub und Stille über Ercis gelegt. Die Bagger, die Retter, sie arbeiten unentwegt, aber es ist eine gedämpfte Hektik, der Schock lässt keine Hysterie aufkommen.
Die Menschen laufen in Gruppen durch ihre Stadt, fast wie in Zeitlupe, sie schauen stumm nach links, nach rechts, machen in Gedanken Inventur: Was steht noch? Sie laufen in der Mitte der Straßen, ständig gibt es Nachbeben, keiner möchte jetzt noch erschlagen werden von herabfallenden Trümmern.
Man muss als Besucher erst einmal gar keine Fragen stellen, man sammelt einfach die an jeder Straßenecke geflüsterten Fetzen. "Wir wissen, dass er lebt, aber sie holen ihn noch immer nicht heraus." - "Geht da nicht hin. Ihr ertragt es nicht." - "Hast du gehört, sie soll enthauptet worden sein."- "Gott sei Dank, uns ist nichts passiert."
ANZEIGE
Der steinerne Bogen, der die Einfahrt zur Stadt markiert, ist zur Hälfte eingestürzt. Danach ist der Weg unpassierbar: Ein Haus ist quer über die Straße gestürzt. Weiter zu Fuß. Ein großes Plakat der Gemeinde wirbt stolz für "das neue Gesicht von Ercis": neu asphaltierte Straßen, unlängst hochgezogene Appartmentblocks. "100.000 Tonnen Asphalt haben wir 2010 verarbeitet!", steht da, daneben lächelt der von Rosen eingerahmte Bürgermeister. Viele der Gebäude auf den Fotos stehen seit 24 Stunden nicht mehr.
Die Kreisstadt Ercis hat es am schlimmsten erwischt, 80 Gebäude hier sind kollabiert. Fünf, sechs, sieben Stockwerke, einfach in sich zusammengesackt. Häuser mitten im Stadtzentrum, die aussehen, als seien sie gesprengt worden. Ein Auto, das es im Vorüberfahren erwischt hat, halb begraben nun. Davor eine Gruppe alter Männer, auch sie in sich zusammengesunken, auf dem Randstein der gegenüberliegenden Straßenseite sitzen sie und warten.
"Wir haben alle Verwandte da drin", sagt einer und deutet auf den großen Berg Schutt. "Aber noch kommt keiner, um zu graben. Es geht so langsam." Murat, sagt er, heiße er, und er habe in seinem Leben schon viele Erdbeben mitgemacht, aber so etwas, so etwas habe er noch nie erlebt. "Da war ein Heulen. Von den Bergen sahen wir Felsen herunterrollen. Ich habe Holz gehackt, mich hat es einen Meter zur Seite geschleudert. Fünf Minuten lang waren wir wie betäubt. Eine solche Wucht."
Es war ein Sonntag. Fast alle waren zu Hause. Auch die Studenten des fünfstöckigen Wohnheims in der Kisla-Straße. Ihr Gebäude knickte ein - und so steht es heute da: schief und verrenkt, als warte es nur auf den letzten Stoß. In der Mitte, wo die Wand herausgefallen ist, ragt nun ein blaues Bett heraus und wird von einem leuchtend roten Vorhang umspielt als wär's ein Gemälde.
Die Studenten konnten wohl alle gerettet werden, der Vizedirektor aber wird noch vermisst, seine Verwandten stehen vor dem Haus, manche Frauen haben die Hände vors Gesicht geschlagen in nicht enden wollender Fassungslosigkeit. Wo einst das Erdgeschoss war, da liegt heute der erste Stock - das Haus hat sich einfach um ein Stockwerk abgesenkt. Die Retter aber trauen sich nicht hin, es kann jederzeit vollends einstürzen.
SIE SIND JETZT AUFSEITE 1 VON 2
------


OAB-PA coberta de vergonha

De Franssinete Florenzano, a bela:


Os advogados paraenses estão envergonhados. É gravíssima a situação na OAB-PA. Pela primeira vez na história do Brasil e da instituição - que sempre teve papel destacado na defesa dos direitos humanos e cidadania, da moralidade e transparência - , a seccional do Pará está sob intervenção, decidida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, através dos votos de 22 dos 26 conselheiros que participaram ativamente do julgamento histórico, ontem, com mais de nove horas de duração e que contou com a presença de 81 conselheiros representando todos os Estados e o Distrito Federal, presidido pelo vice-presidente nacional, Alberto de Paula Machado, do Paraná, diante do impedimento declarado por Ophir Cavalcante.
Estão afastados o presidente, Jarbas Vasconcelos, o secretário-geral, Alberto Campos Júnior, e os diretores Evaldo Pinto, Jorge Medeiros e Albano Martins, até que seja concluída a investigação da venda do terreno da subseção de Altamira e de irregularidades que culminaram na falsificação da assinatura do vice-presidente da OAB-PA. Também foi aberto processo disciplinar contra os acusados. Caso sejam provadas as denúncias, eles podem ser punidos com a perda da carteira da Ordem, ficando impedidos de advogar.

Fogueira de vaidades

Da coluna RD, do Diário do Pará, dia 23/10, domingo:


Atrito
Um dos pontos de atrito na cúpula separatista diz respeito à manutenção do poder de Giovanni Queiroz no comando da campanha. proeminente separatista, o deputado do PDT foi impedido de assumir a presidência da Frente Pró-Carajás, que acabou nas mãos de deputado João Salame (PPS). Queiroz, no entanto, plantou na equipe de Duda o seu genro, Mauro Hide, que atua, a soldo, como preposto do baiano, passando por cima até do presidente da Frente, jornalista de ofício, na condução da comunicação da campanha.
--------
Pois é. Como se não bastasse a denúncia do desaparecimento de R$ 5 milhões doados para o Ipec...

Falando em emancipação

Do prof. Manoel Dutra, em seu blog, domingo 23/10. Verifique as semelhanças com o Estado de Carajás. 

Estado do Tapajós - Vozes de ontem, o que dizem hoje? Estão calados? Na moita?

Reuni aqui algumas declarações que ouvi ou li nos últimos 20 anos a respeito da demanda por autonomia da região do Baixo Amazonas, rebatizada para Oeste do Pará.

São vozes de políticos e de empresários, líderes da classe.  Naquele momento, eram presença freqüente na imprensa, participando de debates que iam além de seus interesses apenas empresariais imediatistas.

Em agosto de 1995, durante a realização da audiência pública promovida em Santarém pela Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Pará, os empresários locais foram representados por Ovídio Gasparetto, presidente da Amazonex, empresa dedicada à exportação de madeira.

Na ocasião, Gasparetto enfatizou ao mestre de cerimônia, que o havia apresentado como vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa): “Deixe a Fiepa fora disso, porque ela é contrária à separação”. E usou palavras particularmente adequadas ao ambiente e ao momento, segundo revela o jornal O Liberal de 31 de agosto de 1995:

“Ovídio Gasparetto disse, com todas as letras, que o governo do Estado mantém o Oeste do Pará a pão e água para  que a  região não se desenvolva e se emancipe. Falou sobre um lobby poderoso existente no sul do Brasil para que a rodovia Santarém-Cuiabá não seja asfaltada e o porto de Santarém não seja ampliado.

Dois anos depois, Gasparetto afirmou em artigo publicado em O Liberal com o título “Por que o Pará parou?”, de 6 de abril de 1997: “De tanto medo que o Oeste do Pará se emancipe e se crie o Estado do Tapajós, essa obra [a BR-163], de vital importância para o Brasil, permanece em estado de hibernação”.


Fernando Yamada, um dos dirigentes da maior empresa comercial do Pará, no jornal O Liberal de agosto de 1996:

...no caso dessa rodovia Santarém-Cuiabá, nós temos que tomar muito cuidado para que Santarém não se torne pólo de Cuiabá. O Estado tem que ser um estrategista, está certo. Isso é uma obrigação dos nossos governantes. É bom a rodovia para Santarém, mas nós devemos saber quais os efeitos práticos da obra. Ela pode fortalecer outra capital e não Belém. É preciso ter muito cuidado com isso, volto a repetir (Yamada, 1996: 3).

Bem antes, em 1991, o IDESP, que é (era) o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Pará, em sua revista Estudos Paraenses, de número 54, publicou extensa matéria assinada pelo pesquisador Sérgio Roberto Bacury de Lira, sob o título Cenários Sócio-Econômicos do Pará (1991-1995), onde se lê:

Boa parte do sentimento [separatista] da população da área [oeste do Estado] decorre do abandono a que ficou relegada pelo governo sediado em Belém, não apenas pelo reduzido volume de obras públicas, como até mesmo por manipulação na devolução dos recursos a que os municípios da região têm direito na partilha tributária, situação que, mesmo se não for real, é utilizada pelos políticos locais para reforçar os sentimentos autonomistas.

O Idesp, naquela mesma publicação, acredita que a implementação de investimentos no Oeste poderia fazer reverter o sentimento separatista e “modificar a imagem do governo paraense” no Baixo Amazonas.
E acrescenta:


O mesmo conceito se aplicaria ao asfaltamento da Santarém-Cuiabá, com a diferença de que essa obra, no caso de separação do Tapajós, não traria qualquer benefício ao Pará. Ao contrário, enfraqueceria ainda mais a função de entreposto comercial que Belém ainda desempenha.

Da sessão especial da Câmara de Vereadores de Santarém, em agosto de 1993, saiu a seguinte moção, com muitas assinaturas:

“Não nos desanimam nem intimidam as manifestações contrárias, e até oficiais, à criação de uma nova unidade federativa; ... os obstáculos estimulam-nos à luta e não descansaremos enquanto não despontar o dia histórico da emancipação”.

 É isso que está escrito na moção de apoio às ações do Comitê Pró-Criação do Estado do Tapajós, decidida em sessão especial da Câmara de Vereadores de Santarém, assinada pelos deputados federais Waldir Ganzer (PT) e Hilário Coimbra (PTB), deputados estaduais Geraldo Pastana (PT), Aldir Viana (PSDB), Benedito Guimarães, (PDS), Wilmar Freire (PMDB), pelo presidente da Câmara Municipal de Santarém, Waldomiro Fernandes dos Santos Filho, pelo presidente da Câmara Municipal de Juruti, pelo prefeito de Santarém, Rui Corrêa (PMDB), seguidos de 14 vereadores de Santarém, integrantes de diferentes siglas.
Onde estarão estas vozes hoje? Caladas? Escondidas? Na moita, à espera do que poderá acontecer após 11 de dezembro?

Do então prefeito de Santarém, Rui Corrêa, que não via vantagens no “desmembramento”, termo evitado pelos militantes talvez porque mais relacionado a separação e menos a autonomia. A declaração está em entrevista concedida ao Jornal Estado do Tapajós, em outubro de 1993:

Ainda não vi um estudo detalhado que comprove, através de números, qual seria o ganho econômico na hora em que você desmembrar. ... Qual seria hoje o custo dessa nova estrutura administrativa para a região?. O prefeito Rui Corrêa reafirmou sua convicção de que, mais importante do que o desmembramento do Estado, é o asfaltamento da BR-163.
Jáder Barbalho, quando senador, em seu gabinete de Brasília, assim respondeu à seguinte pergunta que lhe fiz em 1997:
“Na sua opinião, qual a importância do asfaltamento da rodovia Santarém-Cuiabá para os militantes da autonomia do Oeste do Pará?” A resposta:
Eu não tenho a menor dúvida de que haveria uma repercussão de natureza econômica de tal ordem em favor da região... O problema da região, para a sua transformação, se baseia em dois projetos: a pavimentação da BR-163, que viabilizaria o porto de Santarém como porto de todo o centro-oeste brasileiro, e o programa do Tramoeste, de energia [o chamado linhão de Tucuruí, cujo projeto prevê a extensão de linhas de transmissão desde a usina de Tucuruí aos municípios do oeste do Pará] ... Havendo a rodovia, viabilizando o porto de Santarém e a energia, eu não tenho a menor dúvida de que, com a alteração desses indicadores, seria precipitada de imediato a autonomia política.

O que dizem, ou diriam todos eles hoje, à exceção óbvia de um ou outro que já não se encontra mais neste mundo?

Fechar escolas é crime!

Manifesto publicado nesta segunda-feira no blog do Fórum Regional de Educação do Campodo Sul e Sudeste do Pará - FREC: 


Mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos oito anos. A Educação é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo III, seção I) - direito de todos e dever do Estado. Entretanto, nos últimos anos, milhares de crianças e adolescentes, filhos e filhas de camponeses, estão sendo privados deste direito.

Nos últimos oito anos, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.
Para essas famílias camponesas, o anúncio do fechamento de uma escola na sua comunidade ou nas redondezas significa relegar seus filhos ao transporte escolar precarizado, às longas viagens diárias de ida e volta, saindo de madrugada e chegando no meio da tarde; à perda da convivência familiar, ao abandono da cultura do trabalho do campo e a tantos outros problemas.
O resultado comum desse processo é o abandono da escola, por grande parte daqueles levados do campo para estudar na cidade. É por essa razão que os níveis de escolaridade persistem muito baixos no campo brasileiro, em que pese tenha-se investido esforços e recursos para a universalização da educação básica.
Portanto, fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!
A situação seria ainda mais grave não fosse a luta dos movimentos sociais do campo, por políticas de ampliação, recuperação, investimentos, formação de educadores e construção de escolas no campo. Importantes para reduzir a marcha do descaso dos gestores públicos para com os sujeitos do campo, mas insuficiente para garantir a universalização do acesso à educação no campo.
Denunciamos essa trágica realidade e conclamamos aos gestores públicos municipais, estaduais e federais que suspendam essa política excludente, revertendo o fechamento de escolas e ampliando o acesso à educação do campo e no campo. Conclamamos também a sociedade brasileira para que se manifeste em defesa do direito humano à educação, em defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens do campo frequentarem a educação básica, no campo.
Defender as escolas do campo é uma obrigação, fechar esc olas é um crime contra as futuras gerações e a própria sociedade!
Assinam
Marilena Chauí - Professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)
Dermeval Saviani- Doutor em Filosofia da Educação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),
Gaudêncio Frigotto, Professor Titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) mestre e doutor em Educação
Roberto Leher - Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Celi Zulke Taffarel - Doutora em Educação – Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Sergio Lessa, professor do Departamento de Filosofia da Universidade
Federal de Alagoas Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Elza Margarida de Mendonça Peixoto - Doutora em Educação - Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Attíco Chassot- Doutor em Educação, professor e pesquisador do Centro Universitário Metodista do IPA.
Gelsa Knijnik- Doutora em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Luiz Carlos de Freitas- é professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Cláudio Eduardo Félix dos Santos – Doutorando em Educação - Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Mauro Titton - Professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Daniel Cara - Cientista Político - Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Entidades
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)- Presidente Roberto Franklin de Leão
Ação Educativa - Sergio Haddad, economista, doutor em educação, coordenador geral ActionAid
Centro de Cultura Luiz Freire – (CCLF)
Latinoamericana da educação - Campaña Latinoamericana por el Derecho a la Educación – (CLADE) - Coordenadora Camilla Crosso
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA- CE) -–Coordenadora Margarida Marques
E-Changer Brasil – Solidariedade, construção coletiva, intercambio entre os povos – Coordenação - Djalma Costa

Na rodovia sem dono

Do blog do jornalista Patrick Roberto, nesta segunda-feira:

Tão logo as primeiras chuvas começaram na região e as crateras começam a surgir da BR-155, hoje chamada pelos motoristas de “rodovia sem dono”, uma vez que nem o governo do Estado e nem o federal assumem a sua manutenção. De Marabá a Eldorado do Carajás são muitas as crateras, assim como as erosões nas margens da pista. Sob o viaduto da Estrada de Ferro Carajás, no Km 6, na entrada de Marabá, a buraqueira crônica voltou a surgir, como mostram imagens colhidas na última sexta-feira.