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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vai recrudescer a briga de foice


Velho poder parte para cima de Dilma

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:


Desistiram de Serra, não conseguem confiar em Aécio, ainda não descobriram qual é a de Eduardo Campos e não botam fé na sustentabilidade de Marina Silva. Sem candidatos viáveis para enfrentar Dilma Rousseff, o antigo aparato midiático-jurídico-financeiro resolveu jogar todas as suas fichas para desidratar a popularidade e combater o governo da presidente em várias frentes, após a divulgação das últimas pesquisas que apontam seu amplo favoritismo para ganhar as eleições de 2014 já no primeiro turno.
Acabou a trégua que a grande imprensa concedeu a Dilma, na esperança de desgastar a sua imagem, a do seu partido e a do seu principal cabo eleitoral, o ex-presidente Lula. no episódio do mensalão. Também não deu certo a estratégia de jogar criador contra criatura, preservando a imagem de Dilma enquanto miravam todos os seus ataques em Lula e no PT.

Nas últimas semanas, enquanto criticam a antecipação da campanha eleitoral, colocando a culpa no governo, amplos setores da mídia parecem ter adotado uma pauta única em capas de revistas, editoriais e manchetes de jornais, que consiste em mostrar a inflação fora de controle e o colapso da infraestrutura e dos serviços públicos, diante da inércia do governo.

A um ano e meio da eleição, as críticas já resvalam também para aspectos pessoais da personalidade da presidente, até das suas dificuldades para se expressar com clareza, que teria provocado a polemica em torno do aumento dos juros.

O estado d´alma dos dois principais jornais paulistas se revela nas manchetes políticas desta segunda-feira, que mostram uma estranha coincidência.

"Setor financeiro resiste a Dilma, mas aponta fragilidades de Aécio e Campos", constata o "Estadão", que ouviu "10 influentes integrantes do mercado sobre os principais personagens políticos do País", sob a condição do anonimato.

"Corrida com barreiras" é a manchete da "Folha", que conclui: "A um ano e meio da disputa, pré-candidatos à Presidência da República tentam neutralizar fragilidades e já atuam como se estivessem a poucos meses da eleição".

A explicação está nos números que acompanham o infográfico com os problemas e as vantagens dos candidatos: no último Datafolha, Dilma tem 58% de intenções de voto; em segundo lugar, vem Marina Silva, com 16%, mas ainda sem partido, seguida por Aécio Neves, com 10%, e Eduardo Campos, com 6%. E Dilma, além da sua oceânica aliança, conta com o dobro de tempo de televisão dos seus três adversários somados.

Nem é preciso perder muito tempo lendo o noticiário sobre a corrida eleitoral, que é mais ou menos o mesmo em todas as publicações _ e assim será, pelo menos até que os antigos donos do poder encontrem um candidato confiável para chamar de seu. Até lá, Dilma vai continuar apanhando, já que não há outro jeito de mudar os resultados das pesquisas, embora esta estratégia também não esteja dando muito certo.

A insustentável situação do servidor municipal

Servidor, público desesperado, que se mantém no anonimato para prevenir represálias, conta  a sua situação de constrangimento e apertos financeiros em razão de desacertos ainda não resolvidos sobre pagamento da categoria.
Seu apelo é repercutido aqui, na íntegra, para ver se aparece alguma providência.

"Ademir:
Venho aqui pedir sua ajuda encarecidamente, você que sempre se propõe a divulgar e ajudar.
Sou funcionário público do município e te confesso que não estou em uma situação muito boa financeira decorrente dos atrasos de pagamento e visa vale, assim como centenas de servidores.
Li uma matéria que me preocupou muito dizendo que o Gestor Municipal não irá cumprir os prazos dados para pagamento de salários atrasados.
Essa matéria é decorrente das contratações que atingem 56% da arrecadação, até contrariando o que manda a Lei de responsabilidade fiscal.
O prefeito está colocando a culpa toda nos secretários, dizendo que a culpa é deles e que eles não estão seguindo suas ordens de economizar e que estão contratando muito.
Pelo amor de Deus, Ademir, eu conheço um pouco de Administração Pública e contratação só é feita mediante assinatura e autorização do gestor municipal, principalmente quando se trata de portaria de nomeação.
Isso serve até mesmo para ordenadores de despesas, que é o caso de algumas secretarias.
O que eu entendo é que ele contratou muito, agora esbarrou LRF e está usando os secretários como desculpa.
Agora vai nos deixar na mão, não vai pagar nos atrasados;
Ademir, não se entra na folha sem assinatura do gestor. A não ser que haja mais desmandos do que o governo do Maurino.
Nos ajude, coloque em questão esse assunto".  

Projeto Balsa de Buriti bem recebido em sua passagem por Imperatriz

Largou do cais do porto de Imperatriz, por volta das 15h00 o comboio formado por dois barcos e uma balsa que conduz o Projeto Balsa de Buriti, concebido pela Fundação Casa da Cultura de Marabá, que tem como presidente e idealizador do projeto, o biólogo Noé Von Atizingen. A balsa, acompanhada de um barco motor e uma lancha voadeira atracou no cais no final da tarde de domingo (21), aonde permaneceu por um dia para visitação pública.
Nesta cidade, a equipe de Noé Atzingen, constituída de 17 pessoas, entre remadores, técnicos, fotógrafos, jornalistas, ambientalistas, pilotos e uma cozinheira, foi recebida pelo presidente da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI), Antonio Mariano Lucena Filho, pelo diretor da Fundação Rio Tocantins, Domingos Cezar e pela presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Commam), Ivanice Cândido Almeida.
Em face a compromissos assumidos anteriormente o prefeito Sebastião Madeira não pôde comparecer ao porto para receber o projeto, mas disse ter tomado conhecimento do mesmo, por intermédio do prefeito de Marabá, João Salame Neto, quando aqui esteve recentemente. “Sei que o projeto visa resgatar a história dos nossos desbravadores que saíam daqui para Marabá em busca de trabalho, daí a sua importância”, disse Madeira.
O Projeto Balsa de Buriti começou, efetivamente, na última quinta-feira (18) com uma solenidade no porto de Carolina, a qual contou com a participação de políticos do município de Marabá, bem como pessoas da comunidade, políticos e pioneiro de Carolina, os quais reviveram a ligação entre os dois municípios. As viagens em décadas passadas eram feitas pelo rio Tocantins, a bordo das balsas de buriti.
Em função da hidrelétrica (barragem) de Estreito, que impede a passagem de embarcações, o projeto foi retomado na manhã de sexta-feira (19) no porto de Estreito, onde foi confeccionada a balsa de buriti. A ideia inicial era reproduzir uma balsa semelhante as que eram utilizadas no transporte de pessoas e animais. Nessa tentativa, a balsa transporta grãos, galinhas, entre outras coisas e gêneros.
De acordo com Noé, nas amarras foram usadas cordas ao invés de cipós, porque estes não foram mais encontrados. “Nossa ideia era reproduzir uma balsa do mesmo tamanho, mas também tivemos dificuldades de encontrar pés de buritizeiros, para que pudéssemos tirar os talos para confeccionar a balsa”, afirma o biólogo.
Mas o Projeto Balsa de Buriti, não tem como objetivo único resgatar a história dos sertanejos maranhenses que se dirigiam para plagas paraenses em busca de trabalho. “Nós estamos fazendo em cada cidade que passamos um trabalho de conscientização ambiental junto cada comunidade visitada”, explica Noé Atzingen.
Antes de deixar o porto de Imperatriz, Noé Von Atzingen, que é membro da Academia Sul-Paraense de Letras, foi recebido pelos acadêmicos Agostinho Noleto e Domingos Cezar, na sede da Academia Imperatrizense de Letras (AIL). Na ocasião, Noé conheceu todas as dependências do prédio histórico, fez doação de livros de autores de seu município, bem como recebeu livros de autores locais. (Texto: Domingos Cezar)

                Noé Von Atzingen sendo recebido por Lucena Filho, Domingos Cezar e Ivanice Cândido.
                                                                       (Foto: Almeidinha)

Ex-gerente acusa Vale de espionagem; companhia nega acusações

Revista InfoMoney


Segundo a Veja, o ex-gerente afirmou que diretores da mineradora mandavam grampear funcionários, obter contas telefônicas de jornalistas e infiltrar pessoas em movimentos sociais

Por Lara Rizério  
SÃO PAULO - André Almeida, um ex-gerente da Vale (VALE3; VALE5) na gestão de Roger Agnelli, fez acusações pesadas contra a companhia da qual foi demitido no ano passado, segundo informações da Veja publicadas na coluna de Lauro Jardim.
De acordo com as acusações feitas por Almeida perante a Justiça Trabalhista do Espírito Santo e o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, diretores da mineradora mandavam grampear funcionários, obter contas telefônicas de jornalistas e infiltrar pessoas em movimentos sociais. Ele trabalhava no Serviço de Inteligência em Segurança Empresarial da Vale e afirmou que ele mesmo fazia parte do trabalho encomendado.
Segundo relatado, o ex-empregado da Vale participava da instalação de interceptações telefônicas para vigiar funcionários, sendo que até um ex-diretor da empresa foi monitorado. A Vale afirma que as acusações são infundadas e as atribui ao inconformismo de Almeida por ter sido ''demitido por justa causa''. Dentre outros motivos, afirma a companhia, ele teria usado o cartão de crédito corporativo indevidamente, afirma a mineradora.
A companhia afirma que contratou dois funcionários da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e que faz o monitoramento de movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) e o Justiça nos Trilhos, mas sem infiltrar pessoas. Entretanto afirmou que, na gestão Agnelli, fez vários funcionários abrirem mão do sigilo telefônico para descobrir quem havia falado com jornalistas que publicaram matérias sobre uma negociação em andamento.
Vale afirma que acusações são infundadas e as atribui ao inconformismo de Almeida por demissão por justa causa (Agência Vale)
Vale afirma que acusações são infundadas e as atribui ao inconformismo de Almeida por demissão por justa causa (Agência Vale)

Norte-Sul: Ladroagem sem fim

Em jornal O Hoje:


Trilho ruim compromete Ferrovia Norte-Sul

Produto de empresa chinesa apresenta fragilidade e desgaste antes mesmo do fim da obra, atesta Ministério dos Transportes

Em 21/04/2013, 01:07
Pelo menos 855 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul foram construídos com trilhos de baixa qualidade, importados da China, que reduzirão a quantidade de carga transportada pela via e ameaçam a sua segurança. Mesmo sem ser concluída, muitos trechos já apresentam deterioração demonstrando um gasto milionário do dinheiro público, sem qualquer benfeitoria em contrapartida.
A constatação do material de baixa qualidade foi do Ministério dos Transportes, responsável pela obra, em relatório inédito divulgado ontem. Para não chamar de moles os trilhos de aço importados da China, os técnicos que vistoriaram as obras afirmam no documento que o material tem “baixa dureza”.
A falta de qualidade foi identificada mesmo sem a inauguração da via. Até agora, passaram pelos trilhos já assentados apenas trens transportando carregamentos da própria obra. Os técnicos, consta no relatório, encontraram o aço com vários defeitos. Há partes se despedaçando e manchas que indicam que os trilhos podem trincar.
O relatório aponta que, caso a ferrovia estivesse funcionando com esses trilhos, os problemas levariam a uma redução de sua capacidade. Nessas condições, os trens não poderiam circular – por segurança – na velocidade e com o peso projetados.
A previsão inicial do governo era que o trecho vistoriado da ferrovia, que vai de Anápolis (GO) a Palmas (TO), poderia estar transportando, já neste ano, cerca de 5 milhões de toneladas por mês – mais que o dobro do volume de soja que saiu de caminhão do Centro-Oeste.
Produto
Os trilhos desse trecho da Norte-Sul começaram a chegar da China em 2007. Em contratos que ainda são investigados por órgãos de controle, o governo já recebeu 151 mil toneladas (222 mil barras), ao custo de R$ 470 milhões. Parte dos trilhos segue depositada em um terreno, sem cobertura.
A chegada do material não foi precedida de uma fiscalização adequada pela Valec, responsável pela obra, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). A estatal não fez as checagens para verificar se os trilhos tinham a rigidez determinada no contrato.
Após ser alertada dos problemas pelo ministério, a Valec decidiu contratar uma empresa privada para realizar o serviço. A concorrência deve acontecer em maio.
A estatal também foi acusada pelo TCU de receber trechos da obra sem a devida fiscalização. Com isso, parte do que já estava pronto está sendo destruída pela ação do tempo. Há defeitos construtivos que vão onerar para sempre quem administrar a ferrovia, o que vai encarecer o custo do frete. Um deles é que a plataforma onde os trilhos foram assentados tem tamanho menor que o necessário, aumentando, assim, o custo de manutenção da via.
O TCU encontrou outros defeitos, como má qualidade dos dormentes (madeira ou concreto onde são assentados os trilhos) e curvas fora das especificações, o que impedirá transitar na velocidade projetada, de 60 quilômetros por hora.

Professor e amigo baleados por policial militar


Detido em flagrante e com preventiva decretada, já se encontra preso na Penitenciária de Americano, em Santa Isabel do Pará, a 35 km de Belém, o cabo PM Macêdo, responsável pelo baleamento do professor Bruno Malheiro, do campus da Universidade Federal do Pará em Marabá, e do seu cunhado André.
Os dois encontravam-se à tarde de sábado no Bar do Juarez, na Cidade Nova, assistindo com outras dezenas de pessoas a transmissão do jogo Remo x Paysandu quando alguém estacionou um carro junto a calçada e logo em seguida baixou o vidro e disparou um único tiro sobre a multidão. A bala, calibre ponto 40, rasgou o coro cabeludo do professor Malheiro e atravessou o crânio de André antes de alojar-se na parede externa do bar. O pistoleiro foi imediatamente identificado como o cabo Macêdo, da Polícia Militar do Estado, que saiu do local sem pressa.
Segundo uma fonte, Macêdo dirigiu-se a seguir à ZPOL do bairro e depois circulou por várias ruas disparando sua pistola aleatoriamente, inclusive em frente à casa comercial Lavourão.
As duas vítimas foram levadas inicialmente à Climec e reenviadas para o Hospital Regional, onde foi constatada a superficialidade do ferimento em Malheiro e a gravidade de André, com estilhaços da bala encravados na cabeça.
No domingo de manhã, o professor e seu cunhado foram levados num helicóptero do Corpo de Bombeiros para Belém, quando André foi internado no Hospital Metropolitano, em Ananindeua para submeter-se à cirurgia.
O Comando do 4º BPM em Marabá comunicou à imprensa as providências tomadas e informou que provavelmente o cabo Macêdo foi vítima de surto psicótico, até porque haveriam antecedentes registrados de problemas mentais. Também foram divulgados detalhes da prisão dele e de sua transferência para a penitenciária. De qualquer forma, ele foi enquadrado em dupla tentativa de homicídio. 

Em 100 dias, Prefeitura de Parauapebas tem R$ 442 milhões na conta

No Blog Jornalista Gramatiqueiro



 Total arrecadado e que entrou na conta das prefeituras 
de Parauapebas, Marabá e Belém

 Enquanto a Prefeitura de Parauapebas se esbalda
 com milhões de reais e sem saber o que fazer...

 ...população se afunda no lixo, na escuridão, no esgoto a céu aberto
 e num azar de mazelas sociais no rico município; urubus o protejam

Dinheirama do município não o impede de passar vergonha
 como o 3º do Pará em número de casos de dengue: 
prefeitura rica, população pobre e doente


NADANDO EM DINHEIRO 
Conta-corrente da PMP bate a da Prefeitura de Belém

Nos primeiros 100 dias deste ano, a Prefeitura Municipal de Parauapebas viu seus cofres serem abarrotados com quase R$ 442 milhões, montante recolhido por meio das principais fontes que compõem sua receita. Nenhuma prefeitura paraense – nem mesmo a de Belém, capital do Estado – recolheu tanto em tão pouco tempo.
Três anos atrás, conforme estudo realizado pela Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) intitulado "MultiCidades – Finanças dos Municípios do Brasil 2011", a arrecadação de Parauapebas era a 83ª entre os então 5.565 municípios brasileiros. Foram recolhidos R$ 477.787.083,56 em 2010, o que já fazia de sua prefeitura a segunda mais poderosa do Pará, atrás apenas da prefeitura da capital; e a terceira de maior cacife na Região Norte, atrás da de Manaus e da de Belém.
Agora em 2013, em apenas 100 dias, a prefeitura já arrecadou quase o mesmo tanto dos 365 dias de 2010. Nesse período, só Manaus arrecadou mais na Região Norte, que possui 450 municípios. Até o final do ano, a previsão é de que a arrecadação de Belém ultrapasse a de Parauapebas, tendo em vista que o recolhimento de royalties de mineração – o manancial de dinheiro em que se inunda a prefeitura – tende a desacelerar na "Capital do Minério", ao passo que a arrecadação de tributos na capital do Pará vai aumentar.
Por ora, no confronto direto, a Prefeitura de Parauapebas leva a melhor e mostra que tem bala na agulha. A título de comparação, Belém, com 1.418.804 habitantes em 2013, é pelo menos oito vezes mais populoso que o município de Parauapebas, que até seu aniversário de 25 anos, no próximo dia 10 de maio, chegará a 172.689 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
EXPORTAÇÕES 
Este ano, puxado pelas exportações dos minérios de ferro e de manganês explorados no município pela mineradora Vale, Parauapebas apresenta, até o momento, o maior volume de operações financeiras com o mercado internacional, haja vista ter exportado US$ 2.172.907.355,10. As importações realizadas pelo município, no valor de US$ 65.834.116,05, conferem-lhe saldo superavitário de US$ 2.107.073.239,05 na balança comercial brasileira, o maior até agora.
Em razão desse gigante volume de negócios, envolvendo extração e operações comerciais com os minérios da terra, Parauapebas já arrecadou em 2013 mais Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) que Minas Gerais inteiro. Minas, a propósito, é a Unidade da Federação que mais extrai minérios no Brasil e responde por 51,06% das movimentações no setor mineral, de acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
Só em CFEM ou royalties de mineração, a Prefeitura de Parauapebas foi premiada com R$ 284,6 milhões entre 1º de janeiro e 10 de abril deste ano. É um milhão de reais a mais em relação ao que a mesma prefeitura recebeu durante todo o ano de 2012. Só para comparar, a Prefeitura de Marabá – município onde a mineradora Vale explora minério de cobre, via projeto Salobo – recebeu apenas R$ 3,02 milhões em royalties, 94 vezes menos que Parauapebas.
OUTRAS FONTES 
Além disso, nos 100 primeiros dias deste ano, a prefeitura da "Capital do Minério" arrecadou R$ 92 milhões em Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa); R$ 27,1 milhões em Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e outras taxas de recolhimento, segundo a própria prefeitura local; R$ 23 milhões em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), conforme dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN); e R$ 15,2 milhões via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), também de acordo com a STN.
Na ponta do lápis, a Prefeitura Municipal de Parauapebas encheu sua conta-corrente com R$ 441.856.760,46, quantia que faz inveja às prefeituras consideradas mais ricas no Estado: a de Belém, que – por não se beneficiar diretamente com royalties de mineração – teve "apenas" R$ 385,3 milhões na conta bancária no período; e a de Marabá, a qual, mesmo considerada "falida" por seu gestor, ainda movimentou R$ 108,4 milhões nas mesmas fontes.
DARIA, PODERIA... 
A fortuna no saldo bancário da PMP daria para eliminar de vez a imundície que assola boa parte das ruas da sede urbana de Parauapebas, considerada a segunda praça financeira do Pará. Isso porque, com os quase R$ 442 milhões guardados a sete chaves no cofre da prefeitura, poderiam ser construídos ao menos 4.803 quilômetros de redes de esgoto, uma quantidade superior à real necessidade local. Em termos de segurança pública, essa quantia seria mais que suficiente para construir e aparelhar 9.206 postos policiais; na educação, seriam eliminados os anexos e o turno intermediário (ou "da fome"), visto que poderiam ser construídas, no mínimo, 32.022 salas de aula de primeiro nível; e na saúde, para resolver parte do caos do setor, poderiam ser erguidos 1.534 postinhos totalmente equipados ou adquiridas 5.489 ambulâncias novinhas em folha.
No entanto, o que se visualiza é o fato de esse mesmo valor arrecadado ser equivalente ao total que a população parauapebense tem de rebolar para pagar em impostos, desde o primeiro dia deste ano até 22 de julho, a fim de alimentar o governo e enxugar as contas deste. É o suor alheio sendo derramado em favor dos cofres públicos e, por conseguinte, em desfavor de quem o gera.


E OS INVESTIMENTOS?
População pagou R$ 198 milhões em impostos em 100 dias

Tem mais: todos os cidadãos parauapebenses pagaram em tributos, entre 1º de janeiro e 10 de abril deste ano, a "bagatela" de R$ 197.974.940,73, de acordo com o "Impostômetro", do Governo do Estado de São Paulo. Enquanto os benefícios dos royalties ou da arrecadação de impostos não chegam à população, e mesmo esta sendo cobrada em diversas taxas (para nascer, para viver e até para morrer), os números do "Impostômetro" indicam que muita coisa daria para ser feita em benefício da comunidade parauapebense, caso os tributos fossem revertidos em benesses sociais. Daria.
Com os quase R$ 198 milhões tirados dos cidadãos, daria para construir ao menos 687 postos de saúde equipados; ou 14.346 salas de aula de primeiro mundo; ou contratar, no mínimo, 14.841 professores de ensino fundamental por ano; ou asfaltar, com material de primeira, os 172 quilômetros que separam Parauapebas de Marabá; ou construir 5.656 casas populares de 40 metros quadrados; ou comprar pelo menos 2.459 ambulâncias.
Para viver no município, cada cidadão de Parauapebas tem de contribuir, na marra, com R$ 1.165,86, em média – um valor exorbitante para viver na terra que mais extrai minérios no país e que, portanto, mais arrecada por isso.
E a forca dos impostos não para por aí. Este ano, até 31 de dezembro, os parauapebenses deverão desembolsar R$ 824.257.496,68 em tributos ao governo, uma quantia suficiente para pagar 1.325.173 salários mínimos. Em 2014, do primeiro ao último dia do ano, os parauapebenses vão pagar R$ 956.030.465,72 em impostos. Todavia, nada disso se vê – ou se verá – na prática. É hora de a população começar a cobrar.

domingo, 21 de abril de 2013

Salários no Santa Cruz são pagos pelo Detran



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Salários no Santa Cruz são pagos pelo Detran (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Um azeitado esquema de desvio de dinheiro público está sangrando os cofres do Departamento de Trânsito do Estado (Detran), segundo órgão que mais arrecada no Estado e que hoje é controlado com mão de ferro pelo senador Mário Couto (PSDB). O esquema é rentável e bastante simples: pessoas escolhidas a dedo pelo tucano entram na folha de pagamento do órgão e mensalmente repassam tudo ou a maior parte do que recebem para a folha salarial da Associação Atlética Santa Cruz, da localidade de Cuiarana, interior do município de Salinópolis, que tem como patrono e presidente de honra justamente Mário Couto.
O desvio ajuda a entender como o “Mister M” de Cuiarana operou a mágica de transformar um clube inexpressivo do interior paraense numa agremiação com ares de Primeiro Mundo, com estrutura de deixar no chinelo até mesmo clubes tradicionais como Remo e Paysandu. Especula-se que, por baixo, a folha salarial do clube alcance R$ 400 mil por mês. Dirigentes esportivos sempre quiseram saber como se dá o milagre da multiplicação do dinheiro no Santa Cruz. Há pouco mais de três anos e em pleno mandado no Senado, Couto resolveu reformular o pequeno clube de Salinas. Desde então, o dinheiro não para de jorrar. A agremiação, com pouco mais de 15 anos de existência, despertou olhares nos quatro cantos do Estado.
Mas se o patrocínio é pequeno e não há renda decorrente dos jogos, como Couto consegue bancar toda a infraestrutura e ainda arcar com a folha milionária do plantel e comissão técnica do Cuiarana?
Algumas respostas para o mistério foram obtidas pelo DIÁRIO. Jenekelly, esposa do lateral-esquerdo Rayro, do Santa Cruz e ex-Águia de Marabá, conseguiu um cargo no Ciretrans (agência do Detran) de Salinópolis. E fontes que atuam no órgão garantem que grande parte do salário do lateral é pago com os vencimentos que a esposa recebe do órgão estadual. O mesmo esquema beneficiaria o atacante Thiago Floriano, que também tem a esposa Thuana Pícoli Floriano de Souza na folha do Detran. O ex-jogador Daniel também tinha a irmã lotada no Ciretrans de Salinópolis, sendo beneficiário do mesmo esquema enquanto jogou no clube.
As mesmas fontes informaram que Alizabeth Thamires de Souza Cordovil, esposa do volante Mael, foi nomeada a mando do senador tucano diretora da unidade do Detran em Salinópolis. Vivine Freitas Leão, esposa do jogador Balão, também é lotada no mesmo Ciretrans. Pelo menos 18 pessoas lotadas no Ciretrans do município integram o grupo do clube de Mário Couto. Algumas delas sequer residem no Pará, mas em São Paulo. Outras recebem por procuração e uma parte aparece na unidade apenas para assinar a frequência.
DEPÓSITOS 
Todos os jogadores e empregados do clube são pagos em dia, mas alguns deles demonstram certo desconforto. É que nas contas bancárias onde recebem os proventos todo mês alguns dos depósitos são feitos a partir de outros Estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Ninguém sabe o motivo e nem ousa questionar o mandatário do clube sobre a estranha origem dos recursos depositados.
Depois que o Santa Cruz ficou fora do quadrangular decisivo do returno do Parazão, a questão é saber se o Mister M de Cuiarana continuará a manter a farsa às custas do erário, pagando as mordomias e a folha milionária. Especula-se na região de Cuiarana que não haverá problema, já que Couto continuará, de fato, a comandar o Detran, sua “galinha dos ovos de ouro”.
A atual Rainha da Inglaterra do Detran atende pelo nome de Walter Wanderley de Paula Pena, ilustre desconhecido que veio de Salvaterra, passou pela Colômbia e morava no interior de S. Paulo até ser chamado por Couto para o órgão. A atual mulher de Walter Pena é sua chefe de gabinete e sobrinha de Ana Duboc, mulher de Sérgio Duboc, ex-superintendente do órgão - e que caiu em 2011 em meio ao escândalo de desvio de verbas na AL na gestão de Couto. Hoje foragido, Duboc era diretor financeiro da casa na gestão do tucano e teve mandado de prisão emitido pela Justiça por conta dos escândalos na Assembleia. Roberto Pena, irmão de Walter Pena, é considerado eminência parda dentro do Detran e integrava o staff de Couto quando presidia a Assembleia.
TIME DE ESTRELAS
O patrono tucano de Cuiarana montou um verdadeiro time de estrelas para a disputa do Parazão 2013, trazendo jogadores que atuaram em clubes de primeira linha do futebol brasileiro, como Waldir Papel (que jogou no Ceará e Guarani e foi cobiçado por Remo e Paysandu) e Fumagalli (atacante do Guarani de Campinas) que abandonou o clube no meio do campeonato para vir para o Santa Cruz.
No site www.futeboldointerior.com, foi divulgada uma entrevista de Fumagalli, que chegou a chorar ao se despedir de seu antigo clube. Afirmava que a proposta de Couto era “irrecusável”. Nos meios esportivos comenta-se que o pacotão que trouxe Fumagalli para o Cuiarana teria custado R$ 400 mil por um mês de contrato, transação altíssima para os padrões do futebol brasileiro - e inimaginável na realidade do paraense.
O atacante Ratinho preteriu Remo e Paysandu para fechar com o time de Cuiarana. Também foram atraídos com propostas irrecusáveis o meia Flamel, e o zagueiro Léo Fortunato - que já atuou em Portugal e veio do Cruzeiro, com status de zagueiro de Seleção Brasileira. A média salarial desses jogadores gira em torno de R$ 20 mil mensais. Só a comissão técnica do clube, comandada por Sinomar Naves, receberia R$ 60 mil por mês. O centro de treinamento impressiona: tem piscina, um salão de festas em área anexa ao estádio, além de alojamento, sauna e refeitório. As arquibancadas são rodeadas por alambrados de acrílico, a exemplo do que existe no estádio do Santos (SP) e do Atlético (PR). Jogadores e comissão técnica moram em casas alugadas em Salinas por Couto, muitas delas com piscina. Nos deslocamentos, o clube usa com ônibus particular. Todo o investimento teria custado, segundo experts na área esportiva, cerca de R$ 5 milhões - que seguramente não vieram do salário de Couto como senador -cerca de R$ 17 mil líquidos no contracheque do Senado.
Time arrecada só R$ 30 mil ao mês
O DIÁRIO pesquisou as fontes de renda do clube de Cuiarana. Um dos apoiadores da agremiação é o grupo Y. Yamada, que não entra com dinheiro. Fornece apenas material esportivo ao clube. Do Banco do Estado do Pará, recebe R$ 15 mil ao mês. O clube de Cuiarana também recebeu R$ 90 mil (cota única) repassados pela Funtelpa pela transmissão dos jogos. Somando tudo, o Santa Cruz de Cuiarana arrecada pouco mais R$ 30 mil ao mês.
Em entrevista ao caderno Bola no segundo semestre do ano passado, Couto disse que teve que se livrar de patrimônio para investir no clube. Afirmou que a receita para o pagamento em dia deriva de outras formas de renda, como o aluguel do salão de festas do clube. Em julho do ano passado, o senador garantiu ter contabilizado inacreditáveis R$ 380 mil limpos apenas de aluguel do espaço. É pouco provável que a renda do salão de festas do Santa Cruz faça com que o espaço renda mais que o badalado Hangar Centro de Convenções, em Belém, que não alcança esse faturamento mensal.
PREJUÍZOS 
Apesar da estrutura de clube grande, o Santa Cruz não tem torcida e tampouco tem renda que justifique o megainvestimento. O jornal teve acesso a três borderôs de jogos realizados pelo clube no primeiro semestre. Eles mostram que jogos do realizados no estádio “Mário Couto” são sempre deficitários. Em 17 de janeiro passado, o Santa Cruz foi derrotado por 2x1 pelo São Francisco de Santarém. Foram vendidos apenas 231 ingressos e arrecadados R$ 1.870,00. As despesas totalizaram 4.467,46, ficando um déficit de R$ 2.597,46. Três dias depois, a 20 de janeiro, o Santa Cruz novamente entrou em campo em Cuiarana, derrotando a Tuna por 1x0. 
Foram vendidos 240 ingressos e arrecadados R$ 2.898, com uma despesa de R$ 5.083,10, ficando um déficit de R$ 2.185,10.
Mesmo quando há um público razoável decorrente da doação de bilhetes patrocinado pelo Mister M de Cuiarana, o prejuízo permanece. Foi o que ocorreu na partida realizada no último dia 20 de março, quando o Santa Cruz venceu o Águia de Marabá por 2x1. Couto colocou à venda 1,2 mil ingressos ao valor de R$ 1,00. Todos os bilhetes foram “vendidos”. A arrecadação foi de R$ 1,2 mil, só que o total das despesas chegou a R$ 4.322,00 e o prejuízo alcançou R$ 3.122,00.
Mansão cinematográfica no interior de Salinópolis
Quem vai a Cuiarana não pode deixar de conhecer a mansão cinematográfica que o senador Mário Couto possui na localidade - que pela sua riqueza e imponência, já se transformou num ponto turístico. A mansão daria inveja até ao bilionário Eike Batista. O imóvel ocupa uma quadra inteira e tem no seu interior inúmeros aposentos, um campo de futebol de dimensões especiais, guarita de vigilância e dois sofisticados iates. Difícil explicar toda essa imponência, quando se sabe que todos os bens de Couto estão bloqueadas pela Justiça.
As questões são: qual o interesse que levou o senador a investir numa pequena vila no interior de Salinópolis? Será pelos inúmeros braços de rio que chegam até a localidade e pelo crescente interesse do tucano pelas atividades náuticas? De onde vem tanto dinheiro?
Informações extraoficiais dão conta de que o governador Simão Jatene teria conhecimento de parte do que vem acontecendo em Cuiarana e no Detran - e estaria bastante incomodado com a situação.
Para procurador, AL foi alvo de saque e assalto
As investigações do Ministério Público acerca do mega-esquema de desvio de recursos públicos durante a gestão do hoje senador Mário Couto (PSDB) na presidência da Assembleia Legislativa do Estado (entre 2004 e 2007) estão na reta final. Além de ter pedido e conseguido o bloqueio dos bens do senador, da sua filha a deputada Cilene Couto, e de mais 38 pessoas, o MP vai pedir ainda na Justiça a devolução dos mais de R$ 13 milhões que foram desviados dos cofres da casa durante a gestão de Mário Couto.
“Essas pessoas [Mário e Cilene Couto] tem legitimidade porque foram eleitas para zelar pelo erário público. E elas foram as primeiras que saquearam, que vilipendiaram esse erário. Por isso uma das medidas mais importantes é a devolução do que foi desviado para o erário, que foi assaltado...”, afirma o Procurador de Justiça Nelson Medrado, que investigou o escândalo de desvio de verbas na AL. O Ministério Público quer afastar a certeza da impunidade, que motivou o esquema de desvio de dinheiro público, no poder do legislativo. E a promotoria está atuando em duas áreas: na criminal, onde solicitará que os envolvidos paguem com penas de prisão; e na área da improbidade, exigindo o ressarcimento do que foi desviado do erário.
O MP também já enviou à Procuradoria Geral da República as provas coletadas contra o senador Mário Couto, resultado de mais de um ano de investigação, para que seja aberto o processo criminal, já que nessa área o senador tucano goza de foro privilegiado e só pode ser processado no Supremo Tribunal Federal. Pelo menos onze processos licitatórios teriam sido fraudados entre os anos de 2004 e 2007.
BENS BLOQUEADOS
Os desvios somam, segundo cálculos do Ministério Público Estadual, R$ 13 milhões. Mário Couto está com os bens bloqueados por decisão da Justiça do Pará. Com isso, a Justiça impede a transferência de bens para terceiros, garantindo que, em caso de condenação, o senador possa ressarcir o erário público.
O escândalo protagonizado por Mário Couto ficou conhecido como “Tapiocouto” e, segundo o Ministério Público, foi baseado no pagamento de serviços não realizados a empresas fantasmas que pertenciam a servidores da casa ou a parentes de servidores. A campeã de recebimentos foi a Croc Tapioca, que, segundo denúncia do MP, vendia “do feijão ao avião” para a AL. As denúncias de desvio de recursos públicos já tiveram desdobramentos na Justiça Estadual. Isso porque o foro privilegiado de Mário Couto não se aplica ao julgamento por improbidade, que corre na esfera civil, e que pode obrigar o senador a devolver aos cofres públicos o dinheiro desviado. No Pará, os promotores já apresentaram denúncia contra Couto. Ele é réu em três ações.
Além dos pagamentos às empresas que, supostamente, prestavam serviços à AL, havia também o esquema de desvio de dinheiro através de uma folha salarial extra. “Era tudo feito às claras! Era facilmente perceptível. A Assembleia tinha uma folha oficial que era paga e uma segunda arquivada, que era metade da oficial. Se o controle interno da Assembleia Legislativa tivesse atuado, descobriria facilmente o esquema”.
Só que Cilene Couto, atual deputada estadual, e filha do senador Mário Couto, controlava o controle interno, e um outro filho do senador trabalhava na auditoria da casa. “Houve uma cegueira deliberada. As pessoas se fingiam de cegas para permitir os saques. Era impossível não saber o que estava ocorrendo. Era grandioso, monumental [o esquema]”, aponta Nelson Medrado, Procurador de Justiça. A investigação do MP colheu depoimentos mostrando que saíam, por semana, de R$ 400 mil a R$ 600 mil do Banpará para servidores da Alepa.
Da contravenção às bravatas e maracutaias
Mário Couto sempre teve sua vida pública associada à contravenção. Foi lá, no submundo do jogo do bicho que o hoje senador começou sua carreira. Isso ocorre desde a década de 80. Couto foi um dos líderes da contravenção penal em Belém nas décadas de 1980 e 1990, quando se intitulava “porta-voz” da Associação dos Banqueiros e Bicheiros do Estado do Pará.
Proprietário da banca de jogo “A Favorita”, o tucano vivia cercado de seguranças armados. Fotos e matérias dos jornais DIÁRIO DO PARÁ, “A Província do Pará” e do próprio “O Liberal” - que hoje é porta-voz do contraventor -comprovam o passado que o tucano insiste em negar. Os veículos mostravam na época Mário Couto constantemente ao lado de bicheiros, ameaçando delegados e policiais civis que cumpriam a lei. Sua atuação como bicheiro resultou, em 16 de janeiro de 1989, em denúncia feita pelo Ministério Público (documento ao lado), através do promotor José de Ribamar Coimbra, em crime previsto no artigo 317 do Código Penal.
Desde que assumiu seu mandato no Senado Federal, o tucano Mário Couto adota a memória seletiva, esquecendo sua vida pregressa. Tenta vestir a capa de paladino da moralidade e, sempre alterado e utilizando bravatas, ocupa a tribuna, bate na mesa, condena o comportamento de adversários políticos, faz acusações sem provas e ataca quem não pode se defender.
Talvez para chamar atenção da imprensa nacional, que assim como seus pares na casa, simplesmente o ignora. A encenação só encontra eco em Belém nas páginas de “O Liberal”, jornal comandado pelo presidente das ORM, Rômulo Maiorana Júnior, o “Rominho”, figura com quem o senador divide afinidades e intimidades, apesar de já ter sido chamado várias vezes de criminoso e posado na primeira página desse jornal com gesto obsceno, ofendendo a população.
Bens cresceram quatro vezes
Os desvios de dinheiro da AL eram feitos através de fraudes na folha de pagamento e em processos de licitação forjados. Quando assumiu a presidência, Mário Couto nomeou pessoas da confiança dele para cargos estratégicos, que viabilizariam o esquema. A filha Cilene Couto ficou com a presidência da Comissão de Controle Interno, responsável por fiscalizar as contas da casa, de onde só saiu para disputar o cargo de deputada estadual. O amigo e assessor Sérgio Duboc assumiu o departamento financeiro. A maracutaia funcionava assim: empresas eram criadas para concorrer e vencer licitações. O pagamento por serviços que nunca foram prestados acontecia livremente. No Banpará, uma integrante do esquema recebia os cheques pagos pelo gerente por ordem de Duboc.
“Pelas normas bancárias, o cheque só pode ser pago às pessoas indicadas no cheque, mas por pressão do Duboc, os funcionários eram obrigados a pagar, senão ele ameaçava tirar o dinheiro do banco. Até ameaçava com sua condição de servidor do Banco Central. Só que quem retirava o dinheiro do banco eram os servidores que participavam do esquema e nunca as empresas”, detalha Medrado. Após ser denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa, Couto, furioso, tentou intimidar o juiz do processo que bloqueou os seus bens, Elder Lisboa, acusando o magistrado de cobrar propina através de um advogado, mas a farsa não vingou e o senador foi desmascarado. Couto usou um jornal local para divulgar gravações que mostrariam suposta tentativa de extorsão feita pelo advogado Paulo Hermógenes em nome de Lisboa.
Segundo o senador, o juiz teria pedido R$ 400 mil para livrá-lo das ações envolvendo as fraudes na AL. Até hoje, nem Couto e nem o jornal apresentaram as gravações e o episódio foi visto como uma tentativa de intimidar o juiz. Mário Couto, aliás, é conhecido pelas tentativas de intimidação contra os que se opõem aos seus interesses. Nelson Medrado também foi atacado por Couto, que, em pronunciamento no Senado acusou o promotor de agir movido por interesses pessoais. “Esse esquema não foi feito às escondidas, não. Era tudo às claras e facilmente perceptível. Descobrimos que em um ano foram gastos R$ 26 milhões numa reforma num prédio como o da AL, que se constrói por no máximo R$ 8 milhões. Ou seja, se gastou três vezes mais que o valor do prédio”.
Não custa lembrar que em 2002, quando se candidatou a deputado estadual, o patrimônio de Couto declarado à Justiça Estadual era de R$ 138.800,25. Sua relação de bens se resumiam ao apartamento 501 da rua Arcipreste Manoel Teodoro, 390, centro de Belém, avaliado em R$ 62.457,53; a uma casa em Salvaterra, no valor de R$ 34.698,62; e a uma casa no lote 32, quadra 8, do loteamento Parque Verde, que valeria R$ 41.636,40; além de R$ 7,70 em quotas de capital da empresa Só Ferro. Já em 2006, candidato ao Senado - e depois de presidir por três anos a Assembleia Legislativa -, os bens declarados pelo senador tucano haviam mais que quadruplicado, somando R$ 598.852,49.
(Diário do Pará)

Vale a pena ler: Corrupção endêmica ataca Minha Casa

O Mocorongo:


Editorial do jornal O Globo:
No vácuo do crescimento do fisiologismo na vida pública, em que vale tudo no toma lá dá cá para preservar e ampliar poder — inclusive desviar dinheiro público para a compra literal de apoio político, como no mensalão —, multiplicaram-se redes de rapina numa zona cinzenta na fronteira entre a política e a criminalidade.
Malhas de corrupção começaram a ficar mais expostas no início do governo Dilma, naquela fase de “faxina” ministerial, com destaque para a desenvoltura com que o PR do senador Alfredo Nascimento, do mensaleiro Valdemar Costa Neto e Juquinha (José Francisco das Neves) da Valec administraram o bilionário orçamento dos Transportes.

“Malfeitos” também foram constatados na Agricultura e Turismo, Pastas ordenhadas pelo PMDB, e no Esporte, sob os cuidados de companheiros do PCdoB de Orlando Silva.

Ali foram identificados esquemas montados com a finalidade de dragar dinheiro público para legendas — e projetos pessoais, é claro. Engrenagens de corrupção só colocadas em movimento pela conivência de altos escalões nos ministérios.

Já o esquema de rapinagem, revelado domingo pelo GLOBO, no programa de habitação popular Minha Casa Minha Vida chama a atenção para desdobramentos dentro da máquina pública da disseminação da prática do roubo do dinheiro do contribuinte.

Desta vez, são ex-funcionários do Ministério das Cidades, treinados nos meandros burocráticos do programa de habitação, que montam na esfera privada um esquema malandro, para atuar junto a cidades pequenas, de no máximo 50 mil habitantes, onde não transita a Caixa Econômica com seus auditores.

Daniel Vital Nolasco, diretor de Produção Habitacional do ministério até 2008, e Fernando Lopes Borges, da Secretaria Nacional de Programas Urbanos, alegado sócio oculto na empreitada, exonerado em 2010 por abandono do cargo, são alguns dos personagens da trama.

Como costuma acontecer em quadrilhas, a história só emergiu porque quadrilheiros brigaram. Fernando Lopes seria representado na empresa de fachada do grupo, a RCA, pelo irmão Ivo. Com a sua morte, veio o desentendimento em torno de dinheiro e Fernando recorreu à Justiça, onde relata o funcionamento desta máfia habitacional criada para explorar, no pior sentido da palavra, o Minha Casa Minha Vida.
Em depoimentos, Fernando, sem apresentar provas, denuncia que o esquema começou com Erenice Guerra, derrubada da Casa Civil por tráfico de influência. Atira, ainda, no PCdoB, ao qual Daniel Vital é filiado. O partido seria beneficiado por desvios feitos por manobras em negócios em que o grupo atua em diversas pontas no Minha Casa — contratante de construtoras, fiscal de obras, agenciador de prefeitos etc.
A corrupção na máquina pública parece ter entrado num estágio de endemia. É detectada no atacado e no varejo. O mundo dos pequenos negócios municipais, financiados com farto dinheiro federal, se mostra repleto de oportunidades.

Ecos do Pessach - a travessia


ITAGUATINS: Balsa de buriti passa por Correnteza de São Sebastião

Balsa nas proximidades de Itaguatins
Balsa nas proximidades de Itaguatins
A população de Itaguatins recebeu, no final desta tarde de sexta-feira, 19,  a balsa de buriti, que partiu na quinta-feira, 18, de Estreito-MA, com destino a Marabá-PA, retratando a viagem original que resultou na fundação de Marabá.
A recepção calorosa à balsa ocorreu no porto principal da cidade, com  moradores ribeirinhos saudando os viajantes e demonstrando enorme curiosidade em saber detalhes da viagem que refaz o mesmo percurso dos desbravadores do Tocantins, no início do século XX.
Ao partir de Estreito, o vice-prefeito de Marabá, Luiz Carlos Pies, e a presidente da Câmara Municipal de Marabá, Júlia Rosa, foram recepcionados pelo prefeito daquele município,  Cícero Neco Morais, o “Cicin, juntamente com outras autoridades locais.
Na oportunidade, o prefeito de Estreito entregou a Luiz Carlos Pies a bandeira daquele município (foto acima) para ser hasteada, na balsa, ao lado das bandeiras de Marabá, Carolina e as demais representações de municípios que serão aportados pela balsa.
Neste sábado, 20, pela manhã, a balsa deixou Itaguatins com destino a Imperatriz.
Correnteza de São Sebastião assusta
Quando a balsa chegou à correnteza São Sebastião, em frente a cidade de Itaguatins, a força das águas do rio assustou os doze integrantes da balsa.
Momento de tensão durante travesia na correnteza São Sebastião
Momento de tensão durante travesia na correnteza de São Sebastião
Como nas últimas 72 horas o nível do rio baixou bastante no entorno daquela região, a correnteza estava mais forte do que supunha a tripulação.
Para que a balsa descesse com total segurança, uma pequena lancha conduziu a embarcação de buriti pelo canal mais apropriado. (Com informações de Hiroshi Borgea/Fotos:Helder Messias)