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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Amat: de rerum novarum ao dejà-vu da bola de meia


Aos 53 dias do seu governo, o prefeito João 23 já amargou uma derrota que qualquer observador político dava como certa. Até os buracos de olaria sabem que desde sua fundação por Haroldo Bezerra, na década de 90 do século passado, o eleitorado da Amat vota em quem lhe assegura privilégios, vantagens, quaisquer compensações.
No “quem dá mais?” da maioria dos prefeitos-eleitores Jatene e sua máquina estatal prometeu asfalto – a panaceia com que prefeitos liliputianos pensam assegurar a sobrevivência política. Salame, sem cacife, tentou reanimar – em vão - a fantasia da emancipação de Carajás – apenas um sonho que a sensatez arquivou até que condições objetivas nos permitam desarquivá-lo. 
Salame perdeu. E perdeu feio: 11 votos a 25. Um solitário voto em branco assinalou o protesto anônimo contra todos os arranjos.
No dia seguinte João 23 sacou a metralhadora e disparou suas balas de festim no vencedor, (Sancler Ferreira, que encabeçava chapa única, manipulada por Jatene); nos que o elegeram; em Simão Jatene; e, por que não?, na Amat que antes não queria e depois mudou de ideia.
“O prefeito de Tucuruí , diz em nota João 23, não moveu uma palha na luta pela criação do Estado de Carajás, disse Salame em nota depois da derrota. Não participou de um comício, de uma reunião sequer. Nem mesmo no seu município. Não por acaso foi justamente em Tucuruí que tivemos a menor votação no plebiscito. Cerca de 66% dos votos, contra mais de 95% na maioria dos municípios da região. Não seria justo que exatamente esse prefeito se tornasse presidente da Amat, que tem no seu estatuto a luta pela criação do Estado de Carajás como prioridade.
Mais grave ainda é que sua candidatura passou a ser articulada diretamente pelo governo do estado, que liberou secretários para montar acampamento em Marabá oferecendo asfalto para os prefeitos votarem na sua chapa. Vários prefeitos confessaram este fato. Um outro chegou a dizer que sua fazenda foi invadida e se não votasse no candidato do Governo, a polícia não iria retirar os ocupantes de sua propriedade”.
Nem a Amat escapou: “perdeu importância. Deixou de unir os prefeitos para lutar pelo Carajás, pela hidrovia do Araguaia Tocantins, pela pavimentação de nossas estradas, para se impor diante do Governo do Estado e exigir tratamento igual ao que é dado à prefeitura de Belém. Só na data da eleição da Amat ela volta a ter alguma importância como moeda de troca para migalhas, para promessas na maioria das vezes não cumpridas”.
Como se vê, as trombetas de Jericó não deixaram pedra sobre pedra. Mas faltava o grand-finale: imediatamente João 23 retirou Marabá da Amat que ele não queria, mas queria.
Dessas coisas novas, eu fiquei com uma sensação de dejà-vu. Deve ser coisa de idoso, fustigado por lembranças despertadas pelo centenário da cidade. Eu me lembrei com insistência dos tempos de infância, quando os peladeiros de rua j0gavam em qualquer pedaço de chão disponível e usando até bola de pano, confeccionada com meia velha e mulambos. Dividiam-se em grupos proporcionais à quantidade da turma na grade de espera, colocavam pedras demarcatórias do gol e tinham regras que dispensavam a intervenção de juiz. Macaca não valia, acabava em briga, rixa, fim de amizades.
Um gol na partida, e o grupo perdedor saía, entravam outros “times” por ordem de chegada, e o negócio rendia até que o sol esfriasse, quando quase todos corriam para o banho no rio.
Isso acontecia todo santo dia no Granito, Granitim, e no buraco onde construíram mais tarde o Armazém Paraíba, na Praça Duque de Caxias, e ali depois da ponte atrás da igreja do São Félix onde havia no meio da rua um cajueiro deitado no chão e copa acima das casas, e na frente da casa Amim Zalouth, perto do Tocantins, onde inventaram de  construir a Conab, fechando a janela para o rio.
Então começaram a surgir os “granfos”, como chamavam os peladeiros àqueles filhos de comerciantes endinheirados que chegavam ao campinho com jogo de camisas no ombro, bola oficial debaixo do braço, devidamente equipados com a camisa 10, tornozeleira e calções caríssimos.
Autossuficientes, escolhiam a dedo os que achavam os melhores, uniformizavam-nos e tomavam conta da pelada. Ruins de bola, não demoravam muito estavam sentadinhos fora do campo, esquecidos, empacotados e reluzentes, a olhar os craques e suas jogadas fantásticas. Quando se davam conta que não eram mais sequer lembrados e não faziam falta alguma, pediam as camisas de volta, tomavam a bola e acabavam com a brincadeira. Até que voltasse a pelota de pano a circular entre algazarras e descamisados.
Pensando bem, talvez não tenha nada a ver uma coisa com a outra, as peladas de antigamente e os sucessos políticos da atualidade. Mas que parece, parece.






As alcovas das eleições da AMAT

No Parsifal Pontes:

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Na sexta-feira (22), a Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins (AmatCarajás) elegeu, com 25 votos, o prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira (PPS), para presidi-la em 2013. O prefeito de Marabá, João Salame (PPS), obteve 11 votos.
Eleições em colegiados pequenos são favas contadas para qualquer governo, mas as despesas para contar as favas estão cada vez maiores para o erário.
> Em 2011 a conta pode ter chegado a R$ 50 milhões
Na última eleição da AMAT (2011), quando o governo elegeu o ex-prefeito de Tucumã, Celso Cardoso, a planilha das continências veio à tona: ummanuscrito, de punho do próprio Celso, revelou que o prato de resistência foi a distribuição de 90 quilômetros de asfalto.
O governo não cumpriu todo o compromisso, mas a parte liquidada pode ter beirado os R$ 50 milhões. Para quem nada tinha, a metade do cobertor aliviou o frio.
> Em 2013 a conta subiu
Nesta eleição de 2013, já na quinta-feira (21), o Secretário de Obras do Governo, Joaquim Passarinho, acompanhado de áulicos, desembarcou em Marabá para avalizar os votos do dia seguinte.
Na sexta-feira (22), os prefeitos contabilizavam o que haviam conseguido para eleger Sancler Ferreira: como o governo não admitia ser derrotado pelo prefeito de Marabá, (que já foi aliado e é hoje um dos seus mais ferrenhos desafetos) a caneta do Passarinho foi bondosa.
Pelo que se ouviu, a conta ultrapassou os 200 km de asfalto, fazendo com que o preço da eleição da AMAT esse ano possa beirar os R$ 150 milhões.
> Altaneira Polícia Militar
Embora eu já tenha visto bois voarem, desta vez houve um compromisso inusitado: foi prometido a um prefeito, além do asfalto, a garantia de que a Polícia Militar vai retirar os invasores da sua fazenda. É a briosa prestando serviço eleitoral.
> Cínicos, estoicos e epicuristas
Não há juízo moral na narrativa e a prática não é invenção dos tucanos. Como os governados querem mais que rezas, não é possível governar um Estado apenas com ave-marias: todos os governos se valem desses artifícios para conquistar e manter espaços de poder.
A diferença está apenas nos discursos: uns são cínicos, outros estoicos e há também os epicuristas. Os mais espertos, dependendo da ocasião, alinham-se com todas essas escolas no decorrer do dia: são os pragmáticos.

3 comentários:

  1. É doutor, se a sua conclusão é esta: "não há juizo moral nesta narrativa", pois a prática é de todos ou pelo menos a maioria dos governantes, então não tenho comentários a fazer, é decepcionante ouvir isso de V.Exa, me desculpe, o senhor e os atuais políticos paraenses são uma vergonha, pelo menos os que pensam assim !! basta !
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  2. É deputado, para tudo há sempre uma boa explicação: quando vocês ganham (o que não acontece faz tempo) é a vitória limpa, do prestigio e da força política; mas quando perdem, os votos foram comprados. Fico impressionado com as contas que o senhor faz, parece mesmo de quem é do ramo e sabe os detalhes das cifras. Deve ter o condão da adivinhação ou quer mesmo chutar o pau da barraca.
    Na verdade, a diferença dos votos (mais do que o dobro) diz tudo. Quem sabe não esteja na hora de rever esse projeto “juvenil” na política: nem os políticos, a exemplo dos resultados das últimas eleições, inclusive das associações dos municípios, e muito menos a população, quer esse tipo de política de volta. E olha que na eleição da Amat a tropa de choque do PMDB foi presente em Marabá, à frente Helder Barbalho e o deputado que comenta. Mas deve ter ido só passear, já que não “houve pressão”, nem mesmo sobre os prefeitos do PMDB, a julgar pelo resultado de 25 x 11.
    .
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    1. Você não leu a postagem toda, pelo visto. Eu não fiz avaliação moral alguma e isso está escrito. Eu não disse que quando nós ganhamos é limpo: não é. Eu disse que todos somos iguais. Se um dia chegarmos ao governo faremos igual: somos todos farinha do mesmo saco e eu já escrevi isso aqui. Eu sei do que estou falando e sei fazer contas. E advirto: a conta feita é cortado raso e considerando apenas o asfalto.
      Se quer defender o governo não há problema algum. Mas a sua contestação é sofrível e não destitui absolutamente nada do que está escrito.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Saúde na UTI


O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que recentemente considerou desperdício a Uepa abrir cursos de medicina no interior do Estado, informa que o atendimento de urgência e emergência paraense faz parte dos cinco dossiês entregues – ou a serem entregues – este mês pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) à Comissão Interamericana dos Direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Os dossiês relatam históricos de macas em corredores, condições precárias de trabalho, filas de espera para o atendimento, falta de medicamentos e aparelhos de auxílio de diagnóstico, equipes incompletas e atrasos nos pagamentos de plantões, salários e gratificações.
Em Belém, que o sindicato médico parece considerar todo o Pará, a Fenam visitou, em novembro do ano passado, dois hospitais de urgência e emergência – o Metropolitano e o PSM da 14 de Março, concluindo que o quadro é de calamidade pública.
Agora, imagine se a federação dos médicos fizesse uma visita ao interior do Estado...

Sem presos, a Holanda transforma os presídios em museus e hotéis

No Parsifal Pontes:


A Holanda é o país europeu com a mais baixa criminalidade do mundo e os índices não param de baixar. Os delitos ainda praticados são de média e baixa gravidade, cujas penas não são de reclusão, por isso os presídios do país experimentam um ótimo problema: estão vazios e oito já foram fechados.
O governo chegou a cogitar alugar vagas nos presídios para a Bélgica, mas o Parlamento recusou autorização e os presídios vão sendo transformados em paragens de utilidades diversas, como museus e hotéis.
Um dos hotéis mais procurados é o “Het Arresthuis”, um presídio erigido no século 19, que foi transformado em um hotel de luxo:
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Quando for à Holanda e quiser se hospedar no presídio, clique aqui e faça a reserva.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Na Amazônia,o mundo às avessas e a vitória do irracional

No Manuel Dutra: 


Literalmente era o boss fazendo o que ele sempre fez na Amazônia: odelivery de suas riquezas em detrimento de quem, na outra margem, buscava a caridade de passageiros habituais e de turistas.
Fotos: M. Dutra
Transamazônica, há 15 dias, trecho entre Rurópolis e Itaituba. Eternamente inacabada, fruto de um projeto estúpido, caro e que não promoverá o desenvolvimento da região

Belém é quase uma ilha, historicamente chamada de Portão da Amazônia. A cidade tem à sua frente o enorme aguaceiro da Baía do Guajará; ao lado, os imponentes Guamá e o Rio Pará, e a malha urbana é cortada por vários igarapés e rios. E mesmo assim não existe transporte de massa por via aquática. As empresas de ônibus determinam que 85% de suas linhas entupam o centro da cidade, transitando por três avenidas prioritárias: Governador José Malcher, Nazaré e Gentil Bittencourt. O movimento de passageiros e o conforto da Estação Rodoviária da capital contrastam com a lástima que são os seus portos fluviais.
As centenas de pontes esperam a terraplenagem para se conectarem à estrada. Pela  dimensão destas estruturas, percebe-se que a Transam e a BR-163 esperam carga pesada

Marabá e Tucuruí são os exemplos acabados de cidades que deixaram de ser ribeirinhas, abandonando a sua vocação amazônica para se tornarem cidades rodoviárias. Estações de passageiros vistosas indicam que o eixo da economia e das relações sociais virou de costas para os rios.

Em Santarém uma estação rodoviária foi construída há quase 40 anos, mas até hoje 90% da economia daquela região navegam sobre os rios, e naquela cidade inexiste sequer um porto decente para embarque e desembarque dos milhares de passageiros que todos os dias chegam e saem nos pequenos navios e barcos menores.
Carretas geminadas já são frequentes na rodovia, levando soja para o porto da Cargill, em Santarém

No aspecto mais amplo, as últimas quatro décadas viram a consagração oficial da supremacia do caminhão sobre o barco, embora a Amazônia continue até hoje a nos ensinar que a sua vocação é ribeirinha, que o Rio Amazonas é a maior e melhor estrada líquida do planeta e que os seus afluentes, imensos também, continuam a ser as vias mais adequadas para o vaivém da economia e da cultura regionais.

Nada contra as rodovias. O erro, grave, foi ter-lhes dado prioridade, fruto de recorrentes planos de “ocupação” da Amazônia, concebidos lá nos centros do poder nacional, ignorante das particularidades desta região e de suas potencialidades. Integrar a Amazônia pelo caminhão foi talvez o erro mais caro já cometido pelo poder nacional, o que contribuiu em muito para a estratosférica dívida de 200 bilhões de dólares à banca internacional, herança dos governos militares, afinal sanada no governo Lula.
Esta é a BR-163, a Santarém-Cuiabá. Mas este trecho é ilusório, pois logo ali,na frente,  acaba o asfalto. Engenharia esquisita, que asfalta em espaços intermitentes, faz anos.

A Rússia conectou a imensa Sibéria ao território nacional por via do trem. Na Amazônia brasileira as rodovias, em vez de prioritárias, deveriam fazer parte de um projeto racional que levasse em conta os cursos dos grandes rios, e que seriam rodovias de curto e médio alcance a fim de conectar os principais portos fluviais aos eixos econômicos do interior da região. Uma linha férrea, como eixo terrestre de traçado e direção menos estúpida do que são a Transamazônica e a Santarém-Cuiabá, completaria o circuito barco-caminhão-trem.

Estradas paralelas
A estupidez foi tamanha que começaram a construir outra estrada quase paralela ao Rio Amazonas, a Perimetral Norte, pela margem esquerda, e que não foi terminada, tendo sido paralisada dentro da reserva dos Waiãpi, no norte do Amapá.
Se esse plano irracional tivesse sido levado a cabo, como desejaram os militares, o Amazonas teria hoje duas grandes rodovias quase paralelas ao rio. Aliás, isso faz lembrar outra irracionalidade bem atual, que a é projetada ferrovia da soja, paralela à Santarém-Cuiabá, saindo do Mato Grosso em direção ao Pará, devendo chegar ao porto de Santarém para que ali o trem despeje a soja em direção sobretudo à faminta e gulosa China.
Esta é a Transam, no trecho comum com a BR-163, entre a cidade de Rurópolis e o porto de Miritituba, em Itaituba. a mesma coisa, depois deste trecho asfaltado, recomeçam a lama, a poeira e os buracos

Os mais antigos parece que eram mais racionais quando, pelo meado do século 19, a mando de Pedro II, o Imperial Corpo de Engenharia teve a ideia de projetar uma ferrovia para conectar o centro do Brasil ao coração da bacia amazônica, justamente o projeto que, mais de um século e meio depois, se transformou na BR-163. E, pelo que se lê nos registros históricos, não se tratava de um projeto imediatista, em torno de uma ideologia (a da segurança, dos militares) ou de um produto (a soja, de hoje). Era um projeto de País, do qual os aspectos econômicos eram integrantes.

Indução ao desevolvimento?
Viajar pelo interior da Amazônia, especificamente pelo Pará, nos ensina o quanto de irracionalidade se comete nesta região, em relação sobretudo aos investimentos públicos, aqueles que deveriam ser os tais indutores do desenvolvimento.
Porto de Santarém: 90% da economia giram por aqui, mas este setor é esquecido por todas as instâncias de governo. A  prioridade são as rodovias, para alegria da indústria automobilística e atraso da Amazônia

Quem sai de Belém, de navio, em direção a Manaus, ficará estupefato ao presenciar, logo à saída do complexo do Marajó, milhares de mulheres com crianças nos braços, remando minúsculas igarités, em volta das embarcações que passam ou encostam em Breves, por exemplo. Pedem esmola às centenas. A última vez que por lá passei, indo de Belém para Santarém, conferi 882 pequenas canoas com mulheres e crianças com as mãos estendidas, mendigando! Como isto já faz uns anos, não posso hoje afirmar que ainda seja nessa proporção. Porém a cena dantesca eu presenciei há menos de 8 anos, portanto já se podia fazer um paralelo desta situação com a entronização da economia das estradas.
O porto da Cargill, em Santarém. Bem equipado e, dependendo da época, funcionando 24 horas. Verdadeiro porto chinês, conectado ao projeto da ferrovia. Imediatismo antinacional em torno de um produto, e não de um projeto de país
      Na rua da frente, em Breves, uma lanchonete se chamava “Boss”, e logo abaixo estava escrito “Delivery”. Estas palavras escritas na língua do poder globalizado se materializavam no outro lado do rio, que se chama Estreito de Breves. Ali havia duas serrarias, diante das quais um navio inglês com bandeira panamenha sugava madeira serrada em forma de pranchas e tábuas. Literalmente era o boss fazendo o que ele sempre fez na Amazônia, odelivery de suas riquezas em detrimento de quem, na outra margem, busca a caridade de passageiros habituais e de turistas.

Frango congelado
Outro sinal da priorização da economia rodoviária é o fato de que, nas viagens fluviais, os passageiros observaram o desembarque, nas cidades intermediárias, de caixas de ovos, frango congelado e, pasme-se, até de sacos de farinha de mandioca. Uma espécie de empobrecimento dos ribeirinhos, historicamente esquecidos.

A lista das incongruências é longa, até porque a estupidez histórica e contemporânea é parte essencial do projeto do Brasil e do mundo globalizado para com a esta região. As diferenciações entre a realidade vocacional da Amazônia e a realidade priorizada, não ribeirinha, podem ser exemplificadas com a comparação entre o conforto relativo dos ônibus interestaduais (há um ano viajei pelo sudeste paraense) e a desgraça sem qualificação que é o interior das embarcações que transportam a massa da população pelos rios.

Agora, na semana do carnaval, retornei, depois de muitos anos, à Transamazônica e Santarém-Cuiabá. Não fui propriamente motivado por ver as estradas, mas por elas passei em direção a Itaituba, com a intenção de ver mais de perto os efeitos da garimpagem que, nos últimos dois anos, retorna ao vale do Tapajós, com muito mais força e tecnologias mais devastadoras do que se verificou há 25 anos.

Vi o irracional de um asfaltamento que se constrói aos pedaços. Trafega-se numa e noutra rodovia ora sobre o asfalto, ora sobre o chão batido e esburacado, ora poeirento, ora enlameado. Vi dezenas de pontes construídas à espera da terraplenagem que as conectará à rodovia. Vi carretas geminadas cheias de grãos de soja, vi e fotografei estruturas de pontes que, pelas suas dimensões e pelos materiais empregados, revelam que aquela rodovia está em projeto (há quase meio século) para ser caminho de carga pesada.

O mais caro é “melhor”
Assim, escolhe-se o meio mais caro para o transporte de carga justamente numa região que, pelas suas dimensões físicas e pela abundância de meios de transporte naturais, poderia ser exemplo contrário, de busca de um desenvolvimento menos imediatista, mais humano e com alguma esperança de um futuro diferente deste presente e daquele passado.

Todas essas visões nos dão a impressão de um mundo projetado às avessas, a vitória do irracional sobre a razão. A Amazônia a caminho do que sempre foi: nada para os amazônidas e todos os que aqui vivem e trabalham; e tudo para os planejadores que a enxergam lá de longe e abrem os caminhos para os eternos aventureiros aqui chegarem, enriquecerem e caírem fora, deixando atrás de si o rastro da destruição dos recursos naturais e do desprezo pela sua gente.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ŵ€β ŁØŁ Ň€Ŧ: Laura Butler,a professora mais gostosa do mundo

Ŵ€β ŁØŁ Ň€Ŧ: Laura Butler,a professora mais gostosa do mundo: Uma professora do ensino médio em Birmingham (Inglaterra) está despertando muita atenção ao  conciliar o ensino da psicologia e o trab...

Briga de foice na Amat. E Salame perdeu

Por 25 votos favoráveis, o prefeito Sancler Ferreira, de Tucuruí, foi eleito presidente da Amat Carajás, em pleito encerrada há pouco em hotel de Marabá. A outra chapa, encabeçada por João Salame (também do PPS), contabilizou apenas 11 sufrágios, o que levou o prefeito de Marabá a afirmar que vai retirar este município da associação. Para Salame, as intervenções de Jatene na Amat a tornaram "subserviente".

A eleição da Amat envolveu interesses e influências bastante nítidos. No apoio a Sancler, o deputado federal Wandenkolk Gonçalves, com aval do governador Simão Jatene, agiu nos bastidores secundado pelo secretário de Obras do Estado, Joaquim Passarinho.
Do lado de João Salame, o lobby de Helder Barbalho, suposto candidato do PMDB à sucessão de Jatene, e do deputado federal Asdrúbal Bentes.
A presença de Passarinho ratificou a denúncia do Blog do Zé Dudu de que houve cooptação de eleitores na eleição anterior que elegeu o prefeito de Tucumã, Celso Lopes.
Ano passado, diz o blog, a eleição de Celso Lopes “foi cercada por absurdos políticos e jurídicos que valem a pena recordar. Politicamente houve denúncia por parte da chapa derrotada de que o governo do estado, através do vice-governador Helenilson Pontes, interferiu no resultado final, já que teria autorizado o candidato Celso Lopes Cardoso (PSD) a oferecer alguns quilômetros de asfalto aos municípios em troca do apoio a sua chapa, ou à chapa do interesse do governo Jatene”.
Zé Dudu comprovou a denúncia com imagens da agenda pessoal de Celso Lopes onde há anotações da quantidade de asfalto que seria repassada a cada prefeito.


O caso Ana Karina: primeiro condenado leva 24 anos

No Blog do Dudu:


'Minêgo' é condenado a 24 anos de prisão em regime fechado


Em julgamento ocorrido ontem (21) em Parauapebas, Florentino Rodrigues, o “Minêgo”, foi condenado a 24 anos de prisão pela morte de Ana Karina. Outros três réus devem ir em breve a julgamento em processo marcado pela ausência do corpo da vítima.
Teve início na manhã desta quinta-feira (21) o julgamento de Florentino de Souza Rodrigues, conhecido por Minêgo, um dos quatro réus no caso da morte e ocultação do cadáver da comerciária Ana Karina Guimarães, ocorrido em 10 de maio de 2010 em Parauapebas. Ana Karina estava grávida de nove meses de Alessandro Camilo de Lima, outro acusado pelo assassinato e que aguarda julgamento de recurso impetrado no TJ-PA para ser julgado.
Também são réus no processo Alessandro Camilo e Francisco de Assis Dias, o “Magrão”, que se encontram presos em Belém. Graziela Barros, noiva de Alessandro e quarta ré nos autos, aguarda o julgamento em liberdade, graças a habeas corpus.
Em 2010, durante o inquérito policial, Alessandro Camilo confessou ter matado Ana Karina com a ajuda de “Minêgo” e “Magrão”. Segundo Camilo, o corpo da vítima foi esquartejado, colocado em um tambor de 200 litros, lacrado e jogado de cima de uma ponte no Rio Itacaiúnas, na zona rural do município de Marabá. Apesar das incessantes buscas, o corpo da comerciária jamais foi encontrado.
Julgamento
O julgamento teve início às 9 horas com o sorteio entre os 18 jurados presentes que formariam o Conselho de Sentença. Foram escolhidos seis mulheres e um homem.
O plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Parauapebas esteve lotado durante todo o julgamento e foi formado especialmente pelas famílias da vítima e do réu, estudantes de direito, membros do Judiciário, advogados, imprensa e populares em geral.
Logo após o sorteio, o juiz da Vara Penal de Parauapebas, Líbio de Araujo Moura, passou à leitura da denúncia. Depois, ainda na parte da manhã, foram ouvidas as sete testemunhas, quatro arroladas pelo Ministério Público, que esteve representado pelos promotores de justiça Danilo Colares e Guilherme Chaves Coelho, e três arroladas pela defesa, representada pelo advogado Fernando Jorge Dias de Souza e outros.
Após intervalo de pouco mais de uma hora para o almoço, o julgamento prosseguiu com a oitiva do réu, que negou peremptoriamente as acusações que lhe foram imputadas. Segundo “Minêgo”, as acusações que recaíram sobre ele não passavam de uma grande armação do então delegado André Albuquerque, presidente do inquérito à época, a quem acusou de corrupto e perseguidor. Ainda segundo “Minêgo”, na madrugada do dia 14 de maio o mesmo se encontrava em sua residência quando foi surpreendido com uma chamada restrita em seu celular. Do outro lado da linha, afirmou “Minêgo”, era Graziela Barros, noiva de Alessandro, pedindo socorro após afirmar que teve sua camioneta Hilux roubada e solicitando a “Minêgo” que a levasse até Curionópolis. Com riqueza de detalhes, “Minêgo” disse que no trajeto Graziela teria afirmado que haviam ceifado a vida de Ana Karina. Na sequência, “Minêgo” disse ter deixado a noiva de Alessandro em uma vicinal próxima a Curionópolis, onde estava uma camioneta Hilux lhe aguardando. Ainda segundo “Minêgo”, no dia do crime ele esteve durante todo o dia e até as 22 horas nas imediações da Vila Palmares II, onde o mesmo trabalhava em um laticínio de sua propriedade.
Florentino Rodrigues afirmou ainda que, já no presídio de Americana, onde estava preso junto com Alessandro, este lhe pediu perdão por tê-lo envolvido no caso e solicitou do mesmo que se mantivesse calado durante a oitiva que seria realizada na presença do juiz Líbio Moura, em Parauapebas. Para tanto, Alessandro lhe pagaria a quantia de R$ 80 mil.
O réu respondeu com segurança às perguntas formuladas pelo juiz, pelo representante do MP e por seus advogados, sempre negando a autoria ou qualquer participação nos fatos delituosos apresentados pela acusação.
Iniciados os debates, os representantes do Ministério Público foram incansáveis na tentativa de provar ao Conselho de Sentença que “Minêgo“ deveria ser condenado pela morte e ocultação do corpo de Ana Karina e que os fatos apresentados pela acusação provocaram ainda o aborto da comerciária. Para o promotor Danilo Colares, “Minêgo” era uma pessoa fria, calculista e que teria arquitetado o assassinado de Ana Karina por motivo torpe, não dando chance de defesa à vítima.
Os advogados de defesa insistiram que “Minêgo” era um injustiçado, que não teve participação alguma no fato delituoso e que era honesto, trabalhador e bom pai de família. Para a defesa, que apresentou vídeo gravado pelo delegado André Albuquerque, onde Alessandro Camilo e “Magrão” negavam que “Minêgo” tenha qualquer participação no crime, o réu não deveria pagar por um crime que realmente existiu, mas sem a participação de seu patrocinado.
Na réplica, a promotoria desqualificou as declarações apresentadas no vídeo, sob a alegação que Alessandro teria trocado o depoimento após passar sete dias preso junto com “Minêgo”. O promotor Colares afirmou que Alessandro e “Magrão” não tinham idoneidade para acusar ou absolver ninguém, quanto mais “Minêgo”. Colares apelou ao Conselho de Sentença que condenassem “Minêgo”, única forma de dar um consolo à família e a D. Iris, mãe da vítima, que sequer pôde enterrar a filha e o neto.
Na tréplica, a defesa argumentou que não havia nada nos autos que condenasse seu cliente, e seria uma grande injustiça que “Minêgo”, preso há dois anos e nove meses, pagasse por um ato que não cometeu. Para a defesa, “seria mais justo para o Conselho de Sentença absolver um assassino, do que condenar um inocente”.
Findado os debates, o juiz Líbio Moura fez a leitura dos quesitos que seriam respondidos pelos sete membros do Conselho de Sentença em uma sala secreta.
Veredicto
Uma hora e quinze minutos após a entrada dos sete jurados na sala secreta, o juiz deu o veredicto. O Conselho de Sentença reconheceu em Florentino Rodrigues, por 4 votos SIM, a materialidade e autoria do crime, e negou, por 5 votos NÃO e 2 votos SIM, a absolvição genérica do réu.
Na segunda série de votação, também de crime doloso contra a vida (aborto sem o consentimento da gestante), os jurados, por maioria, reconheceram que a vítima estava grávida. Em pergunta seguinte, por maioria de votos, que a gravidez foi interrompida pelas condutas descritas na denúncia. Em maioria, disse o colegiado que o acusado praticou manobras abortivas contra a ofendida. Por 4 votos SIM, disseram que a interrupção se deu sem o consentimento da gestante. Contudo, por 4 votos SIM e 3 NÃO, o colegiado absolveu o acusado dessa imputação.
Em todas as votações, atingida a maioria, sem voto diverso, as mesmas foram interrompidas, evitando unanimidade e quebra do sigilo, nos termos do art. 483, §§ 1º e 2º do CPP, com a nova redação da Lei nº 11.689/08.
Por fim, em virtude da decisão do Conselho de Sentença, Líbio Moura aplicou a sentença, condenando Francisco de Souza Rodrigues à pena definitiva de 24 anos de reclusão e mais trinta dias-multa no valor de 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato. Pena esta a ser cumprida em regime inicialmente fechado, observando-se o juiz da execução penal os termos do art. 76 do CP. Ainda na sentença, o juiz isentou de custas, por ausência de previsão no Código de Organização Judiciária local mas, com base no artigo 387, inciso IV do CPP, e condenou “Minêgo” a pagar aos familiares da vítima a importância de R$ 100 mil. Valor este a ser apurado na esfera cível, ante os parcos elementos nesse sentido produzidos no processo penal. Acompanhe, clicando aqui, a íntegra da sentença.
Após o anúncio da sentença, o juiz passou a palavra aos representantes do MP. O promotor Danilo Colares, dirigindo-se à mãe da vítima, disse emocionado que tinha consciência de que a sentença não trará Ana Karina de volta, todavia, “fez-se justiça”, e que a sentença era apenas o começo.
A defesa agradeceu ao juiz Líbio Moura pela forma isenta como se deu o julgamento e anunciou que a mesma recorrerá em tempo hábil da sentença proferida.
O juiz Líbio Moura agradeceu a forma respeitosa com que acusação e defesa se trataram durante o julgamento e insistiu com o público que ambos (acusação e defesa) estavam ali cumprindo seus papéis institucionais. Dr. Líbio fez breve relato das dificuldades encontradas pelo Poder Judiciário em Parauapebas, devido à falta de estrutura, salientado que, por duas vezes, os réus deixaram de comparecer às audiências marcadas em virtude da falta de veículo que os conduzisse de Belém até Parauapebas.
Para o juiz, mesmo Parauapebas sendo uma terra onde se jorra ouro, essa riqueza não se materializa no Judiciário local, formado por pessoas honradas e trabalhadoras. O juiz agradeceu aos funcionários da Vara Penal pelo incansável comprometimento, à imprensa, a quem chamou de “Diário Oficial da Justiça que leva aos quatro cantos do mundo o resultado do trabalho realizado”. Agradeceu também ao público que se fez presente de forma mansa e ordeira e encerrou os trabalhos.
Florentino Rodrigues pernoita hoje (22) na 20ª Seccional de Polícia local e amanhã pela manhã segue de volta a Belém, onde cumprirá a pena imposta.
A Vara Penal de Parauapebas aguardará a decisão do TJ-PA no tocante aos recursos impetrados por Graziela Barros, Alessandro Camilo e Francisco de Assis Dias, os outros acusados da morte de Ana Karina, para marcar a data do julgamento dos mesmos.
Dona Iris, mãe da vítima, profundamente abalada, confessou ao blogger que estava apreensiva e relutante quanto ao resultado do julgamento. Todavia, agradeceu muito ao juiz, promotores, funcionários do Fórum local e especialmente ao delegado André Albuquerque (in memoriam), pelo empenho na elucidação do crime contra sua filha. (Blog Zé Dudu)

O último Papa?


No Parsifal Pontes

Profecia de São Malaquias escreve que o sucessor de Bento XVI seria o último papa

As profecias, por mais absurdas que sejam, fascinam os que creem e despertam a curiosidade pragmática dos que não creem.
Com a renúncia de Bento XVI, anunciada para 20 de fevereiro, voltou à carga a profecia atribuída ao bispo Malaquias, depois São Malaquias, segundo os estudiosos do tema, escritas no século XII.
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Embora haja controvérsias sobre a autenticidade dos manuscritos, ele é traduzido como o documento que marca o fim da Igreja Católica, que ocorreria no pontificado daquele que sucederá Bento XVI.
> As 112 curtas
O texto de Malaquias profetiza 112 descrições dos 112 papas da Igreja Romana a partir do ano 1.143. Usando os mesmos métodos de interpretação usados com Nostradamus, Bento XVI seria o penúltimo papa. O último (112), Malaquias denominou de “Petrus Romano”, ou Pedro Romano.
O portal IG entrevistou Wilson Franco, “autor de mais de 30 livros digitais sobre profecias”. Franco avalia que Malaquias se referia a Peter Turkson, cardeal de Gana, eleitor do conclave, e por isso também papabili. Caso a Igreja eleja o cardeal Peter, ele seria o primeiro pontífice negro da história da Santa Sé.
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Malaquias também profetizou que Petrus Romano seria o primeiro papa negro.
É preciso cautela com a leitura de Malaquias. Alguns desavisados afirmam que Roma chegaria ao fim no pontificado de Petrus Romano. O termo “Roma” não significa o país, mas a Igreja Católica, também chamada de Igreja Romana. 
E o fim da Igreja Romana também não significa o fim do mundo.
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Meu comentário:
Eu ficaria assustado de fato se o sucessor fosse, pela ordem:
1. José Sarney
2. Paulo Maluf
3. José Dirceu
4. Renan Calheiros; e (por fim, mas não por último)
5. Maurino Magalhães, ex-prefeito foragido de Marabá.

Pistoleiro pega pena máxima

No Barrancas do Itacaiunas:









Tiago de Andrade á acusado de matar mais de vinte no Pará 

Gruchenhka Freire explorou escutas para convencer jurados

Wilson Aguiar (pistoleiro) ajudou a condenar o comparsa

Henrique Sauma, tentou, mas não conseguiu inocentar cliente

Yan Serrão, também se esforçou, mas não conseguiu livrar cliente 

Gabriel Costa Ribeiro diz que julgamento foi isento 








Em júri presidido pelo juiz titular da Comarca de Rondon do Pará, Gabriel Costa Ribeiro, o acusado de ser pistoleiro, Tiago Bizarrias de Andrade, 28, foi condenado a 59 anos de prisão em regime fechado.

O julgamento aconteceu na última terça-feira (19) e durou mais de 15 horas, sendo a sentença prolatada por volta das zero hora de quarta-feira (20). Sete homens compuseram o Conselho de Sentença, que por maioria dos votos, condenou o acusado. 

Tiago de Andrade matou a tiros Rubem Araújo Lopes e Sérgio Moreira Figueiredo e baleou um terceiro, Joel Sousa Oliveira. Este último não compareceu ao julgamento.

Considerado de alta periculosidade, o acusado foi apontado pela Polícia como sendo um integrante de uma rede de pistolagem que atuava no sul e sudeste do Pará.

Durante o julgamento, a promotora de justiça Gruchenhka Oliveira Baptista Freire, explorou escutas telefônicas onde duas tias do acusado conversavam sobre os crimes que o sobrinho cometeu em Rondon do Pará.

Além das escutas, o depoimento do também acusado de ser pistoleiro, Wilson Costa Aguiar, que confirmou ter matado, junto com Tiago, algumas pessoas.

Uma delas foi o acusado de ser traficante, Abisair Alves Ferreira, assassinado no dia 18 de junho de 2010 em São Geraldo do Araguaia.

Esta vítima foi baleada dentro do carro dela, quando circulava pela praça de São Geraldo e ainda chegou a atirar no pistoleiro, que seria Tiago de Andrade.

Ainda de acordo com Wilson Aguiar, a vítima, mesmo baleada, dirigiu o próprio carro até ser socorrido, contudo foi colocado dentro de uma ambulância e quando estava sendo transferido para Marabá pela BR-163 foi baleado.

Desta vez Bibica foi alvejado com dois tiros de pistola calibre 45 que seria de Wilson. A arma teria sido comprada por R$ 900,00 em Jacundá.

Neste crime, figuram pelo menos duas pessoas ligadas à segurança pública e um poderoso figurão do meio político de São Geraldo do Araguaia.

Diante desta leitura deste depoimento e de outros relatos dando conta que os dois, Wilson e Tiago, teriam matado pelo menos quatro pessoas em Bom Jesus do Tocantins, pode ter ajudado no convencimento dos jurados.

A defesa foi patrocinada pelos advogados: Carlos Henrique Sauma Lopes e Yan Ayres Aragão Serrão, que tentaram a tese negativa de autoria para tentar inocentar o cliente dele, mas todos os esforços foram em vão.

Tanto Tiago de Andrade, quanto Wilson Costa Aguiar foram transferido para um presídio de Americano onde devem cumprir pena no regime fechado.

Estes dois acusados ainda devem ser julgados pelos crimes que pode ter cometido em Bom Jesus do Tocantins e em São Geraldo do Araguaia.