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| Distrito Industrial de Marabá |
Quem primeiro levantou a lebre, em julho deste ano, foi o blog de Hiroshi Bogéa: “A usina de ferro gusa da Vale , instalada no Distrito Industrial de Marabá , tem data definida para desativação. Em outubro próximo , a Ferro Gusa Carajás desmobiliza seu parque industrial , no embalo da crise que abate o setor há mais de três anos .”
A desativação, segundo ele, decorreria da falta de insumos próprios para consumo, uma vez que o carvão vegetal utilizado na produção de ferro gusa era todo produzido na área de reflorestamento da mineradora, no Maranhão, cuja propriedade a Vale repassara a Suzano Papel e Celulose , que montará uma fábrica de celulose na cidade de Imperatriz com capacidade de 1,5 toneladas , para ativação no final de 2013.
Para o Sindicato dos Metalúrgicos de Marabá (Simetal), parece que a ficha só caiu agora em outubro, quando seus representantes procuraram o Correio do Tocantins para contar que ouviram dizer que a Ferro Gusa Carajás vai fechar. Outra que também ouviu dizer foi a Secretaria Municipal de Indústria , Comércio , Mineração, Ciência e Tecnologia.
Jogando enfim uma luz sobre tanto ouvi-dizer, a Vale mandou nota ao CT informando que “está desenvolvendo estudos para avaliar a desmobilização das operações da Usina Ferro Gusa Carajás (FGC), em função da indisponibilidade de carvão legal produzido a partir de madeira de reflorestamento. Os estudos preveem que os empregados da FGC, uma vez aprovado o processo de encerramento das atividades , sejam transferidos para outros projetos ou operações da Vale na região e os ativos remanescentes sejam vendidos somente para empresas que comprovarem uso de carvão legal”.
Para as ruas, o óbvio: lá se vai mais uma empresa da Vale para o Maranhão. Enão há qualquer garantia de que a Alpa saia da prancheta.
Mas enquanto a Vale vai embora, ao que comentam por pressões no escalão de cima feitas por Johannpeter Gerdau, uma fonte disse ao jornalista que o Grupo Cikel vai entrar no ramo da produção de gusa no Distrito Industrial de Marabá, já a partir de dezembro próximo. Inclusive, há quase três anos o grupo havia adquirido uma guseira já instalada e fechada no auge da crise do carvão vegetal e das multas milionárias do Ibama.
O Grupo Cikel é um dos mais importantes do segmento empresarial do Brasil. Administra uma área de florestas de aproximadamente 500 mil hectares, possui mais de 1.900 profissionais , em sete complexos industriais no Pará , Maranhão e Paraná, e produz anualmente mais de 120.000 m³ de madeiras serradas e beneficiadas, pisos , compensados e lâminas torneadas, trabalhando com espécies de madeira tropical. Seus clientes espalham-se pelo Brasil, Europa, EUA, Caribe, Oceania e Ásia, e ela também atende distribuidores e revendedores de madeira , empresas ferroviárias e as indústrias de construção civil , moveleira , naval , de embalagens , e de componentes e artefatos de madeira .
Em Marabá, o grupo empresarial aliou-se a outras guseiras e a fim de escapar do monopólio da Vale compraram uma reserva de minério de ferro em Curionópolis. Assegurada a fonte de matéria-prima, a Cikel vai alimentar seus altos-fornos com o carvão que já produz e vende a terceiros a partir das sobras da madeira que produz e processa para exportação.
A intenção, segundo a fonte, será gerar pelo menos 600 novos empregos diretos com a guseira trabalhando em quatro turnos.
É uma excelente notícia para uma região em que o desemprego acentua-se da noite para o dia e a economia dá sinais de recessão.





