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terça-feira, 3 de julho de 2012

Matando por terras

Pouco antes de morrer, o cineasta Adrian Cowell liberou um documentário com cenas brutais da guerra travada na Amazônia brasileira. Filmada nos anos 80, a obra manteve-se inédita no Brasil por mais de duas décadas para proteger as testemunhas de assassinatos. Nesta semana, o filme será exibido pela primeira vez – e poderemos constatar que o passado continua dolorosamente presente

ELIANE BRUM|
Revista Época
Cena 1 – Os homens andam pela floresta. Eles têm pés de andar, machucados pelas raízes, pelo sol, pela chuva, pelo caminho. E velhas espingardas nas mãos. No rosto, a expressão dos que foram lançados uma curva além. São homens desesperados – e homens desesperados não têm nada a perder. Exceto a vida, mas esta eles vão perder de qualquer jeito. Em busca de terra, já não há para onde ir. Exceto mais e mais para dentro. “A gente vai ficar. Se for, a gente só morre mais depressa”, diz um. Ali, eles já morrem depressa demais. É o corpo de um companheiro que vão buscar. Raimundo Piauí, posseiro como eles, sem-terra em busca de terra, apodrece há sete dias na mata. Assassinado por pistoleiros a mando de fazendeiros na guerra cotidiana travada na Amazônia.  
Cena 2 – Ele é só um velho caçador, com uma espingarda de caça quase tão velha quanto ele. Os pistoleiros sabem disso. Mas não importa. Ele está ali, fácil e frágil. E é preciso dar um aviso aos posseiros que lutam pela terra. Os pistoleiros exigem a espingarda. Ele não entrega. Não entrega porque não pode entregar. Sem ela, morrerá de fome no meio da mata. É morrer de um jeito – ou de outro. Ele se vira. Os pistoleiros o abatem pelas costas. Um tiro atinge a sua boca, os dentes se espalham. Ele cai. João Ventinho era o seu nome. Mais um, só mais um ninguém cuja vida jamais será paga na Justiça. 
Cena 3 – O homem corre. Os pistoleiros o perseguem atirando. O homem carrega uma criança nas costas. O menino grita primeiro. As últimas palavras do homem são: “Ô malvadeza”. Os dois corpos tombados na terra. O do posseiro Sebastião Pereira, liderança rural. E o de Clésio, de três anos. Um corpo de menino na mesa do necrotério, vítima de uma guerra que o matou antes que pudesse entendê-la. Uma guerra onde as crianças recebem balas de chumbo.
Estas cenas reais fazem parte do documentário Matando por terras (52 minutos), que será exibido pela primeira vez no Brasil nesta quinta-feira (5/7), no CineSesc, em São Paulo. Filmado nos anos 80, ele não pôde ser mostrado aqui por mais de duas décadas para não expor as testemunhas dos crimes – e condená-las também à morte.
A versão brasileira de Matando por terras foi o último trabalho do cineasta britânico Adrian Cowell. Ele se preparava para viajar ao Brasil para concluí-la quando morreu de ataque cardíaco, em Londres, no último 10 de outubro. Tinha 77 anos – 50 deles filmando a Amazônia. É pelo olhar de Adrian, um homem nascido na China e criado na Inglaterra, que uma parte da memória brasileira foi preservada. Não tivesse ele desembarcado no Brasil em 1957, aos 23 anos, para filmar o Monte Roraima, e uma parte crucial da saga amazônica teria permanecido invisível, sepultada em sangue e silêncio. Este testemunho único será exibido de 5 a 12 de julho, numa mostra em sua homenagem, promovida pelo CineSesc. (Confira a programação completa aqui.)O filme revela, de forma crua e persistente, como possivelmente nenhum outro documentário sobre o tema, a guerra travada na Amazônia. Uma guerra que, antes como agora, a maioria finge desconhecer. Rodado ao longo da rodovia Belém-Brasília, documenta o conflito entre fazendeiros – temerosos de perder os privilégios garantidos pela ditadura militar – e sem-terra. Mais de 100 pessoas foram mortas na região neste período.  
Morrendo por terras (Foto: Divulgação)
Adrian Cowell produziu o maior registro audiovisual da Amazônia. Todo o seu acervo foi doado à PUC de Goiás e está disponível para ser acessado: quase 900 mil metros de filme, sete toneladas que se transformaram em 30 documentários. Neste percurso, Adrian conviveu com Orlando Villas-Boas antes mesmo da criação do Parque Indígena do Xingu. Trabalhou também com Apoena Meireles, outro grande sertanista, assassinado em 2004 durante um assalto em Porto Velho (Rondônia). Em meio século, ele filmou um Chico Mendes ainda desconhecido do próprio Brasil – e o seu trabalho ajudou a projetar o líder seringueiro no mundo. 
Adrian filmou tribos isoladas e filmou a destruição. Enquanto ele capturava a vida em um embate de morte, seus personagens tombavam junto com a floresta. Às vezes, antes mesmo do final do filme. Adrian começou a filmar Chico Mendes porque o personagem cuja história planejara contar, Padre Josimo, um religioso negro da Comissão Pastoral da Terra, foi assassinado no Tocantins pouco antes do início das filmagens. E Chico Mendes foi executado ao longo das gravações da série mais famosa de Adrian, A década da destruição, que será exibida na mostra.
O cineasta acreditava que um dia documentaria "A década do meio ambiente", com o fim da devastação da Amazônia. Morreu com seu sonho – mas sua obra teve uma importância crucial para que a preservação da floresta e dos povos da floresta deixasse de ser uma questão de ecologistas para se tornar um problema do mundo. 
Em 1980, Adrian conheceu o cinegrafista brasileiro Vicente Rios e, juntos, filmaram pelos 30 anos seguintes. “Rios e Cowell formaram uma poderosa dupla, como aquelas de pistoleiros do Velho Oeste, retratadas pelos filmes de Sergio Leone”, escreveu o jornalista Felipe Milanez, idealizador e curador da mostra. “Por vezes, andaram literalmente armados de revólver, para o caso de precisarem se defender, como em Serra Pelada, ou então portando uma arma muito mais poderosa: a câmera.” 
Quem quiser conhecer as aventuras vividas pela dupla poderá ouvir da boca do próprio Vicente, na abertura da mostra e em algumas sessões apresentadas por ele. Vicente Rios também exibirá um documentário inédito – Visões da Amazônia. A obra apresenta cenas de bastidores das filmagens e coloca Adrian diante das câmeras, fazendo uma reflexão sobre suas memórias e sua paixão pela floresta. 
Adrian apaixonou-se tanto pela Amazônia e pelo seu povo que deu ao filho um nome que junta mundos: Xingu Cowell. O menino morreu em um acidente de caiaque, aos 18 anos, no mesmo ano em que Adrian começou a filmar Matando por terras, no sul do Pará. O próprio Adrian participaria da mostra de cinema em homenagem à sua obra, mas tombou no meio do gesto. Até o fim, ele acreditou que a floresta poderia ser salva. E lutou por isso.
Em 6 de junho de 2011, Adrian escreveu para o jornalista Felipe Milanez. O cineasta acabara de saber do assassinato de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo. O casal foi executado a tiros nas proximidades do assentamento onde viviam, em Nova Ipixuna, no sul do Pará. Adrian dizia, com o português que aprendeu enquanto se embrenhava na selva, que o filme “Matando por terras”, ainda inédito, mostraria que os assassinatos registrados por ele, 25 anos atrás, continuavam se repetindo no Brasil de hoje. Foi assim, porque o filme é presente tanto quanto passado, que a versão brasileira foi feita.
Na Amazônia, o século 20 invadiu o século 21, a violência tolerada (e muitas vezes patrocinada) pela ditadura persistiu na democracia. E os mesmos de sempre seguem tombando a tiros. Adrian Cowell poderia ter filmado cada uma das cenas a seguir. Todas elas – e muitas outras – aconteceram há pouco. E continuam se desenrolando neste exato momento.
Cena 1 – Zé Cláudio e Maria, lideranças que vivem da extração de castanha, estão perto do assentamento onde vivem. Zé dirige, Maria se agarra a ele na garupa. Assim que Zé diminui a velocidade da moto para passar sobre a ponte que cobre um igarapé, são atacados pela dupla de pistoleiros. O primeiro tiro de escopeta atravessa a mão direita de Maria e atinge o lado esquerdo do abdômen de Zé. Em seguida, mais tiros de escopeta e de um revólver calibre 38. Um dos assassinos puxa a faca, caminha até Zé Cláudio e corta um pedaço de sua orelha direita. Uma prova do serviço feito para entregar ao mandante. É 24 de maio de 2011. Hoje, é Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria, que vive sob ameaça de morte. (Assista aqui ao depoimento de Zé Cláudio.)
Cena 2 – João Chupel Primo, mais conhecido como João da Gaita, trabalha na sua oficina mecânica, em Itaibuba, no oeste do Pará. Um minuto depois está morto, com uma bala na cabeça. É 22 de outubro de 2011. Caçado por pistoleiros, seu amigo Júnior José Guerra começa a fugir. Os dois haviam denunciado a quatro órgãos federais e dois estaduais uma milionária operação criminosa de roubo de ipê do interior de áreas de preservação. Toda a madeira passava – e continua passando – por um assentamento do Incra, entre os municípios de Itaituba e Trairão. João e Júnior denunciaram também 15 assassinatos consumados nos últimos dois anos na região por causa da posse da terra e do controle da madeira. Denunciaram às autoridades – e não foram protegidos. (Leia aqui.)
Cena 3 – Em 2010, a líder rural Nilcilene Miguel de Lima foi espancada e teve sua casa queimada, no município de Lábrea, no Amazonas, depois de denunciar a grilagem e o roubo de madeira em seu assentamento. Em maio de 2011, fugiu enrolada em um lençol do pistoleiro atocaiado perto da sua casa. Só voltaria em outubro, protegida por uma escolta da Força Nacional. Em 30 de março de 2012, sua amiga Dinhana Nink, de 27 anos, foi a sétima pessoa assassinada na região nos últimos cinco anos por denunciar madeireiros e pistoleiros. Ela tinha fugido para Rondônia para escapar da morte, mas a alcançaram. Mataram-na com um tiro no peito diante do mais jovem de seus três filhos, Tiago, de 6 anos. Quando o pai de Dinhana encontrou o corpo, Tiago limpava o sangue do rosto da mãe. No último 19 de maio, a Força Nacional interrompeu a proteção a Nilcilene, e ela teve de deixar sua casa e a colheita para trás para se esconder mais uma vez. É nesse desamparo que se encontra agora. (Leia aqui.)

A guerra na Amazônia continua, como Adrian Cowell apontou pouco antes de morrer. Em “Matando por terras”, ele registra a campanha presidencial de 1989. Nela estão Lula, Fernando Collor e Ronaldo Caiado. Lula nos históricos comícios bordados de bandeiras vermelhas do PT, ao som do povo cantando “Lula-lá” com esperança e orgulho na voz. Collor fazendo promessas no tom histriônico de “caçador de marajás”, e Caiado incitando os fazendeiros a reagir contra os “invasores”. Em certo momento do filme, ainda aparece Paulo Brossard, então ministro da Justiça, reagindo com veemência às denúncias de assassinatos na Amazônia, feitas pela Anistia Internacional, com uma frase que já era popular naquela época: “É uma fantasia!”.

O Lula de 1989 diz: “A única forma de acabar com a violência é punindo. E fazendo a reforma agrária”. Collor foi eleito e depois deposto por impeachment. Fernando Henrique governaria por dois mandatos. Só então Lula se elegeria por duas vezes e ainda faria a sucessora. Mais de duas décadas depois, a realidade mostra que o mesmo filme poderia ter sido feito hoje – apenas com novos cadáveres.

Antes, os mortos eram chamados de sem-terra ou posseiros. Hoje, a maioria é “assentado”. No papel, conquistou-se assentamentos do Incra, reservas extrativistas, florestas nacionais. Mas as conquistas dos anos de democracia não alcançaram o concreto dos dias: o Estado que está no papel não está na vida. Há vastas porções da Amazônia sob o controle do crime organizado – cada vez mais sofisticado e com braços mais longos. Sem o apoio do Estado, quem denuncia o “malfeito” assina sua sentença de morte. E vive seus últimos dias na insanidade: quem morre hoje estava marcado para morrer, avisou às autoridades que morreria, documentou as ameaças e os pedidos de socorro, às vezes em vídeo – e morreu.

Adrian Cowell emprestou seus olhos e arriscou sua vida por meio século para mostrar o que muitos brasileiros não queriam ver. Conhecer sua obra é um bom começo para mudar esse filme. 
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ex-prefeito de Novo Progresso acusado de improbidade


O ex-prefeito de Novo Progresso (PA) Tony Fábio Gonçalves Rodrigues (Baú) foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo crime de desvio de verbas públicas e por improbidade administrativa. As duas ações foram encaminhadas à Justiça Federal em Santarém na semana passada.
Investigações do MPF apontaram que no último dia do seu mandato, em 31 de dezembro de 2008, Baú desviou R$ 162 mil em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A então servidora municipal Sílvia Maria de Sousa Corrêa também é acusada nas duas ações pelas mesmas ilegalidades.
Caso condenados, os acusados podem ser punidos com dois a doze anos de reclusão pela apropriação ou desvio de verbas. Pela improbidade administrativa, a pena pode ser de perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
Em 29 de dezembro de 2008 – dois dias antes do fim do mandato – o ex-prefeito exonerou a então secretária de educação, Célia Zacchi, sem justificativas. No mesmo dia foi feita a nomeação de Sílvia Corrêa. Além de ter sido nomeada como Secretária Municipal de Educação de Novo Progresso, foi nomeada como gestora do Fundo Municipal de Educação. Assim, a servidora ganhou plenos poderes para gerir os recursos da conta do Fundeb.
No dia seguinte, Sílvia Corrêa sacou todo o dinheiro existente na conta, em um total de R$ 162 mil, e repassou tudo ao ex-prefeito. “Esse valor era destinado ao pagamento dos profissionais de educação de Novo Progresso, no mês de dezembro de 2008, os quais, no entanto, estão até a presente data sem receber”, denuncia o procurador da República Cláudio Henrique Cavalcante Machado Dias.
“A situação desafia, pois, pronunciamento jurisdicional que restabeleça as diretrizes constitucionais atinentes à administração pública, recupere aos cofres do erário federal os recursos públicos malversados, bem como imponha as sanções previstas aos responsáveis pelos ilícitos cometidos”, registra o MPF nas ações.
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Baú foi prefeito de Novo Progresso (PA) entre 2005 e 2008, mas somente após quatro anos do fim do mandato dele é que o Ministério Público Federal (MPF) o acusa de desvio de verbas públicas e improbidade administrativa. Se o MPF e o Judiciário tivessem sido ágeis na fiscalização e tomada de providências contra ele, seguramente os danos praticados contra Novo Progresso teriam sido evitados ou, pelo menos, minimizados.
Já o TCE e TCM parece que até hoje não examinaram a prestação de contas do Baú.

domingo, 1 de julho de 2012

Fortaleza 0 x 0 Águia - Estreia com carimbo dos goleiros!


Clubes bem que tentaram, mas o gol não saiu no PV
Fortaleza e Águia apenas empataram, por 0 a 0, neste domingo, no Estádio Presidente Vargas, na estreia da Série C do Campeonato Brasileiro. Cearenses e paraenses bem que tentaram, mas Lopes e Marcelo Cruz, goleiros de Fortaleza e Águia, respectivamente, se destacaram. Com isso, os clubes somaram apenas um ponto no Grupo A.
Fortaleza e Águia estão no Grupo A ao lado de Santa Cruz-PE, Cuiabá-MT, Salgueiro-PE, Rio Branco-AC, Guarany-CE, Icasa-CE, Treze-PB, Paysandu-PA e Luverdense-MT. Este grupo conta com 11 clubes por causa da inclusão, na Justiça, do Treze.
Os quatro melhores da chave, ao final de turno e returno, avançam à fase final. Nesta, os dois primeiros conquistarão o acesso ao Campeonato Brasileiro da Série B de 2013.
Esta é a terceira participação consecutiva do Fortaleza na Série C. Rebaixado na Série B de 2009, em 2010 clube foi o décimo colocado e no ano passado ficou apenas na 13.ª posição. O Águia também vem tendo campanha semelhante ao do rival na Terceira Divisão. Exemplo disso é que em 2011 o time foi apenas o décimo na classificação geral.
Quase!
Fortaleza e Águia deram a entender que não estavam cansados da indefinição pelo início da Série C. Os dois clubes demoraram a entrar em campo e o primeiro tempo começou com oito minutos de atraso. A partida, pelo menos, foi movimentada.
Logo aos nove minutos, Cléo recebeu passe de cabeça e bateu forte. A bola acertou a trave do Águia. O atacante estava inspirado em teve nova oportunidade três minutos depois. Cléo mandou um petardo, mas o goleiro Marcelo Cruz espalmou.
O Águia também teve uma grande oportunidade. Aos 16 minutos, Valdanes cabeceou com perigo e a bola acertou a trave tricolor. A partir dai o jogo ficou truncado e feio. Os torcedores preferiram observar as belas leoninas fora do campo.
Não deu!
O segundo tempo mostrou um Fortaleza ofensivo e um Águia na defensiva. Mas foi o time do Pará que criou a primeira oportunidade dos 45 minutos finais. Logo aos três minutos, Ivonaldo, dentro da área, chutou firme, mas Lopes defendeu.
A partir dai, o Fortaleza cresceu. Aos nove minutos, Marcelo Régis, mesmo livre na área, bobeou e chutou em cima do goleiro Marcelo Cruz. O atacante teve mais uma oportunidade aos 19 minutos, quando Rafinha cruzou na medida para Marcelo Régis, que desperdiçou a chance.
Aos 25 minutos, Valdson, que entrara na vaga de Geraldo - muito mal na partida -, mandou um petardo, mas Marcelo Cruz defendeu outra vez. Mas aos poucos, o Águia aumentou a posse de bola e passou a gostar do jogo.
Aos 38 minutos, após cruzamento certeiro, Bernardo cabeceou com perigo, mas Lopes fez boa defesa. A resposta do Fortaleza foi uma pixotada de Assisinho. Os técnicos mexeram e bem que tentaram mudar o resultado da partida, mas no final deu empate e sem gols. Destaque negativo foi a quantidade de cartões amarelos para o Águia. Oito ao todo e a maioria por fazer "cera".
Próximos jogos
Pela segunda rodada do Grupo A, o Fortaleza enfrentará o Luverdense, em Lucas do Rio Verde-MT, no domingo, às 16 horas. Antes, no sábado, às 16 horas, o Águia receberá, em casa, o Cuiabá. (Agência Futebol Interior)

PT e PMDB em rota de colisão

Por Mauricio Dias, naCartaCapital:

As eleições municipais de outubro podem provocar um abalo mais sério, muito além da incompatibilidade conhecida entre PT e PMDB, com reflexo perigoso na aliança política que forma a base governista no Congresso. A disputa botou os dois partidos em rota de choque.


Com quase todos os candidatos definidos nas capitais e nas grandes cidades, o Partido dos Trabalhadores entra mais uma vez na mira. Desta vez não só é alvo dos adversários como também, e principalmente, do PMDB, um aliado controvertido, mas de peso numérico fundamental para a sustentação de Dilma no Congresso. Uma base, aliás, tão expressiva numericamente quanto instável politicamente.

O crescimento numérico do PT, do piso ao topo da pirâmide partidária, inquieta aliados e adversários. Em evolução constante desde que entrou na competição, cresce velozmente o número de petistas nas prefeituras e nas câmaras municipais, nos governos estaduais e nas assembleias legislativas, no Senado e na Câmara Federal.

Na Câmara, o resultado disso está registrado no avanço da bancada de deputados do PT e do PMDB. A primeira cresce e a segunda declina.

Os peemedebistas saíram da eleição de 1986 com 131 representantes e, em 1990, caíram para 109. O PT saltou de 17 deputados naquele ano para 35 na eleição seguinte. Em 2010, o PT elegeu mais deputados: 88 ante 77 do PMDB.

“O PT desafia a estabilidade adquirida pelo PMDB ao longo dos anos. Sem chances de disputar a Presidência, o partido controla o Congresso a partir das bases municipais e domina parte da máquina administrativa”, analisa Francisco Meira, do instituto Vox Populi.

Para os petistas tudo começou em 1982, um ano após a fundação do partido. Foi um fiasco. A partir daí, o PT iniciou sua marcha para o poder.

Por injunções impostas pelo regime militar, só houve eleição em 1988. A partir desse pleito, os números foram favoráveis nos municípios e nas disputas legislativas.

“Consolidado o governo central, o PT pode dar mais um passo em 2012 e quebrar a longa hegemonia do PSDB em São Paulo”, lembra Meira.

“Temos de barrar o apetite avassalador do PT”, alertou em São Paulo o tucano José Serra, quando foi oficializada a candidatura dele à prefeitura da capital.

Algumas semanas antes, reação semelhante teve o PMDB. A inquietação do partido está exposta no manifesto assinado pela bancada na Câmara. No texto não há meias-palavras: “Estamos vivendo uma encruzilhada, em que o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal do País”.

Em 2008, o PMDB ainda conquistou o maior número de votos, porém, perseguido de perto. Obteve mais de 18 milhões de votos e o PT, pouco mais de 16 milhões.

Naquelas eleições, no entanto, os petistas se viram empurrados para o “fundo do País”. Praticamente metade (277) das 559 prefeituras sob controle do partido está em municípios com população abaixo de 10 mil pessoas. Outras 121 ficam em cidades entre 10 mil e 20 mil habitantes.

Assim, o objetivo agora é conquistar prefeituras em cidades com população acima de 100 mil pessoas. Nelas, essencialmente, são montadas as plataformas de vitória nas eleições legislativas e o consequente domínio do Congresso nacional. É o que o PT quer. É o que o PMDB teme.

sábado, 30 de junho de 2012

Devassa no IFPA: furo de R$ 5,4 milhões

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal o reitor do Instituto Federal do Pará (IFPA), Edson Ary Fontes, e outras 12 pessoas por fraudes e desvio de mais de R$ 5,4 milhões em recursos federais destinados à educação. A pedido do MPF, o reitor e outros três acusados foram presos preventivamente pela Polícia Federal, para não atrapalharem as investigações.

Além de Edson, estão presos Bruno Garcia Lima e Armando da Costa Júnior. Alex Costa Oliveira chegou a ser considerado foragido mas acabou se entregando. Eles também tiveram os bens bloqueados e houve busca e apreensão nas residências e escritórios dos quatro. A denúncia contra eles já foi recebida pela 4ª Vara da Justiça Federal em Belém, que também expediu todos os mandados de prisão, bloqueio de bens, busca e apreensão.
“Os fatos demonstram, de maneira inequívoca, a existência de verdadeira organização criminosa voltada essencialmente para a prática de crimes de peculato, consistentes no desvio e na apropriação de recursos públicos da instituição de ensino”, diz a denúncia do MPF, assinada pelos procuradores da República Igor Nery Figueiredo e Ubiratan Cazetta.
“O reitor do IFPA lidera o bando, distribui tarefas, fixa os valores que serão desviados e divide o produto dos crimes entre seus comparsas. Como líder do grupo, é a ele destinada a maior parte dos recursos públicos desviados”, diz a denúncia. A investigação concluiu que o reitor distribuía bolsas de estudo a seus parentes e aliados e chegou a comprar passagens aéreas para sua irmã, Edilza de Oliveira Fontes.
Os réus são: Edson Ary de Oliveira Fontes, Reitor do IFPA; João Antônio Corrêa Pinto, Reitor-substituto; Bruno Henrique Garcia Lima, diretor de projetos do IFPA;
Armando Barroso da Costa Júnior, Diretor-Geral da Funcefet; Alex Daniel Costa Oliveira, Diretor Administrativo-Financeiro da Funcefet; Darlindo Maria Pereira Veloso Filho e Márcio Benício de Sá Ribeiro, coordenadores do programa Universidade Aberta do Brasil; Sônia de Fátima Rodrigues Santos, coordenadora do programa de pós-graduação; Geovane Nobre Lamarão, Coordenador-Geral do Pronatec no IFPA; Rui Alves Chaves, Pro-Reitor de Extensão.

Era pros porcos, mas...



O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o prefeito do município de Curuçá (PA), Fernando Alberto Cabral da Cruz, por desviar recursos de incentivos fiscais do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), administrado pela extinta Sudam. Além do prefeito, também foram denunciados o produtor rural Edilson Leray Silva e a empresária Maria Auxiliadora Barra Martins.
De acordo com a denúncia, Edilson Leray e Maria Auxiliadora juntaram-se para criar a empresa de fachada Suínos da Amazônia S.A (Suinasa) e viabilizar o escoamento de recursos do Finam. Os dois foram responsáveis por cooptar os “laranjas” Benedito Mair Bastos de Deus e Ana Cristina Lobato Mendes para figurarem como sócios da empresa.
Um projeto da Suinasa previa a implantação de empreendimento agropecuário no município de Santo Antônio do Tauá (PA). O empreendimento captaria recursos de incentivos fiscais do Finam, no montante de R$ 4.525.000,00, e, em contrapartida, a empresa aplicaria recursos de mesmo valor.
A Suinasa obteve 77,80% dos recursos autorizados pelo projeto apresentado ao Finam. Foram liberados, em três parcelas, R$ 3.520.960,00 do total previsto até o fim da parceria: a primeira parcela, no valor de R$ 1.321.000,00, foi creditada dia 16 de dezembro de 1999; a segunda parcela, no valor de R$ 1.000.000,00, creditada no dia 24 de fevereiro de 2000; e a última parcela, no valor de R$ 1.199.976,00, liberada no dia 06 de julho de 2000.
No entanto, durante fiscalização do Ministério da Integração Nacional, ficou constatado que a partir da última liberação de recursos, o projeto foi paralisado sem justificativas e a empresa estava em situação de abandono.
O inquérito policial revelou que o prefeito de Curuçá era o verdadeiro proprietário do empreendimento de criação de suínos intermediado pela Suinasa. Segundo Edilson Leray, o projeto pertencia a Fernando Cabral, que acabou por se apropriar dos recursos públicos. Em depoimento, a “laranja” Ana Cristina afirmou que o prefeito Fernando Cabral chegou a acompanhá-la até uma instituição financeira para que efetuasse abertura de conta bancária em nome da Suinasa.

Vila


Crescimento da Vila Sororó (na estrada para Eldorado), não supervisionado pelo poder público, já começa a afetar a preservação do rio de mesmo nome, um dos principais afluentes do Itacaiúnas. Inúmeros barracos avançam na direção da margem, com a destruição da vegetação ciliar e protetora do Sororó.
Já na área urbana, voltaram as invasões sem controle e especulativas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nossos literatos


Literatos
Tendo por patrono o escritor paraense Dalcidio Jurandir, o poeta Charles Trocate toma posse hoje à tarde na Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense, assumindo a cadeira 16, em solenidade a realizar-se no auditório da Escola Irmã Theodora, no bairro da Liberdade. Trocate publicou os livros Poemas de Barricada e  Bernardo, enquanto aguarda a impressão de Conversa com Louças e Casa das Árvores, inéditos.  Outro a ascender ao silogeu é o também poeta Airton Souza.


Escritora premiada em Milão
A escritora Terezinha Guimarães, da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense recebeu menção honrosa com o texto Campo Minado, na categoria Prata do concurso literário “Vozes & Voci 2012”. A premiação oficial será no dia 13 de julho 2012 em Milão, Itália, durante a semana cultural organizada pela promotora do concurso no Pavilhão das Nações durante a 22°ª Expo Festival Latino Americano.
Atualmente, Terezinha Guimarães encontra-se em Belo Horizonte, recuperando-se de cirurgia e, por isso, não deverá comparecer ao evento. Não obstante, seu certificado será enviado pelo correio.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Desgoverno manda lembranças


No Terra do Nunca:

HMI: Gasometria está com problemas. Recém nascidos podem morrer
Ouvinte entrou em contato com a rádio clube para denunciar um problema sério no Hospital Materno Infantil, mais um.
Trata-se do aparelho de gasometria, que só funciona com um reagente, mas a prefeitura estaria devendo a empresa que fornece esse reagente para o aparelho funcionar.
Na semana passada funcionários da empresa foram até o hospital e bloquearam o aparelho, pois o equipamento estava funcionando com reagente que a prefeitura não havia pago.
Ainda de acordo com a mesma fonte, o bioquímico e coordenador da farmácia do HMI, Belchior Júnior, teve que interver e correr atrás dos funcionários da empresa para que eles desbloqueassem o aparelho, pois dele dependem as vidas de recém nascidos.
O aparelho de gasometria é muito importante. É utilizado para medir o pH e as pressões parciais de O2 e CO2 da amostra de sangue dos recém nascidos (em estado grave). Numa linguagem mais simples, a gasometria pode fornecer dados sobre a função respiratória dos recém nascidos.
Com base nessa leitura são feito os primeiros cuidados, dado encaminhamento para incubadora e os demais cuidados e monitoramento.

Fazenda Cedro: Conflito pela terra pode recrudescer


“Não daremos mais um passo atrás sobre a Fazenda Cedro e as demais fazendas onde as 1.300 famílias do MST terão que ser assentadas. Não aceitaremos despejos em nossas áreas, intimidações e prisões, bem como a criminalização das lideranças e do movimento”.
A decisão é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, declarada hoje em nota pública firmada por ele e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os trabalhadores garantem que o conflito ocorrido no final da semana passada na fazenda Cedro, envolvendo famílias ligadas ao MST, onde 15 pessoas (entre elas uma criança de 2 anos) foram feridas à bala por “seguranças” do grupo Santa Bárbara do banqueiro Daniel Dantas, “poderá se estender para outros acampamentos do movimento caso, o Incra nacional não dê resposta positiva à pauta apresentada na sexta feira à Ouvidoria Agrária e Superintendência de Marabá”.
O MST possui cinco acampamentos nas regiões sul e sudeste do Pará, onde estão acampadas 1.300 famílias. Para solucionar os conflitos e assentar esse contingente, o movimento entende que o Incra precisa enfrentar os três grupos mais poderosos da região: a Vale, a Agropecuária Santa Bárbara e o grupo Quagliato.
Por isso, os acampamentos do MST em área de interesse da Vale e do grupo Quagliato poderão seguir o mesmo exemplo adotado em relação ao grupo Santa Bárbara no último final de semana. Essas famílias também aguardam o cumprimento de acordos não cumpridos entre o INCRA e os referidos grupos econômicos para a liberação de fazendas para assentamentos rurais”, diz a nota.
Queixam-se MST e CPT que nos últimos dois anos, o Movimento manteve as famílias acampadas e participou de mais de uma dezena de audiências na Vara Agrária e com a Ouvidoria Agrária Nacional, cumprindo com sua parte nos acordos. Contudo, “durante todo esse tempo, o grupo do banqueiro Dantas vem, cada vez mais, expandindo suas propriedades na região à custa de desvio do dinheiro público, contando com a conivência do Incra e da Justiça. Além disso, foi o grupo que não cumpriu com os acordos firmados e na última reunião não compareceu, mostrando descaso. Por isso, o MST não voltará atrás em relação aos imóveis do grupo Santa Bárbara e não se retirará mais da Fazenda Cedro”.
Para o Movimento, o caso da Fazenda Cedro é um exemplo desse desmando, onde  90% da floresta da propriedade foi derrubada. O antigo castanhal existente ali foi totalmente destruído. “Calcula-se, diz a nota, que metade de seus 10 mil hectares seja constituída de terras públicas, mas, até agora o Incra retomou apenas 900 hectares. A fazenda foi embargada pelo Ministério Público Federal por crime ambiental, mas a Justiça, atendendo ao pedido do grupo do banqueiro, determinou o desembargo. Durante todo esse tempo e frente a tantas ilegalidades, o Incra sequer fez um estudo sobre a situação da área. Além disso, a Agropecuária Santa Bárbara tem várias ações e processos referentes a trabalho escravo, desmatamento, uso intensivo de agrotóxicos (com pulverização aérea), grilagem de terra e violência contra trabalhadores e trabalhadoras na região”.
As famílias do MST acampadas em áreas públicas, griladas pelo grupo, sentem intimidação e violência permanentemente, asseguram os camponeses. “Nos últimos três anos, apenas na região sudeste, a escolta armada Atalaia - pistoleiros autorizados pelo Estado, travestidos de segurança -, já feriu à bala 38 trabalhadores rurais sem terra e assassinou um jovem trabalhador (Wagner). Com frequência, rondam os acampamentos, atiram pela noite, ameaçam os trabalhadores quando estão plantando suas roças, sobrevoam constantemente os acampamentos intimidando e promovendo violência psicológica nas famílias que lutam pelo justo direito à terra. Nenhum “segurança” foi preso ou punido por esses crimes. Por essas e por outras razões é que não esperaremos mais e não daremos mais um passo atrás sobre a Fazenda Cedro e as demais fazendas onde as 1.300 famílias do MST terão que ser assentadas. Não aceitaremos despejos em nossas áreas, intimidações e prisões, bem como a criminalização das lideranças e do movimento”.