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domingo, 25 de agosto de 2013

Porque os médicos cubanos incomodam



Foto: Valter Campanato/ABr


















Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:


O debate sobre a chegada de médicos cubanos é vergonhoso.

Do ponto de vista da saúde pública, temos um quadro conhecido. Faltam médicos em milhares de cidades brasileiras, nenhum doutor formado no país tem interesse em trabalhar nesses lugares pobres, distantes, sem charme algum – nem aqueles que se formam em universidades públicas sentem algum impulso ético de retribuir alguma coisa ao país que lhes deu ensino, formação e futuro de graça.

Respeitando o direito individual de cada pessoa resolver seu destino, o governo Dilma decidiu procurar médicos estrangeiros. Não poderia haver atitude mais democrática, com respeito às decisões de cada cidadão. 

O Ministério da Saúde conseguiu atrair médicos de Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai. Mas continua pouco. Então, o governo resolveu fazer o que já havia anunciado: trazer médicos de Cuba. 

Como era de prever, a reação já começou.

E como eu sempre disse neste espaço, o conservadorismo brasileiro não consegue esconder sua submissão aos compromissos nostálgicos da Guerra Fria, base de um anticomunismo primitivo no plano ideológico e selvagem no plano dos métodos. É uma turma que se formou nesta escola, transmitiu a herança de pai para filho e para netos. Formou jovens despreparados para a realidade do país, embora tenham grande intimidade com Londres e Nova York. 

Hoje, eles repetem o passado como se estivessem falando de algo que tem futuro. 

Foi em nome desse anticomunismo que o país enfrentou 21 anos de treva da ditadura. E é em nome dele, mais uma vez, que se procura boicotar a chegada dos médicos cubanos com o argumento de que o Brasil estará ajudando a sobrevivência do regime de Fidel Castro. Os jornais, no pré-64, eram boicotados pelas grandes agencias de publicidade norte-americanas caso recusassem a pressão americana favorável à expulsão de Cuba da OEA. Juarez Bahia, que dirigiu o Correio da Manhã, já contou isso. 

Vamos combinar uma coisa. Se for para reduzir economia à política, cabe perguntar a quem adora mercadorias baratas da China Comunista: qual o efeito de ampliar o comércio entre os dois países? Por algum critério – político, geopolítico, estético, patético – qual país e qual regime podem criar problemas para o Brasil, no médio, curto ou longo prazo?

Sejamos sérios. Não sou nem nunca fui um fã incondicional do regime de Fidel. Já escrevi sobre suas falhas e imperfeições. Mas sei reconhecer que sua vitória marcou uma derrota do império norte-americano e compreendo sua importância como afirmação da soberania na América Latina.

Creio que os problemas dos cidadãos cubanos, que são reais, devem ser resolvidos por eles mesmos.

Como alguém já lembrou: se for para falar em causas humanitárias para proibir a entrada de médicos cubanos, por que aceitar milhares de bolivianos que hoje tocam pedaços inteiros da mais chique indústria de confecção do país? 

Denunciar o governo cubano de terceirizar seus médicos é apenas ridículo, num momento em que uma parcela do empresariado brasileiro quer uma carona na CLT e liberar a terceirização em todos os ramos da economia. Neste aspecto, temos a farsa dentro da farsa. Quem é radicalmente a favor da terceirização dos assalariados brasileiros quer impedir a chegada, em massa, de terceirizados cubanos. Dizem que são escravos e, é claro, vamos ver como são os trabalhadores nas fazendas de seus amigos. 

Falar em democracia é um truque velho demais. Não custa lembrar que se fez isso em 64, com apoio dos mesmos jornais que 49 anos depois condenam a chegada dos cubanos, erguendo o argumento absurdo de que eles virão fazer doutrinação revolucionária por aqui. Será que esse povo não lê jornais? 

Fidel Castro ainda tinha barbas escuras quando parou de falar em revolução. E seu irmão está fazendo reformas que seriam pura heresia há cinco anos.

O problema, nós sabemos, não é este. É material e mental. 

Nossos conservadores não acharam um novo marqueteiro para arrumar seu discurso para os dias de hoje. São contra os médicos cubanos, mas oferecem o que? Médicos do Sírio Libanês, do Einstein, do Santa Catarina? 

Não. Oferecem a morte sem necessidade, as pragas bíblicas. Por isso não têm propostas alternativas nem sugestões que possam ser discutidas. Nem se preocupam. Ficam irresponsavelmente mudos. É criminoso. Querem deixar tudo como está. Seus médicos seguem ganhando o que podem e cada vez mais. Está bem. Mas por que impedir quem não querem receber nem atender? 

Sem alternativa, os pobres e muito pobres serão empurrados para grandes arapucas de saúde. Jamais serão atendidos, nem examinados. Mas deixarão seu pouco e suado dinheiro nos cofres de tratantes sem escrúpulos. 

Em seu mundo ideal, tudo permanece igual ao que era antes. Mas não. Vivemos tempos em que os mais pobres e menos protegidos não aceitam sua condição como uma condenação eterna, com a qual devem se conformar em silêncio. Lutam, brigam, participam. E conseguem vitórias, como todas as estatísticas de todos os pesquisadores reconhecem. Os médicos, apenas, não são a maravilha curativa. Mas representam um passo, uma chance para quem não tem nenhuma. Por isso são tão importantes para quem não tem o número daquele doutor com formação internacional no celular.

O problema real é que a turma de cima não suporta qualquer melhoria que os debaixo possam conquistar. Receberam o Bolsa Família como se fosse um programa de corrupção dos mais humildes. Anunciaram que as leis trabalhistas eram um entrave ao crescimento econômico e tiveram de engolir a maior recuperação da carteira de trabalho de nossa história. Não precisamos de outros exemplos. 

Em 2013, estão recebendo um primeiro projeto de melhoria na saúde pública em anos com a mesma raiva, o mesmo egoísmo. 

Temem que o Brasil esteja mudando, para se tornar um país capaz de deixar o atraso maior, insuportável, para trás. O risco é mesmo este: a poeira da história, aquele avanço que, lento, incompleto, com progressos e recuos, deixa o pior cada vez mais distante. 

É por essa razão, só por essa, que se tenta impedir a chegada dos médicos cubanos e se tentará impedir qualquer melhoria numa área em que a vida e a morte se encontram o tempo inteiro. 

Essa presença será boa para o povo. Como já foi útil em outros momentos do Brasil, quando médicos cubanos foram trazidos com autorização de José Serra, ministro da Saúde do governo de FHC, e ninguém falou que eles iriam preparar uma guerrilha comunista. Graças aos médicos cubanos, a saúde pública da Venezuela tornou-se uma das melhores do continente, informa a Organização Mundial de Saúde. Também foram úteis em Cuba. 

Os inimigos dessas iniciativas temem qualquer progresso. Sabem que os médicos cubanos irão para o lugar onde a morte não encontra obstáculo, onde a doença leva quem poderia ser salvo com uma aspirina, um cobertor, um copo de água com açúcar. Por isso incomodam tanto. Só oferecem ameaça a quem nada tem a oferecer aos brasileiros além de seu egoísmo.

Vale tudo contra os médicos cubanos?

O que move as entidades médicas

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

Uma leitura cuidadosa dos principais jornais brasileiros de circulação nacional mostra que há uma tendência da imprensa a desqualificar o programa Mais Médicos, pelo qual o governo federal procura suprir a falta de profissionais de saúde em bairros periféricos das grandes cidades e nos municípios distantes dos grandes centros.

De modo geral, o noticiário abre com informações aparentemente equidistantes da polêmica central sobre o assunto, mas a hierarquia das notícias e as escolhas das análises priorizam opiniões contrárias à iniciativa do governo.

Nas edições de sexta-feira (23/8), a exceção é a Folha de S. Paulo, que dá espaço para um artigo esclarecedor sobre a questão. No Estado de S. Paulo, o principal destaque vai para dados factuais, como o número de cidades paulistas que vão receber médicos selecionados na primeira fase do programa. Nesse texto está inserida a defesa do projeto, sem um destaque especial. As opiniões contrárias estão separadas em dois outros textos, um deles informando que as entidades representativas dos médicos brasileiros e partidos de oposição vão recorrer ao Ministério Público do Trabalho para impedir que se consolide a contratação de estrangeiros.

Abaixo da reportagem principal também é publicado o resultado de uma pesquisa que supostamente mostra que o programa Mais Médicos é rejeitado pela maioria da população. No entanto, esse texto peca pela falta de precisão e acuidade. Por exemplo, não informa de quem é a iniciativa da consulta, feita por um tal Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ). Também omite que o ICTQ é uma empresa de educação continuada que é apoiada pela indústria farmacêutica, oferecendo cursos para profissionais do setor.

A “pesquisa” é referendada por um dirigente do Conselho Federal de Medicina, que usa as informações para reforçar a campanha da entidade contra o programa do governo. Trata-se, portanto, de uma daquelas artimanhas do jornalismo segundo a qual um suposto dado objetivo, como o resultado de uma pesquisa, é apresentado como fato comprovador de uma opinião preexistente, omitindo-se do leitor o contexto que lhe permitiria relativizar a informação – no caso, o interesse específico da indústria farmacêutica.

A serviço das farmacêuticas

O Globo nem mesmo se dá ao trabalho de dissimular sua posição: abre a página explorando contradições entre integrantes do governo sobre o salário que os médicos cubanos irão efetivamente receber. No quadro em que o jornal costuma emitir sua opinião, fica claro que seus editores se alinham com o viés mais reacionário das entidades médicas: o texto afirma que “como existe um eixo Havana-Brasília, assentado em simpatias ideológicas, é preciso atenção redobrada na qualidade da prestação de serviço dos companheiros cubanos”.

Assim, em linguagem quase chula, o jornal carioca apoia a ideia de que os médicos cubanos estão sendo trazidos para fazer “pregação comunista”, como entende o presidente do Conselho Federal de Medicina.

A Folha de S. Paulo se destaca por abrir um pouco mais o leque de alternativas do leitor, informando na reportagem principal que o Ministério Público do Trabalho vai investigar as condições da contratação de médicos cubanos. Em outra página, também com destaque, publica a posição do governo brasileiro, manifestada pelo secretário nacional de Vigilância Sanitária e pelo ministro das Relações Exteriores. Há também um perfil dos médicos cubanos que já atuam no Brasil, material acompanhado por um infográfico que mostra a distribuição desses profissionais em todos os estados.

Mas o diferencial da Folha é uma análise produzida pelo jornalista Marcelo Leite (ver aqui), na qual ele observa que Cuba forma milhares de médicos por mês, “como produto de exportação”. O autor explica que o governo cubano montou uma verdadeira indústria de profissionais de saúde, a maioria deles com especialização em medicina preventiva. Esse seria o segredo principal das realizações do regime cubano na área da saúde, como uma taxa de mortalidade infantil inferior à dos Estados Unidos. A ilha comandada pelos irmãos Castro desde 1959 produziu a partir de então 124.789 médicos e se destaca pela prevenção de doenças, diz o articulista.

Esse é o ponto central da polêmica: ao trazer 4 mil médicos de Cuba, o governo brasileiro está sinalizando que sua estratégia para suprir as deficiência da saúde nos lugares mais pobres vai se basear no atendimento preventivo, que reduz sensivelmente os custos do sistema e diminui a dependência em relação às empresas do setor farmacêutico.

O articulista da Folha dá a pista de onde vêm os interesses contrários ao programa do governo, ao afirmar que “na medicina preventiva, sua especialidade, é possível que [os médicos cubanos] se revelem até mais eficientes que os do Brasil, cuja medicina tem outras prioridades”.

Some-se isso com aquilo e... bingo! O leitor já sabe a serviço de quem estão as entidades que se opõem ao programa Mais Médicos.

 comentários:

Anônimo disse...

E SE OS MÉDICOS
FOSSEM AMERICANOS ? Jornalista Paulo Henrique Amorim

Tentativa de resposta: teriam noites e noites de autógrafos! Palcos(!): sedes das entidades médicas – e projac!…

A difícil situação do Fórum de Marabá

Juízes de Direito e representantes da OAB/PA reuniram-se à amanhã de hoje com a desembargadora Maria de Nazaré Saavedra Guimarães, Corregedora de Justiça das Comarcas do Interior, e Mônica Raiol de Moraes, Coordenadora de Gabinete, para tratar das dificuldades enfrentadas pelo Fórum de Marabá. Presentes os juízes Marcelo Andrei Simão Santos, diretor do Fórum, Danielle Karen da Silveira aAraújo Leite, Cristiano Magalhães Gomes, César Dias de França Lins, Wilker André Vieira Lacerda, Daniel Gomes Coelho, e os advogados Haroldo Júnior, Haroldo
Wilson Gaia e Ismael Gaia.

Conforme a ata do encontro, os advogados requereram a elevação da comarca para 3ª Entrância e também a criação de novas Varas Cíveis de Família e da Fazenda. Apontaram a insuficiência de funcionários, considerando que os cedidos pela prefeitura foram retirados e tiveram seus contratos rescindidos. Queixaram-se que a demora para a distribuição de processos chega, às vezes, até três meses, problema já colocado para a presidência do TJPA no início da gestão.
o pedido para instalação de varas e elevação da comarca foram protocolados.
Prosseguindo, os advogados disseram entender que a vinda de juízes substitutos melhoraria a situação das Varas, considerando que são apenas três os existentes e ainda cumulam outras comarcas. Prometeram intervir junto à prefeitura  para a cessão de funcionários com gratificação. Comparativamente, alegaram, as justiças Federal e do Trabalho são mais ágeis, e em nome da Subseção ofereceram mini-cursos para servidores do Judiciário a preço módico.
De seu turno, a juiza Danielle Karen apresentou cópia de expediente encaminhado à presidência para a redistribuição dos processos cíveis, mas até agora não obteve resposta. Disse ter conhecimento da criação de vara nova que não foi instalada, e que não adianta virem  mais juízes se não existir funcionário para cumprimento do trabalho.
Dr. Marcelo Andrei, diretor do Fórum, garantiu que a distribuição já está sendo normalizada e com relação aos funcionários cedidos pela prefeitura foi feito convênio, ainda na gestão anterior; afirmou não haver espaço físico para a instalação de nova Vara e que apenas no crime as audiências são gravadas. Propôs que o ideal seria ter mais um Juizado, pois os processos já chegam a cinco mil.
Dr. César Lins é do entendimento que a vinda de pelo menos três juízes auxiliares já ajudaria bastante, pois as Varas estão sobrecarregadas.
Dr. Cristiano Magalhães afirmou que o Juizado é o quinto no Pará em movimentação, realizando 30 audiências diárias, mas possui o dobro de processos  - cerca de cinco mil - em trâmite  nos dois Juizados de Santarém, e que o mutirão realizado anteriormente não analisou processos; só mandou cumprir despachos já realizados.
No Parsifal Pontes:

Propinoduto Tucano: a Marília que não é de Dirceu


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Em mais um capítulo da novela do “Propinoduto Tucano”, a ISTOÉ batiza mais bois e desvela uma das contas usadas pelo esquema de corrupção dos tucanos em São Paulo.
> A conta Marília
Com o sigilo quebrado pela justiça suíça, quando foi investigada a relação da Alstom com o governo de S. Paulo, a conta "Marília", no Multi Commercial Bank, em Genebra, identificada no processo suíço como “conta master” (através da qual se gerenciam outras contas), movimentou, nos anos de 1998 a 2002, 20 milhões de euros (R$ 64 milhões).
Seguindo o dinheiro, a justiça suíça descobriu que os depósitos na “Marília” obedeciam ao padrão da lavagem de dinheiro internacional: um longo e sinuoso caminho através de “offshores, gestores de investimento e lobistas.”.
> TCE-SP
Um dos beneficiários da “Marília”, segundo “fontes do Ministério Público”, é Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de S. Paulo (TCE-SP).
Ungido à corte após coordenar a campanha do ex-governador tucano Mário Covas ao governo de SP, Marinho, por suposto, era o “advogado” do cartel no TCE-SP.
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> Arthur Teixeira e José Villas Boas
Como informou a Siemens ao CADE, Arthur Teixeira e José Villas Boas também foram beneficiários da “Marília” através das suas empresas, Procint e Constech, além das offshores Leraway Consulting e Gantown Consulting.
A constatação dá crédito às declarações da Siemens no acordo de leniência: a dupla tinha ligação com o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e com o diretor de Operação e Manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, José Lavorente.
> Trilhos que levam ao MEC
O MP também recebeu documentos de outra conta suíça, de titularidade de Villas Boas e Jorge Fagali Neto, diretor de projetos do MEC na gestão de FHC. Ambos estão indiciados pela PF “sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.”.
> 7,5 milhões de euros bloqueados
Segundo a ISTOÉ, os dados, que pousam aos cântaros no bureau do MP e PF, também abastecem duas ações sigilosas nas justiças estadual e federal paulista, que apuram crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa.
A justiça suíça também comunicou ao Brasil que estão bloqueados, em contas de titularidade de Fagali e Villas Boas, no banco Safdié, 7,5 milhões de euros.
A reportagem completa aqui.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Achado o corpo do trabalhador assassinado em S. Félix do Xingu



Presidente Henrique Eduardo Alves, da Câmara dos Deputados, criou ontem, 22 de agosto, uma  Comissão Externa, sem ônus para a Casa destinada a verificar denúncias sobre o assassinato de trabalhador rural no município de S. Félix do Xingu, bem como avaliar que providências estão sendo tomadas sobre o caso. A Comissão é integrada pelos deputados Cláudio Puty (PT/PA), coordenador, Asdrubal Bentes (PMDB/PA) e Delegado Protógenes (PCdoB/SP).O Ato da Presidência é de 22 de agosto, quinta-feira.
Na mesma data, e segundo o Diário do Pará, a Equipe ‘Caveira’ da Polícia Civil, comandada pelo delegado Lenildo Mendes, encontrou o corpo do tratorista Welbert Cabral Costa, dentro da Fazenda Vale do Triunfo, pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, em São Félix do Xingu, a aproximadamente 15 quilômetros da guarita, local onde ocorreu o assassinato.
Apesar das dificuldades encontradas desde a estrutura policial até as estradas mal conservadas na zona rural de São Felix do Xingu, os policiais conseguiram realizar a operação denominada “Santa Barbárie”.
Na operação de busca e apreensão deflagrada ainda no último dia 8, a polícia apreendeu uma espingarda e uma garrucha além de várias balas. Foram apreendidas ainda duas caminhonetes pertencentes à Agropecuária Santa Bárbara, que serão encaminhadas para perícia, já que existem relatos de que o corpo de Welbert Cabral Costa, desaparecido desde o último dia 24, teria sido carregado pelos funcionários Divo Ferreira e Marciel Berlanda do Nascimento em um dos veículos da empresa. A moto de Welbert foi encontrada pela polícia e está na Delegacia de São Félix do Xingu, assim como os veículos.
O crime teria sido presenciado por outra pessoa que alega ter visto o trabalhador rural ser executado ao reclamar direitos trabalhistas. Depois de prestar depoimento à polícia, a testemunha está escondida por medo de represálias, enquanto tenta ser encaminhada a um programa de proteção do governo federal.
Welbert havia ido à sede da fazenda no dia 24 para reclamar uma quantia que não lhe havia sido paga, depois de passar um tempo afastado porque sofrera um acidente de trabalho.
Segundo as organizações da sociedade civil locais, este pode não ter sido o primeiro homicídio motivado por reclamações iguais. O funcionário da fazenda Divo Ferreira é apontado pela Polícia Civil como autor do disparo que matou a vítima, sendo ajudado por Marciel Berlanda do Nascimento que teria contribuído para sumir com o corpo de Welbert.

A equipe do delegado Lenildo Mendes não encontrou na fazenda onde ocorreu o crime os funcionários Divo Ferreira e Marciel Berlanda do Nascimento, que estão com as prisões preventivas decretadas pelo juiz da comarca, Celso Gusmão. Os acusados já são considerados foragidos da justiça. Segundo o delegado Lenildo Mendes, a prisão dos foragidos “é apenas uma questão de tempo e cita que devem cair logo na cadeia”.
A VÍTIMA
Welbert Cabral tinha 26 anos, esposa e quatro filhos pequenos, o mais velho deles com 5 anos de idade. A família, que vive em Xinguara, cidade vizinha, prestou queixa sobre o desaparecimento em 3 de agosto. (Com dados do Diário do Pará)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Pará sempre entre os piores


Parsifal 5.4

Marituba é o município com o pior IBEU do Brasil


Além do Pará ter caído oito posições, de 2003 a 2013, no IDH-M, e abrigar o município com o menor IDH-M do Brasil (Melgaço), abriga, idem, o município com menor Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU) do Brasil: Marituba, na região metropolitana de Belém.
> O pior entre 289 cidades das 15 regiões metropolitanas
O IBEU, coordenado pelo “Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro”, é pesquisado nas 15 maiores regiões metropolitanas brasileiras, e Marituba ficou com a lanterna entre as 289 cidades pesquisadas. Os dados são de 2010, todavia, por evidente, nada mudou, e se mudou foi para pior.
> Alagamentos
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Em matéria de ontem (21) a “Folha de S. Paulo” reporta que na praça central de Marituba, “área mais urbanizada da cidade, 20 minutos de chuva são suficientes para causar alagamentos, esgotos a céu aberto são normais, e a sujeira é vista nas principais vias”. Isso não é “privilégio” de Marituba: Belém poderia ser encaixada na descrição.
> Sem foco nas horas
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O fato do Pará amargar índices tão desabonadores, mesmo portando potencial maior do que outros estados que não possuem as mesmas oportunidades, revela um modelo de gestão oxidado, uma classe política que se perdeu na disputa do poder pelo poder e uma inteligência com tromboembolia: perdemos o foco das horas.
Ou o Pará expurga o cansaço e providencia anticoagulantes, ou o hoje que se quer, e o amanhã que se busca, morrerá antes de ontem.
Para ver a lista com a classificação das cidades no IBEU, clique aqui.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

APOIO 'INCONDICIONAL' DE FREIRE A SERRA RACHA PPS

No 247

Concursados não entram. Mas sobe número de temporários

A Perereca da Vizinha
Gastos do Governo Jatene com servidores temporários subiram mais de 70% entre 2010 e 2012. Maior aumento foi no ano eleitoral de 2012, quando despesas com esses servidores atingiram o maior valor da década: mais de R$ 513 milhões, em valores atualizados. No entanto, gastos com material de consumo até caíram.

Enquanto concursados protestam por nomeações, gastos de Jatene com contratos temporários sobem 70% e atingem o maior valor da década: R$ 513 milhões



Os gastos do Governo do Pará com contratações temporárias cresceram 70,26% entre 2010 e 2012 - um acréscimo superior a R$ 203,5 milhões, em valores não atualizados. 

O maior aumento ocorreu entre 2011 e o ano eleitoral de 2012, quando as despesas com essas contratações subiram 45,22%, atingindo um total impressionante: mais de R$ 493,3 milhões. 

Em valores atualizados pelo IPCA-E de junho deste ano, essa montanha de dinheiro corresponde a mais de 513,8 milhões, o maior gasto com contratações temporárias desde 2002, ou seja, em uma década. 

E mais: a inflação acumulada entre janeiro de 2010 e agosto de 2013, informa o DIEESE, é de 23,44% (IPCA/IBGE). 

Veja a tabela preparada pela Perereca, a partir das informações dos balanços gerais do Estado, os documentos que registram todas as receitas e despesas do Governo, em cada exercício. Clique em cima dela para ampliar: 




Maior despesa é com servidores administrativos 

No balancete de junho de 2013,  consta que as contratações por tempo determinado já haviam consumido, até o final daquele mês, mais de R$ 234,2 milhões. 

Desse total, mais de R$ 185 milhões (78,99%) foram gastos com “serv.” temporários administrativos. 

Somente R$ 7,588 milhões foram despesas, conforme o enigmático balancete, com “serv. event. pessoal de excepcional int. público”. 

Veja aqui (a coluna F é o acumulado do ano): 



No entanto, a definição dos gastos classificados no “grupo” Contratação por Tempo Determinado é claríssima, em qualquer manual de orçamento público: aqui são lançadas as  “despesas com a contratação de pessoal por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, de acordo com legislação específica de cada ente da Federação, inclusive obrigações patronais e outras despesas variáveis, quando for o caso”. 

Outro fato que chama atenção é que enquanto os gastos com temporários cresceram mais de 70%, no mesmo período, entre 2010 e 2012, as despesas com material de consumo até caíram: foram R$ 345 milhões em 2010, contra R$ 338 milhões em 2012 (valores nominais). 

E material de consumo, vale lembrar, inclui o material de expediente usado nas repartições. 

Veja o resumo do Balanço Geral do Estado do Pará de 2010, extraído do site da Secretaria do Tesouro Nacional (as despesas estão na página 12; os gastos com contratações por tempo determinado estão dentro do grupo Pessoal e Encargos): https://docs.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12aXU0UkNPdzAxNFU/edit 

E leia a reportagem anterior da Perereca, na qual você encontra os links para os resumos dos balanços gerais do Estado do Pará de 2011 e 2012: 

Percentuais de investimento do Pará são os piores da Região Norte. Estado perde até para o Piauí e o Maranhão, com quem “disputa” a lanterninha dos indicadores sociais”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/08/percentuais-de-investimento-do-para-sao.html 

Contra Friboi

No blog do GIBA UM:

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, está em campo contra a milionária campanha publicitária da marca Friboi, do frigorífico JBS. Estima que possa custar em torno de R$ 50 milhões e a origem da dinheirama estaria nos R$ 7 bilhões que o grupo conseguiu no BNDES, com juros de 7% ao ano e dois de carência. Entre seus argumentos, cita a legislação dos meios de propaganda “que pune utilização de meio fraudulento para atrair a clientela do concorrente”. Kátia adverte que a campanha da Friboi “é enganosa”, desqualifica os concorrentes e exalta selos de qualidade como se fossem só seus (nenhuma carne chega às prateleiras do mercado sem eles). A senadora alerta que a campanha é em detrimento de centenas de pequenos e médios concorrentes, que passam por dificuldades econômicas. (Via O Mocorongo)

Buchada no Palácio e carimbó na ópera

Parsifal 5.4
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Diante da repercussão negativa dos gastos de R$ 3,44 milhões do governo do Ceará com os regabofes à francesa do Palácio da Abolição, o governador Cid Gomes (PSB) resolveu servir ova de tainha no lugar de caviar.
> Traduzindo o cardápio
Em entrevista ontem (19), disse que não terá mais comidas com nomes estrangeiros no cardápio do Palácio: doravante, o menu será com nomes brasileiros.
Eis a declaração do socialista:
"Se querem fazer demagogia eu também vou fazer. Vou tirar do cardápio todas as comidas francesas, inglesas, russas e deixar somente as comidas brasileiras. Arroz, feijão, carne, frango, peixe e uma entrada. Tudo que for com nome em francês, inglês e russo, vai sair. Vai ficar só coisa com nome em português".
A tradução do cardápio virou piada. O creme de escargot, por exemplo, vai virar “magoado de caracol” (no Ceará banana amassada é banana magoada. É isso mesmo, meu amigo MCB?).
> Buchada no Palácio
Mas a mesa no vernáculo não arrefeceu o ímpeto da oposição, que  já convocou, para o próximo sábado (24), um protesto em frente ao Palácio da Abolição.
A palavra de ordem do protesto é “Cadê meu Caviar. Buchada no Palácio".
> Ópera em ritmo de carimbó
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Talvez a solução de Cid Gomes possa inspirar o Paulo Chaves aqui no Pará a dar termo ao pessoal que protesta contra ele: basta chamar o meu amigo Pinduca para reescrever “Il Trovatore” no ritmo de carimbó.
Apesar de gente fina ser outra coisa, garanto que ninguém vai ficar sentado no Theatro da Paz.