O manifesto “Por uma educação do campo” ou Carta de Marabá, tirado na III Conferência Regional de Educação do Campo, realizada de 28 a 30 de maio recente, mais do que um conjunto de intenções é a radiografia do descaso em que se acham o ensino público e a educação , no campo ou na cidade, na região que pretende vir a ser o Estado de Carajás.
Subscrevem o documento os representantes de MST, Fetagri, Fetraf, sindicatos rurais da região,escola da Efa/Fata, CFRs de Tucuruí, Santa Maria das Barreiras, Tucumã e Conceição do Araguaia; CPT; Copserviços; Adafax; Lasat; 4ª URE/Seduc; Emater; Incra SR27; Seagri; Sagri; UFPA [Colegiados de Pedagogia, Letras, Ciências Sociais e Ciências Agrárias/CSSP, NEAM e NEAF]; UEPA; e das Secretarias Municipais de Educação de Marabá, Itupiranga, Nova Ipixuna, Xinguara, Tucumã, Parauapebas, Curionópolis, São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia, São Félix do Xingu, Pau D’Arco, Novo Repartimento, Canaã dos Carajás, Rondon do Pará e Bom Jesus do Tocantins
O entendimento é simples: só se reivindica aquilo que não se tem. Assim, vistas as prioridades definidas no documento, é possível conjeturar que nos falta quase tudo, principalmente o respeito à cidadania. Ou, como especificam os educadores e educandos, o direito “à educação escolar de qualidade, crítica e criativa, comprometida com a formação intelectual, técnica, política, cultural e humana dos indivíduos.”
Mas a Carta de Marabá não se limitou ao espaço da educação pública formal para o campo. Foi muito além, e inseriu no seu cardápio de reivindicações o “exigir dos governos federal, estadual e municipais compromisso, transparência e responsabilidade no cumprimento das leis que assegurem por parte das empresas a efetivação de seus deveres sócio-ambientais e trabalhistas, respeitando os direitos dos trabalhadores e os interesses e demandas das comunidades, de modo a coibir severamente qualquer ação destas empresas que contrarie o previsto em lei, inclusive impedindo qualquer acesso à financiamento público por parte das mesmas.”
É também propósito, “exigir que a CVRD e demais empresas situadas na região cumpram com suas responsabilidades sócio-ambientais e qe os projetos por elas desenvolvidos sejam discutidos com a comunidade no momento de sua construção e implementação, inclusive os projetos educacionais propostos em parcerias com instituições públicas;” e mexer com a omissão (incompetência?) dos municípios para com os assentamentos e outras comunidades rurais buscando “sensibilizar os prefeitos e secretários municipais de educação para participarem das discussões sobre educação do campo e para o cumprimento do dever do poder público municipal com a política de educação do campo.”
No entender de educadores e clientela, urgem ainda o compromisso e a ação do governo do Estado na democratização das discussões e construção do Plano Estadual de Educação; na organização de grupo de trabalho para discussão sobre educação profissional, contemplando a participação dos atores sociais envolvidos nas discussões de educação do campo; no reconhecimento oficial da pedagogia da alternância, conforme parecer do Conselho Nacional de Educação; na construção democrática e afirmação de uma política pública de educação do campo.
A plenária recente expôs, entretanto, um problema crucial: não existe no âmbito regional uma consistente ação de mobilização das comunidades escolares e organizações urbanas sequer em relação à proposta de construção do Plano Estadual de Educação que, por sua vez, ignora as agendas dos movimentos e organizações, não permite mobilização e debate mais profundos, e se coloca em contradição com o movimento de educação do campo.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Fala sério...
Da coluna de Hiroshi Bogéa no Diário do Pará desta semana sobre suposto “acordo municipal”:
“No Pará, com apoio das duas executivas municipais, PT e PR decidiram firmar pacto de efeito futuro visando coligação na eleição municipal de Marabá. A cabeça de chapa será aquele que aparecer melhor nas pesquisas. Se a eleição fosse hoje, Maurino Magalhães seria indicado candidato a prefeito, ficando a vice com Luiz Carlos Pies (PT), secretário-adjunto da Sepof.”
Escravidão ...
Em 1995, 84 pessoas foram libertadas pessoas de condições subumanas de trabalho no Brasil. Em 2001, o número de libertos passou para 1.174; pulou para 2.306 em 2002 ,e 4.932 em 2003. Até mês passado foram resgatados 24 mil trabalhadores. “Mas as contas não são simples, pois há indicações de que o país ainda tem pelo menos 25 mil, dos quais 12 mil estariam no Pará, o campeão nacional em número de trabalhadores em regime de escravidão”, registra em reportagem de 16 de julho à Revista Pesquisa (Agência Fapesp), o jornalista Thiago Romero, de Belém."Essa é uma matemática cruel que revela a insuficiência das ações contra a escravidão por parte do Estado brasileiro. Não estamos conseguindo diminuir esses índices, quanto mais erradicar esse crime contra a humanidade que fere a todos", disse Ronaldo Marcos de Lima Araújo, coordenador da Pós-Graduação do Centro de Educação da Universidade Federal do Pará (UFPA), a Thiago Romero.Nesse contexto, o Pará responde por 60% dos resgates realizados no país.
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... defendida
Nesta semana (16/7), a Agência Carta Maior denunciou que parlamentares paraenses fazem lobby por empresa flagrada com escravos: Em reunião no gabinete do ministro Carlos Lupi (Trabalho e Emprego), - diz o jornalista Leonardo Sakamoto - o grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego foi acusado de abuso de poder por parlamentares que apóiam a usina de açúcar e álcool Pagrisa, da qual foram resgatados mais de mil trabalhadores na última semana. “Articularam a reunião, ocorrida na última quinta-feira (12), o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e o deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA). Também estava presente o deputado Paulo Rocha (PT-PA), o que é uma surpresa, pois ele é um dos autores da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo for encontrado e que tramita no Congresso há 12 anos.O projeto é considerado uma das principais bandeiras no combate à escravidão. Completavam os presentes o presidente da empresa, Marcos Villela Zancaner, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, José Conrado, e o presidente da Confederação Nacional da Pesca e Aqüicultura, Fernando Ferreira.O ministro Carlos Lupi e a secretária nacional de inspeção do trabalho, Ruth Vilela, ouviram os duros ataques contra o grupo móvel e contra o Ministério do Trabalho e Emprego proferidos pelo senador Flexa Ribeiro. Os demais presentes lançaram dúvidas sobre a fiscalização e o conceito de escravidão moderna, apesar do crime estar previsto no artigo 149 do Código Penal e de ter sido reconhecido pelo país através de convenções internacionais do qual o Brasil é signatário.”
.... e questionada
Caro Ademir:Semana passada li nesta página ( Política & Desenvolvimento, Correio do Tocantins, às sextas) sobre a nova lista de Estados onde se pratica o trabalho escravo. Segundo os dados oficiais, o Pará mais uma vez é o líder na abominável “lista suja” (triste medalha de ouro).Um detalhe que me inquieta muito, como paraense que sou, é que os jornalistas e repórteres jamais se preocupam em informar a origem de cada fazendeiro-escravagista. Se o fizessem, todos saberiam que a esmagadora maioria - talvez nove entre dez – é gente que veio de outros Estados.Tenho amigos baianos, mineiros, capixabas, etc. Logo, nada tenho contra os irmãos que vieram de fora. Mas não posso assistir calado alguns deles sujando a imagem do povo paraense. Sujam o nome do Pará porque a Imprensa não diz de onde veio quem faz. Para a opinião pública nacional e para o Mundo, o que chega é que “o Pará é o líder dos crimes de pistolagem, do trabalho escravo e da devastação florestal”. Aí você vai numa reunião dos que querem dividir o Pará, e vê que a esmagadora maioria também veio de outros Estados.Ou seja, uns derrubam e outros cortam. (Silvio Damasceno, advogado)
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Minha resposta
Sua preocupação procede, dr. Silvio. Fui pesquisar sobre este caso mais recente da Pará Pastoril e Agrícola S/A (Pagrisa), acusada de manter 1.066 trabalhadores em situações análogas à escravidão, e não encontrei qualquer referência à sua origem. Embora instalada em Ulianópolis, seguramente não é paraense. Empresas paraenses são raras. Aqui mesmo em Marabá, a única é a Maragusa, do Grupo Leolar, a ser inaugurada amanhã no Distrito Industrial.Surpreendente foi a atitude de deputados paraenses de diversos partidos que participaram de reunião com o ministro do Trabalho e o questionaram sobre ação na usina de açúcar e álcool Pagrisa. Na reunião em Brasília, quando os políticos do Pará criticaram a fiscalização, também estava presente o deputado Paulo Rocha (PT-PA), o que é uma surpresa, pois ele é um dos autores da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo for encontrado e que tramita no Congresso há 12 anos.O projeto é considerado uma das principais bandeiras no combate à escravidão. Completavam os presentes o presidente da empresa, Marcos Villela Zancaner, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, José Conrado, e o presidente da Confederação Nacional da Pesca e Aqüicultura, Fernando Ferreira.Aliás, O senador Flexa Ribeiro decidiu convocar Ruth Vilela, chefe da Secretaria Nacional de Inspeção do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Humberto Célio Pereira, coordenador de inspeção do Grupo Móvel de Investigação do MTE, para prestarem esclarecimentos junto à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no mês de agosto. Ruth Vilela afirmou que se tratava de “um tribunal sumário” (contra os fiscais que ela chefia), afirmando que o ministro não decide administrativamente.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Pressa, rumo à paz
De: José Henrique de Sousa Castro ( Seu Rico)
AO: Irmão Felix dos Santos Martins de Castro (Batatão)
(Em 10/05/2007 - um mês de falecimento)
I
Indo sempre na mesma direção
Buscando incansável o que pretendia,
Enganado, na mesma correria,
Sem tempo, se quer, para a reflexão!
II
O dia era curto para a obrigação,
Noite, só para remir a agonia!
Na vida, perto do que mais queria,
Foi-se cedo, sem dar explicação!
III
Pelos máximos objetivos seus,
Dispensando alerta à paciência
Até dos mais queridos entes teus,
IV
Enfermo, mas sadio na inconsciência,
Talvez por determinação de Deus,
Fez-se vítima fatal da imprudência!
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Reflexos da borboleta
Um famoso ditado Sufi diz: aquele que conhece os outros, é erudito; aquele que conhece a si é sábio. Ser erudito é fácil, para ser sábio tem que ter vísceras, coragem. Por que? Por que no mundo é preciso ser corajoso para conhecer a si? Existem razões.
A primeira razão é: existe um medo de que se você mergulhar em si mesmo, poderá não encontrar alguém lá... E de certa maneira este medo está certo. Você não vai mesmo encontrar alguém lá. Esta apreensão está certa.
... Alguma coisa vai ser encontrada lá, mas é algo que não se define, é algo que não se expressa em palavras. E este algo não é sua posse; este algo é tanto seu quanto é de todo mundo. Você encontrará algo, mas será o centro universal. Você não encontrará qualquer indivíduo lá, nenhum ego será encontrado. Por isto, o medo. Você irá desaparecer.
No autoconhecimento você irá desaparecer completamente. Por isto as pessoas conversam a respeito dele, perguntam a respeito dele, lêem livros a respeito, mas nunca entram. Um medo inconsciente impede seu caminho.
... Quem sabe no que você vai tropeçar quando mergulhar em si? Pesadelos, monstros... Quem sabe o que está lá dentro? Por que abrir a caixa de Pandora? Mantenha-a firmemente fechada e sente-se em cima. Isto é o que todo mundo está fazendo. E, sob certo sentido, o medo está certo - mas somente sob certo sentido.
No começo você encontrará baratas, rinocerontes, répteis e todo tipo de coisas horríveis - porque estas são as coisas que você esteve reprimindo em si mesmo, estas são as coisas que você não permitiu. Você reprimiu a raiva, o ciúme, a possessividade, o ódio. Você reprimiu a violência e o assassinato. Todas estas coisas estão ali. Esta é a barata que está dentro de você. A violência tornou-se uma perna, a possessividade tornou-se outra e o ciúme uma outra mais...
Quando mergulhar dentro de si, você terá que encarar tudo isto. Naturalmente, esta não é a história toda. Se você puder encarar a barata, se você puder ir cada vez mais fundo, sem qualquer medo, e observar tudo o que estiver acontecendo, e lembrando-se que ‘eu sou apenas um observador, uma testemunha a tudo isto. Eu não posso ser a barata porque eu posso ver’... o que você consegue ver não é você.
Guarde isto como uma chave, uma lembrança constante: tudo o que você vê, não é você. Você vê a raiva? Então você não é ela. Você vê a fome? Então você não é ela. Você vê a sexualidade? Então você não é ela. Você é aquele que testemunha tudo isto. Lembre-se da testemunha e, pouco a pouco, todas as baratas desaparecerão, assim como todos os rinocerontes e tudo o mais que é feio.
O testemunhar é um fenômeno tamanho que dissolve tudo que é feio. Pouco a pouco, somente a testemunha permanece. Mas esta testemunha não será você; ela é Deus. Esta testemunha não pode ser confinada em um Eu - ela é puro ser.
Há poucos dias eu lhes disse que existem duas inscrições gravadas no templo de Apolo em Delfos: ‘Conheça-te a ti mesmo’ e ‘Nada em excesso’. Há uma relação entre estas citações. O homem era aconselhado a conhecer a si mesmo, e no seu conhecer ele deveria evitar extremos. Quais são os extremos?
Dois são os extremos: o inferno e o céu, as baratas feias e as lindas borboletas. Você tem que permanecer uma testemunha de ambas. Você não é nem a barata nem a borboleta com cores psicodélicas. Nem isto nem aquilo - neti neti. Você é apenas o observador, o espelho que reflete a barata e que reflete a borboleta.
De acordo com os sacerdotes de Delfos, um extremo era a tentativa de ir além de sua finitude, agir como se fosse infinito. Isto acontece. Se você for para dentro, ou começa a sentir que é alguma coisa como uma criatura do inferno, ou começa a sentir que você é um anjo, uma criatura celestial. Mas em ambos os casos você novamente criou um ego. Evite os extremos, porque o ego consegue existir apenas com os extremos. Ele morre no meio. O meio dourado é a sepultura do ego.
... de vez em quando é bom descansar por uns dias num retiro nas montanhas, só para um descanso, mas você tem que voltar para o mundo. Sim, é bom meditar por algumas horas, mas depois você tem que voltar para o mundo. ...Não comece a pensar que você está separado, porque o autoconhecimento não pode ser alcançado na separação. Ele é alcançado na união.
E a união mais íntima possível é com outra pessoa. Como você pode estar em comunhão com as árvores se você não consegue estar em comunhão com pessoas? Como você pode estar em comunhão com as pedras se você não consegue estar em comunhão nem mesmo com seu amado ou sua amada? Isto é absurdo! Toda esta idéia é absurda.
... Eu tenho visto pessoas vivendo anos e anos nas montanhas.....elas podem viver num silêncio, mas o silêncio será das montanhas, não é uma realização delas. A não ser que você consiga viver o silêncio na praça do mercado, ele não será uma realização sua.
Ao retornar do Himalaia você, de repente, ficará chocado, pois continuará sendo a mesma pessoa que era antes de ter ido para lá, talvez você esteja até pior. Você não será capaz de tolerar o barulho, o tumulto do mundo. Que tipo de realização é esta? Em lugar de se tornar mais capaz, mais integrado, você terá se desintegrado, terá se enfraquecido. Você não ganhou força.
... Autoconhecimento é um conceito muito estranho, e você precisa compreendê-lo, porque este é todo o trabalho de um Sufi: como conhecer a si mesmo...
Autoconhecimento é um tipo de conhecer, mas não de conhecimento. É um tipo de consciência, luminosidade, mas não conhecimento.
... Hassan costumava orar todos os dias diante do mosteiro, sentando-se na rua. E ele chorava em prantos, olhava para o céu e dizia: ‘Deus, abra a porta! Eu tenho esperado há tanto tempo. Não foi o suficiente? Terei eu que passar por mais testes? Você ainda não me testou o suficiente? Abra a porta! Eu estou chorando. Eu estou em prantos. Eu estou gritando - abra a porta!’
Esta era a sua constante prece, toda manhã e toda tarde. Onde quer que estivesse, ele ia ao mosteiro, sentava-se na rua e orava. Rabia estava passando um dia. Ela bateu na cabeça do Hassan e disse, “Que tolice você está falando? A porta está aberta! Mas você está tão absorvido em seus gritos ‘Abra a porta! Escute-me, Senhor. Por que você não abre a porta’? Você está tão ocupado com essas tolices, que você não consegue ver que a porta está aberta.
Ela sempre esteve aberta”.
Eu concordo com Rabia... Tudo está disponível. Você não precisa lutar. Você nem mesmo precisa se entregar. Porque a entrega é a polaridade oposta à luta. Você tem apenas que estar no meio. Tem que estar no estado de não-fazer, nem lutar e nem se entregar. E de repente você será capaz de ver que a porta está aberta. Você nunca foi a nenhum outro lugar. Você sempre esteve aqui. Onde mais você poderia ir? Estar dentro é a sua natureza. E então tudo é revelado como um relâmpago. De repente a escuridão desaparece e tudo é luz...
OSHO – The Perfect Master
Fonte: Somos todos um. Citado por Elisabeth Cavalcante in “Indo para dentro”
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Entidades denunciam despejos
“A grave crise fundiária do Estado do Pará não se resolverá com cumprimento de mandados judiciais ou ações da Polícia Militar. A solução para esta questão exige a efetivação crescente de políticas sociais no campo e nos centros urbanos, bem como uma intervenção séria e permanente quanto à existência de milícias armadas, que são a retaguarda do latifúndio atrasado que caracteriza a nossa região. Da mesma forma, a realização de um levantamento cartorial de todas as áreas, já que se suspeita da ocorrência de grilagem em grande parte das áreas de despejo. Enfim, um olhar mais cuidadoso e comprometido com a efetivação dos direitos humanos é o mínimo que a sociedade brasileira espera para início do enfrentamento deste problema social tão grave.”
O entendimento consta de carta-denúncia divulgada à imprensa nesta quinta-feira pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH, Comissão Pastoral da Terra – CPT; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST; Federação dos Trabalhadores da Agricultura – Fetagri; e Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar – Fetraf.
As entidades temem deparar-se com a possibilidade “concreta do Estado do Pará conquistar novo ranking nacional na violação aos Direitos Humanos”, constatação que se dá “pela Ação Especial da Polícia Militar de cumprimento dos mandados judiciais de Reintegração de Posse em latifúndios do Estado, o que levará a uma situação crítica e de maior vulnerabilidade às milhares de família sem terra nas regiões sul e sudeste do Estado do Pará que serão expulsas do direito de conquistar direitos.”
A Polícia Militar e o Oficial de Justiça da Vara Agrária de Marabá já efetuaram despejos forçados em 06 (seis) fazendas da região de Marabá, colocando nas estradas, no desabrigo e na desesperança cerca de 380 famílias sem-terra. Cinco ordens de reintegração de posse expedidas pelo Judiciário Paraense, através da Vara Agrária de Marabá, ainda estão com risco de serem efetivadas, quais sejam: Fazenda Reflorestamento Água Azul II – Breu Branco; 2. Fazenda Mutamba – Marabá; 3. Fazenda Santa Maria – Eldorado dos Carajás; 4. Fazenda São Marcus – Parauapebas.
Temos clareza de que a grave crise fundiária do Estado do Pará não se resolverá com cumprimento de mandados judiciais ou ações da Polícia Militar. A solução para esta questão exige a efetivação crescente de políticas sociais no campo e nos centros urbanos, bem como uma intervenção séria e permanente quanto à existência de milícias armadas, que são a retaguarda do latifúndio atrasado que caracteriza a nossa região. Da mesma forma, a realização de um levantamento cartorial de todas as áreas, já que se suspeita da ocorrência de grilagem em grande parte das áreas de despejo. Enfim, um olhar mais cuidadoso e comprometido com a efetivação dos direitos humanos é o mínimo que a sociedade brasileira espera para início do enfrentamento deste problema social tão grave.
Neste sentido, temos como imperiosa a necessidade de intervenção deste Órgão para dirimir dúvidas quanto à exata localização das áreas pleiteadas pelos pretensos proprietários para que se evite a continuidade de execuções judiciais injustas e, o mais grave, a ocorrência de sangrentas e irreparáveis violações aos direitos humanos em flagrante situação de risco social.
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