O deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), contrário à emancipação de Carajás, no último dia 15 postou no Twiter a seguinte declaração: “Decepção é o que o povo está tendo com aqueles que, em nome de uma causa, sumiram com R$ 5 milhões da campanha”.
O fazendeiro Luciano Guedes, a quem Jordy seguramente dirigiu a peçonha virulenta, como diriam Autusto dos Anjos e nosso Degas, assinalou no dia seguinte que a dentada atingiu-o em pleno fígado e reagiu:
“... não vou aceitar um mentiroso, caluniador, utilizar do mandato para intimidar cidadãos de bem da nossa região. Temos que utilizar de instrumentos jurídicos para comprovar ou desqualificar as denúncias feitas por este Deputado. Se não adotamos tais medidas, parece para todos que estamos coniventes com desvios relatados por este senhor.”
A frase é de e-mail dele enviado aos seus “prezados companheiros Salame, Giovanni, Haroldo e Ademar”, antigos e atuais integrantes da Frente Pró-Carajás, em que explica não ter sido ordenador de despesas do Ipec (Instituto pró-Estado de Carajás, e articulado em Redenção), onde era o presidente com “a responsabilidade estatutária de representar apenas institucionalmente a entidade”.
Amortecida a bola no peito, Luciano Guedes a remete, num voleio, aos três tesoureiros do Ipec – Hidelfonso, prefeito de Abel Figueiredo, Ítalo Ipojucan e Marcelo Queiroz, “que assinam documentos em número de no mínimo de dois”.
Atirado o trio ao monte de lenha seca das piores suspeitas, Guedes hipoteca solidariedade a esses “homens que dedicaram parte do seu tempo à causa e lutaram bravamente para colocar os nossos trabalhos nos trilhos, com credibilidade, viabilizando iniciativas que precisávamos de uma instituição para legalmente contratar e pagar alguns serviços essenciais ao inicio dos trabalhos”.
Depois acende o fogo da fogueira pública sob os três suspeitos da iniqüidade, enquanto considera, com gravidade, “ser injustiça agora deixarmos os três companheiros responderem sozinhos por algo absurdo (a denúncia de que eles desviaram R$ 5 milhões).”
Antes, por fim, de lavar as mãos Luciano Guedes deixa assar bem a batata e a arremete em brasa a seus prezados companheiros: “Espero ainda que a nossa frente tome providências, pois se trata de uma estratégia ardilosa de um adversário da nossa causa, que está utilizando de uma mentira para desestabilizar o nosso grupo e induzir a opinião pública a descredenciar-nos a possuirmos a credibilidade necessária do nosso grupo, quando estivermos em trabalho de arrecadação de recursos imprescindíveis a viabilidade da nossa campanha.”
Atual presidente da Frente pró-Carajás e filiado ao mesmo PPS de Jordy, o deputado João Salame não se fez de rogado. Na segunda-feira, 17 de outubro, mandou e-mail a Luciano Guedes informando-lhe não ter medo de entrar na justiça contra ninguém, “mas o próprio Jordy, numa das mensagens no twitter, disse que não era de mim que ele estava falando. E que o suposto desvio ocorreu antes de eu assumir a frente. Portanto, ele está falando da pré-campanha. Do IPEC”.
E devolve a batata ardente: “A Frente não tem o que responder porque não arrecadou nada. O IPEC arrecadou. Por sinal, até hoje eu não sei o que foi arrecadado e onde foi gasto. Já pedi o relatório, mas não me entregaram. Portanto, não posso responder por algo que não sei de nada”. Dada a mordida, não deixa de assoprar: “Sou solidário a você porque lhe conheço. Mas essa demanda quem tem que acionar é o IPEC. Se precisar de mim, estou junto.”
Para quem está de camarote assistindo a guerra intestina da Frente pró-Carajás, ficou a impressão que seguramente R$ 5 milhões de origem meio obscura (fruto de arrecadação com leilões de gado doado) viraram bufa de visagem, para dizer o mínimo. E logo logo se recorda da boataria de que os donos de Carajás teriam torrado R$ 1,5 milhão com um advogado que sequer apareceu em Brasília para defender, no Supremo, a causa da emancipação regional.