quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Lixão dentro da cidade
O Ministério Público, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, qualquer um ou todos juntos deveriam ir ver o que a prefeitura de São João do Araguaia está fazendo com o lixo que esporadicamente recolhe nas ruas da cidade.
É que tais resíduos sólidos, que vão de lixo hospitalar a toda sorte de porcaria, vêm sendo atirados dentro da zona urbana, a menos de 80 metros do hospital e não mais de 50 da margem da estrada de acesso ao centro da cidade. “Até caminhão limpa-fossa vem despejar sua carga nojenta aqui”, disse um morador da cidade, que pediu para não ser identificado.
Ligados à tradicional família local, os donos do terreno asseguram que o prefeito Marisvaldo Campos simplesmente mandou invadir a área e transformá-la em depósito de lixo sem qualquer explicação ou negociação (que não seria aceita porque o lixão está no caminho de acesso à fazenda onde residem e o fedor é insuportável). Por isso, devem recorrer à Justiça em busca de indenização e remoção dos entulhos e saneamento da área, com vigoroso ônus para a desastrada administração.
Estádio novo
Anotem: a construção da primeira etapa do novo estádio de futebol de Marabá, objeto do convênio 573559 com o Ministério do Esporte, teve a liberação de R$ 500 mil (50%), em 21 de novembro recente. Agora, dia 4 de dezembro, saiu também um dinheirinho (R$ 30 mil) do Ministério da Educação – convênio 595689 – para a realização de eventos técnico-científicos no âmbito do Programa nacional de Apoio às Feiras de Ciências da Educação Básica. É o que informa à P&D o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi)
O concreto e o rio triste
Recebi da amiga e prof. Jucilene, há anos residente em Belém:
“Oi, Braz, como estás? Sinto saudades de ti.
Fui a Marabá, vi o bairro do Cabelo Seco, a Santa Rosa, e fiquei pensando:
certas intervenções provocam melancolia... Onde estão as lavadeiras, as tábuas de bater roupa, os quaradouros, os moleques a carregar trouxas e fazer estripulias? Só vi concreto, areia e um rio que parecia correr cansado e triste.
No burburinho de suas águas, ouvi um resignado lamento.”
Livre-pensar
O cara de Redenção considera um acinte dizer-se que uma cidade tem muro baixo só porque os pilantras e cafajestes desenvolveram a arte de voar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
A arte de chupar casca de bala
Foi mais ou menos às oito e meia da noite de quinta-feira, 22 de novembro. Eu seguia a pé na direção da VP-07, uma das vias principais da Nova Marabá, não muito distante da minha casa e nas ruas muita gente aproveitava o luar à frente de suas casas. No Bar do Zé e no do Gaúcho, onde se vende boa cerveja e espetinho de carne e frango, famílias inteiras com crianças ocupavam mesinhas a conversar e a ouvir música. Somos por essas bandas uns moradores que saímos cedo para o trabalho e só voltamos no fim da tarde. Há militares, profissionais liberais, professoras, trabalhadores braçais, operários, motoristas profissionais. As vias internas são calçadas e se podemos nos queixar há de ser da Cosanpa, o maior de todos os infernos sartreanos, e da insegurança que produz assaltos a residências e a pessoas qualquer no meio da rua a qualquer hora do dia.
Até às nove da noite há um tráfego regular na Folha 17, principalmente de fora para dentro do bairro, no retorno ao lar. Então naquela noite, 22 de novembro, ninguém estranhou a camionete preta que veio devagar na pista e estacionou bem no trevo em frente à escola fundamental. Poucos, de fato, prestaram atenção no veículo de cabine dupla, e entre esses um rapaz que imediatamente saiu correndo em desespero na direção do bar Fim de Tarde, lotado àquela hora, inclusive com crianças de colo em seus carrinhos e suas mães.
Foi só quando estrondaram os tiros – três, espaçados, medidos, tenebrosos – é que todos começaram a correr. Assim que freara a camionete, o motorista desceu já de arma em punho e começou a disparar na direção do rapaz desesperado a fugir em ziguezague. Agora imaginem o terror daquelas pessoas tranqüilas, apanhadas no meio de uma saraivada de balas.
Feita a sua arte, o pistoleiro saiu queimando pneus na direção da avenida principal. Sorte que, felizmente, os disparos não atingiram ninguém. Pouco tempo depois, o pistoleiro foi visto tranquilamente estacionado noutro bar muito freqüentado, do outro lado da VP-07, como se nada tivesse acontecido.
Ainda hoje há quem espere alguma patrulha da polícia para apurar o tiroteio.
Estrebushismo na literatura do Pará
Salomão Larêdo, escritor e jornalista
Estrebucham os que têm vergonha de ser paraense, de falar no Pará, de valorizar o que é nosso e continuam valorizando só o que vem de fora achando que o que temos e produzimos aqui não presta, não serve, não é bom e nesse sentido, certamente, estão redondamente enganados os adeptos do bushismo, embora tenham todo o direito de estrebuchar e estrebushar.
Daqui desta Amazônia, da região norte, do Pará, continuarei defendendo o que é nosso. Refiro-me a literatura local. Continuo também defendendo a Feira do Livro do Pará que começou nos tempos em que a bibliotecária Valdéa Cunha era diretora de biblioteca da FCPTN e que se efetivava no espaço Ismael Néri, do Centur, faz tempo ( e depois virou, com outra numeração, Pan-Amazônica) há memória disso, é só consultar.
Analisando tanto quanto pude, escrevi (em minha dissertação de mestrado em estudos literários a respeito do esquecimento que se dá ao escritor Raymundo Moraes, como metáfora do nosso proceder com tantos escritores de valor que temos) , que a UFPA, de há muito, aboliu a disciplina Literatura Paraense – recordo que o professor José Arthur Bogéa esperneou e telefonou aos escritores para que reagissem a essa tirania -, por entendê-la restritiva e já inclusa dentro do que se chama Literatura Brasileira e aí nomeou de expressão amazônica,sem dúvida, bonita, porém, nada nomeia se não identificar o estado, a localidade. E o mais grave, ficou sem ser estudada na graduação e na pós, pasmem !
Vamos assim, abolindo, deixando de falar, omitindo e não divulgando o que é nosso, do Pará, quando se trata de literatura, pois nas outras vertentes da arte até que não há tanto esse preconceito. E o Pará perde divulgação também através do açaí, da castanha, cupuaçu,do tacacá e outros produtos. Não defendemos, perdemos.
Minha identificação: sou paraense que nasceu na Vila do Carmo, município de Cametá e ardoroso defensor da cultura da minha região e de meu estado, o Pará. Então sou adepto do paraensismo, sem nenhum tipo de xenofobismo. Amo o Pará e procuro defender o que é nosso e então nesse sentido, sou contra o separatismo, embora adepto do pluralismo cultural, do compartilhar, da interlocução, da diversidade.
Logo, sou consciente das defesas que faço a respeito do Pará. Para mim, existe e vai continuar existindo a Literatura Paraense. Adoto o termo porque é uma forma de chamar a atenção do público aos escritores de nosso terra, pois estamos distantes do eixo sul/sudeste que destaca ,através de um cânone preconceituoso, de um lóbi de editoras,apenas quem quer. Existe sim, preconceito lá que começa aqui por quem tem vergonha de falar do que é seu e até de dizer que é do Pará. Somos e muito discriminados e há tanto preconceito porque somos caboclos parauaras do Norte.É uma luta constante que travamos contra tudo e contra todos que querem nos ver pelas costas, sem nos dar chance de mostrar o que produzimos, o que somos.
Percebo que a situação é a mesma no Rio Grande do Sul. Leio matéria publicada na revista “Entrelivros”, deste mês de novembro, que tem por título – Literatura Brasileira – a ficção do sul profundo, em que Marcelo Backes, no lead, comenta: “conheça 11 escritores gaúchos, pouco conhecidos além dos limites regionais, que merecem atravessar a divisa do Mampituba”.
Marcelo informa que “nas universidades, há disciplinas de literatura do Rio Grande do Sul [...] E sempre fomos gaúchos acima de tudo [...]. Estamos começando a nos mostrar solidários. Se a lenda dizia que um cesto de caranguejos baianos tinha de ser trancado rigorosamente porque uns ajudam os outros a subir, deixando-o vazio em poucos segundos, enquanto o cesto artístico de caranguejos gaúchos podia ser deixado aberto, porque assim que um subia o outro se encarregava de puxá-lo pra baixo, agora não é mais assim. Estamos começando a nos unir!”.
E aí então o autor do texto começa a apresentar os 11 escritores e comenta que “alguns dos melhores autores continuam nas beiradas, ou às margens editoriais, midiáticas e geográficas”. E encerra comentando que “muitas vezes é na franja que um tecido se apresenta mais encorpado e complexo, e nós, o leitor, certamente não queimaremos a boca se comermos pelas beiradas o mingau da façanhuda literatura gaúcha”.
Devíamos seguir o exemplo, nos unir e quem sabe, começar cavando ao menos uma matéria similar a essa que aqui citei. A lenda do cesto de caranguejo é muito conhecida no meio artístico paraense. Aqui, fez sucesso, o outro se morde, acha ruim e procura destroçar o outro, puxa mesmo para o fundo da lata ou do cofo. Nem solidariedade intelectual temos, com exceções, claro, é só lembrar de José Veríssimo, José Eustachio de Azevedo e do que reclamava Dalcídio Jurandir.
É a união que faz a força. Os gaúchos nomeiam sua feira de livro de: Feira do Livro de Porto Alegre, como fizeram recentemente Manaus e São Luis e já fazem Frankfurt, Nairóbi, Paris, Bogotá, Curitiba, Parati, Bahia, Pernambuco e outros, todos, se ufanando do que é seu . Então, nomeemos assim a nossa : Feira do Livro do Pará.
Por que será que para os adeptos do bushismo, é proibido, indevido, revela insensatez, mesquinhez, provincianismo, falar da Literatura do Pará ou Literatura Paraense? Livro, leitura e literatura são direitos também dos pobres e não apenas da elite, dos ricos, dos mandarins, dos donos do cânone literário, dos que se acham no direito de dizer o que serve,o que presta. Devemos deixar ao povo essa escolha democrática. A discriminação não é um caminho de transformação social. O escritor do Pará, o artista paraense, tem talento, produção e merece nosso estudo, nosso respeito, nossa estima e nossa divulgação.
Viva a Literatura do Pará!
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Vaqueiro
______________________ Ademir Braz
Seu moço, a minha história
não é de mais nem de menos:
nasci na barra do vento,
filho do deus sem memória.
Mas não me queixo, seu moço:
eu tanjo aquilo que posso;
entre patrões e a boiada,
sou bem melhor na laçada.
Se assim viver não é vitória,
que me importa a glória,
essa novilha arredia?
Tenho por lar e sustento
o lombo da montaria,
e sobre o chapéu de palha
a luz de Deus me alumia.
Eu não conheço outro mundo
além dessas pradarias;
e desses campos, seu moço,
desse verde verdejante
que não se farta de grande,
visto a minha fantasia:
eu não conheço outro mundo
além dessas pradarias.
Lá dentro
O CD "Canto a Canto" de Dauro Remor e Néviton Ferreira, parceria com o poeta Ademir Braz, pode ser encontrado no site do também poeta e compositor Marcus Quinan (www.ladodedentro.com.br), loja virtual especializada na divulgação e comercialização da arte brasileira.
A morte de Dezinho faz sete anos
Nessa quarta-feira (22) completou-se o sétimo ano do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, assassinado em Rondon do Pará, área de influência da BR-222 (ex-PA-70), em 2000. Dezinho era um dos mais conhecidos e combativos sindicalistas da região sudeste do Estado, dedicando sua vida na defesa corajosa dos direitos dos trabalhadores rurais, principalmente o direito ao acesso à terra e à Reforma Agrária.
Inconformados com o que consideram “descaso do poder judiciário de Rondon” com o processo que apura este e outros assassinatos de lideranças camponesas no município, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura – Fetagri Regional Sudeste, a Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá, e a Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH - divulgaram, na data, nota pública em que repudiam a impunidade e exigem a penalização dos responsáveis.
“Se não fosse o próprio Dezinho – diz a nota - que, instantes antes de morrer, conseguiu segurar o assassino, o crime teria ficado totalmente impune, a exemplo de tantos outros sindicalistas já assassinados no sul e sudeste do Estado. Após sete anos, o único condenado pelo crime foi o pistoleiro Wellington de Jesus, preso pelo próprio Dezinho. A polícia do Pará nunca fez qualquer esforço para prender os principais intermediários do crime (Ygoismar Mariano e Rogério Dias).”
Para as entidades, o principal acusado de ser mandante do crime, Décio José Barroso Nunes, o Delsão, “teve sua absolvição pedida pela promotora Lucinery Helena Ferreira e confirmada pelo juiz da comarca Haroldo Fonseca. Uma decisão escandalosa, pois, tanto o pedido da promotora quanto a decisão do Juiz reflete mais os aspectos ideológicos em favor do fazendeiro e contra os movimentos sociais do que os fundamentos jurídicos”.
Em razão disso, os movimentos sociais que acompanham o caso ingressaram com um pedido de suspeição da promotora para que ela deixasse o processo por entender “que ela não possui isenção necessária para representar o Ministério Público na ação. Outro fato que causou surpresa aos movimentos é que a promotora Lucinery assumiu o processo semanas antes da sentença de pronúncia e, logo após seu pedido de absolvição do fazendeiro ter sido acatado pelo juiz ela deixou de responder pela comarca de Rondon.”
No dia 09 de abril este ano, os advogados da assistente de acusação ingressaram com recurso no sentido estrito contra a decisão do Juiz de Rondon que impronunciou o fazendeiro. “Sete meses e doze dias se passaram e não há registro no Tribunal de Justiça do Estado da chegada do processo em Belém. Um total descaso da justiça de Rondon”, acrescenta a nota.
O documento reitera também a paralisação de outros processos, como o que apura a execução do sindicalista Ribamar Francisco, há quatro anos, e o do trabalhador Reinaldo Félix, assassinado há 10 anos. “O fazendeiro Delsão é acusado de ter participado de outros quatro homicídios na cidade e não se tem notícia do andamento de nenhum desses processos. Com esses exemplos, fica a impressão para os movimentos sociais que, quando se trata de assassinato de trabalhadores rurais ou lideranças sindicais não há interesse nem da polícia e nem da justiça de Rondon em apurar”.
Nesse contexto, e sem acreditar e sem esperar nada da justiça de Rondon, Fetagri, CPT e o STR de Rondon estão encaminhando os casos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Com respeito a Dezinho, o governo brasileiro já foi intimado para responder e no caso Ribamar deverá ser intimado em breve.
Miúdas desventuras na terra do sol
Dona Maria Ester observou o reloginho de pulso mais uma vez. Entre 10:30h e 11:00h de uma segunda-feira, 4 ônibus passaram à sua frente numa única direção: um atrás do outro, seguiam apressados rumo ao ponto de partida na Folha 15. Há pelo menos 20 minutos D. Ester e outras 14 pessoas já esperavam o coletivo em frente à antiga companhia telefônica, antes que ela começasse a anotar a própria angústia de passageiro dependente e desprotegido. No período, mais de 20 mototáxis passaram devagar, apanhando fregueses inconformados, enquanto no abrigo – sujo e sem conforto – multiplicavam-se as comparações entre um e outro meio de transporte, com elogios para os motociclos embora o receio de utilizá-los por falta de segurança. “Deus me livre andar na garupa desses doidos”, disse uma velhinha. Nenhum táxi, é verdade, circulou por lá; é que em Marabá o transporte público regular ainda é uma Bastilha inexpugnável.
Às onze, o coletivo embicou na curva em frente ao colégio estadual. Acolheu, sem pressa (passinho à frente, por favor!), os quase desesperançados moradores do cubículo imundo, juntou mais de duas dezenas de outros em frente à unidade de saúde e parou de vez, sem fôlego ou ânimo, apropriadamente à entrada da emergência do hospital. O céu estava cheio de fumaça e o hospital público lotado de crianças e idosos com infecção respiratória aguda causada por fumaça. (Como estariam os meninos sem-terra acampados no Incra?)
D. Ester não sabe quanto tempo levou para retomarem a viagem nem se foi necessária a providência médica, mas acha que não demorou muito: o ônibus tossiu, rosnou, mugiu, trotou aos arrancos. No km-6, bem à entrada da Nova Marabá, o carro entupiu-se de gente. O motorista ainda sugeriu que parte da multidão esperasse, “atrás vêm ônibus mais vazios”, mas não deu certo: era fim de expediente, hora de voltar da feira. O vizinho de cadeira de D. Ester contou 4, 6, 8 sujeitos mal-encarados, muito juntos dois a dois, formando estranhas duplas siamesas. Todos de pé, olhos ariscos, uma das mãos ocupada com pasta de papelão e elástico. Espalhavam-se claramente de forma ordenada na patuléia espremida entre o motorista e o cobrador. Um deles – sarará com cara de mucura – parecia ter dormido num buraco de olaria entre gambás: sujo, fedia à longa distância. Quatro desceram às pressas no terminal rodoviário e às pressas tomaram outro coletivo. “Roubaram minha aposentadoria”, lamentou um velhinho.
D. Ester, coitada, apertava trêmula a bolsa contra o peito. Tinha visto como um dos safados, Deus me perdôe, colava-se no corpo de um passageiro enquanto o outro bulia no bolso do coitado. Um pequeno tumulto formou-se dentro do coletivo, do que se aproveitaram os demais siameses para descer, inclusive o gambá com bigodes de arataia. “Bandido aqui, dá no meio da canela; só ontem contei 16 nesse mesmo horário”, dizia passageiro que acabara de subir pela frente. “E a polícia, cadê a polícia?”, indagava uma senhora. “Tá de greve, madame”, disse uma voz impotente. Não era verdade: a polícia militar desapareceu das ruas por qualquer outro motivo, não esse. Antigamente os guardas andavam de dois em dois, a pé ou montados, em patrulha. Diz-que depois da mortandade de Eldorado, em abril de 96, eles se afastaram não só do patrulhamento, mas de qualquer outra atividade, numa espécie de clausura imposta por inelutável força superior. A civil? Esta igualmente não se vê; sem carro, sem gente, sem armas, onde já se viu?
Até à Cidade Velha, passageiros lamentaram a situação de insegurança na cidade. Domingo, no furdunço do Vavazão, mataram um a facadas, lamentou um rapaz; e ficou um silêncio de repente. De um e outro lado do bambual do aterro, entre as olarias e a lagoa, subiam labaredas. No horizonte, um avião lutava entre nuvens brancas e pesados novelos de fumaça das queimadas.
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